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Archive for the ‘Notas de degustação’ Category

Os vinhos de “Monsieur Romanée”

In Notas de degustação on November 8, 2007 at 8:47 am

almoco-dom.jpgNão é todo dia que se ganha na loteria, tomar todos os vinhos do Domaine de la Romanèe-Conti com o próprio Aubert de Villaine equivale a um prêmio e tanto.

No Paladar de hoje sai um relato do almoço com detalhes. Aqui faço um breve comentário sobre cada vinho, todos de 2004, exceto o Montrachet, que era 2000.

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O Echézeaux: quando chega é um vinho de wow! Tem aquele ataque no nariz de uma Pinot exuberante, delicioso, sedutor, carnudo. Mas com o tempo foi ficando meio fácil demais, um toque de caramelo, o mais simples (olha que audácia!), um grande vinho, não há dúvida, mas quando se pode comparar…

 

O Grand-Echezeaux: o mais decepcionante, a primeira garrafa eu ousaria dizer que tinha um toque de brett, algo desequilibrado para o lado escuro, pouco vivaz. Pedi para provar da segunda garrafa aberta, idem, melhor, mas assim mesmo, pouco eloqüente, não entusiasmante, virtudes contidas demais.

 

O Romanèe-Saint Vivant: este já dizia a que vinha, bela acidez, muita fruta é claro, pela idade jovem, mas com estrutura e qualidades que prometem um futuro interessante. Bom, um dos melhores, até pelo preço.

 

O Richebourg: aqui já comecei a tirar o chapéu, austero e cheio de si, mas com toques perfumados e nuances belíssimas da Pinot no que tem de melhor, consegue ser ao mesmo tempo delicado e firme, me fez lembrar uma bela imagem de Gerald Asher: é como tocar um gato, macio, sedoso, mas você sente a musculatura lá embaixo. Como se pode notar nas minhas rabiscuebas na caderneta, eu que só dou notas para minha própria orientação e lembrança, taquei um F19+ nele, que no meu código quer dizer uma espécie de summa cum laude.

 

O La Tache: aqui já estamos no reino dos absolutos, não era o melhor para mim, mas é preciso respeito por tamanha qualidade e imponência, um vinho de silêncios e chiaroscuri, como diria meu amigo Didú, imaginem quando estes vinhos, todos eles, ganharem sua década de garrafa e os aromas terciários da maturidade!

 

O Romanée-Conti: saímos da esfera da mortalidade, de um mito não se fala, não que seja perfeito, apenas pela raridade, pelo peso do nome e pelo preço, já não se trata de vinho propriamente dito, passa a ser um emblema de toda uma produção, de toda uma região, como é o Vega-Sicilia na Espanha, os Lafite em Bordeaux, já não é um liquido que se bebe, mas um acontecimento vinícola uma garrafa destas ser aberta e compartilhada. 

O Montrachet: elegante à exasperação. É tão elegante, mas tão elegante, que dá vontade de dar uma despenteada nele, tirar alguma coisa do lugar. Tem aquela eletricidade que se descreve na Chardonnay no auge da perfeição, aquela acidez viva, que faz sorrir sem exuberância. É um vinho que implode os sentidos, de repente a gente fica pensantivo, um pouco perplexo e um pouco surpreso, mas como? Os de Madame Leroy eram mais cativantes, mais amigáveis, este é muito tranquilo, não precisa dizer nada, fica ali e quando voce percebe está pensando nele dias depois, totalmente apaixonado.

Bouza Tannat-Tempranillo 2005

In Notas de degustação on April 8, 2007 at 1:54 am

fo_bote_tempra_tan.jpgContinuando…não consigo parar de gostar deste vinho. Quem ainda punha interrogações e exclamações quando via as duas palavras juntas: Uruguai e vinho, que guarde suas restrições. Este é um dos vinhos mais simples dos Bouza. E no entanto, um nariz de muita fruta mas com elegância e nada, NADA de Novo Mundo óbvio, naqueles cheiros de fermentos e leveduras tão frequentes, ou de madeira mal secada. Um nariz convidativo e ao mesmo tempo complexo, layers…Uma hora é pimenta recém moída, noutra hora é a coisa meio tabacosa da Tempranillo e noutra um pouco de nanquim, do escuro profundo da Tannat, tem até um pingo de Brett, mas psicologico, tem coisas que se sente com o olfato, outras que quem sente é o cérebro. A Bodega é de uma limpeza tão esmerada, parece um sonho, com carneiros pastando em volta.  E na boca, um sólido europeu cheio de nonchalance,  despretensioso e por isto mesmo espetacular  (olha que atrevimento falar isto de um vinho do vizinho), ótima acidez, boa estrutura, duração, gosto de “quero mais”, corpo, um vinho emocionante, um pingo de amargo no final, e o nariz vai andando para o chocolate de puro cacau, um toque de aniz, um pouco de defumado, uma lembrança de alcaçuz. Como se vê, nem um pouco unidimensional, cheio de nuances. Aparece, como já disse,  um pouco da Tempranillo (que representa 40% do corte) e uma Tannat tão fina, tão delicadamente trabalhada…Boido é o Professor Higgins da Tannat. Sabe aquela gotinha que fica na taça? Geralmente, com a exposiçao ao ar e com o calor, esquecida ali, ela acaba mostrando uns aspectos desagradáveis. É neste vinho dormido que aparecem certas verdades, a decrepitude, os defeitos. Pois esta gotinha no caso do Bouza é um perfume intenso, ainda melhor. O pequeno país está explodindo de qualidade. Não aguento mais esperar para provar o Arretxea branco dos Pisano…

Calor

In Notas de degustação on February 25, 2007 at 1:30 am

quara_2.jpgNeste verão bravo que baixou de repente, todo picado por pernilongos, suando (o inferno é quente, sempre me lembro disto, não é frio…), comprei o melhor amigo do amante de vinhos, um branco direto, que fala sem embromações e vai logo ao ponto: refrescar. Um Quara Torrontés, muito floral no nariz, seco e agradável na boca, para beber gelado, desta uva tão argentina que todo mundo ama detestar, sendo eu o único enamorado dela. Não frio, nem resfriado no balde de gelo, estas coisas…beber gelado mesmo, com sede. Custa meros 16,90 reais e ainda tem um rótulo divertido com uma lhama.

Jansz, espumante da Tasmânia

In Notas de degustação on February 5, 2007 at 11:31 pm

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Quem pensa que da Tasmânia só vem o demônio do desenho animado, eis um delicioso espumante para não se envergonhar do próprio nome de champagne, 60 porcento Chardonnay e 40 porcento Pinot Noir e ainda tem um pouco de Pinot Meunier, fresco mas encorpado, com um aroma convidativo de amendoas e do breve estágio em madeira, feito com maestria por uma enóloga _mais uma_ que elas estão começando a dominar tudo. Como vinho é cultura, além de ser bom para beber, fui obrigado a procurar onde exatamente ficava a Tasmânia e qual o seu clima. Pois não é que esta enorme ilha do Pacifico consegue ter altitude e variação climática para se dar ao luxo de produzir Pinot de qualidade e ainda por cima usá-lo neste blanc de noirs[ não propriamente, pois tem a Chardonnay, mas vale a licença poética]? Se eu desse pontos daria vários, como ainda não me decidi como qualificar os vinhos, vou aplicar um belo +++ neste. Vaya complejidad! Cheio de narizinhos esquisitos, gulosinhos, coisas e detalhes, cada gole um tipo de sensação, que é o que se espera do chamado vinho complexo. Uma hora é manteiga da malô, outra hora a acidez super equilibrada. Não tem aquele cheiro de fermento tão típico dos espumantes mais tristinhos. Confesso um pecadillo, mas nesta altura da vida…coloquei o balde de gelo do meu lado e fui bebendo, ouvindo Bach, a garrafa ao alcance da mão. No final de ambos, concerto de Bach e garrafa, me invadiu um sentimento de felicidade que não é exatamente humano e nem merecido. O Jansz chega ao Brasil importado pela KMM.