luizhorta

Archive for the ‘Idéias gerais’ Category

O anexo

In Idéias gerais on January 2, 2009 at 10:59 pm

Meu cérebro tem, pelo menos, dois compartimentos. Um que pensa, fala e escreve sobre vinhos e o outro, que trata do resto dos assuntos. Enquanto o Glupt! dá conta da parte 1, preciso de um puxado para tratar da 2. 

Foi então que me lembrei que ainda tinha esta casinha, onde morei virtualmente alguns anos. Uma espanada básica e eis o lugar pronto para visitas. 

Lá ficam os vinhos e sua grande fatia de atenção. Aqui alguns resmungos sobre arte, coisas, livros e o canto do Roxanol.

Glupt! adeus, Glupt! olá

In Idéias gerais on December 2, 2008 at 12:27 am

 

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Mudar de endereço virtual é simples, o clique do mouse num novo link. Mas é uma mudança como todas as outras, tem um momento (rápido) de melancolia, boa melancolia é verdade. Foi bom fazer o Glupt! aqui, cerca de dois anos que fixaram belas garrafas, vinho e vida correndo paralelo.

Espero que o hedonismo tenha sido agradável, mas modesto, como convém. E que no novo endereço continuemos a afável construção de nosso jardim de Epicuro. Já estamos postando no:

http://blog.estadao.com.br/blog/horta/

Ci vediamo!

Novo site do Paladar

In Idéias gerais on December 2, 2008 at 12:12 am

Acaba de ser colocado no ar o novo site do Paladar, onde está o contéudo do caderno e umas atrações extras, o blog da redação e o blog do Saúl Galvão, além de receitas, comentários, críticas de restaurantes, entrevistas. O link está abaixo. Para lá migraremos, explico no próximo (e derradeiro) post do Glupt!

http://www.estadao.com.br/paladar/

Vinífera ilha

In Idéias gerais on November 30, 2008 at 3:05 pm

No Paladar de 5a passada, artigo sobre Miquelángel Cerdà, bom de papo e personagem e tanto, da ilha de Maiorca, cujos vinhos estão cada vez melhores.

http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup284446,0.htm

Exames pré-natais

In Idéias gerais on November 30, 2008 at 4:02 am

Enquanto o Glupt não renasce, vou fazendo umas tarefas caseiras e ouvindo as cantatas de Natal do velha peruca Bach. Harnoncourt e Leonhardt capazes de emocionar o mármore com a BWV 64: Sehet, welch eine Liebe hat uns der Vater erzeugt. Tem horas que acho que Bach não é patrimonio da Unesco, estas coisas, ele é a própria humanidade.

Ouriçado

In Idéias gerais on November 28, 2008 at 5:39 am

Ando pensando demais em uni, ouriço que comi numa preciosa espelunca da Liberdade. Foi a melhor coisa que comi neste ano, até agora. Suspiro.

Quase

In Idéias gerais on November 26, 2008 at 1:59 pm

Dia 1 de dezembro: novidades do Glupt! em seu novo endereço. Está quase.

O velho e o novo

In Idéias gerais on November 15, 2008 at 3:02 am

O Glupt! está no final. Vem aí: o Glupt! Estamos empacotando as coisas para a mudança. caballeros

Os ibéricos

In Idéias gerais on November 7, 2008 at 9:59 pm

A capa da semana do Paladar rendeu também um vídeo. Foi um momento rápido e fabuloso, emocionante, ver aquele quadro um pouco antropofágico, um pouco Caravaggio, ser registrado ao vivo. Como todo mundo, groupie e foodie, tirei minha fotinho com Ferran Adrià para a posteridade.

O link para a TV Estadão está aqui:

http://www.estadao.com.br/interatividade/Multimidia/ShowVideos.action?destaque.idGuidSelect=1FD9BC8A6424410CB78A3074D9B1012D

Não pude evitar

In Idéias gerais on November 5, 2008 at 2:57 am

O Glupt! não gosta de política. Mas viu o fim da Guerra do Vietnã, sofreu duas décadas de ditadura, que um dia, acabou; viu o fim da União Soviética, a queda do muro e outras coisas implausíveis mas reais, que mostram que o sentimento de contemptus mundi nem sempre é válido. E agora se permite uma modesta catarse. Voltaremos aos vinhos.

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Mais mistérios

In Idéias gerais on November 4, 2008 at 1:02 am

Porque quando se procura algo sempre se encontra outro algo muito melhor?  Ou não.

Estou pagando para que alguém organize minhas coisas. O que eu ouço de outra coisa, querendo aquela!

Vídeo

In Idéias gerais on October 30, 2008 at 3:12 am

Tem gente que vem ao mundo para melhorá-lo. É o caso do Cezar França, um dos melhores sommeliers do país, discreto, fino, gentleman. Foi ele que abriu as garrafas da degustação do Guglielmone, feita para o Paladar. Um mestre, enfrentou com firmeza o risco daquelas rolhas tão fragéis que guardavam vinhos ainda muito vivos. O Didú Russo, com aquela camerinha implácavel, registrou o momento do desarrolhar. O vídeo pode ser visto aqui:

http://blogdodidu.zip.net/arch2008-10-19_2008-10-25.html#2008_10-24_18_21_29-4908442-0

Impossível

In Idéias gerais on October 28, 2008 at 5:37 am

Não deu para escapar. O melhor cartoon sobre a crise saiu na New Yorker.

 

10 anos, errei

In Idéias gerais on October 27, 2008 at 2:23 pm

O Marcel do blog Gourmandise, corrige com precisão: um Gran Reserva não pode ser 2005. E não pode mesmo. O que bebi com peixe foi um Marqués de Murrieta Gran Reserva 1995. Que está me fazendo babar de memória neste momento. Mais riojano impossível.

Harmonizações modernas

In Idéias gerais on October 26, 2008 at 4:11 am

Pena que o Glupt! não seja sonoro, pois tocaria a musiquinha tema da nova modalidade de posts. Sugeridas pelos amigos do blog “Que bicho me mordeu”, apresentamos as Harmonizações Modernas.

A primeira, testada e muito boa, foi um peixe de carne densa, molho pesado e cremoso e um Rioja Gran Reserva. Para ser exato um Marques de Murrieta 2005. Peixe e tinto?! Pois é. Os taninos ultra delicados deste espanhol clássico e o pescado intenso combinaram à perfeição. More to come…

Days of wines and roses

In Idéias gerais on October 21, 2008 at 12:13 am

Uma lista de vinhos destes últimos dias, alguns muito bons, outros decepcionantes ou normais. Um Gruner Veltliner Brundlemeyer Kamptaler Terrasen, ainda com muita vida e tipicidade para mostrar, mas já com traços gostosos da uva única austríaca. Depois um Burklin-Wollf Estate, Trocken, 2006, que mesmo com esta palavra trocken no rótulo denunciava na cor amarela e no nariz de botritis um ponto de doçura importante. E delicioso. Mas parece que os alemães sofrerão o mesmo que os alsacianos, o que diz no rótulo pode não coincidir com o que está dentro. O horror dos sommeliers (lembro dos numerozinhos impressos pelo Domaine Zind-Humbrecht, indicando grau de doçura, diante da indefinição da nomenclatura e evitando os atropelos de harmonização.

Dois vinhos do sul da França, meu querido Travers de Marceau de Rimbert e o mais durinho e caladão Remejeanne do Rhone.

E a glória, tanto pela qualidade quanto pelo momento especial. Jacques Trefois, uma das pessoas que respeito e admiro, me apresentou uma taça: “diga o que é isto. Não precisa dizer ano, nada destas coisas, só região…” Cheirei, cheirei, provei, muita fruta madura e escura, ameixas, boa acidez, elegante mas cheio de vólupia. Matei que era do sul, fiquei hesitante entre Languedoc ou Rhône. Não era obviamente Syrah. Achei menos quente que o sulzão, pensei: deve ser do Rhône, mas sul. E era!

Acho que ele ficou orgulhoso de mim. Eu fiquei bem feliz, não pela coisa circense de acertar coisas às cegas, mas por ver que algo venho aprendendo. O vinho era um belo natural, L’Anglore, de Eric Pfifferling. Com uma lagartixona no rótulo. Destes momentos para contar para os netos, eu erraria uns cem em cada 102 vinhos…e este acertei, com testemunhas. Depois explico como fazer o mesmo, é mais lógica que enofilia.

Mistério

In Idéias gerais on October 19, 2008 at 4:42 am

Tem horas que eu penso que o tal terceiro mistério de Fátima, nunca completamente esclarecido e que envolveria a devastação nuclear, algo desta magnitude, seria bem mais simples. Talvez a revelação que no fundo, na realidade, o terroir não exista..

Contra o rudimentar, um grumpf no glupt

In Idéias gerais on October 18, 2008 at 8:53 am

Tempos tão aborrecidos, alpinistas e gurkhas culturais, tanta gente que sabe duas coisas afetando falar de uma terceira, que nem sentido tem. Arrivismo trotando. Antes de desanimar pensei na raiz latina de inteligência, forçando a etimologia: inteligere, ler, entender, no fundo, dentro.

Basta fechar o portãozinho do Jardim de Epicuro. Da cachola retirei alguns confortos  (dois coincidentemente fornecidos numa mesma edição do NYT): Calder, Feiffer. E um vídeo de François Simon sobre o hotel Westminster com música de Brian Eno. O BWV 988, em todas as versões disponíveis. Marianne Moore, Saul Steinberg, Wallace Stevens. Tio Vanya, The Tempest: “Since I have my dukedom got…”; um joelho de Claire, um raio verde, uma carta de Paulo aos gentios (terá ido como? Um email dele teria sido mais rápido?); o caracol de Matisse na Tate, a rendição de Breda, a batalha de Paolo Uccello (na sua guerra entrei, da sua guerra sai, não matei ninguém, nem morri). Acreditar que a fé sem compaixão é vazia. Foucault sobre Borges e como é possível sim, rir com a filosofia; a Ética a Nicômaco; o sujeito de Hipona pedindo pureza, mas não imediatamente; Audrey Hepburn com sua Funny Face; as samambaias do doutor Sacks, o nascimento de Olivia em Paris to the moon; o ensaio da Yourcenar sobre Piranesi e o de Nicholson Baker sobre o tamanho dos pensamentos; o livrinho de Jan Morris sobre a Espanha, o livrão dela mesma sobre Veneza. Liebling, Kermit Lynch, Roberto Calasso, Jim Harrison, Edmund White, M F K Fisher. Bill Evans tocando naquela manhã estática de Buenos Aires. Ah, e Buenos Aires. O Modern Jazz Quartet, Bach, Bach e Buxtehude. A escada rolante até ver a Rotunda na estação Tibidabo, sempre tem uma estação de metro, sempre é fevereiro frio, sempre tem o van der Weyden no Prado, a cadeira de Tapiès no teto da fundação, o De Chirico reconfortante. Zurbarán, a idéia do norte, o táxi londrino, Saint Eustache e a bíblia surpresa de Keith Haring. O som das ruas de Paris, como Cherche-Midi, rolando na língua, a melancolia de Montevidéu. E a Frederica.

Minha cabeça é meu playcenter. De certa maneira estou retomando-a, ela, a cabeça, que fora ocupada como a casa do conto do Córtazar. Minhas poetas citadas pelos outros, minhas músicas escutadas pelos outros. O que é meu, divido, ou dou, mas quando quero. Agora já e discricionáriamente, não quero mais doar, nem emprestar. Peguei meus pensamentos de volta, reuni minha turma de fantasmas culturais íntimos e vou redistribuí-los. Quando quiser. Ou como disse um deles: Un repas, même à deux, est collectif.

Adega Medieval

In Idéias gerais on October 15, 2008 at 2:57 am

Aqui os links para o Paladar no site do Estadão onde foram postados os artigos sobre os vinhos do Guglielmone.

A história

http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup256632,0.htm

As notas de degustação

http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup256617,0.htm

Considerações sobre os vinhos brasileiros;

http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup256616,0.htm

Sobre a adega do Ennio Federico:

http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup256633,0.htm

Os flagrantes de Glupt! (2)

In Idéias gerais on October 14, 2008 at 1:01 am

Didú Russo e José Luiz Pagliari mostram como Mutt e Jeff degustam.

Os flagrantes de Glupt!

In Idéias gerais on October 14, 2008 at 12:50 am

Edecio Armbruster, que já presidiu a Sbav-SP sabe que nunca se perde a majestade.

Etc e tal

In Idéias gerais on October 12, 2008 at 7:06 pm

Estou em dívida com os leitores do Glupt! Hoje atingimos 40 mil visitas. Se cada uma significou uma taça de vinho, esvaziamos umas 8 mil garrafas neste blog. Mas mesmo assim tenho me comportado feio, não respondendo comentários nem perguntas. Já cuido do assunto. No momento estou pesquisando uma bicicleta para comprar, e me divertindo. Bicicleta sem marchas agora se chama: monovelocidade. E cantil: hidratador térmico portátil. Rir, rir, rir.

Guglielmone, Ennio e Didú

In Idéias gerais on October 9, 2008 at 4:34 am

No blog do Didú há um vídeo depoimento do Ennio Federico sobre os vinhos de Oscar Guglielmone. Este o assunto da matéria de capa do Paladar de hoje. O Ennio foi extremamente generoso, como ressalta o Didú, em colocar à prova um acervo tão importante de vinhos históricos brasileiros, coisa impossível de ser conhecida de outra maneira, se não fosse pelo cuidado dele em manter estas garrafas por tanto tempo. A matéria está nas bancas, provavelmente colocarei um link aqui, quando estiver disponível no portal do Estadão, mas vale ler no papel, pois sempre a edição é mais completa e bonita. E o vídeo do Ennio falando ao Didú está aqui:

http://blogdodidu.zip.net/arch2008-10-05_2008-10-11.html#2008_10-09_01_08_56-4908442-0

Peñin, exclusivo para o Glupt!

In Idéias gerais on October 7, 2008 at 1:35 am

Fiz uma degustação e conversei com o crítico espanhol José Peñin. A matéria foi publicada no Paladar, duas semanas atrás. Mas depois que o suplemento já estava nas bancas recebi um email dele com detalhes sobre o que pensou dos vinhos brasileiros. Parte da conversa posto em seguida.

Sobre os vinhos de Santa Catarina:

Realmente estoy sorprendido de los rasgos de los vinos catados en Villa Francioni. Son los vinos mas “bordeleses” del hemisferio sur. En nada se parecen a los vinos chilenos aunque estos sean menos concentrados y cálidos que los argentinos, mi asombro fué comprobar que el clima de esa zona brasileña con temperaturas máximas mas bajas que en la mayoría de los zonas latinoamericanas puede producir vinos de merlot que podrian confundirse con algunos de Pomerol o Saint Emilion bordeleses.

 Sobre brancos brasileiros:
Aunque Brasil dispone de climas mas variados de los que cabe suponer, hoy los blancos no deben circunscribirse solamente a zonas frescas. Hoy los vinos blancos son apetecibles con graduaciones mas altas ya que nunca pierden el carácter varietal y por lo tanto pueden producirse en un campo mas amplio de la geografía brasileña. Es convenientes que vinos blancos con cuerpo estén fermentados en barrica cremosa francesa..
 
Sobre os vinhos do Brasil na Espanha:
Desgraciadamente el vino brasileño es desconocida en mi pais.
 
Sobre os melhores brasileiros em sua opinião e pontos:
Sin duda los próximos Villa Francioni. He probado en bodega como futuros “premiums” excelentes syrahs, tempranillos y sorprendentemente los petit verdot algunos de los cuales poseen una calidad que alcazaría alrededor de los 94 puntos de mi guia.

 Problemas na vinicultura brasileira

No he visto ningún defecto en los vinos catados. Lo mas penoso que es hayan rasgos confitados debido a la potente acción del sol. Es muy importante la labor que se se está haciendo en el viñedo continuo de Rio Sol en donde se pueden obtener dos cosechas y una consecución de trabajos en la viña lo que permite mas de 25 vendimias en función de la poda. Solo falta acertar con el mejor portainjertos y el clon para lograr vinos de mas 90 puntos en la Guia.
 

 

Noche escura del alma

In Idéias gerais on October 5, 2008 at 4:52 am

Nada a ver com as angústias barrocas de San Juan de la Cruz, a noite escura era a cor do Malbec do jantar. Malbec que poderia ser chamado de Cot, pois veio de Cahors. Não adianta, a gente coloca a França para trás, declara que já não é a pátria da gastronomia, elege a Espanha como meca, nomeia todas as crises e decadentismo de seus produtos. Mas na hora definitiva, na undécima hora, é o vinho francês o melhor do mundo. Este Malbec, chamado Impernal e importado por uma pequena empresa chamada Compagnie des Vins de France é pós-graduação em Malbec para quem fez a graduação nos argentinos. Tudo que o manual ensina ele tem: aroma de violetas, couro, intensidade com elegância, taninos potentes mas finíssimos, acidez perfeita. E escuridão. Belo vinho. Puro prazer com a carne bem feita do novo restaurante Pobre Juan em Higienópolis.

Pedaço de chão

In Idéias gerais on October 3, 2008 at 7:19 pm

Ganhei dos amigos do Que Bicho um torrão do chocolate com o cacau de São Tomé e Princípe, radical, muito radical. Trouxe para ser provado na redação. Houve rechaço, aceitação, paixão, ódio, caras esquisitas, caras felizes, em proporções quase iguais. Não é fácil entender um chocolate destes, que não é nada amigável, mas tem um gosto e um retrogosto…

Os melhores comentários foram do Jocelyn Auricchio, jornalista do caderno Link do Estadão. Aqui algumas das frases dele:

“O cheiro dá até taquicardia”.

“É macho isto”.

“Se comer dois pedaços, vou para o hospital”.

“Devia ter tarja preta neste chocolate!”.

Nova credibilidade para a Cariñena

In Idéias gerais on October 2, 2008 at 12:09 pm

Artigo publicado no Paladar de hoje:

http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup252021,0.htm

jet lag doméstico

In Idéias gerais on September 29, 2008 at 2:26 am

Cada um passa o domingo onde quer. Passei o meu em Nova York. E olha que não vou lá desde 1980. Basta um pouco de mudança no mobiliário. Assim: fiz o sanduba da temporada aqui de casa. Duas fatias de brioche, um naco de camembrie (como meu amigo Américo chama os indistinguíveis camembert e brie nacionais, que são iguais. Bons. Mas iguais) e umas fatias de presunto com gordura. Depois um tempo de exposição ao calor, para derreter o queijo.
Uma taça de Dr. L Riesling, o genérico da Loosen.
E cargas letais de Bobby Short cantando coisas do estilo K-RA-ZY for you. Pronto.
Estar frio e ventoso com sol ajuda. Estar silêncio total também. Meu cabelo crescido resolveu ficar como o de Graydon Carter, também novaiorquizando mais o dia. E ler a New Yorker foi o cúmulo. Sem mala perdida, nem check in na imigração.

Amanhã volto para São Paulo. Até.

teoricamente, clicando na palavra Bobby Short tocará uma faixa, mas não garanto.

Peñin

In Idéias gerais on September 26, 2008 at 1:55 am

No Paladar da semana, bate-papo com o crítico de vinhos José Peñin:

http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup247767,0.htm

Bad news

In Idéias gerais on September 18, 2008 at 12:37 am

Didier Dagueneau se foi. Como ele era uma espécie de hippie selvagem, capaz de doçuras e grosserias numa mesma proporção (embora como um sofisticado iconoclasta devesse sempre estar rindo…não, ironia não é para usar comedidamente!) não poderia mesmo morrer de forma convencional. Tinha que ter um toque histriônico, um desastre de avião na região de Cognac.
Numa entrevista ano passado na Decanter ele falava de como ficou biodinâmico e depois abandonou os cavalos, achou bobagem. E assim mesmo produziu o Sílex, Loire engarrafado.

Blog novo

In Idéias gerais on September 17, 2008 at 8:53 pm

Didú Russo, colega de degustações, companheiro de viagem ao Uruguai e pai do Ramatis, segundo degustador do What’s up, estréia seu blog onde vai desaguar as inúmeras provas de vinhos de que participa e os famosos vinhos que levam a qualificação de “Secondo me”. Para visitar e revisitar em:
http://blogdodidu.zip.net/

Da perna

In Idéias gerais on September 17, 2008 at 12:50 am

Concerto ao vivo é uma coisa que me exaure. Já fui o suficiente na vida. Assim mesmo lá fui, mais um. Passei o primeiro tempo um pouco enfarado, carregando um peso de uma indelicadeza desnecessária, meio indisposto como tinha estado o dia todo e com uma bruta dor de cabeça. Depois do intervalo suspirei: agora está quase no fim. Então Jordi Savall sapecou um Todo mundo en general. Primeiro vocal, depois improvisação sobre as glosas de Arauxo. Quando percebi tinha uma coisa estranha acontecendo no meu globo ocular, flutuando em água e os pelos do meu braço ficaram de pé imediatamente como se fosse uma ordem unida. Só a música é inexplicável, porque ela é abstrata, intocável e assim mesmo capaz de tirar do lugar. As outras artes todas, mesmo as mais efêmeras como dança ou performance, igualmente existentes no tempo, têm pelo menos o espaço, tem algum objeto que justifique a emoção. Música é bruta, não precisa conotar nada, não é a respeito de nada, é um dardo jogado diretamente no espírito com uma maldita pontaria. Para quem pensa que o jazz inventou a improvisação, a prova de que a improvisação é o prazer do músico desde sempre. Jordi Savall práticamente saiu do palco, levantou-se sem se mexer, desapareceu, anulou tudo em volta e ficou com sua viola da gamba falando consigo mesmo em um estado alteradíssimo. Uma forma benigna de alucinação coletiva comandada por ele, curtinha, 4 minutos, cinco? Foi o momento que valeu ter rompido a rotina e ido ao concerto.

Tem gente que conta moutonzinhos

In Idéias gerais on September 15, 2008 at 4:06 am

Insônia, quer dizer, o habitual. Aquele olhão brilhando no escuro e o cérebro (supondo sua existência, apud Amérique) a pleno, sem off. Fico lendo o que passa pela mão. Releio a lista das 25 personalidades do ano da revista Decanter, de 1984 até hoje. Listo quantas conheço e quantas vezes as encontrei, sou virginiano total, adoro listas: Angelo Gaja (2x), Miguel Torres (2x), Georg Riedel (1x, ainda bem, sujeito assustador), Ernie Loosen (1 também) e Jancis Robinson (umas tantas). Um quinto dos premiados. O que isto quer dizer? Nada, apenas que passei mais meia hora em claro.

Vinho-de-semana movimentado

In Idéias gerais on September 15, 2008 at 2:37 am

Um amigo reclamou que quase não falo mais nos vinhos. É que vinho é só uma parte (importante, é fato) da vida.

Fui a um jantar na noite de sexta-feira, para celebrar o “noivado” de um casal de amigos. Noivado entre aspas, pois a palavra parece soooo yesterday. Eles se casarão nas neves francesas de janeiro. Enquanto isto vão abrindo umas garrafas, somadas a algumas levadas pelos convidados.

Começamos com os frescos alsacianos do Domaine de Bott-Geyl. acho que o primeiro era um Pinot Gris, mas esqueci de anotar. O segundo era um Riesling, com certeza, gostei mais do primeiro, acho que Riesling gosta de envelhecer, embora se lamente tanto o declínio do estilo trocken (seco), eu sou fã dos um tico mais adocicados e encorpados, com um par de anos na garrafa.

Passamos ao Grüner Veltliner Weingut Stadt Krems 2007. Eu que levei, trouxe na mala da Aústria. Um bom Grüner igualmente jovem. Com duas curiosidades que vale contar: tampa de vidro. E o vinhedo é municipal, pertence à cidade de Krems, uma linda cidade de bolso no Wachau, com umas ruas tão estreitas que eu vi o motorista suando para atravessá-la, ano passado, durante a Vievinum. Fico me alongando contando estas coisas, mas preciso escrever isto nalgum lugar: o motorista era a cara do Max von Sidow. E se não fosse muito hábil teria levado meia Krems embora numa batida.

Daí bebemos o vnho que eu estava cobiçando, um Irouleguy, esta pequena D.O.C. da região basca francesa, Herri Mina branco. Tinha tomado uma garrafa em dezembro, com um porco assado! É um branco denso, boa acidez, cheio de estrutura, daqueles que alguém disse que às cegas poderiam passar por tintos. Uvas Gros e Petit Manseng, Corbu.

Então uma surpresa, um Merlot Reserva da Vinícola Aurora, 1999. Um vinho brasileiro de 27 reais que parecia um claret decente de algum Chateau meio esquecido, vinho perfeito para compor painéis e enganar todo mundo. E um “Porto” de Chardonnay, feito na Argentina, sem rótulo, parecendo aquelas garrafas de mel que são vendidas no interior. Não tinha traço de tipicidade de Chardonnay, não era Porto com certeza, era mais um vin doux naturel branco. Mas era bom! Vinho quase nunca precisa nome e sobrenome, basta ser digno.

Para terminar, uma brincadeira de harmonização com chocolates, alternando um Languedoc de Virgile Joly e um Sauternes Rousset-Peyraguey, sauterníssimo, aquele maravilhoso cheiro de cola de carpete da botritis.

E ufa! Uma surpresa, envolta num saco, cheira e cheira, não era vinho, tinha um cheiro cítrico e um toque de vela apagada dentro de uma catedral! Um tipo de Calvados, quer dizer, um destilado de maçã, da Normandia, mas de uma apelação diferente, outro universo paralelo.
Eram 3 da manhã e garoava, bem parecia mesmo a costa norte úmida da França, pelo menos eu gostaria que parecesse.
Um viva aos noivos, um viva ao Père Jules, seja lá quem for, que batizou o Pommeau de Normandie (um detalhe, com meros 17 graus de alcóol, quase o mesmo que muitos Malbecões aqui da região, é o destilado digestivo perfeito).

Telmo

In Idéias gerais on September 12, 2008 at 3:18 am

Artigo publicado no Paladar de ontem sobre o enólogo espanhol Telmo Rodriguez:
http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup239793,0.htm

Laurie, so sorry

In Idéias gerais on September 7, 2008 at 9:26 pm


As vanguardas não envelhecem, o público sim. Laurie Anderson compôs a trilha sonora da minha vida pré-adulta. Foi a companheira musical (junto com o velha peruca J.S. Bach) de noites intermináveis de discussões sobre arte, existência e the meaning of life, num viés Pithon, claro. Ainda agora, ocupa 700 mb dos 2gbs do meu ipod. Quase metade. È um dos máximos que a obra de arte completa alcançou, substituída pela cozinha de Ferran Adrià, aquela mistura feliz de high and low, pop e cutting edge.
Então, porque não fui ve-la no Sesc Pinheiros por modestos 40 reais de ingresso? Talvez por uma crescente entropia que sinto no deslocamento para o “ao vivo”. Talvez pelo invencível atrito estático, olhando a chuva caindo no bambuzal, ouvindo a juriti cantando no quintal. Uma versão possível para “Days, I remember cities.
Nights, I dream about a perfect place”.
Tudo isto que se chama sob o signo de saturno: preguiça.

Ah Laurie, ainda espevitada nos seus 60 anos, os fãs estão um caco, caseiros, blogueiros, virtuais. Desculpe.

Falastrão

In Idéias gerais on September 4, 2008 at 12:34 am

Eu até gosto de bater papo. Mas em geral prefiro jornadas silenciosas em táxis ou transporte coletivo com passageiro ao lado. Para isto a defesa é o ipod, melhor invenção pacífica de todos os tempos. Assim mesmo tem gente que rompe esta barreira simbólica de quietude. Este post tortuoso é só a escada para a definição perfeita do taxista palrador incansável que ouvi hoje: “motorista que não respeita nem jornal inglês”. Morri, rir, rir, rir.

Timbre

In Idéias gerais on August 31, 2008 at 5:31 am

Glupt! FM ouviu e recomenda: Brad Mehldau Live in Tokyo (o que o moço faz com o piano em standards de Gershwin, Thelonius e até em Paranoid Android de Radiohead! Mamãe, socorro!). Ella Live in Montreux, idem, voz, socorro, etc. Robertinho Curto (como Ivan Lessa chama o cidadão cotelê Bobby Short) que é o mais perto que a música chega para reproduzir a euforia de beber Champagne. E estamos prontos para enfrentar a semana com o duto auditivo rebrilhando.

A máquina

In Idéias gerais on August 31, 2008 at 1:15 am

Mais um artigo. Sobre a máquina de servir vinhos do Empório Santa Maria. Muito tempo atrás, um ano, fiz um post sobre esta trepeça, que conheci na Lavinia de Paris. È a coisa mais agradável para provar sem gastar. Também para beber diferentes vinhos e avaliá-los, sem ter que aguentar papo de vendedor. A vantagem do Empório sobre a Lavinia é que eles instalaram 8 máquinas com garrafas diferentes, lá eram só duas. A vantagem da Lavinia sobre o Empório é que lá você sai da loja e está no Boulevard de la Madeleine…
o artigo do Paladar está aqui:
http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup232158,0.htm

Good vibes

In Idéias gerais on August 23, 2008 at 1:57 am

Meio off-topic. Mas o Glupt! está pedindo um bom pensamento para um dos nossos pontos de referência em vinhos. O amável cavalheiro jauense e parisiense Saul Galvão que está atravessando um sacolejo na saúde. Se Deus quiser, logo estará de volta com sua joie-de-vivre para animar nossas degustações. Dedicamos um Montrachet psicológico a ele.

As rolhas

In Idéias gerais on August 22, 2008 at 9:47 pm

Artigo da semana passada no Paladar, que esqueci de linkar aqui:
http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup223658,0.htm

Inesperada segundona

In Idéias gerais on August 19, 2008 at 2:16 am

Este foi um dia aziago típico de agosto, dia transversal, tortinho, caolho, de esguelha. Quente e seco, daqueles que enlouquecem, faltaram as cigarras, o mais odioso dos bichos. Um verdadeiro cramulhão, como diz meu caro amigo Américo. Mas como criança semi-bem comportada, tive 2 presentes no finalzinho. A constatação de algo que disse aqui, no ano passado: o Catena Alta CS é o melhor vinho argentino que já bebi, dentre os goles rubros…e desta vez foi um 1995! Vivo, taninos macios e presentes, acidez deliciosa e com dez anos pela frente, fácil.
Depois um porto vintage 1962, marrom, nariz de alecrim, marisco e vela de cera. Servido nos lindos copinhos desenhados por Alvaro Siza para o Conselho Regulador do Vinho do Porto. E que chova rápido!

Polímeros

In Idéias gerais on August 19, 2008 at 12:59 am

É chato constatar que os taninos teimam em não amaciar.

Lá como here

In Idéias gerais on August 18, 2008 at 6:06 am

Na última edição da Food & Wine, que comemora 30 anos da revista, um certo senhor escreve um ótimo artigo sobre as três décadas e o que representaram para o mercado americano de vinhos. O paralelo é perfeito com o Brasil, pois com uma diferença de alguns anos, tudo se passou exatamente igual: da rarefeita oferta de rótulos decentes ao estonteante panorama que temos agora. O artigo é ponderado, inteligente e feito com a autoridade de quem viveu toda a aventura. O nome do autor, vejam só, Robert M. Parker Jr.

Reprise

In Idéias gerais on August 13, 2008 at 12:54 am

Quem não me viu retorcendo na cadeira e arrumando os guardanapos no programa do Didú, tem nova chance na próxima sexta feira às 23:30 no canal 29 da SKY. O entrevistador é ótimo, o entrevistado…não digam que não avisei!

Crepusculares

In Idéias gerais on August 11, 2008 at 5:39 am

O que tem me dado verdadeiro prazer é beber um cálice (taça grande, a maior que tenho, a riedel borgonha, mas com um dedal de vinho lá no fundo, para cheirar mais que beber) de Madeira, Porto, Manzanilla ou um TBA austríaco. Sento na minha cadeira fatal, a espreguiçadeira terminal, da qual é muito difícil querer sair, Frederica no colo, descansando, olhando o jardim, com a chuva caindo. Acho que equivale ao cigarrinho pitado no fim do dia para os fumantes, aquele ponto final na jornada, reorganização de pensamentos, um calibre no centro das idéias…Não existe nada tão complexo pelo preço destes vinhos, especialmente um Madeira Henriques & Henriques Full Rich 5 anos (50 reais!) ou um Lustau Papirusa Manzanilla (85 reais). Porto vou de Tawny Niepoort. TBA é o Kracher, ça va sans dire. É um, gosto ancestral, nasci e cresci em casa com garrafinhas de generosos (no armário mesmo, oxidando infinitamente) que as tias tomavam, com frio ou calor, no meio da tarde. Isto molda uma personalidade!

Este ritual modesto me faz bocejar pensando que tem gente que quer ter um helicóptero, ou algo assim. Tsk, tsk. Como escreveu o Ivan Lessa, a vida não é curta, é perto.

O mar engarrafado

In Idéias gerais on July 31, 2008 at 1:09 am

Bebo o Chateau Le Puy 1957, antes que ele e eu mudemos de idade. O traço mais incrível deste vinho notável é uma salinidade de conchas molhadas, secando ao sol, no bouquet muito complexo. É como ficar respirando fundo na frente do mar.

Será que vão recomprar a Louisiana também?

In Idéias gerais on July 22, 2008 at 11:36 pm

Confesso que fiquei surpreso com a notícia:  Cos d’Estournel comprou o Montelena californiano. Antes o que acontecia era o contrário, americanos compravam propriedades em Bordeaux. Talvez seja o euro forte, mas não é algo corriqueiro isto.

Mais artigos

In Idéias gerais on July 19, 2008 at 4:14 am

Sobre Ernie Loosen

http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup207407,0.htm

Sobre os ótimos vinagres de Gegenbauer [aproveito e respondo ao João: não são importados, mas ele gostaria muito de ter alguém interessado no BR]:

http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup207410,0.htm

Voltando

In Idéias gerais on July 17, 2008 at 1:59 am

Apesar de meu tempo estar sendo contado em segundos, meio ocupadinho ando, não posso viver sem o Glupt! Então um post só para manter o vínculo. Meu artigo da semana passada no Paladar sobre o Vega-Sicilia:

http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup203503,0.htm

Memento mori

In Idéias gerais on June 30, 2008 at 10:14 pm

Et in Arcadia ego.

O Glupt entra num hiato, sem prazo para voltar. Ennui total.

Jerez 1 x Riesling 0

In Idéias gerais on June 29, 2008 at 6:38 pm

Salve a Espanha, campeã da Eurocopa!

Domingón fotográfico

In Idéias gerais on June 23, 2008 at 1:45 am

Fiquei brincando com minha nova Canon, saiu uma foto bem divertida. O vinho já volta…

Ai que preguiça!

In Idéias gerais on June 21, 2008 at 10:40 pm

Encontros inesperados

In Idéias gerais on June 15, 2008 at 1:06 pm

No Laboratório Paladar, ainda sob efeito do dia de Santo Antônio, o embate entre um Bosconia 1981 e uma cuia de tacacá.

Rara aparição

In Idéias gerais on June 12, 2008 at 6:03 pm

Já disse que foi a única vez  que dei uma entrevista, então quem quiser ver esta performance engraçada…vai ao ar domingo no programa ótimo do Didú Russo, o Celebre. É na CNT às 21hs. Esse canal em SP sintoniza no canal
26 UHF ou na NET Digital no canal 12 e em todo Brasil pela
SKY no canal 24.

Dar entrevista na TV é como cirurgia de menisco sem anestesia, mesmo com o entrevistador ajudando e estimulando. Ô sofrimento, viu?

os top-10 do Encontro Mistral

In Idéias gerais on June 12, 2008 at 2:25 am

Na minha opinião e dentre o que provei, evidentemente.

Quarts de Chaume, Domaine de Baumard, Savennières, 2001

 

Castello di Ama 2004

 

Chryseia 2006

 

Redoma Reserva Branco 2005

 

Graham’s 20 years Tawny

 

Niepoort LBV 1999

 

Finca Valpiedra 2004

 

ÀN Anima Negre 2004

 

Forster Jesuitengarten Grand Cru Fass 63, Burklin-Wolf 2003

 

Axis Mundi Tannat Pisano 2002

 

Exibicionista

In Idéias gerais on June 7, 2008 at 11:12 pm

Manchete de hoje do Le Figaro: Clinton apporte son “plein soutien” à Obama.

Frase do ano

In Idéias gerais on June 5, 2008 at 3:09 pm

Roberto Gerosa, preclaro companheiro de degustações, cometeu a frase que ganhou um Glupt! especial, votado por unanimidade dos membros (os dois) da Academia Glupt! de vinhos e assemelhados. O troféu será entregue em próxima oportunidade.

A frase é:

botritizados pela névoa do compromisso”.

 

Aforisma austríaco

In Idéias gerais on June 2, 2008 at 1:29 pm

A segunda viagem é para tentar, inutilmente, recuperar os passos da primeira. A terceira viagem não existe. E na quarta é possível relaxar.

A imagem é um dos meus quadros favoritos, que revi hoje no Belvedere, tive uma overdose perturbadora de Egon Schiele, que morreu aos 28 anos. A obra gráfica e boa parte das pinturas no museu Leopold e uns outros desenhos e óleos espalhados por Viena. Pena que ele agora virou um monte de imã de geladeira e coisas assim. O destino irrelevante da arte.

O puro

In Idéias gerais on May 28, 2008 at 11:54 pm

Passou por aqui o extraordinário crítico espanhol Rafael Garcia Santos, que carinhosamente chamo de “Old Fart”. O cidadão notável veio pontificar sobre como deve ser escrita a crítica, de maneira aberta e sincera e sem jabá. Ele sabe bem do que fala, seu guia é patrocinado por uma montanha de empresas, de comida e bebida e vinhos, claro. Suas notas sobem e descem de acordo com os vinhos que lhe servem, grátis, nos restaurantes em que pratica seu harrasment, coisa mais que conhecida na Espanha. Dentre os mais admiráveis feitos do cara-de-pau está o de ter escrito uma crítica laudatória sobre um restaurante onde nunca colocou os pés. E chega. Antigamente isto se chamava picaretagem, hoje chama “reflexão”. Tempos duros estamos vivendo.

Mais um furo mundial do Glupt!

In Idéias gerais on May 25, 2008 at 6:56 pm

Quem lê o blog sabe antes…o melhor sommelier do mundo 2008 acaba de ser anunciado, é o austríaco Aldo Sohm, que vive em Nova York e trabalhava no restaurante Wallsé, no Village até o ano pssado. Depois de vencer o concurso de melhor sommelier dos EUA, foi convidado pelo Le Bernadin, onde atualmente se encontra. Mais detalhes depois. Ia postar uma foto, mas wordpress sucks. Juro que o Glupt vai cair fora desta porcaria logo, estou planejando me mudar com mala e taça para outro provedor.

voltei

In Idéias gerais on May 23, 2008 at 11:55 pm

estava reunido com minha confraria secreta, em algum lugar da selva (não posso detalhar para não colocar os confrades em risco). Avaliamos na oportunidade os críticos. Robert Parker recebeu a nota 32,5. E aí, Mr. Parker, vai encarar?

de olho

In Idéias gerais on May 20, 2008 at 5:13 am

Quando a revista bastião dos vinhos potentes e californianos Wine Spectator dedica enorme artigo de capa à Borgonha e um artigo sobre uvas sobremaduras e vinhos demasiado alcóolicos, citando até mesmo Jancis, que não é exatamente uma diva naquela publicação de Mr. Shanken, a evidência da oscilação do pêndulo do gosto para outro lado fica evidente. Que se acautelem os fazedores de líquidos de 15 graus e muita fruta em compota. Este reinado está no fim. Viva a Riesling, uva insuperável em fineza, elegância e delicadeza. E, por tabela, a Gruner Veltliner.

Mais um necrológio

In Idéias gerais on May 16, 2008 at 5:57 pm

Como dizia meu avô, “gente que nunca morreu está morrendo”. Agora foi Robert Mondavi que vestiu o tonel de carvalho. Aos 94 anos um pioneiro respeitável, maltratado com malevolência por espertos videomakers e escritores oportunistas, no fim da vida. A história do vinho vai recolocá-lo no devido lugar, polimerizar os taninos e veremos o que o futuro dirá. De qualquer modo foi um visionário.

Pausa pictórica

In Idéias gerais on May 13, 2008 at 5:52 pm

Glupt! também tem seus momentos culturais, morreu um dos nossos ídolos aqui do blog, Robert Rauschenberg, do tempo em que ainda existia pintura (no remoto século 20) e que alguém ainda prestava atenção em arte. Vão-se os dedos e ficam os pincéis.

Rio Sol Cab-Syrah 2

In Idéias gerais on May 4, 2008 at 8:34 pm

Bom, chega de suspense, vamos lá. O vinho é simples, tem uma camada só. O nariz é mais agradável que a boca, muita fruta madura, algo quente, é evidente que veio do sertão, onde fazem 4 colheitas por ano, ou mais. Tem alguma tipicidade de Syrah de NM, peppery, carnudinho, muito torrefado, mais escuro e fechado que eu esperava, achei que seria mais luminoso e alegre no lado fruta.

Na boca é agradável sem mais, acidez correta, taninos demasiado secantes para meu gosto (uso do engaço? chip? certamente este traço amargo verdoso não vem de falta de madurez das sementes, naquele clima tudo deve amadurecer por igual, vapt-vupt).

É um vinho modesto, apesar de prometer no aroma, com comida e sem pensar demais seria gostoso. Evidente que neste preço há pouca coisa assim no mercado, só mesmo Dal Pizzol consegue manter estes preços (e melhores vinhos, na minha opinião).

De qualquer maneira, embora não entusiasme, é  muito decente como introdução, as virtudes são mínimas mas a sinceridade é uma delas, e os defeitos tampouco gritam, só mesmo o excessivo amargo duro dos taninos.

Vale a pena? Vale, enquanto os preços não forem bons para os vinhos no BR, é uma opção. É até muito mais austero que esperaria, tem grandes pretensões para o que custa, às cegas pareceria mais caro. Não entendo porque se chama Syrah, está muito mais próximo de Shiraz.

Rio Sol Cab-Syrah 1

In Idéias gerais on May 4, 2008 at 6:45 pm

Antes de dizer o que eu penso do vinho, que provei esta manhã, tem um disclaimer necessário. Não sou degustador profisional, sou jornalista de vinhos, há uma grande diferença. E a idéia de degustar o vinho não tem que se comparar ao painel da Expovinis, lá o vinho estava sendo avaliado “em situação”, às cegas e comparativamente, além do que é inadmíssivel qualquer contestação aos resultados, o time era de gente séria.

 

de onde os gatos vieram?

In Idéias gerais on May 4, 2008 at 4:40 am

O gato do meu vizinho em Buenos Aires, que passava mais tempo na minha casa que na dele, um dia escreveu no teclado: Esdenas Fitte,acho que era seu nome secreto. Agora a Frederica, que aprendeu a desligar o laptop com o dedo do pé, quando quer atenção, criou uma pasta e chamou de Idexi1: nos favoritos. Eu, hein?

Memória da delícia

In Idéias gerais on May 3, 2008 at 6:47 am

A feira biodinâmica ofereceu alguns vinhos preciosos, vou fazer uma lista, mas um dos que não consigo esquecer é um do Domaine du Coulet, Cornas. Vinho opulento, de encher a boca com seu perfume, fruta, acidez perfeita, denso sem ser pesadão. Quanto os Rollands e assemelhados ainda precisam andar para chegar nesta fineza!

Nós que presenciamos tantas coisas inesperadas, como a Queda do Muro e tal, vamos ver o fim da era Parker. E vai ser ótimo.

Faça você mesmo, edição especial

In Idéias gerais on May 2, 2008 at 11:50 pm

O que os leitores do Glupt! me pedem eu faço rindo, ou pelo menos com leveza, tenho bons leitores reconheço, nunca precisei reprovar comentário algum (batendo na madeira, ainda bem!). Então por sugestão de alguns e provocação de outros, comprei uma garrafa de Rio-Sol Shiraz Cabernet por 18 reais e 90 centavos e vou provar e dar minha opinião. Hoje não, que estou cansado.

exclusivo para o glupt!

In Idéias gerais on May 2, 2008 at 3:34 am

Não sei postar vídeos, mas cá está um imperdível, em Porto Alegre, Nicolas Joly e Didú Russo mostram o outro lado da biodinâmica:

http://www.youtube.com/watch?v=YbZbDEBRMEk&locale=en_US&persist_locale=1

Ensaio sobre a cegueira

In Idéias gerais on April 30, 2008 at 7:47 pm

Fiquei contente com o resultado dos top 10 da Expovinis. Eu sempre achei os Rio-Sol subvalorizados, são melhores que a maioria diz, embora não sejam espetaculares ou emocionantes, e custam 18 reais e 90 centavos, valor que eu julgo adequado para vinhos do dia a dia, nacionais e competitivos. É muito bacana tomar tops como Salton Talento ou Miolo Quinta do Seival, são bons, mas são caros e entram numa faixa de preço com competição à altura de argentinos e chilenos, sem dizer de meus queridos uruguaios, que são mais baratos. O Rio Sol acerta no preço pelo que oferece, um bom vinho correto, correto o bastante para ganhar uma degustação às cegas com avaliadores respeitáveis como Jorge Lucki, José Luiz Pagliari, Manoel Beato e Roberto Gerosa, to name a few.

Este o valor das degustãções às cegas, um exercício de objetividade.

espanto

In Idéias gerais on April 29, 2008 at 3:14 am

Não posso dar muitos detalhes, por ser algo em andamento como texto, mas compartilho com os leitores algo surpreendente que me aconteceu hoje, por generosidade de diversas pessoas amigas e de outras que nunca tinha visto antes: bebi um Château Le Puy 1957, ano do meu nascimento, e que não era mera curiosidade museológica, mas um perfeito bordeaux evoluido, com vivacidade na cor e na acidez e toda aquela complexidade que os anos deram ao líquido (e espero que a mim também!). Uma perfeição de vinho claret. Obrigado aos envolvidos nesta trama do acaso, eles sabem quem são e a quem meu agradecimento é dirigido.

Green grass

In Idéias gerais on April 28, 2008 at 2:03 am

Domingão indie rural, ouvindo Sam Amidon e Coco Rosie. Conversa , junto ao José Luiz Pagliari, de duas horas com Nuno Araujo, produtor biodinâmico português da Quinta da Covela, que trouxe um saco de terra para mostrar o solo. Bem insólito, tocar a terra do Entre Douro e Minho no bar chique do hotel Emiliano. Vinho só me dá surpresas.

As águas rolaram

In Idéias gerais on April 26, 2008 at 4:36 am

Ontem e hoje, ufa! Comecei com uma prova de 7 vinhos de François Lurton, com a presença do próprio. Decepcionantes, só um Malbec me pareceu interessante. Mas preciso achar as anotações, quando preciso consultar papelada é um sintoma de que não gostei, em geral escrevo tudo de mémoria, pois escrevo como agora, deitado com a Frederica no colo e a preguiça de madrugada de ir decifrar minha caligrafia.

Depois um almoço com M.Christophe Salin, diretor da Lafite Rothschild. Primeiro vinho, Chateau d”Aussieres, forte e novo mundista, apesar de um Languedoc. Aquelas uvas que podem ser tão voluptuosas, mas que são quentes e potentes pelo lugar, ficaram, infelizmente bem rústicas e pesadonas.  Languedoc, na minha opinião, só se presta à produção pequena, artesanal e com mão muito delicada, todos os grandões instalados lá tomaram uma bola entre as pernas da região, não conseguiram exprimir o local, incluindo (heresia total dizer isto) Daumas Gassac depois da fama.

Seguiu-se o Caro, que provei anos atrás logo que saiu, quando veio a enóloga, Estella Pertinetti e me pareceu na época só um vinho argentino com sobrenome importante. Como eu estava errado! Agora com um tempo bom de garrafa mostrou que a união de Catena e Lafite tinha que dar em coisa boa. Como estava ao lado do Monsieur, aproveitei e lasquei: “primeiro um vinho argentino feito na França, depois um francês feito na Argentina”…ele riu e concordou. Cara sincero, com 13 anos de trabalho no Chateau, aproveitou e confidenciou que não vê virtudes em Bordeaux branco, ligeiros e para aperitivo. E eu tinha gostado muito do que bebemos na chegada. Ele tapou a boca e falou baixo: “branco é na Borgonha, são os que eu gosto…”. Eu insisti: “mas e 2007, em que estão elogiando somente os brancos e Sauternes?”. Ele continuou rindo: “Borgonha…”.

Então veio o melhor, o Quinta do Carmo, produto da Lafite no Alentejo, espetacular, elegante, sério, muito melhor que o seguinte, o Carruades de Lafite, segundo vinho do Chateau! Esse era uma aula meio desequilibrada de bretanomices. O Quinta do Carmo arrasou, outro francês feito fora e melhor que o francês feito dentro. E para terminar (mea culpa) bebi dois cálices do Sauternes, também déuxieme vin, Charmes de Rieussec, toda aquela sauternidade, aquele cheiro de cola de carpete, aquela delícia, mesmo com seus 14 de alcóol. Bordeaux quando é bom, (estilo comendador Acácio) é bom. todos são da Mistral, não decorei preços, mas o Sauternes era bon marché, ainda mais pela qualidade que tinha. Estou com mania de listar vinhos que seriam ilustrativos de determinada variedade, região ou estilo. Este era um Sauternes exemplar, quando for preciso explicar de que se trata o lugar e seus vinhos usarei como modelo.

E fui para o champagne dinner de Morgane Fleury, champagnes biodinâmicos, safrados, todos 1995, cheguei a encostar a mão na lua! O Extra Brut era finíssimo, complexo e seco como uma lâmina de aço. O Doux ficou interessante com foie, mas o mais equilibrado, nuançado, cheio de detalhes, era o Brut. Muito, mas muito bom.

E no dia seguinte…40 vinhos do catalogo da Expand, mas conto amanhã.

Os biôs

In Idéias gerais on April 24, 2008 at 1:52 am

No Paladar de hoje a equipe do suplemento caiu de cabeça nos vinhos, em especial nos biodinâmicos. Os biodinamistas estão chegando, estão chegando os biodinamistas…dificil de cantar, mas leiam lá, vale a pena conhecer Nicolas Joly, o mundo precisa de gente meio lélé como ele, e os vinhos são uma delícia.

Boa sacada

In Idéias gerais on April 24, 2008 at 12:06 am

A simpática Bebel Baeta, competente colaboradora do blog do Saul, teve uma ótima idéia no seu próprio blog: Harmonizações visuais. Não conto o que é, visitem lá e vejam:

http://blogdabebelbaeta.blogspot.com/

Alma Negra

In Idéias gerais on April 24, 2008 at 12:05 am

O Rubén me perguntou que uvas compõem o corte do vinho de Ernesto Catena, Alma Negra. Demorei para responder porque fui procurar e o resultado é: não sei. Ele não revela as uvas que utiliza. Então o jeito é ir adivinhando no nariz e na boca, um bom exercício de degustação. Na próxima vez em que ele aparecer por aqui prometo tentar extrair o segredo.

Scoop

In Idéias gerais on April 22, 2008 at 12:20 am

Sem modéstia, o Glupt foi o segundo a ecoar as fofocas sobre o Mugaritz (o primeiro foi Glotonia, mas eles estavam la´no local e eu sou embaixador deles…) e o Paladar deu furo mundial, na frente até mesmo de François Simon, e-gullet e do próprio site da revista Restaurant. E com comentário! aqui a lista completa no portal do jornal:

http://www.estadao.com.br/arteelazer/not_art160436,0.htm

Ventos do norte

In Idéias gerais on April 21, 2008 at 5:00 pm

Sopram para este blog que um dos ídolos do Glupt! subiu e subiu mais na lista dos 50 melhores do mundo da revista Restaurant. Mais depois, ainda não estamos vendo com clareza tudo, mas as notícias são alvissareiras. Viva o Mugaritz! Quarto melhor restaurante do mundo (para eles, para mim é o melhor).

Sabedoria campestre

In Idéias gerais on April 16, 2008 at 2:32 am

Christian Moueix do Pétrus, eleito homem do ano para a revista Decanter, perguntado como se decide a comprar um vinhedo. “Visito no inverno, num dia de chuva e examino como é a drenagem do terreno”. Eu jamais pensaria nisto, iria no auge da primavera, me encantaria pela paisagem, compraria e daria tudo errado. Por isto não sou vinhateiro. E por não ter grana também…

A girondolândia

In Idéias gerais on April 13, 2008 at 5:42 pm

Não aguento mais ler sobre Bordeaux 2007 en primeur. Parece que realmente são os vinhos mais pífios dos últimos anos, um verdadeiro fiasco. Jancis Robinson, sempre com as melhores imagens literárias, chega a dizer que é a safra perfeita para aviões, que terão grandes nomes para servir…O que vai acontecer?

Primeiro, as grandes publicações vendedoras de vinho, como a Wine Spectator, tentarão mascarar o fato, dando destaque ao que está bom, os Sauternes e brancos. Depois entrarão em cena os spin doctors de Bordeaux para ajeitar a imagem. E finalmente os  esgotos onde eles desovam suas falhas, Rússia e certos países emergentes começados com a letra B principalmente, comprarão a coisa.

Gente que só fala, pensa e bebe Bordeaux para mim equivale a quem só gosta de Ópera. Nuca vai entender as delícias de um clavicórdio solo (Riesling?) ou de Antony & the Johnsons (Carignane?). Azar deles, sinceramente.  

Austríacos

In Idéias gerais on April 12, 2008 at 4:08 pm

Recebi ontem um cartão da família Kracher agradecendo por ter escrito na época da morte de Alois Kracher. Olha, ainda dói pensar de novo que aquele furacão de generosidade desapareceu aos 48 anos. Não é todo vinicultor que tem esta capacidade de encantar com vinhos tão maravilhosos e ao mesmo tempo liderar o ressurgimento de uma região inteira, eu poderia contar um punhado, como Luis Pato na Bairrada, Daniel Pisano no Uruguai, Angelo Gaja na Itália (em mais de uma região), gente que tem brilho no olho e leva prá frente, pessoas que acabam sendo embaixadores da cultura local, junto com o vinho que fazem e transcendem muito o mero interesse comercial, não são vendedores de vinho, mas de terroir, são um pacote cultural completo.

Daniel Pisano, por exemplo, queria que eu entendesse o Uruguai, não sómente gostasse dos vinhos e nem só dos vinhos dele. Me levou para todo lado, ao Senado, ao Estádio Centenário, para comer faina, mollejas, para ver o mercado. E agendou (sim! isto É GENEROSIDADE) 3 outros produtores para eu visitar,  concorrentes: Marichal, Pizzorno, Bouza.  Não marcou mais porque minha viagem era curta. Foi assim que o Uruguai entrou na minha cabeça, uns anos atrás e nunca mais saiu. Alois Kracher tinha a mesma qualidade humana. Infelizmente o tempo foi implacável, mas os vinhos botritizados da região de Neusiedlersee sempre deverão a ele um impulso único e um lugar no mapa.

Que bicho me bebeu

In Idéias gerais on April 8, 2008 at 11:31 pm

O ótimo blog amigo “Que bicho me mordeu” (link ao lado)  narra a triste história do vinho aberto tarde demais. É um problema, mas ainda prefiro perder um vinho assim que de maneira perfunctória, bebendo com descaso. O vinho guardado além da época é pelo menos uma prova de carinho, e o vinho merece. Mas o risco da garrafa morta, ou contaminada (e isto não tem a ver com tempo, mas com o acaso e capricho do TCA das rolhas, dentre outros probleminhas) é algo que torna a aventura do desarrolho mais fascinante. Eppur se bebe.

linear

In Idéias gerais on April 6, 2008 at 3:03 pm

Sempre me lembro de uma frase de Buñuel: “gosto da regularidade e dos lugares que conheço”. Tenho feito uma caminhada diária que me enche de alegria, 20 minutos a pé (25 em dias com algum tipo de problema, chuva, preguiça, dor na coluna), o mesmo trajeto, mas cada dia um aspecto do drama humano (he! he!) ou da vida urbana (ou de ambos) mostra sua cara, seja no lado claro ou no escuro.

Alguns:

Os irritantes lavadores de passeio com mangueira, os senhores e senhoras com cachorrinhos idênticos a eles (Higienópolis é um bairro de Buenos Aires, até com praça deste nome), os mendigos super borderline que vivem na estação de metro, que também demarca o final do mundo “civilizado” e o começo da terra incógnita (e fascinante) do centrão, cheio de predinhos com nomes bonitos e demodés ( Edifício Argentina, Edifício Ester, Paysandú, coisas assim, pré-brega no furor galicista dos Château disto e daquilo, Village de Montaigne, estes simulacra, você olha aquela pilha de lego com um telhadinho afrancesado, sem rir e sem chorar, apenas perplexo) e com lindo estilo decô, soltando pedaços. Só uma cidade monstruosa como São Paulo (no sentido pejorativo) abandonaria um centro tão bonito à própria decrepitude. Quem dúvida que aquele lugar é lindo, que pegue o livro de fotos de Lévi-Strauss ( o antropólogo, não a calça jeans) e veja uma capital elegante, educada e perdida (irremediavelmente?) no passado.

Mas a caminhada. Há o momento exato de cruzar cada rua para evitar o farol fechado e etc. Até os tempos são diferentes, como climats, o início em ambiente de bairro residencial arborizado, o meio como uma passagem por uma espécie de Botafogo no Rio dos anos 60 e o final na metrópole anônima e deteriorada, como uma Nova York dos anos 80. Uma forma de partitura, uma tessitura divertida e igual/diferente. Até mesmo a ordem de execução das músicas no ipod (Laurie Anderson, Nico Muhly, Jon Brion, Correa de Arauxo, Buxtehude, …) vai formando um padrão, padronagem mesmo, elas vão encontrando seu momento certo e sua organização. Um fone de ouvido é como o ponteiro de um relógio.

Eu que sempre brinco dizendo à Frederica que ela é natureza e paisagem, virei também paisagem, cenário de um traçado na cidade, que pode ser desenhado como um gráfico. Cada um tem as galerias de Paris que merece.

[tinha uma imagem perfeita para acompanhar este post.  Um tecido de Ray Eames. Mas wordpress sucks, mudaram tudo prá pior e depois de passar meia hora tentando uploadar a foto, desisto]

Uma frase

In Idéias gerais on April 4, 2008 at 4:28 am

Saiu nova edição do What’s up do Didu Russo http://www.didu.com.br/WhatsUp.aspx?Secao=3&Artigo=27

 O homem está um rolo compressor, editando o site, a newsletter e gravando seu programa de tv que estréia neste domingo, nunca mais o vinho e os domingos serão os mesmos.

Das ótimas entrevistas dele na parte chamada Actor’s studio, pincei esta bela lição de humanismo dada por um dos mais elegantes (no sentido amplo do termo) vinhateiros que conheci, Mastroberardino:

DIDÚ: Vecchio o Nuovo Mondo?

Mastroberardino – Ciò che oggi appare nuovo domani naturalmente è destinato ad invecchiare, dunque semplicemente Mondo, evitando conflitti ideologici e dando il giusto valore ai contributi di ciascuno.

O Hall da fama

In Idéias gerais on April 1, 2008 at 11:46 pm

Sem nada para fazer vejo a lista de personalidades do ano da história da Decanter, ei-las:

1984 Serge Hochar

1985 Casal Mentzelopoulos

1986 Marchese Piero Antinori

1987 Alexis Lichine

1988 Max Schubert

1989 Robert Mondavi

1990 Emile Peynaud

1991 José Ignacio Domecq

1992 André Tchelistcheff

1993 Michael Broadbent

1994 May-Eliane de Lencquesaing

1995 Hugh Johnson OBE

1996 Georg Riedel

1997 Len Evans

1998 Angelo Gaja

1999 Jancis Robinson MW OBE

2000 Paul Draper

2001 Jean-Claude Rouzaud

2002 Miguel Torres

2003 Jean-Michel Cazes

2004 Brian Coser

2005 Ernst Loosen

2006 Marcel Guigal

2007 Anthony Barton

2008 Christian Moeuix

Encontro de titãs

In Idéias gerais on April 1, 2008 at 9:09 pm

jrrp2.jpg

[foto Julia Harding]

Eis a foto do dia, batida por Julia Harding, em Bordeaux, onde andam todos avaliando a criticada safra de 2007, que tem tudo para ser um fiasco. Café da manhã histórico reuniu os dois lados do Atlântico,  o relato de Jancis pode ser lido aqui:

http://www.jancisrobinson.com/articles/20080331

Grande novidade

In Idéias gerais on April 1, 2008 at 12:00 am

ecuador.jpgchateauxmargaux2000.jpgecuador_real_estate_201.jpg

Esta notícia realmente vai abalar o mundo dos vinhos. O importante Paul Pontallier (na primeira foto, em trajes cerimoniais de degustação), diretor do Château Margaux, anunciou hoje os planos da casa para os anos vindouros.

Vão erradicar totalmente seus vinhedos de Cabernet Sauvignon e plantar exclusivamente Grenache, pois devido ao aquecimento global ele julga que, brevemente, Bordeaux terá um clima mais parecido ao do Languedoc e Rhône sul.

Também disse que a tradicional vinícola está comprando 1000 hectares nos Andes equatorianos onde pretende desenvolver um projeto de um Premier Cru baseado em suco de manga fermentado usando leveduras bordelesas. Segundo ele: “o terroir equatoriano, de terra roxa muito fértil, é perfeito para a máxima expressão da manga, com traços de fruta tropical e intensa mineralidade”.

 O projeto é todo biodinâmico, com consultoria de Michel Rolland, que se tornou apóstolo da antroposofia depois de um encontro secreto com Madame Bize-Leroy.

O primeiro vinho equatoriano, apelidado carinhosamente de Château Mangô, aparecerá no mercado em 2016, depois de um estágio prolongado em tonéis de pau brasil e jacarandá.

Glupt! mostra em primeira mão o estudo para o rótulo (foto 2) e também uma exclusiva (foto 3) das impressionantes videiras enxertadas com mangueira, com mais de quarenta anos de idade e baixo rendimento.

Se tudo der certo haverá um Ice Wine de manga feito a 4 mil metros de altura, lá onde el condor pasa. Se tudo der errado, será vendido como sorbet.

A assessora de imprensa do grupo, Ecilda Paullier, não respondeu aos telefonemas e emails do Glupt! Uma loucura!

Chablis

In Idéias gerais on March 30, 2008 at 3:24 am

1977_providence.jpgAproveitei o sabadão para assistir (milésima vez? Por aí) Providence de Alain Resnais, um dos meus dez filmes favoritos. E como sempre falhei em descobrir qual Chablis o personagem principal bebe. Clive Langham (John Gielgud) toma porres memoráveis, belas garrafas com aquele típico lacre amarelo. Mas não dá para saber do que, um Chablis 1975….set and game to father. Quem sabe?

Fresta de luz

In Idéias gerais on March 30, 2008 at 2:17 am

Bebe daqui e dali, de repente aparece um descanso líquido para o paladar, um frescor simples e admirável, aroma de abacaxi sem exagero, muito típico. Corre a olhar o rótulo, o que será? Viura? Alvarinho? No sir!: Dal Pizzol Chardonnay…Coisas da vida vinícola, muitas vezes o prazer é ligeiro e está ao alcance da mão. Para que complicar?

Alsacianos

In Idéias gerais on March 29, 2008 at 3:45 am

Aqui o bate-papo que tive com os Zind-Humbrecht, produtores de grandes vinhos da Alsácia, publicado no Paladar da última 5a.feira. Amanhã postarei as notas de degustação de cada vinho.

http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup146643,0.htm

Surpresa

In Idéias gerais on March 28, 2008 at 2:01 pm

wine-estela_01.jpgOntem na comemoração de 1 ano da importadora Vinci, a degustação de diversos vinhos do seu catalógo. Muitos tops italianos, franceses, etc. Mas o que me chamou a atenção, me fez voltar, provar de novo e anotar foi um inesperado vinho argentino, feito com a menosprezada uva Bonarda, que foi durante décadas a variedade comum de vinhos vagabundos.

Tratada direitinho, com rendimento controlado e todos os salamaleques, pode dar um vinho excelente como este, o mesmo que a Cariñena tem feito na Catalunha e Languedoc.

Pois o La Posta, Estela Armando Vineyard, de pés francos (!!!), colhido a mão, vinhedo com 40 anos de idade, 11 meses em carvalho (francês e americano), sem filtrar nem clarificar, é um tesouro. Guloso, amigável, muita fruta no nariz, violetas confeitadas (já comeram isto? florzinhas cobertas de açúcar), boa acidez na boca, mas sem aquele gosto de tutti-frutti e chicletes da Bonarda mal feita. Muito interessante, leve picante, potente sem ser alcóolico e um excelente companheiro para comida.

E o preço deste vinhaço para todo dia? Meros 38 reais e 33 centavos.

Das maravilhas da incerteza

In Idéias gerais on March 25, 2008 at 7:49 pm

Pinçado do blog do sempre ótimo Andrew Jefford: “There is very little agreement as to how to make the best Calvados, which I take to be an excellent sign”.

Back to basics

In Idéias gerais on March 25, 2008 at 5:59 pm

Suspiro profundo e mão na massa. Tanta coisa para escrever, nem sei por onde começar. Acho que pelo almoço no D.O.M. com os catalães do Alicia e os bons vinhos sul americanos que consumimos entonces. Por aí recomeçarei…

Pequeno descanso

In Idéias gerais on March 20, 2008 at 2:52 am

hare_beating_tabor.jpgO Glupt! tira uns dias de férias. Deixa a vocês leitores uma frase de São Paulo na sua carta aos Tessalonicenses (terra aliás de bons vinhos): Semper gaudete, mantenham-se sempre alegres. Bom feriado e boa Páscoa.

Dois bons brasileiros

In Idéias gerais on March 16, 2008 at 9:33 pm

Não julgo vinhos pela procedência, julgo pela qualidade.

Tomei hoje, num jantar delicioso no Brasil a Gosto, com os visitantes catalães, dois belos vinhos brasileiros. O Gewurztramminer da Valduga (não anotei o ano) e o Dezem Merlot 2004, um belo vinho paranaense, com corpo elegante, boa acidez, um toque animal no nariz, saboroso, não enjoativo e nem excessivamente moderno como costumam ser os merlots nacionais, com uso inteligente de madeira e sem aquele finalzinho amargo (que eu atribuia à madeira, mas segundo Fernando Deicas da Juanicó é fruto das sementes não completamente amadurecidas), tão comum nos vinhos locais.

Bravo para os dois, competitivos, gostosos e de bom preço. 

Considerações dominicais

In Idéias gerais on March 16, 2008 at 12:30 pm

O que realmente incomoda nos vinhos não é uma tal globalização abstrata. É o risco da perfeição técnica. Elaborarei depois, nos próximos dias.

Partout et nulle part

In Idéias gerais on March 16, 2008 at 1:03 am

merleau-ponty2.jpgUm tempo atrás contei aqui no blog minha visita acidental ao cemitério de Père Lachaise e como descobri, tropeçando em galhos secos e túmulos abandonados o da minha matriz de pensamento, Maurice Merleau-Ponty. O plano secundário virou desde aquela data estar lá no centenário do mestre e levar uma florzinha: um convite para ir ao Languedoc conspirou a favor e um problemita derrotou o projeto, e cá estou, não lá como queria.

Mesmo assim, conto que eu quase fiz uma tese sobre ele, cargillions de anos atrás, e deste quase ficou um resíduo que nunca vai me largar. Hoje mesmo, batendo papo com Toni Massanés do Alicia, de repente, me peguei sendo muito pontyano, defendendo a idéia de que é possível sim o que Massanés quer, construir uma lingua franca que dê conta das sensações sem as ambiguidades do individualismo (ele quer encontrar um ponto em que as descrições de vinhos sejam legíveis por todo mundo, o meu amargo, seja o teu amargo…), uma construção de essencias a posteriori, ligeira infidelidade ao projeto da fenomenologia, mas e daí? Eu tentava explicar como via entusiasmado a tentativa, mas sabia que ela seria sempre tangenciada e delineada por esta saraivada de tangentes, sem nunca de fato conseguir resultado inequívoco, quando outras pessoas chegaram e, felizmente, passamos a tomar um vinho e não tentar resolver impasses do mundo das idéias.

Nisto entendi que esta conversa com o Toni, meia hora antes do almoço de hoje acontecer, foi a minha homenagem a Merleau-Ponty, era o vasinho de flores que eu punha para ele no seu centenário, mais um capítulo na minha relação esquiva com o seu pensamento, parte daquela “brouille qui n’a pas eu lieu, notre amitié”.

Fica o post in memoriam Maurice Merleau-Ponty 1908-1961

Defeitinhos

In Idéias gerais on March 15, 2008 at 1:47 am

De vez em quando me lembro com urgência de algo que preciso escrever. Tomo uma nota, mental ou física, e esqueço, claro. Faz uns quatro anos estou me devendo comentar uma degustação que foi chave para entender os vinhos. Conduzida por Marie-Louise Banyols, da Revue du Vin de France, em Vic, era sobre “Pequenos defeitos que são virtudes”. Estava tudo lá, o ponto de bretanomices num, o açucar residual ligeiramente desequilibrado noutro, um toque oxidativo num terceiro, um percentual de uvas com botritis num quarto. Foi a primeira vez também que tomei um vinho de Nicolas Joly e um champagne de Sélosse, Substance. Era uma epifania, e eu não sabia. Vou recuperar estas notas e escrever sobre isto.

A crítica da crítica

In Idéias gerais on March 14, 2008 at 11:20 am

Respondendo ao Eduardo: confiar na opinião dos críticos é já uma eleição de um gosto semelhante. Não é só o Parker que determina o que é bom, o gosto “popular” determina de alguma maneira o Parker como um estabelecedor de modos e maneiras. Ou como disse uma ensaísta cujo nome não me lembro agora, mas prometo dizer quando estiver perto do livro: a confiabilidade no caso dele (RP) já é um componente epistemológico.

Traduzindo em língua de gente, escolhemos nossos críticos por afinidades, da mesma forma que vinhos. Eu me sinto confortável com os ingleses, prefiro em geral o que gostam, Hugh Johnson, Jancis e tal. Mas o Parker tem virtudes, inclusive na sua equipe há um dos maiores conhecedores de vinhos alemães e austríacos, David Schildknecht.

Não acho que vinho seja só o que já conhecemos, a ampliação do gosto é um desafio e uma delícia, privilégio do espírito humano, provar o diferente, educar os sentidos, ampliar as sensações. Mas nada contra os “garantidos”, os nossos vinhos de subsistência, o “run for cover”, as certezas que nos consolam.

Negócio basicamente é provar e repetir, testar e eleger. Meu melhor vinho da vida sempre pode ser decepcionante sob outras condições, noutros momentos, e um vinho que achei ruim pode reaparecer incrível noutra volta do parafuso.

Vinho e comida, superada a esfera da nutrição e necessidade, entram no mundo do gosto pessoal, e as verdades pétreas devem ir para o espaço.

gatos…

In Idéias gerais on March 13, 2008 at 8:58 am

vinci.jpgFrederica sentou no teclado para me impedir a visão da tela (quem tem um gato entende do que estou falando) e escreveu a seguinte mensagem: 07700356Ç.HNJU . Se alguém souber o que quer dizer, agradeço :-)

Seja também um Jay-jay

In Idéias gerais on March 12, 2008 at 3:36 pm

mini_001.jpggoat.jpgO notório homem de Parker para as quebradas do mundaréu, “doutor” Jay Jay Miller, pontuou outra vez os vinhos espanhóis. A graça nesta oportunidade é que diversos vinhos nem são conhecidos na Espanha! produzidos diretamente para o mercado americano.

Eu acho ótimo, quanto menos eles quiserem os bons vinhos espanhóis, mais sobrarão para quem gosta dos bons.

É neste espírito sempre conciliador e carinhoso, que o Glupt! fornece aos seus leitores uma chance única: seja voce também um Jay-jay! Basta imprimir a máscara, cortar no lugar da boca e sair dando 100 pontos a toda garrafa de álcool que encontrar. Participe!

A foto do “doutor” Miller é meramente ilustrativa, pode ser que o uso da máscara não te faça parecido com ele, não é nossa responsabilidade no caso (sorte sua! Tente uma fantasia de Jabba the hutt como alternativa).  

Uruguai em movimento

In Idéias gerais on March 11, 2008 at 7:49 pm

Eu ainda estou decifrando minhas anotações e o Didú já veio com o relato prontinho, tem tudo, perfil das vinícolas, vinhos favoritos e vídeos divertidos. Está na edição de número 33 do What’s up, que pode ser lida aqui : http://didu.com.br/WhatsUp.aspx?Secao=3&Artigo=24

E quem visitar o site pode aproveitar e se inscrever para receber os avisos de atualização e os próximos números da newsletter mais influente da vinosfera (o que tinha de gente no Uruguai que comentava sobre o What’s up não era brincadeira. O Didú é tão popular no país vizinho quanto aqui, a gravata borboleta mais viajada do cone sul!).

Olha o furo do Glupt!

In Idéias gerais on March 11, 2008 at 9:49 am

alion.jpgGraças ao Rodrigo Mainardi ficamos sabendo que Bob Dylan consumiu (com a banda, espero…) 3 magnuns de Alión 2003, o irmão mais novo do Vega Sicilia.  Quatro litros e meio deste caldo soberbo de Ribera del Duero, eu sabia que o Zimmerman não ia nos decepcionar.

o que vem por aí

In Idéias gerais on March 11, 2008 at 3:48 am

O ano começou fervendo, nos dois sentidos, porque está um calor! Mas nesta semana e na próxima tem, dentre outras muitas coisas, apresentação do Dal Pizzol Touriga, dos bordeaux do Château Caronne St Gemme, os portugas de Herdade do Perdigão e os italo-brasucas de Noemia D’Amico, e o encontro dos vinhos Miolo com a comida do La Casserole. E outras coisinhas mais, e ainda estou meio convalescente mas cuspindo vai.

Um pouco de ritual convém

In Idéias gerais on March 10, 2008 at 8:11 am

Eu sou sempre, alto e bom som, cético das harmonizações perfeitas. Não vejo nada demais em arriscar, experimentar e até dar com os burros n’água. Acontece com todo mundo e o tempo todo, se não fosse pelo atrevimento, ninguém jamais teria provado coisas que acabaram dando certo e ainda estaríamos comendo a caça em estado de natureza. A gastronomia, como uma espécie de ciência e arte, veio das inovações.

Também acredito, com as costas quentes garantidas por Hugh Johnson, nas suas memórias, que antes da facilidade de comunicação, transporte e mercados globais, as pessoas bebiam o que tinham e comiam o que estava a mão. O luxo de combinar um vinho tal com a comida xis, é um privilégio da nossa época. Então não sou dogmático nestas coisas.

Mas acho que tem que ter respeito pelo trabalho anonimo e quase religioso, que fez o melhor possível para produzir um grande vinho, decadas atrás, guardou este produto humano numa garrafa, esperando que ele fosse bebido no momento certo, pelas pessoas certas com a comida adequada. Abrir um grande vinho não é um exercício de esnobismo, é uma homenagem ao intenso embate contra a natureza e contra a passagem do tempo que o vinho significou. Muitas das pessoas envolvidas na produção de uma única garrafa já desapareceram, beber um vinho envelhecido e evoluído é beber história, memória, um ato de civilização.

Por isto me irrita muito saber que de maneira perfunctória um vinho destes é desperdiçado de maneira iconoclasta, superficial, inconsequente. É uma decepção e equivale na minha escala de valores a desrespeitar uma obra igualmente sem autores e também vitoriosa contra o tempo, como uma Catedral Gótica. É como destruir um pedacinho do patrimônio comum da humanidade.

Pensemos bem nisto, agora que temos acesso a todo tipo de vinhos: com uma comida ligeira de fim-de-semana, temos uma lista imensa de opções, rosados frutados, brancos ligeiros, espumantes deliciosos. Não tiremos a rolha de um vinho adormecido que espera seu momento certo só para beber alguma coisa. Não violemos um dos últimos espaços de refinamento que nos resta na bárbarie. Saibamos esperar, porque aquela garrafa como uma mensagem de náufrago mandada através da história e que vem trazida pelas ondas até nós merece cair em campo fértil. Senão pobre do produtor que  fechou seu vinho trinta anos atrás terá sua memoria rasgada, suas poucas sementes terão caido sobre a pedra e não vicejarão. Beber um grande vinho é conversar com o passado, celebrá-lo. Todo vinho assim é emocionante, mesmo que já não esteja no auge, porque é impossível não pensar em tudo que se passou desde seu engarrafamento.

No outro dia, quando abrimos os Bosconia e Tondonia 1981, tivemos intensa celebração, felicidade, ver aqueles líquidos que assistiram tanta coisa, vindos de uvas colhidas num campo distante da Rioja, terminarem na nossa frente, com dignidade e apreciação. Aqueles vinhos tiveram o que os gregos chamam de um fim glorioso, digno de sua existência e das pessoas que os fizeram, celebrados com respeito e prazer pelos que compartilharam o ato de bebe-los.

Mas nem sempre é assim. Tenho assistido cenas feias, um Lafite matado numa mesa de churrascaria muito antes de cumprir seu caminho, e deixado lá pela metade, por exemplo. Pensem nisto. Estou um pouco desiludido e amargurado hoje. Comer e beber é muito mais que ticar nomes num caderninho, é manter integra nossa condição de seres sensíveis e capazes de transmitir um mínimo de leveza, finura e sensibilidade. Se não fôr assim, qual o sentido?

VS

In Idéias gerais on March 9, 2008 at 2:26 am

vegas.jpgA Mistral anuncia o calendário dos seus grandes jantares. Tem coisas muito atraentes, Gaia Gaja, filha de Angelo Gaja, por exemplo e Alvaro Palacios, um dos inventores do Priorato contemporaneo ( e que nunca veio ao Brasil). Mas o top mesmo, o que vai ser marcado em vermelho gritando na agenda, é Pablo Alvarez, dono do Vega Sicilia.
Almocei com ele uns anos atrás, em Tordesillas, e visitamos sua vinícola em Toro, de onde sai o Pintia. Vale contar esta história outra vez, foi publicada na Gula, na época. Contarei. Mas por enquanto só o registro de que julho tem uma verdadeira visita real, Vega Sicilia é um nome que se pronuncia com reverencia na Espanha e no mundo.

Nova entrega de prêmios Glupt!

In Idéias gerais on March 8, 2008 at 8:15 pm

glupt-sao-louenco.jpgimg_2325_3_1.jpgTroféu Frederica para o produtor revelação do ano (Domaine Rimbert) e para lugar agradável para beber vinhos (Praça São Lourenço). Nas fotos o almoço festivo descrito em post anterior e os felizes contemplados, Geoffroy de Savye de la Croix e João Paulo Gentile.

[fotos do Pagliari, editadas por mim para me "remover" do grupo]

Os porquinhos

In Idéias gerais on March 8, 2008 at 9:17 am

image001.jpgComo embaixador de Glotonia para São Paulo tenho o prazer de comunicar que chegam às livrarias as esperadas mémorias escritas a 4 patas pelos dois senhores David de Jorge e Hasier Etxberria, tradução deste vosso criado. Espero que tenha o sucesso merecido. O livro é muito divertido.

A carne (de vez em quando) é fraca

In Idéias gerais on March 8, 2008 at 4:42 am

toothache1.jpg

Para que não se pense que o Glupt! só vive de nababescos acontecimentos e grandes viagens, o blog ia viajar para Limoux, para testemuhar um acontecimento especial, o leilão de vinhos anual, como o dos Hospices de Beaune, em que os produtores do famoso Chardonnay da região doam suas melhores barricas e cuja renda é destinada à recuperação do patrimônio arquitetonico do Languedoc. Cada ano o leilão é presidido por um chef 3 estrelas, e neste serão Juan Mari Arzak e sua filha Elena os leiloeiros. Foi com tristeza que precisei cancelar a viagem por motivos ósseos e musculares, coisas do frágil corpinho que todos possuímos, mesmo julgando que somos indestrutíveis. Que fazer? Ano que vem, talvez…Mas tentarei dar um relato distante da coisa, porque é um evento bonito chamado Toques et Clocher.

Igualmente, pelo mesmo motivo minúsculo e doloroso, não poderei acompanhar o querido amigo Toni Massanés a Manaus. Tempo curto de chá e simpatia.

Perfeição

In Idéias gerais on March 8, 2008 at 3:15 am

Um almoço longamente adiado, acho que desde setembro passado, conseguiu acontecer hoje, uma reunião de amigos em torno de bons vinhos. Começamos com duas surpresas, garrafas trazidas pelo Didú Russo da nossa recente viagem ao sul, cobertos para não serem identificados. O surpreendente branco de uvas tintas, Pinot Noir com um pingo de Chardonnay, da uruguaia Marichal. Criação do talentoso e entusiasmado Juan Andrés Marichal, um dos jovens a ser vigiado no que faz. E o “jerez” do Viñedo de los Vientos do Pablo Falabrino, inusitado corte de Chardonnay, Viognier e Trebbiano, em que aconteceu a “flor”, aquela película de restos de levedura, que dá ao líquido um cárater único. Como bons uruguaios os vinhos tinham notável acidez e nada que os identificasse com o padrão monótono que se atribui, falsa ou verdadeiramente, a muitos vinhos do Novo Mundo.

Passamos então para um Riesling alsaciano delicioso, cheio de tipicidade e elegância. O Spielmann Grand Cru Kanzlerberg 2000, muito seco e equilibrado, diferente da fama dos rieslings alsacianos, tidos como pesados e alcóolicos pelos mais germanistas.

Veio depois a fase Rioja da degustação. O Remelluri branco 2003, levado pelo José Luiz Pagliari, vinho único, feito de 7 variedades e um vinho cult na Espanha, produção mínima, quase para consumo da própria vinícola (que produz alguns de meus Riojas favoritos, numa das propriedades mais bonitas que já visitei, dentro da Rioja Alavesa). Um portento, cheio de nuances, que pode ser cheirado por horas e irá surpreender cada vez. O Bosconia Gran Reserva 1981, que dispensa comentários, afinal é um dos grandes vinhos de guarda da Espanha, e nos seus 26 anos (aberto e servido pelo Ramatis Russo, que também é de 1981!) está em pleno vigor, acidez impecável, evoluído e complexo, um Borgonha feito na Rioja, com a curiosidade de que originalmente o vinhedo se chamava Borgoña e não Bosconia, justamente por esta semelhança de estilo. Para comparar foi divertido abrir um verdadeiro Borgonha, uma criança perto do espanhol, mas prometedor, o Savigny les Beaunes de Catherine e Claude Marechal, 2005. Uma delícia de fruta e frescor, com aquela potencia oculta dos bons Borgonhas, uma estrutura que está lá mas que não se vê, deixando entrever somente o prazer de bebe-lo.

O cume de tudo isto, se ainda era possível subir mais, foi o Tondonia Gran Reserva Blanco 1981. Indescrítivel. Seria a garrafa que eu pegaria correndo se tivesse que escolher uma sómente (presentão de aniversário de Ciro Lilla, que guardei para a ocasião). Sou suspeito para falar dos vinhos de Lopez de Heredia, porque talvez sejam os meus favoritos no mundo todo.

O Praça São Lourenço, a quem entreguei o prêmio Glupt! de lugar amigável para beber vinhos, cumprindo seu papel à perfeição, taças adequadas, os dois sommeliers treinados, a comida caprichada (um cordeiro grelhado no ponto exato, contraponto certeiro para os vinhos e mil outras coisinhas delicadas, pães e comidinhas) e o lago e fonte agregando um ar fresco e prazeiroso a esta tarde quente.

Como sempre pode melhorar, dois Sauternes, fruto de uma coincidência, eu tinha comprado curioso uma garrafa de um Sauternes biodinâmico na Lavinia de Paris. E agora o Geoffroy de Savye, da Delacroix, passa a importar estes vinhos, então eu levei o meu 98 e ele um 2000 e pudemos comparar, ambos ainda com longa estrada pela frente, e aquela “sauternidade” que eu aproximo de cheiro de cola (é um elogio, embora eu não seja chegado em cheirar cola…) e à austeridade, contrariamente à botritis exuberante dos Tokajs. Perfeitos. São de Rousset-Peyraguey. Aproveitei e entreguei a ele o prêmio Glupt! pelo produtor revelação do ano: Domaine Rimbert.

E não terminou, nesta altura estavámos voltando aos primeiros, indo e vindo, comparando, nenhum vinho inadequado, todos se comportaram muito bem. Nosso anfitrião, Jonny Gentile, que faz jus ao nome, trouxe um Porto branco Grahm’s, grappa e charutos trazidos de Cuba. Abri uma exceção e fumei um Hoyos de Monterrey, afinal era a comemoração de algo, da amizade, da leveza, do epicurismo em tempos dificeis e da entrega de dois prêmos do blog.

Que dia!

A pergunta que não quer calar

In Idéias gerais on March 7, 2008 at 8:49 am

Que vinhos terá Bob Dylan tomado em São Paulo?

Frase desviada para cá

In Idéias gerais on March 6, 2008 at 10:37 am

O Paladar de hoje está um primor (e não participei de nada, posso elogiar despudoradamente!) tratando do boom gastronômico na Itália. Só discordo de que a Itália seja a nova Espanha, a Espanha é a Espanha né?(sou que nem torcedor de futebol, fanático mesmo). Mas a Itália está sendo justamente hypada na hora certa. E no meio do caderno pesquei um parágrafo do texto de Massimo Bottura, que serve para vinhos, música, vida, uma coisa linda:

“Você, brinque com sua comida. Vire-a do avesso e de cabeça para baixo. Transforme o quente em frio e o áspero em macio. Cheire a comida. Cutuque-a. Prove-a na língua. Coma para evocar lembranças, para compartilhar, para se divertir. Satisfaça o coração e a alma que o estômago vem atrás. Alimentação não é matemática, é emoção”.

Dito! Não nos levemos tanto a sério, vamos brincar com os vinhos também!  

Bom de copo

In Idéias gerais on March 6, 2008 at 9:21 am

plinyelder.jpgNão tem para Parker, Johnson, Broadbent ou Robinson, o cara que bebeu de tudo mesmo foi Plínio, o velho. Não tem um relato sobre uma uva, uma passagem histórica, uma comidinha especial, banquete, tertúlia, convescote ou libação em que ele não apareça e dê palpites. Pode conferir, o bom e velho Plínio estava em todas. Era o verdadeiro arroz de festa do século 1 e tanto fez que conseguiu morrer numa erupção do Vesúvio, na certa com um cálice de Moscatel na mão.

Uva sulista

In Idéias gerais on March 5, 2008 at 9:47 pm

Há um debate interessante sobre a uva Torrontés no site de JR. Não vou repetí-lo aqui, mas em resumo a conclusão é bacana, esta é realmente uma uva argentina, que não tem similar em nenhuma parte. Aconteceu do cruzamento natural da Criolla Chica com a Moscatel de Alexandria. A de Rioja (Rioja argentina, não espanhola) é a mais expressiva e aromática, devido ao alto teor de linalol que lhe dá o aroma de pétalas de flores, de rosas brancas. Eu gosto muito de Torrontés, tomei um no Uruguai, Rio de los Pajaros Pisano, muito bom, além dos conhecidos Argentina afora. Aliás Daniel Pisano contou a história de como arranjou a uva, contrabandeando galhinhos e dizendo que eram para assar churrasco…

balanço de estrelas

In Idéias gerais on March 5, 2008 at 6:27 am

robuchon_et_ducasse.jpg

Com a aparição do Michelin França termina a copa do mundo estelar para 2008 e o saldo é Robuchon 18 contra 15 de Ducasse. O excêntrico jesuíta Joel Robuchon (quem o conheceu aqui uns 5 anos atrás, na Escola do Laurent, há de se lembrar dos modos extremamente gentis, dos gestos contidos e sem veemencia, da roupa negra e das pernas em x, quase um missionário, que não estaria deslocado catequizando nas Filipinas) passa assim a ser o chef com mais estrelas no mundo inteiro, nesta temporada.

Clica daqui e dali

In Idéias gerais on March 4, 2008 at 5:43 am

Anotem este nome, os que gostam de música: Nico Muhly. Nome estranho, personagem único. Comecei a ler o relato num blog de um sujeito que mora em Chinatown e adora cozinhar, que ama offal, miúdos, e que fez uma refeição inesquecível no St John de Londres. Então ele discute o badalado artigo recente do NY Times, se é possível um “date” de uma vegetariana com um carnívoro. Daí, pelos milagres do hipertexto, acabei ouvindo a música do cidadão. Ele compõe. E a coisa grudou na minha cabeça, tem 2 dias não consigo escutar outra coisa, música religiosa, bem fincada em Tallis, Byrd, música coral inglesa, mas lida pelo século 21, com muito talento. Sou fascinado por arte religiosa feita pela contemporaneidade, coisa complicada de dar certo, mas que quando acerta é atordoante. Lembrei da capela de Barceló dentro da Catedral de Palma de Mallorca, e da soturna música de Arvo Paart e Gorecki. Mas eles ainda estavam ensombrecidos pelo século xx e pelos holocaustos continuados. Nico Muhly não, parece um colegial descabelado indie, que gosta de comprar ossos e aparas para fazer caldo e enquanto a panela ferve e referve, produz uma missa, evidentemente chamada Bright Mass, tão bonita que virou repertório da Saint Thomas Church da Quinta Avenida. A música religiosa libertada do ascetismo, feliz, virada para outro tempo. E o “monstrinho” tem apenas 26 anos…Um googleada e se acha o site e vários exemplos musicais, o cd está repetindo tanto no meu ipod que ameaça os neurónios que me sobram, e que estavam dedicados só ao vinho. Que todos os miúdos (ele cita as mollejas de porco como favoritas) emprestem a proteína para tanta criatividade.   

Glupt! responde

In Idéias gerais on March 3, 2008 at 6:21 pm

fish-typewriter.jpg

Aos leitores que pediram informação sobre onde achar o Cahors. O Saraiva da Vitis Vinifera informa que, por enquanto, aqui em São Paulo, no Varanda, Empório São Paulo, Empório Dinis e Cantina Materello. E pelo site www.vitisvinifera.com.br O tempo de guarda, tomamos outro Cahors no mesmo dia, de 1998, e estava no auge. Então para o 2004 eu diria mais uns 5 a 10 anos brincando.

À Sofia, minha querida amiga, que oferece a casa (linda) para a entrega dos prêmios Glupt!: este ano vai ser low profile mesmo, porque o titular não para de viajar e a Frederica não gosta de festas. Mas combinado para o Glupt! 2008.

Alexandra Forbes, denodada e sumida companheira de almoços, já coloquei o seu blog na lista de amigos.

Perde e ganha de estrelas

In Idéias gerais on March 3, 2008 at 8:59 am

nyer.jpgSaiu agora, as 5 da matina aqui, a lista dos estrelados e rebaixados do Michelin 08 da França. Deixo para os especialistas comentarem, não sei assim tanto de restaurantes franceses para meter o nariz. Só vigiei os conhecidos e pareceram todos no lugar. E um cartoon divertido da New Yorker para começar a semana.

Pausa Malbec

In Idéias gerais on March 2, 2008 at 4:47 am

vinho_290.jpg

Antes de mergulhar no longo relato sobre o Uruguai preciso contar o que me aconteceu ontem. Tomei um Malbec de perder o rumo de tão bom. Escuro como uma noite sem estrelas, potente mas muito elegante, cada cheirada um prazer: ameixas pretas, alcaçuz, toque de rapadura, couro. E algo que venho encontrando em alguns vinhos: umami, aquele quinto sabor, mastigável, como se fosse uma batata assada. Na boca é voluptuoso, taninos presentes mas agradáveis e muito finos, acidez perfeita sem nada de tártarico adicionado. Deixa um retrogosto de frutas maduras como o de um destes Douro modernos, Porto seco, mas com meros 13 de álcool (tempos estes que vivemos, em que 13 volumes de álcool podem ser considerados moderados). Um belo vinho de 2004, ainda com vida longa e muita felicidade para dar.

Agora o detalhe: era francês, de Cahors, honrando a tradição dos vins negres da região, famosos desde os tempos de Eleanor de Aquitania e que só perderam o prestígio quando Bordeaux atravessou comercialmente no caminho. E custa a bagatela de 58 reais! Mais barato que a grossa maioria dos tops argentinos da mesma uva. Um vinho destes com um pato na panela do Jacquin seria de uivar para a lua.

Tem alguma coisa muito errada na tabela de preços da Argentina, e olha que sou (1) entusiasta do país vizinho (2) apreciador de vários de seus vinhos.

A importadora é a Vitis Vinifera do Rio, depois dou os dados de contato e falo nos outros vinhos, mas este Cahors…Château de la Poujade 2004, valha-me!

p.s: a Vitis Vinifera funciona no seguinte site:

http://vitisvinifera.academiadovinho.com.br/

Caçador de vinhedos perdidos

In Idéias gerais on February 29, 2008 at 3:53 am

telmo.jpgrodriguez1.jpgtelmodehesa.jpgtelmo_rodriguez_gazur_web.jpgRecebi um email de Telmo Rodriguez que me deixou contente, ainda repercutindo a resenha que publiquei no Paladar, que bateu em Glotonia dos porquinhos e foi parar na mão do vinicultor e também vertido para castelhano no El Mundo. As voltas que os textos dão.

O Telmo para quem não sabe é um recuperador de sabores antigos. Viaja pela Espanha atrás de vinhedos meio abandonados, pacientemente recupera o que é possível, procura saber como o vinho era feito na região e faz alguns inesquecíveis líquidos, como o Molino Real. Ele conta que está trabalhando em um pequeno vinhedo de 2 hectares na Rioja, usando co-plantação, tentando reviver como era um Rioja em outras eras.

Pois foi este sujeito que o livro do Nossiter lista como uma espécie de enólogo sem raízes. Entendo, há preconceito, o Telmo tem físico de poeta tísico e longa cabeleira de nouveau-philosophe, parece mais Bernard Henri-Lévy que um vinhateiro, é franzino, afável e simpático. Mas basta olhar bem suas mãos e ver que ele é do campo. Cresceu em Remelluri, comprada pelo pai, depois foi estudar em Bordeaux, dormia na cantina vigiando o processo, trabalhou duro, refinou o conhecimento.

Na sua rápida passagem por aqui, uns anos atrás, numa edição do Encontro Mistral, conversamos sobre coisas fascinantes, sobre a fluidez e sobre a accessibilidade, suas preocupações naquele momento. Um cara especial, que diz que talvez venha este ano de novo a São Paulo. Curiosamente, sendo ele o mais injustiçado personagem do tolo livro que resenhei, lembro da primeira vez que assisti Mondovino, numa exibição antes da estréia, num mês de fevereiro durante o Foro em Vic, numa sala gelada e com uns poucos gatos pingados, que riram e se divertiram, sem maldade alguma. No grupo estavam o mais apaixonado importador de Barcelona, Quim Vila, Nicolas Joly e…Telmo Rodriguez.

Como ele trabalha pela Espanha afora, desde a Galicia até Málaga, produzindo Rioja, Ribera del Duero, Valdeorras, Toro, Montilla-Moriles o cineasta logo carimbou seu trabalho de “voador”. Como se não fosse possível conhecer profundamente um vinhedo e uma terra sem ficar plantado no chão 24 horas como um tubérculo.

Os vinhos de Telmo estão à venda na Mistral, os preços variam, a qualidade também, nem todos são espetaculares, mas são profundamente honestos e com um vigor intelectual de busca de uma expressão preciosa dos terroirs e das diferentes uvas regionais que utiliza, como a Monastrell do Al Muvedre e o Moscatel do Molino Real. Não é pouca coisa. 

Lua cheia

In Idéias gerais on February 27, 2008 at 6:16 pm

castviejo1.jpgcastviejo2.jpg

Como a atividade que despertou mais curiosidade dos leitores foi a da colheita na madrugada, dou um adiantamento no assunto. A Bodega Castillo Viejo, do simpático Edgardo Etcheverry e família, cujos vinhos são importados pela La Pastina, decidiu colher seu Sauvignon Blanc (considerado um dos melhores do Uruguai) de madrugada, para que as uvas ainda frias não perdessem todas suas qualidades aromáticas até chegarem à cantina. Os trabalhadores chegam num onibus à meia-noite e colhem até o sol aparecer, em torno de 5 da manhã. Eles temiam que não fossem encontrar gente disposta a trabalhar num horário tão peculiar. Mas ao contrário, estão tendo problemas agora é com os que trabalham sob o sol inclemente. Todo mundo quer passar para a noite. A primeira foto mostra como funciona, uma lanterninha na cabeça. A segunda eu bati segurando um cacho de uvas e mostrando o campo de luz que eu via, sem flash. Além de ser menos exaustivo sem sol, o foco faz com que o trabalho renda mais, cada colhedor aumentou sua produtividade e ganha mais. E fica lindo ver o campo cheio daqueles vagalumes humanos.

Desfragmentando o disco

In Idéias gerais on February 27, 2008 at 2:15 pm

svhockney10.jpgPronto, consegui  me reunir todo num só corpo de novo! Viajar dá um estilhaçamento no espírito, fica um pedaço aqui e outro ali, um monte de roupa para lavar, mala aberta exigindo atenção, Frederica nervosa e todas as tarefas do dia-a-dia. Agora estou, mais ou menos, no controle da situação, até a próxima viagem, daqui duas semanas….quando tudo sairá do lugar de novo.

Primeira entrega de prêmio Glupt!

In Idéias gerais on February 24, 2008 at 8:59 pm

imagem-1000.jpgDaniel Pisano colocou na lapela o troféu Frederica para um dos melhores tintos de 2007: Axis Mundi 2002. E posou com os irmãos Gustavo (enólogo) e Eduardo (responsável pelos vinhedos) desta exemplar empresa familiar. O prêmio vai ser emoldurado e colocado na deliciosa sala de comidas da vinícola, em Progreso.

Balançando

In Idéias gerais on February 24, 2008 at 1:33 am

Mais de mil quilometros viajados, 130 vinhos provados, 14 vinícolas, ampla gama de uvas diferentes, de belos Sauvignon Blanc e Marsanne a inesperados Nebbiolo e Garnacha, estilos desde espumantes plenos de frescor a austeros vinhos de sobremesa num estilo Sauternes ou mais falantes num estilo Tokaj, com botritis, sim senhor. Eis o retrato rápido do querido paizito. O Uruguai para mim é mais que um país vinícola muito interessante e desconhecido, o Uruguai é uma missão.  

Os euros jogados fora

In Idéias gerais on February 22, 2008 at 1:12 am

Paladar de hoje tem um comentário que fiz sobre o péssimo livro de Jonathan Nossiter, 19 euros jogados fora. Vi aqui na internet do hotel em Montevideu, o texto aparece no seguinte link:

http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup128156,0.htm

Mensagem do front

In Idéias gerais on February 22, 2008 at 12:58 am

É possível viajar 1200 quilometros num país do tamanho do Uruguai? Sim! E tem vinhedos nas duas pontas norte e sul do país. Mais detalhes quando eu estiver de volta…

Gluptgrama do Uruguai 2

In Idéias gerais on February 19, 2008 at 9:11 pm

Fernando Deicas, gentleman uruguaio entusiasmando pelo que faz, com o filho Santiago, no meio de um almoco excelente decide uma surpresa: abrir em sua casa um Preludio tinto 1995, corte bordales espetacular de Tannat, Cabernet Sauvignon, Merlot, Petit Verdot e Cabernet Franc. Instante mágico de pura generosidade que só o vinho propicia.

Gluptgrama do Uruguai

In Idéias gerais on February 19, 2008 at 8:51 am

Momento único, colhendo uvas Sauvignon Blanc de meia-noite as 4 da manha, com luz de mineiro na testa, para que as uvas nao percam qualidades aromaticas sob o sol forte. Fantástico cenário de filme, todas aquelas pessoas operosas, como formiguinhas iluminadas, enchendo caixas e caixas do que virá a ser um SB fresco e puro.

A temperatura

In Idéias gerais on February 16, 2008 at 1:24 am

23051347.jpgComo estou fazendo mala com um calor tremendo e mil pernilongos no meu encalço, achei oportuno descobrir que boa parte da ediçâo sobre a temperatura dos vinhos está disponível online, na página do Paladar, aqui:

http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup120877,0.htm

Vuelvo al Sur…

In Idéias gerais on February 14, 2008 at 2:58 pm

imagem1.gif

Mais tango, desta vez Amelita Baltar, de Piazzolla, Vuelvo al Sur, com o qual o Glupt! entra num hiato, uma semana no Uruguai, de onde espero postar algo, mas dependerei dos wi-fis locais.

http://www.youtube.com/watch?v=YlqMtc6M_0Y&feature=related

Southbound, ho!

Tango e vinho

In Idéias gerais on February 13, 2008 at 9:36 am

argentina_tango.jpg

O João Filipe ataca outra vez, vinhos argentinos para todos os bolsos, inclusive um Barrancas (é do Pascoal Toso? acho que sim, se fôr o que estou pensando vale a pena) por 11 reais e 50! E os Alamos queridos por 25 reais. A lista está aqui: http://falandodevinhos.wordpress.com/2008/02/13/boas-compras-vinhos-argentinos-fev08/

Isto até merece um tanguinho, que tal Edmundo Rivero cantando, com letra de Borges e música de Piazzolla? Pois tem aqui:

http://www.youtube.com/watch?v=fdrG3JnPwJU

Bom, agora tomei gosto, este uruguaio de Tacuarembó também canta seus tanguinhos:

http://www.youtube.com/watch?v=UoSMcttj7-4

Momento generosidade

In Idéias gerais on February 12, 2008 at 5:56 pm

Foi o Paco Torras, catalão-carioca do Bistrô Carioca (link ao lado, carnaval já passou, cadê novidades do Rio, Paco?) que me indicou este blog: Encantadissimo. Ótimas fotos e comentários dos restaurantes de Barcelona e adjacências. Passei a ser fã, mas agora o blogueiro resolveu suspender as atividades e partir para outra. Só que como legítimo representante do “espírito da internet” colocou um arquivo em pdf para download com todo o contéudo do Encantadissimo, facilitando a vida de quem quer guardar seu verdadeiro guia de restaurantes. Belo exemplo e ótima oportunidade. O link para baixar o arquivo é este:

http://www.encantadisimo.com/index.php/2008/02/12/descarga-encantadisimo

Recomendação cinematográfica

In Idéias gerais on February 12, 2008 at 4:47 am

persepolis_368.jpg

Quem lê o Glupt! deve pensar que vivo no cinema. A última vez que me lembro de ter entrado num foi 3 anos atrás. Vejo muito filme amarrado na poltrona do avião, por tédio, foi assim que assisti umas 3 vezes aquele aborrecido Sideways. Mas ontem vi “Persepólis” e me encantei. Animação para mim tinha acabado, todos aqueles bonequinhos computadorizados histéricos e muito barulhentos, que me cansam em segundos. Mas este filme é fínissimo e com uma qualidade visual incrível.

[e tem uma cena curta e divertida com um lagar atípico para pisar uvas...]

Próximos desarrolhos

In Idéias gerais on February 12, 2008 at 1:29 am

Bom, acabou o período caseiro, começa o “ano civil” e lá vamos nós. Quarta-feira almoço com o enólogo da Norton argentina. Confesso que está me custando admitir que a temporada recomeça…e sábado Uruguai. Semana que vem perderei (snif, snif) a visita de um dos meus favoritos, Luís Pato. É a terceira vez que coincide viagem com a vinda do Pato. Que coisa! Mas não tem mais desculpa, o ano começou mesmo.

O homem do pneuzinho

In Idéias gerais on February 10, 2008 at 10:27 pm

180px-michelinmanrunning.jpgEu não ia postar mais nada hoje, mas a fofocaiada sobre a iminente aparição do Michelin France (primeira semana de março) está tão intensa que não resisti a ecoar no Glupt! um pouco da loteria das estrelas.

Sim, o Michelin é um guia discutível, surgiu para ajudar os viajantes de carro nas suas refeições de beira-de-estrada (e o paradoxo é que o mais famoso restaurante atual, El Bulli, seja mais fácil de atingir por mar que pela estrada péssima…) e blá-blá. Mas todo mundo ama discutir as estrelas.

No momento o que há nos foros, blogs e sites da gastrosfera é: a segunda estrela para Robuchon, a primeira para o Jules Verne de Ducasse na Torre Eiffel e a perda de uma para o insuportável Alain Passard, que se fôr verdade comemorarei, eita sujeito intragável e supervalorizado.

Ainda o verão

In Idéias gerais on February 10, 2008 at 9:55 pm

at1960-steinergatekrems-large.jpgClaro que não cabia na lista publicada pelo Paladar todos os vinhos adequados ao verão. Mas toda hora me ocorre mais um, toda lista é assim mesmo, a gente vai acrescentando coisas depois, aquele tapa na testa: “puxa vida, como fui me esquecer deste!?”.

Então lá vai mais um, ou uns, os cabernets franc (qual será o plural de Cabernet Franc? Cabernets Franc ou Cabernet Francs ou Cabernets Francs? Não faço idéia, aceito sugestões) do Loire, os sem madeira, como os de Charles Joguet. Lembrei também que a Dal Pizzol, uma das vinicolas com preços mais simpáticos no Brasil, produz um Gamay. O importante é levar em conta o teor alcóolico, mais até que cor ou estilo.

O Rogério do ótimo Amuse Bouche (link ao lado na lista de blogs) deu hoje uma receita curiosa de moqueca de banana, confesso que tive muita vontade de provar. Ele combinou com um rosado argentino, opção que me parece corretíssima e sem riscos. Inclusive porque gostaram e o que conta mais é isto, se as pessoas comeram e beberam e gostaram, deu certo.

Mas na minha mania de austríacos, alemães e alsacianos como coringas, talvez um Riesling (não os trocken, mas os com um pouco de açucar residual) poderiam ser uma ousadia interessante. Porque Rieslings têm normalmente baixo percentual de álcool (até os Smaragd do Wachau, os mais concentrados e feitos de uvas mais maduras passam pouco de 12, 5, mínimo aliás para poderem ter a palavra Smaragd no rótulo), boa acidez e os que não são secos, um ponto doce importante para acompanhar o da banana. Para testar.

[fiquei rindo pensando que já é preciso explicar aos adolescentes que esta coisa aí é um selo, que a gente passava a língua e colava numa carta, sim, carta, que ia pelo correio...tudo soooo yesterday! De qualquer maneira "colei" um selo neste post-postal mostrando a linda cidade de Krems no nordeste da Austria, de onde saem Rieslings e Gruner Weltliners de encher a boca]

Feriado

In Idéias gerais on February 10, 2008 at 9:19 pm

frederica3.jpglk-018.jpglk-007.jpglk-046.jpgAmanhã é feriado no Glupt! Aniversário de 5 anos da chegada da Frederica, trazida pela Helena Jacob (que não vi mais, mas a quem sempre agradeço. Quem convive com um gato sabe o gosto que é). Não vai haver comemoração, mas posto umas fotos dela, inclusive uma exclusiva do sorriso boca branca famoso. Quem é mais canino não tem importância, somos democráticos aqui. Alguém escreveu recentemente num blog, que todo blogueiro mais dia, menos dia, coloca uma foto do gato no site…Como a Frederica é o logo desse aqui, cheirando sua magnum de Quinta do Vale do Meão, vocês já devem ter se acostumado a imagem dela.

soluços

In Idéias gerais on February 10, 2008 at 5:38 pm

macucojobim.jpg

Acordei azedo, mas cantando: “moro na roça sinhá, eu nunca morei na cidade, compro jornal da manhã, prá sabê-das-nuvidadi…”. Toda vez que chove com raios, ou seja, todo dia, tem um ritual aqui. Frederica se esconde no seu abrigo anti-aéreo, que ela comprou no ebay depois que a guerra fria acabou. E eu desligo tudo, modem e pc na parede, porque já se queimaram dois nestes dois anos.

É o preço a ser pago por morar afastado. Afinal moro longe, 10 quadras da Paulista…Fico me lembrando uma vez que faltou luz em Nova York foi tão dramático que rendeu um filme, e num apagão mais recente, rolaram cabeças e o prejuízo foi gigantesco. Aqui se fossem fazer filme teria que ser uma mini-série interminável.

Que a gente pense que mora em NY tudo bem, mas seria legal copiar a estrutura urbana da cidade e não só a roupinha e os preços que pagamos. Nova York é uma urbe interessante, merecia servir de modelo  (transporte público, por exemplo, a nossa gigantesca malha de metrô com passagem a 1 dólar e 40, mais cara que a dos metrôs de Paris, Barcelona e etc  já explica sobre o que estou falando…).

Ontem out of the blue, nem chovendo estava, apagou toda a luz do quarteirão por mais de meia hora. Hoje já piscou 3 vezes e reiniciou o pc. O macuco canta na floresta, canta macuco, canta, na floresta…É o trópico, não tem jeito. Lévi-Strauss, socorro!  

[valeu a irritação por ter encontrado este desenho lindo de um macuco, feito por ninguém menos que Tom Jobim. Salvou meu domingón]

Etc e tal

In Idéias gerais on February 10, 2008 at 4:12 am

os_home07.jpgBlogueiro também tem uma vida cotidiana. Neste fim-de-semana fiquei relendo um livro tão bom, que não tem absolutamente nada a ver com vinho, exceto o prazer que proporciona parecido ao de um grande vinho evoluído. E tomei coca light, simplesmente não estava in the mood para vinhos e nem para falar deles. Semana que vem viajo ao Uruguai, onde ficarei seis dias, então estou em concentração.

O livro é Musicophilia de Oliver Sacks, que está traduzido pela Cia das Letras, com cuidado e bela capa, mas com um título esquisito: Alucinações Musicais. Existe este problema paternalístico no Brasil, quando se crê que as pessoas rejeitarão algo por ser “difícil” colocam um título que pensam ser mais atraente, em geral acaba sendo um pouco ridículo e faz pouco dos leitores (títulos de filme sofrem da mesma coisa. Annie Hall de Woody Allen se chamava aqui “Noivo neurótico, noiva nervosa” e nós ainda rimos dos portugueses…).

Mas o livro é ótimo, como sempre no caso do Dr.Sacks, tem ironia, ciência, humanismo, simpatia e uma visão maravilhosa da capacidade curativa da música.

Aprendendo no lugar certo

In Idéias gerais on February 9, 2008 at 8:00 pm

Rogério Rebouças, que chamei de “cavista voador” no post anterior, mas que é além disto um verdadeiro embaixador do Languedoc-Roussillon no Brasil ( e o mais francês dos cariocas, o Claude Troisgros que me desculpe!) mantém um blog ótimo sobre os cada vez melhores vinhos do sul da França.

Com os preços exorbitantes de Bordeaux e Borgonha, os europeus mais descolados (leia-se ingleses, descolados até como ilha…) estão se voltando para bons vinhos de outras regiões menos hypadas, caso de Cahors, do Sudoeste todo e do Sul.

Agora o Rogerio está divulgando um curso precioso para quem quer saber tudo sobre a produção de vinhos, curso a ser ministrado em português, de enologia profissional. Eu ainda não reativei a coluna “O que vem por aí” (por falta de tempo), mas esta é uma notícia do tipo “o que vem por aí especial”. Os detalhes do curso podem ser lidos aqui:

http://vinhosulfranca.blogspot.com/2008/01/curso-de-enologia-profissional_30.html#links

Isto pra mim é grego

In Idéias gerais on February 8, 2008 at 7:59 pm

Nas sugestões de verão que o Paladar publicou fica a impressão que o Assyrtiko Santorini Unoaked é tinto. Mea culpa. Assyrtiko é a uva, branca. Santorini a ilha vulcânica, e o vinho (cujo rótulo diz: bone dry. Algo como seco até o talo) uma perfeição de branco seco. Tem a versão oaked, que passa em carvalho, mas como acontece com diversas uvas, como Riesling e a própria Sauvignon Blanc, a madeira não combina e nem ajuda (apesar de Manfred Tement fazer uns SB na Styria, sul da Austria, com um percentagem de estágio em madeira, que tem interesse). Então mudemos a posição do vinho, obviamente para a coluna dos brancos de verão. Coisas do word e de seus caprichos (quantas vezes já não escrevi VEJA Sicilia, por causa do programa de correção de Mr.Gates?).

Os cavistas estão chegando

In Idéias gerais on February 8, 2008 at 6:41 pm

Tenho visto com gosto um movimento novo no nosso mercado de vinhos. Agora que existe um público interessado de verdade, mais ampliado ( e crescendo) começaram a aparecer pequenos comerciantes que atuam em nichos definidos. Isto é animador! A tradição européia (e mesmo americana, pensando nos Kermit Lynch, Neal Rosenthal, Terry Theisse, Skurnik, e outros que a mémoria não solta agora) é de ter aquela lojinha da esquina, em que vc confia, e que busca os próprios vinhos. O sujeito vai com seu caminhão e compra direto e vende em Paris. É bacana, tem um foco muito definido e cria um ambiente novo, que não concorre com os grandes nomes e importadores, apenas complementa. Tive contato recente com a Tire-Bouchon, que é assim, vende vinhos de vários importadores mas tem uma importação exclusiva de alguns vinhos do sul da França e da Córsega. A Delacroix idem, trabalha com pequenos produtores organicos e uma lista cuidada.  E tem o caviste voador, como chamei o Rogério Rebouças, que vem todo mês com alguns vinhos e acha mercado para eles. Estamos chegando na maioridade.

A fera Feiring

In Idéias gerais on February 7, 2008 at 9:38 pm

alicef.jpgMais “rir, rir, rir”" de Alice Feiring. O sistema de pontuação dela, do pior para o melhor vinho:

-Não ponho isto na boca de jeito nenhum

-Pia abaixo, não na goela

-Dá prá beber, mas não me deixa contente

-Este dá para beber, mal não faz.

-Todo dia? Claro, porque não?

-Que vinho excêntrico! Interessante…

-Gosto muito deste.

-Eu amo este vinho.

-Não consigo parar de pensar nele.

-Não posso viver sem este vinho.

Ardida como pimenta

In Idéias gerais on February 7, 2008 at 8:44 pm

Quem acha que já leu comentários cruéis sobre vinhos precisa ver o post que Alice Feiring fez hoje no seu blog. Paul Newman, o ator, lançou dois vinhos, um branco e um tinto, na série de produtos que levam seu nome (pipoca, molho pronto e etc). A renda é para caridade e tudo mais, mas nada disto impede a terrível e caústica Ms.Feiring de atacar sem dó. Eu gargalhei, o texto é um primor de maldades e comentários certeiros, não vou tentar reproduzi-lo e muito menos traduzi-lo, senão mexo no estilo. Só digo que prefiro enfrentar um bando de hamsters assassinos que esta ruivinha com a pomba-gira baixada nela.

O link está aqui:

http://www.alicefeiring.com/winebitch/000340.html

Aquela geladinha do verão

In Idéias gerais on February 7, 2008 at 7:00 am

809.jpgNão é cerveja, é uma taça de vinho. O Paladar de hoje dedica sua capa e matéria principal ao tema dos vinhos para o verão. Acho que posso elogiar sem parecer cabotino, mesmo tendo participado. Afinal é um trabalho da equipe do suplemento e ficou bom e instrutivo. Espero que ajude nas escolhas de ótimas bebidas para o calor (que ainda não deu as caras totalmente!)

[na foto a série "O" da Riedel]

What’s up, Didú?

In Idéias gerais on February 7, 2008 at 6:45 am

whatsup.jpgQuem é assinante da melhor newsletter eletrônica sobre vinhos em português, a What’s up? do caro amigo Didú Russo vai se encantar com duas notícias que darei em seguida. Quem não assina, está perdendo tempo, basta mandar um email para ele e pedir para ser incluído no mailing (endereços abaixo).

As notícias são as seguintes: o What’s está de volta. O Didú estava trabalhando para colocar seu site no ar e daí segurou umas edições do informativo (é impressionante como ele é lido. Uma semana atrás recebi um e-mail de produtores uruguaios comentando uma degustação feita pelo Didú…), mas agora ele volta e as edições anteriores estarão no site para quem quiser baixá-las.

E a segunda boa notícia, na verdade ótima, é que o site já existe e pode ser visitado, apesar de algumas colunas ainda não estarem online. Tem um vídeo de Jancis Robinson que deve ser o mais descontraído que ela já fez e um antológico com Aubert de Villaine do Romanée-Conti. Tem mini-entrevistas chamadas Actor’s Studio com todo o Who’s Who do mundo do vinho, de Nicolas Joly a Adriano Miolo, de Doutor Sergio de Paula Santos a Filipa Pato. Li algumas que ainda irão ao ar, coisa para imprimir e reler. E tem a equipe Russo, a família completa, com o Ramatis, segundo degustador do What’s up, a Julia Harding do Didú. E várias surpresas. Eu estou colaborando com uns textinhos sobre viagens, sem a graça do titular (e sem saber dar nó em gravata borboleta, que é mais dificil que pilotar um Boeing!).

o email para assinar a newsletter (grátis) é:

didu@didu.com.br

e o do site é:

www.didu.com.br

PS: Furo do Didú exclusivo para o Glupt! Vem aí o programa dele na TV!

O “Seu” Illy

In Idéias gerais on February 7, 2008 at 4:31 am

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Fiquei surpreso e chateado com o passamento de Ernesto Illy, o “Seu” Illy da família triestina que mudou a cara do café espresso no mundo. Tudo bem, vai ter gente falando de fulano e beltrano que também fizeram isto e  aquilo, mas o padrão Illy, tanto no pó quanto nas máquinas rigorosamente reguladas, temperatura da água, pressão e a sacada genial das xícaras assinadas por artistas e colecionáveis era único e fruto do entusiasmo deste homem.

Ele aprendeu português de tanto vir aqui negociar e batalhar pela qualidade, muito antes da devoção às origens dos produtos ser valorizada. Instituiu um prêmio para a melhora do café de pequenos produtores e certamente devemos a ele uma boa parte do que hoje tem mil pais e mães por aqui, cafés selecionados, terroirs, padrão. Illy já estava nisto antes da Arca do Slow Food e do Adriá e dos orgâncios, pioneiro é isto, o cara que chega antes.

Nos meus anos felizes morando em Buenos Aires a marca Illy estava associada a outra maravilha, os Alfajores Havanna. E os Havanna Café eram os lugares melhores para exercitar a civilidade na melhor cidade da América do Sul, o que não é pouca coisa.

Eu coraçãozinho Illy, para mim continua o melhor e mais confiável espresso, com acidez deliciosa. A marca desenhada por, nada menos que,  James Rosenquist é um luxo ainda hoje e as xicrinhas! O design meio Patópolis de Mateo Thun, com a alça redondinha e gorda, parecendo um donut, muito imitada e nunca igualada.

A de Louise Bourgeois é meu absoluto objeto de desejo. Mas queria todas! E olha que odeio coleções e ajuntar coisas. Tenho só as normais e as Ballerina, com um casal dançando tango, outro como Ginger e Fred…

Adito à cafeína e fascinado por Trieste, só posso mesmo brindar com um ristretto a memória do mestre. Putz, me empolguei e emocionei. Gente que nunca morreu está morrendo, como dizia meu avô.

Ainda sobre vinho e chocolate

In Idéias gerais on February 6, 2008 at 8:41 pm

Minha matéria para a Gula -edição especial vinhos- que fiz depois de visitar o Salon du Chocolat, está disponível online e pode ser lida aqui:

http://www.gula.com.br/revista/183/textos/1680

Ecos do skindô highbrow

In Idéias gerais on February 6, 2008 at 12:53 pm

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Nem cuíca e nem tamborim, algo de vinho, sim.

Nada pior que confete molhado, talvez apenas serpentina. Do Carnaval ficou uma coisa engraçada, constatei que encaro de modo mecânico o mundo virtual. Por exemplo, eu acredito que o browser se “cansa”. Se navego muito tempo numa só janela, fecho e abro um browser novinho em folha. No fundo nunca deixamos de olhar o raio com um temor pré-histórico, por mais que a ciência avance. Por isto tenho um Tio de Nadal ao lado do wireless para melhorar a conexão, xamanismo puro (e melhora, ele ajuda pra caramba na velocidade dos pacotinhos de bytes que chegam com o vento).

E para finalizar o resumo da folia, a frase que marcou estes dias, aparecida num diálogo no msn: “A causa tem que estar acima das aleivosias”…

Agora é (era) samba

In Idéias gerais on February 5, 2008 at 10:41 pm

Eu jurei que não falaria em Carnaval no Glupt! E não vou falar. Aqui na ilha estava um silêncio tão perfeito! Preferi lembrar um instante de brasilidade sólida na minha vida: ter visto Clementina de Jesus ao vivo 3 vezes e numa delas ter dado um beijo na sua bochecha, cheirosa de talco.  E lamentar nunca ter me encontrado com  um dos poucos hérois que não murcharam com o tempo, perdendo o encanto. Este ficou e pelo visto ficará no meu panteão minguado: Angenor de Oliveira, aka Cartola, cujo centenário se comemora em outubro. E no mais volto a batucar na caixa de fósforo, coisa em que, modestamente, I exceed.

Voltamos na 4a. feira

In Idéias gerais on February 3, 2008 at 11:15 pm

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O blog tira dois dias de folia.

Arte e comida

In Idéias gerais on February 3, 2008 at 12:45 pm

307422_2.jpgdocumenta_ferran_adria.jpgEstá disponível para download o número 2 do jornal Papeles de Cocina, editado por Andoni Luis Aduriz e publicado por Euro-Toques. Neste número a principal discussão é sobre Ferran Adrià na Documenta, se gastronomia pode ser arte, com opiniões de diversos chefs e artigos e entrevistas, com uma colaboração de um dos blogueiros que vcs gostam (espero) de ler: o vosso criado, obrigado.

O arquivo está aqui e tem 3 mb, no formato PDF:

http://www.dialogosdecocina.com/home/ctrl_index.php?accion=papeles

Isto é importante!

In Idéias gerais on February 2, 2008 at 8:31 pm

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Tudo pare! O Zimmerman vem aí!

Tem até vinho feito para ele, e vinho feito a pedido dele, o Planet Waves da Fattoria Le Terraze, Montepulciano com um tico de Sangiovese, DOC Rosso Conero (quem leu o livro de Lawrence Osborne, The accidental connoisseur sabe do que estou falando). Quando o Zimmerman canta o resto pode esperar.

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[os dois CDs da trilha do filme I'm not there são duas tetéias que ouvi o sábado inteiro. Mas a música propriamente dita, "I'm not there", é um canon pérpetuo, mesmerizante, surpreendente, contraponto obsessivo, algo que Bach usava para brincar com aquelas partituras circulares e que podem ser tocadas de trás-prá-frente (não sou versado em música, só sei escutar, mas vou ter que chamar a polícia para parar de ouvir isto!). A banda em que cada ritornello parece aumentar um instrumento e a voz do B. Dylan numa linha crescente, se debatendo, batendo contra a música, impondo uma frase na força, parece um muezim enlouquecido, começa no meio e não termina nunca.  Tô bege!]

Como este parece ser um carnaval Dylan, agrego aqui o comentário do Didú Russo, um dos meus irmãos na vasta família (travelling) Wilbury:

“Maravilha!!! Eu que continuo “beatnik” disfarçado com gravata borboleta, estou adorando a vinda dele, pena que os preços do espetáculo começam na faixa de um Malbec Argentino Catena e vão até um Premier Grand Cru… but don’t think twice it’s all right…”

Eu também penso assim, tinha que ter uns ingressos de preço Dal Pizzol, bons e sem madeira, para que sentar lá na frente? Aliás ele fará shows também no Rio, Buenos Aires e Montevideu a preços de vinhos convidativos, só aqui é este Bordozão.

A uva complicada

In Idéias gerais on February 1, 2008 at 1:55 pm

Tem uvas que ficam malditas por diversas razões. Cariñena (na Espanha) ou Carignan (na França) é uma delas. Excesso de produção, conexão com vinhos vagabundos, vinificação descuidada, fizeram desta uva uma pária vinícola. Na edição anterior do Oxford Companion to Wine, Jancis R chegava a dizer: que não se plante mais esta casta. Mas gente séria trabalhando com cuidado está recuperando seu prestígio. Tem o Rimbert fazendo o seu Carignator, tem o De Martino no Chile, tem o pessoal dos grandes prioratos, que no final das contas são predominantemente Cariñena de vinhedos velhos. E o vinho que conto em seguida, bebido com o amigo Rogerio Rebouças que me apresentou a ele, o Chateau de Ribaute.

Vida dura de sommelier

In Idéias gerais on January 31, 2008 at 6:25 pm

Uma das coisas mais complicadas não é a de combinar vinho e comida, mas combinar vinhos com os atuais menús degustação da cozinha contemporânea. Nunca fui ao Bulli (oh! coro de desapontamento na platéia!). Mas sei que a carta de vinhos privilegia os brancos e de verdade o que dá conta de segurar uma sucessão de setenta micro-porções de coisas inesperadas é o versátil champagne mesmo.

Nas minhas refeições em lugares semelhantes (Mugaritz, Martin Berasategui, Alkimia, Abac e outros) preferi deixar o coitado do sommelier tentar resolver o problema. Ou, o que me parece mais sensato e deu mais certo, escolher um bom vinho que tinha vontade de beber e ficar nele, descuidando se harmonizava ou não.

Tudo isto porque li a lista de vinhos que acompanham uma comida completa no Fat Duck, são 10, uma coisa bem complicada, na logistica.  Na primeira vez em que comi no Mugaritz, o sempre amável Andoni Luis mandou um vinho escolhido por ele, que teoricamente (para mim) não daria nem um pouco certo, era um Clos Mogador 98, um Priorato potente, mesmo com a idade. E deu certíssimo claro, vinho escolhido pelo chef em pessoa, alías pelo Chef, o maior.

Em dezembro passado,  no Alkimia foi um Riesling alsaciano, Zind-Humbrecht e no Abac um segundo vinho de Nicolas Joly, Roche aux Moines, Savennières. Os dois são brancos complexos, aguentaram tudo, até sobremesa. É mais simples e mais sensato que beber 10 vinhos que tentam acompanhar o ritmo destes menús. No caso os vinhos passam para a retaguarda, por mais que amemos a bebida, ninguém vai ao Bulli por causa dos vinhos.

Tudo faz bem, se não fizer mal

In Idéias gerais on January 31, 2008 at 5:18 pm

Fiquei pensando sobre o Michael Broadbent e sua longevidade. Ele bebe sim, vive disto aliás. Mas só anda de bicicleta, mora num bairro aprazível de Londres e ganha bem. Acho que não é só o suco de laranja com champagne matinal que explica sua boa forma.

Entretanto Steven Spurrier também só andava de bicicleta, até que foi fechado por um carro uns meses passados, bateu a cabeça no meio-fio e ficou lá desacordado. Se um leitor da Decanter não reconhecesse o cidadão e tomasse providências, ele estaria agora degustando eternamente na Bordeaux celeste.

Lição da história: Bicicleta pode matar. Suco de laranja também.

Brinde

In Idéias gerais on January 31, 2008 at 2:28 pm

hitchcock.pngFui consultar o site da Freixenet para ver as uvas desta cava específica e me deparei com um bõnus: um filme publicitário feito por Martin Scorsese sobre umas páginas perdidas de um roteiro de Hitchcock…não vou estragar a graça da trama. O filme pode ser visto aqui:

http://www.scorsesefilmfreixenet.com/video_eng.htm

ou no youtube:

http://www.youtube.com/watch?v=P5nAxzH4OPs

Receita de saúde

In Idéias gerais on January 31, 2008 at 1:16 pm

orange_juice1.jpgUma amiga tinha umas tantas garrafas de cava Freixenet Cordon Negro esquecidas num canto. Mandou uma para eu provar e dizer como estava. Engraçado testar isto, porque nunca tinha pensado em cava como passível de envelhecimento, sempre me pareceu um espumante delicioso, barato e ligeiro, que em Barcelona se compra na padoca como se compra uma cerveja aqui.

No caso o nariz estava encantador, toque de cítrico e de bom champagne maduro, prometia bastante. Mas na boca estava “morrido”, meio achatado, sem eloquência. Assim mesmo ainda é um bom vinho, só que não serve mais para alegrar. Não está ruim, mas já não está bom. Deu prá entender?

E fiquei com aquela garrafa na mão pensando em que fazer com o líquido. O mais normal seria o fogão, destino dos restos aproveitáveis aqui em casa. Mas leio sempre Michael Broadbent que começa o dia com suco de laranja e champagne, seu coquetel de café-da-manhã. Como ele está sacudido nos oitentinha anos, achei que era uma, e é bom, muito bom. Só não sei se ganhei longevidade com isto.

Momento declaração de princípios

In Idéias gerais on January 31, 2008 at 11:42 am

portugues.jpgSem ser a última vestal do templo, ou ombudsman do universo, nem o semáforo na esquina das sendas que se bifurcam (hoje estou inspirado!) o Glupt! tem seus pontos-de-vista, suas idéias de mundo melhor, nem que seja melhor nos vinhos.

A vida é dura, coma rapadura? Tudo bem, mas com um cálice de Porto para ajudar. Então foi pensando nisto, que li e assinei embaixo o Código Cozinha, que está circulando na blogoskitchen, com umas intenções de nunca enganar os leitores que me pareceram boas.

O código está aqui:

http://www.codigococina.org/codigo.php?lingua=pt

Os prêmios

In Idéias gerais on January 30, 2008 at 12:11 pm

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Carol Grilo, da Fofysfactory (http://www.fofysfactory.com.br/) avisa que os troféus Frederica para os premiados do blog em 2007 já estão prontos e chegando. Breve teremos entregas locais e internacionais aos contemplados. Melhor que os Oscar e mais disputados!

Euro-Toques

In Idéias gerais on January 29, 2008 at 8:33 pm

Recebi hoje o segundo exemplar do jornal/revista Papeles de Cocina, produzido pela Euro-Toques, a associação dos chefs europeus com atual presidência de Pedro Subijana, que neste número trata quase integralmente da relação entre arte e cozinha, em cima da participação de Ferran Adriá na Documenta de Kassel, no ano passado.

A discussão é interessante e tem depoimentos de vários chefs importantes, prólogo de Subijana e edição de Andoni Luis, que me presenteou com o convite para escrever um texto, que espero esteja legível e compreensível. De brinde ganhei minha carantonha desenhada por um ilustrador generoso que cortou boa parte dos quilos que a idade acumulou na minha papada…Não sei ainda quando estará disponível para download, mas logo que tenha o link posto aqui.

Os Pinots patagônicos

In Idéias gerais on January 29, 2008 at 6:23 pm

06-006-001-05-m.jpgNos comentários de um post anterior trocamos idéias sobre os PN da Patagônia. Estive lá em dezembro de 2006, para o especial Argentina da Gula. Visitei 6 vinícolas, 3 em Neuquén e 3 em Rio Negro. As de Neuquén são gigantescas, modernas, arrojadas. Como os vinhedos são ainda jovens, os vinhos são um pouco desequilibrados e tendem a uma rusticidade não propriamente desagradável, mas precisam de tempo e caráter. Assim mesmo gostei de muitos deles, o branco da Família Schroeder, vários da Fin del Mundo e outros tantos da NQN. Há muita energia e entusiasmo por lá e ainda vem coisa boa, e os preços são convidativos para vinhos do dia-a-dia.

Mas o que realmente impressiona é Rio Negro, onde está Humberto Canale faz quase um século e as novas, mas pequenas Noemia e Chacra. Essas duas últimas dos primos Noemi Marone Cinzano e Piero Incisa della Rochetta, que nalguma curva das árvores genealógicas bebem Sassicaia quando estão na Itália.

Pois bem, são os PN do Piero della Rochetta que deixam marca, fruto de um vinhedo de mais de 60 anos que ele recuperou, são concentrados, elegantes e pouco usuais aqui nestes pagos do sul do mundo. Acabo de receber um folder da importadora Grand Cru dizendo que os dois vinhos da bodega, o Chacra 2005 e o Barda 2006 estão em oferta. São vinhos caros, mas quem quiser provar um PN de estirpe feito no Novo Mundo, eis a escolha. O Chacra está por (pasmem) 306 reais e o Barda 102 reais. Eu gostei muito dos dois e não acho que o Barda faça feio, ainda mais com a diferença de preço  considerável…

Tira-teima

In Idéias gerais on January 28, 2008 at 5:15 pm

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Tem uns dias que cismei que a fonte usada no Change que os partidários do Obama exibem é a mesma fonte de Chanel. Não é. Mas parece. Nada como Google image para resolver certos problemas…

Quando a musa canta…

In Idéias gerais on January 27, 2008 at 6:52 pm

pipe_organ_23629_lg.gifHoje não foi dia de vinhos, fiquei ouvindo orgãos históricos da península ibérica, tão complexos na sua sonoridade. Um deles em Labastida, que visitei quando estive em Remelluri, bem no meio da Rioja Alavesa, no País Basco. Pensando bem talvez tenham tudo a ver com vinhos, o contraponto, os sons/aromas em camadas…mas aí já forço a barra demais. Pange Lingua de Antonio de Cabezón, compositor do século XVI soa tão amável nesta tarde de outono em meio ao verão…parece um mundo completo a música dele, o resto fica tão…tão…desnecessário.

Feliz ano novo chinês!

In Idéias gerais on January 27, 2008 at 9:47 am

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Eu sou galo de fogo e aqui em casa é sempre ano do gato, por razões evidentes, mas vá lá…

E mais sobre bytes e bites

In Idéias gerais on January 26, 2008 at 4:15 am

329545.jpgCuidado! Andei pensando! estou radioativo!

Tem uma coisa que me fascina na internet, isto daqui que vocês e eu fazemos, emitir comentários. Pouco a pouco é a puxada de tapete na ortodoxia. Qualquer pessoa conectada pode ter um blog ou entrar num foro de debates e falar o que pensa. Comeu no restaurante e não gostou? Diga. O vinho não era assim tão grande coisa? Idem.

Claro que opiniões técnicas de gente que sabe muito vão continuar valendo. E claro que nem toda reclamação é consistente. Mas pelo menos estas vozes, antes relegadas a um cantinho de página do caderno municipal dos jornais, apertadas entre os avisos fúnebres e um anúncio de liquidação de colchão, passam a ter som.

Quando reunidas fazem mais sentido. O foro de vinhos Verema ganhou corpo por isto, durante anos e anos, os participantes (eu era bem ativo, agora meus interesses se deslocaram, mas ainda leio embora não escreva mais nada) colocavam suas notas de degustação de vinhos espanhóis num painel. Você compra um vinho, digamos um Pintia 2001 de Toro e vai checar, fulano disse isto e beltrano aquilo e vai se formando um perfil médio do vinho. Isto é grátis e é um guia dinâmico de vinhos mais versátil e útil que todos os impressos.

E a sinceridade dos blogs é o melhor. Descobri por estes dias um chamado “que bicho me mordeu” e coloquei no blogroll ao lado. O casal fala com a autoridade de quem gosta de comida boa,  tem opiniões muito interessantes, sem restrição sobre os lugares que frequenta. Pena que ainda seja tão pequeno, poucos posts. Mas vai crescer. Eu acredito mais em quem saiu de casa, estudou onde ir, fez boca boa e, principalmente, PAGOU, do que em muito marmanjo que só vai nos mesmos lugares ser paparicado pelo chef conhecido e falar bem depois. E chega que ninguém merece tanta conversa no feriado.

Paco, você anda por aí? O chef Marcelo Tejedor da Galicia lançou no Madrid-Fúsion um pão líquido em spray….

Os porquinhos

In Idéias gerais on January 25, 2008 at 11:22 pm

gse_multipart33140.jpgOs dois suínos de Glotonia foram ao Madrid-Fusión discutir os blogs de gastronomia e a crítica. Como sempre quebraram as louças sem piedade, são uns atrevidos estes leitõezinhos rosados. A palestra deles está aqui: http://sapaia.blogspot.com/2008/01/madrid-fusin.html

Pena que a repercussão não esteja, porque a imprensa “especializada” estava prestando atenção apenas nos movimentos e anotando cada palavra de Ferran Adriá. As pessoas continum olhando a árvore sem ver a floresta…Imprensa internacional quase sempre quer dizer “este canapé é meu, dá licença!” e “a que horas é o jantar grátis?”.

Eu acho que quem chama penalti de Donaldi não deve falar de futebol.

Andoni Luis numa sala falando do “Limite da Insipidez”, quem já comeu um dos seus menús degustação sabe disto, a progressão de sabores, a pré-sobremesa no limiar do insosso, o final inigualável [pedi ontem a ele o texto, contarei depois].

 Noutra parte Adrià (sim, ele é grande, mas não por ser número 1 na revista Restaurant) respondendo o discurso pé-no-freio de Santi Santamaria do ano passado.

E noutra, Oriol Rovira demonstrando o fechamento do círculo da sobrevivência no meio rural (e uma forma de evitar a vaca louca, conhecer o que você vai comer desde a origem) de que o Paladar deu uma prévia exclusiva.

E os porquinhos de Glotonia dando uma cotovelada no colega de mesa deles, Carlos Maribona do ABC sob os olhos do nada manso Victor de la Serna (um amigo, mesmo com as divergências, mas ele sabe sobre os vinhos espanhóis). Isto tudo deve ter sido cativante e as ondas ainda chegarão até nós.

Mas quando? Ir ao Madrid-Fusión é antes de tudo entender o que é aquilo. Não é preciso mover o bumbum até lá, mas o cérebro precisa ir.

O item 12 do verdadeiro manifesto dos senhores De Jorge e Etxeberria, meu superiores hierárquicos no mundo de Glotonia:

“Nos rebelamos contra a gastronomia do discurso gratuito, discurso sobre o produto, discurso sobre o assunto, discurso do “pegaistoefazassim”, discurso sobre a preparação, discurso sobre a paisagem, discurso sobre o difuso, discurso sobre o impreciso, discurso sobre a escassez, discurso sobre o morno, discurso sobre o breve, sobre a filosofía, sobre a ligeireza, sobre a quintessencia. A comida acaba por se confundir com o discurso gastronômico”.

E fim do momento hybris.

Sueltos

In Idéias gerais on January 25, 2008 at 10:14 pm

Eric Asimov no seu blog The Pour (endereço ao lado) comenta as cartas de vinho com personalidade do sommelier e as que parecem coleção de grandes rótulos, para exibir.

                                                             ***

Decifrando os vinhos Selbach-Oster das minhas anotações dou com um comentário do Doutor Sérgio de Paula Santos, autor dos primeiros livros sobre vinhos que todos lemos. Sentadinho esperando o táxi na porta do Jun Sakamoto fuzilou: “tem mais de vinte anos que todo mundo canta loas aos Rieslings, depois vão para casa e esquecem”. Espero que desta vez ele não tenha razão…

                                                          ***

Paul Drapper de Ridge para Andrew Jefford: “sabe como faço com vinicultores que não acreditam em terroir? Pergunto: quantos cabernet vc tem? ‘Três’. E são diferentes? ‘Claro, cada um é de um jeito conforme o vinhedo’. Então porque vc não vinifica em separado e engarrafa assim, em lugar de fazer um blend?”.

Chiaroscuro

In Idéias gerais on January 24, 2008 at 5:17 am

1942_hopper_nighthawks.jpgNina Horta (não, não é parente, é amiga. Quer dizer, de tanto perguntarem e de tantos anos de amizade, talvez já sejamos parentes mesmo!) quando acerta na crônica ( e ela acerta bastante) é imbatível. Tenho certeza que ela preferiria que eu dissesse que é uma Elizabeth David, mas está mais para M.F.K. Fisher, de quem gosto mais.

Hoje na Folha conseguiu uma coisa difícilima, pintou com as palavras. Descrevendo um boteco observado da janela do carro fez um quadro de Edward Hopper transposto para São Paulo. Pena que seja só para assinantes, senão copiaria e publicaria aqui. Mas na falta do texto coloco uma obra clássica de Hopper.

Belo presente para a cidade na véspera do aniversário, um retrato urbano com este foco, quem puder que leia correndo.

Patinhos na lagoa

In Idéias gerais on January 24, 2008 at 3:24 am

Sou preguiçoso e folgado, para não sair do bairro, recebo visitas na Brasserie do Jacquin e as visitas é que pagam a conta. Uma lástima de anfitrião!

Nesta semana jantei duas vezes lá. Já falei do confit perfeito. Não falei do vinho, um Carmenere Winemaker’s lot, completamente decepcionante. Doce, muito doce, sem um pingo de acidez, e com 14 de álcool, foi como beber uma garrafa de Porto comendo, mas um Porto chapado, reto como uma planície, nada a ver com os Niepoort.  A carta do Jacquin é boa, tem os fabulosos Rhône de Guigal, mas não são nada baratos, tem os ótimos argentinos de Alta Vista e os Rio Sol, que eu acho subvalorizados, são melhores e com melhor preço do que todo mundo diz.

Mas ontem, como queria homenagear uma amiga de muitas décadas (eu, ela está uma criança) levei um vinho. Peguei um dos meus favoritos de 2007, cujo produtor ficou com o  prêmio Glupt! de revelação, o Travers de Marceau do Domaine Rimbert, Saint Chinian, 2006.

Este vinho, par do Mas au Schiste que Rimbert produz com um corte quase igual (Carignan, Cinsault, Mourvédre, Grenache em proporções variadas) é uma coisa gulosa, cheio de volúpia mediterrânea, mas com acidez da Cariñena pedindo comida e matando a sede.

Quando é servido vem um perfume amável, delicado. Numa degustação no ano passado, para a Gula,  tive a alegria de me sentar entre o Didú e Luciano Percussi. O senhor Percussi com aquele senso de humor contagiante ( e seu caderno de anotações SouthPark!) cheirou, deu um risinho e disse: “É Cirque du Soleil”.

Repito o comentário toda vez que bebo este vinho, porque é mesmo, alegre, descompromissado, bom. Os dois inclusive estão na lista de recomendados da megadegustação da Gula, tanto o Travers quanto o Mas au Schiste.

Com o pato na panela foi melhor ainda. E tem outra vantagem, com seus 12 graus, enxugamos a garrafa sem nenhuma tontura ou sentido de estarmos estufados por uma coisa pesada, pude sair de lá e cair no trabalho de volta; com o potente da outra noite eu caí no sono.  E custa meros 48 reais (para um vinho destes é um tesouro) na De la Croix (www.delacroixvinhos.com.br).

E lá vão eles!

In Idéias gerais on January 23, 2008 at 7:14 pm

Ano passado o Argentina Wine Awards teve júri britânico (já ouvimos esta história antes, no Chile), com Oz Clarke, Jancis e coisa e tal. Deu no que deu, júri mais severo, ganhou um Sauvignon Blanc do ótimo Pulenta Estate. Mas os organizadores sempre querem elogios (opinião minha, hein? Não deles, não coloquem palavras minhas na boca deles, basta um processo na vida) e trocaram neste ano. Adivinhem quem está no corpo de jurados? Quem disse Jay Miller leva o troféu RP100.

É fácil. Os críticos não gostaram dos vinhos? Troquem-se os críticos.

Em tempo: não estou suspeitando da lisura do prêmio, o júri tem Patricio Tapia também, que é muito sério. Apenas reforço algo que comentei lá atrás, é possível definir resultados pela escolha de um grupo de degustadores. Como o Jay-Jay gosta de vinhos bomba (deu 100 pontos na Espanha para Pingus e não para Vega Sicilia…) isto já pressupõe uma performance melhor para os vinhos pesadões e um prejuízo para os bons vinhos equilibrados da Argentina. Uma pena, mas orgãos comerciais de exportação querem resultados rápidos. A Wines of Argentina mira nos grandes mercados americano e inglês e colocar uns prêmios nas garrafas ajuda, vinho é uma paixão, mas é um negócio e não é feio que seja, apenas é bom ter tudo isto em mente e relativizar premiações e concursos e pontuações.

Editorial

In Idéias gerais on January 23, 2008 at 5:07 pm

Didú Russo, uma das pessoas cuja opinião escuto,  mandou um recado que eu transformo aqui em editorial, pois disse tudo e muito melhor que eu, acho que ele vai ser o Hugh Johnson quando crescer…

bowtie.jpg“Luiz amigo, saúde.

Eu gostaria de dizer aqui no seu espaço que acho que o mundo vai terminar com quatro tipos de vinho: 1) Os ícones tipo os grand cru classé, os Gaja, os Vega Sicila, etc. Ícones que cada vez custarão mais e mais. 2) Vai ter a mesmice que será formada por vinhos sem caráter mas bons, aqueles que serão a maioria, aqueles que no novo mundo querem ser velho mundo e vice versa, esse será o grande mercado “secondo me”. 3) Os famosos sem carater com notas altas de “especialistas” em dar opinião para quem não tem opinião. Paciência sempre haverá. 4) depois graças a Deus ou a São Vicente ou sei lá a quem teremos os rabugentos adoráveis que querem que o Parker se dane, que as notas e os modismos se danem, são os Tondonia, os Mastroberardino e cia ltda. que GRAÇAS a Deus continuarão a fazer vinhos que expressam o seu “terroir” sua cultura a “Alma de um povo” parodiando o mestre Dali.”

Montelena

In Idéias gerais on January 23, 2008 at 1:55 am

De qualquer maneira é impossível não soltar um sorrisinho lendo que o Château Montelena, que venceu como branco todos os franceses, teve as seguintes notas dos jurados, dentre eles o recentemente desaparecido Vrinat do Taillevent e M. Aubert de Villaine em pessoa:

1st 18.5 Mr. Claude Dubois–Millot – Directeur Commercial “Le Nouveau Guide”
1st 18 Mr. Aubert de Villaine – Co-Gérant, Domaine de la Romanée-Conti
1st 17 Mr. Raymond Oliver – “Le Grand Véfour”
1st 17 Mr. Jean-Claude Vrinat – “Taillevent”
1st 16.5 Mr. Christian Vanneque – Chef Sommelier, “La Tour d’Argent”
1st 16.5 Mrs. Odette Kahn – Directrice, Revue du Vin de France
Vintage Wine Place Total Points No. of first place votes
1973 Chateau Montelena 1st 132 6
1973 Meursault-Charmes (Roulot) 2nd 126.5 0
1974 Chalone Vineyards 3rd 121 3
1973 Spring Mountain 4th 104 0
1973 Beaune-Clos des Mouches (Drouhin) 5th 101 0
1972 Freemark Abbey 6th 100 0
1973 Bâtard-Montrachet (Ramonet-Prudhon) 7th 94 0
1972 Puligny-Montrachet ler cru “Les Pucelles” (Dom. Leflaive) 8th 89 0
1972 Veedercrest 9th 88 0
1973 David Bruce 10th 42 0

Engasgo anunciado

In Idéias gerais on January 23, 2008 at 1:46 am

bottleshockposter.jpgSujeito idealista larga tudo e vai para o Oeste acreditando que pode arrancar daquele chão árido o melhor Chardonnay e um grande Cabernet. Ele e outros…Depois de muitas crises conseguem que seus vinhos sejam avaliados contra os maiores franceses da época e ganham. Se isto parece interessante num cinema, duas horas para assistir um comercial de vinho californiano, não perca “Bottle Shock” que estréia nos Estados Unidos e logo chega aqui.

É uma adaptação do livro (bem maçante) sobre o tal “Julgamento de Paris”. O livro tinha dois capítulos legíveis, um que contava de maneira floreada a história da lojinha de Steven Spurrier em Paris e o outro que tratava da degustação própriamente dita. O resto era esta história de conquista do Oeste, rags to riches, e blá-blá-blá. O filme (quer dizer, este filme, como se não bastasse estão fazendo outro baseado na mesma coisa!) é em cima da parte chata do livro. Vi o trailer na internet e só posso dizer: Include me out!

[em compensação, na lista de "ainda não vi, mas já adorei": I'm not there, sobre Bob Dylan. Nem tudo é vinho na vida]

Santa surpresa, Batman!

In Idéias gerais on January 22, 2008 at 9:11 pm

brumont.jpgFalando em Tannat me lembrei de uma coisa curiosa, acontecida uns 3 anos atrás. A importadora Decanter trouxe Alain Brumont, o mais conhecido produtor do Madiran ( de onde a Tannat original saiu).

Aconselhado pelo meu amigo José Luiz Pagliari (sempre se deve escutar o Pagliari quando se trata de vinhos, ele sabe tudo) fui provar os tintos do Monsieur. Os brancos também, que são excelentes. Houve uma vertical dos seus dois tops, o Château Bouscassé e o Château Montus. Não sei onde estão minhas notas da prova, mas foi longa e muito reveladora, os vinhos envelhecem muito bem, ganham complexidade e perdem a agressividade dos taninos duros da uva sabidamente complicada.

Até aí tudo bem, era o que se esperava, vinhos diferentes mas feitos com mão de mestre. O queixo caiu com o vinho mais recente. E foi uma perplexidade geral, lembro bem que houve um certo múrmurio no público, que era razoávelmente grande.

Simplesmente porque Brumont, de repente, mudou totalmente o estilo dos vinhos e suas últimas safras eram, nem mais e nem menos, vinhos do Novo Mundo. Ou seja, o contrário do que os produtores daqui querem fazer. Ele, que é francês, tentando fazer Tannat das Américas. Engraçado, não?

A Cordilheira

In Idéias gerais on January 22, 2008 at 7:54 pm

america_torres_garcia.jpgNo instigante blog Carta de Vinhos do Ricardo César (o link está aí ao lado) está rolando uma discussão muito interessante: que país você prefere? qual parece ter chegado a melhores vinhos na atualidade? Chile ou Argentina?

Não é um bate-papo de mesa de bar, por trás disto está uma questão muito importante: qual deve ser o estilo da vinicultura do continente. Eu oscilo bastante, quando disse que o melhor vinho argentino que já tomei foi o Catena Alta Cabernet Sauvignon, foi uma declaração baseada em duas coisas, ele é um vinho muito elegante e muito francês. Então vem aquele monstrinho da dúvida (eu sou meu próprio ombudsman, já disse) e me cutuca: mas vinho francês não devia ser feito na França? E afinal, o que é a elegância?

É verdade. Meu amigo Didú sempre afirma a mesma coisa, que a identidade dos vinhos precisa ser mantida. E tem razão. Entendo que os produtores queiram emular (opa! hoje abri o dicionário!) os vinhos mais caros e desejados, Bordeaux e Borgonha, sendo que pelo temperamento mais indomável da Pinot é sempre mais simples tentar ser Bordeaux.

Só que isto tem um preço, a curto prazo os vinhos vendem por serem “tipo Bordeaux” custando muito menos. A médio prazo pode significar o sacríficio de uma cor local que seria a garantia de mercado quando as pessoas quiserem algo diferente.

Por isto eu prezo o Uruguai. Além de alguns ótimos vinhos e um potencial largamente inexplorado, o querido país vizinho ainda tem se mantido definitivamente uruguaio. Digo ainda pois a ameaça de uma Tannat mais elegante e querendo ser outra coisa existe. Mas por enquanto a Tannat uruguaia é única, cheia de identidade, auto-confiança e sem vergonha nenhuma de ser como é.

Mas fico por aqui. Vale ler o post do Ricardo e depois opinar sobre de que lado da Cordilheira você prefere estar.

[a imagem é o famoso mapa da América do artista uruguaio Joaquim Torres Garcia]

Tempo portátil

In Idéias gerais on January 22, 2008 at 1:41 am

Ainda o assunto safras. Fui jantar na Brasserie do Jacquin, um confit de pato tão saboroso, muito bem feito, o que mostra que o Jacquin não dorme sobre os louros e tomilhos, ganha os prêmios mas continua caprichando. E o assunto à mesa foram as safras.

Alguém disse que os californianos finalmente aprenderam com o pessoal de Bordeaux, antes que surjam dúvidas sobre os vinhos de determinado ano declaram logo que foi a Safra do Século e tocam prá frente. E assim se sucedem os anos maravilhosos, os perfeitos e os muito bons. Não tem ano ruim. E cada uma é a Safra do Século da semana passada…

Mentem? Não exatamente. Primeiro porque (esta a tese de Sir Hugh que só consigo tangenciar, aquela coluna fininha de Decanter tinha muita concentração): de fato não há mais ano péssimo para uma região inteira, a técnica (não vou falar tecnologia que causa confusão entre os termos) e o controle sobre os vinhedos permite evitar os problemas mais complicados, que podem até assolar uma propriedade, mas dificilmente afetarão um espaço muito amplo.

Esqueçam aquelas tabelinhas, elas servem para marcar livros, mas têm pouca utilidade. O exemplo mais claro é a Rioja, um lugar enorme, com 3 sub-regiões: a Alta, a Baja e a Alavesa e inúmeros climats. Quem define a qualidade da safra é o conselho regulador, sediado em Logroño, que dá aquele carimbão em cima: ANO BOM. Ou ANO EXCELENTE.

É possível imaginar que este carimbo abrangente dê realmente conta de definir tudo que se passou em centenas de vinicolas? Nem merece resposta. E mesmo que fosse definidor com este rigor, lembro de Kermit Lynch dizendo (sobre a França e sobre anos mais indomáveis da vinicultura) que tomou um sem número de garrafas inesquecíveis de anos e lugares considerados ruins ou fracassados.

Bafafá

In Idéias gerais on January 21, 2008 at 4:25 pm

Perplexidade nas margens do Garonne, Jancis Robinson que soltou a bomba, Robert Parker não irá a Bordeaux este ano, fazer sua tradicional avaliação dos vinhos, pois será submetido a uma cirurgia. E como fazem os que precisam das notas dele para saber o que comprar, quanto pagar, quando beber, como se comportar, o que dizer, o que pensar, o que comer, como viver? Como sobreviverão os que só vivem com o GPS de Parker?

Atualização médica: Novo boletim sobre as costas de Mr.Parker. O famoso advogado de Monkton, Maryland, já foi operado e se encontra em casa. Deu 95 pontos para a cirurgia (isto é gozação, mas ele elogiou a anestesia, de verdade), o que fará seguidores do mundo todo se submeterem a igual procedimento hospitalar. E não irá mesmo a Bordeaux. Há discussões longas e divertidas nos foros de vinho sobre como isto afetará os preços dos vinhos. Como sugeriu sem dizer Hugh Johnson na coluna da Decanter, os produtores da região rapidamente declararão esta como a “Safra do Século”  e os vinhos de 2005 que Parker provaria (de uma Safra do Século também) terão todas as garrafas vendidas, como sempre.

Imagem dominical

In Idéias gerais on January 20, 2008 at 1:17 am

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La Vendimia, de Goya (obrigado ao Raul que me mandou a reproduçao da pintura, que suponho esteja no Museu do Prado).

Hugh Johnson ilumina o sábado

In Idéias gerais on January 19, 2008 at 4:32 pm

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O Luiz Américo do Paladar que me chamou a atenção para uma coluna discreta e esquecida numa página interna da Decanter de janeiro. Nela Sir Hugh solta uma bomba de proporções gigantescas, mas com a sutileza habitual deste melhor wine writer do mundo: o assunto safra já não tem assim tanta importância, com todos os recursos da vinicultura atual. Claro que para os iniciados é sempre uma delícia ficar discutindo a chuva na primavera em Crozes-Hermitage, ou a insolação sobre a face norte dos vinhedos que acompanham o Danúbio, no Wachau. Para isto ele inventou e co-edita o Atlas Mundial do Vinho.

Mas para o público isto não tem utilidade alguma e é puro pedantismo da crítica despejar todas estas informações sobre a cabeça das pessoas, que querem apenas beber um bom vinho de preço justo, acompanhando uma comida adequada e gostosa.

Ou dizendo de outra forma, não precisamos saber sobre escalas maiores e menores ou distinguir um sol de um si bemol para ouvir com emoção as Variações Goldberg de Bach.

Eu quero ser o Hugh Johnson quando crescer!

A lista de Chile

In Idéias gerais on January 18, 2008 at 11:28 pm

Eis todos os vencedores dos Wine of Chile Awards, ouro, prata e bronze.

http://www.winesofchile.org/article/37

O grande vencedor foi o Ossa, Six Generation, 2004, Viña de La Rosa, vinho que não existe no Brasil, embora a importadora Palluani traga a linha Don Reca da vinícola, cujo Merlot 2005 me deixou ótima impressão (78 reais a garrafa).

O júri de britânicos não poupou ninguém e mandou bala nos habituais suspeitos: excesso de madeira, excesso de álcool, garrafas pesadas demais. E estamos conversados. Acho que agora que o Parker declina e há um consenso se formando contra o suco de carvalho alcóolico, entraremos num período melhor para os vinhos.

Considerações rápidas

In Idéias gerais on January 18, 2008 at 8:35 pm

Ainda os prêmios do Chile, os jurados do ano passado eram sómente americanos, dentre eles o notório Jay Miller ( o homem do Parker para Espanha e outras quebradas). Acho que está na hora de esclarecer uma coisa, Robert Parker não existe! Não como se pensa, uma entidade única que prova todos os vinhos do mundo. Ele tem pessoas que fazem isto para ele em determinados lugares, ocupando-se principalmente de Bordeaux e Califórnia. Este Jay Miller é de lascar, a visão dele sobre a Espanha um equívoco absoluto. Já o cara de Alemanha e Aústria, David Schildknecht, não podia ser melhor, é um dos melhores conhecedores dos vinhos germânicos.

Pois bem, o Chile. Neste ano os jurados são britânicos, com 3 Masters of Wine dentre eles, uma delas sendo a Julia Harding, assistente de JR. É curioso ver como diferem mesmo os palatos dos dois lados do Atlântico. Enquanto americanos deram 30 medalhas de ouro os ingleses apenas 12. Os americanos premiaram vinhos potentes, os ingleses mais que tudo, Cabernets ou cortes sutis. Não é assim tão simplista, mas todo corpo de jurados já é em si mesmo uma escolha.

Como eu previa…

In Idéias gerais on January 18, 2008 at 8:00 pm

Os comentaristas políticos e esportivos sempre acertam nas suas previsões, pois ninguém verifica mesmo. Eu podia fazer igual, já saiu o resultado dos Wine of Chile Awards, mas de maneira não oficial, estou esperando a organização postar o resultado para divulgá-lo aqui.

Só que EU ERREI INTEIRAMENTE, hahahaha. Os brancos tiveram performance modesta, ao contrário do que pensei que teriam. A Carmenere que considero uma das uvas mais sem graça no universo vinícola atual também. Quem de fato se saiu bem foram os Cabernet Sauvignons, de longe a uva mais premiada nos vinhos que ganharam medalha. E Syrahs, Pinot Noir e cortes com vinhos aqui e ali. Logo porei a lista completa.

Confidência

In Idéias gerais on January 18, 2008 at 6:23 pm

Ainda no assunto madeira. Tomei alguns bons brasileiros ano passado, mas os melhores vinhos brasileiros que já provei, não tinham madeira, como os do tristemente desaparecido Ivo Pizzatto ( o Chardonnay ótimo, o Merlot e o rosé de Merlot elegantes) e os Dal Pizzol (idem Chardonnay, o Pinot Noir, o Tannat).

Pronto, falei!

Surfando e roubando

In Idéias gerais on January 18, 2008 at 6:21 am

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Foto histórica chupada do site de Gerry Dawes, não estava escrito copyright e achei que os leitores do Glupt! iam se divertir com ela. Sentadinhos, lado a lado, Salieri e Mozart, ooops, quer dizer, Santi Santamaria e Ferran Adriá, tendo ao lado Paul Bocuse e Arzak, 12 estrelas Michelin deste brilho não são vistas no mesmo tamborete com regularidade.

O mistério da madeira interminável

In Idéias gerais on January 18, 2008 at 5:48 am

michaux-common-oak.jpgDidú Russo levantou o assunto e o João Filipe completou a dúvida: mas de que tamanho são afinal estes bosques de carvalho franceses para que tantos tonéis saiam de lá?

Como o Glupt! sempre escuta os amigos, fomos pesquisar. E o resultado é surpreendente e um pouco humilhante para nós desmatadores brasileiros. A França, pouco depois da última grande guerra, começou a reflorestar o país. De 1947 para cá recuperaram 2 milhões de hectares de florestas. São cerca de 14 milhões de hectares no total, das quais perto de 2 milhões de carvalho que serve para tonéis. Informações do citado Mel Knox.

Mas tem mais, no site oficial Inventaire Forestier National (http://www.ifn.fr/spip/) está a informação de que 28% do território francês é de florestas, que representam 40% da área florestal européia! E o dado mais importante: para cada metro cúbico derrubado crescem 3 por ano. Então há madeira para dar com o pau, se posso fazer a brincadeira.

Estão sentadinhos? A floresta francesa fornece anualmente 103 milhões de metros cúbicos de madeira para todos os usos.

E nós com isto? Bom, primeiro a tristeza e vergonha por nossas braúnas, jacarandás e até o Pau-Brasil que nomeou este país cortador de matas, todas tornadas raríssimas. Depois saber que os vinhos têm carvalho praticamente infinito disponível (porque isto é a França, ainda tem o carvalho americano, húngaro, russo, esloveno…). O que não quer dizer que o uso indiscriminado e os sucos de madeira que muitas vêzes bebemos sejam desejáveis. Fora que o preço subiu, em 2007 o preço do carvalho francês subiu em média 20% e com a desvalorização do dólar frente ao euro uma barrica está pela casa dos mil dólares! Se pensarmos em todas as barricas de primeiro uso sendo importadas aqui pelos produtores do Novo Mundo, isto conta muito na composição final do preço dos vinhos.

A volta de Mel Knox

In Idéias gerais on January 18, 2008 at 2:47 am

barrels.gifInfelizmente, no mundo dos vinhos, tem certas coisas que ficam secretas. Não porque sejam segredo, mas por não terem um interesse tão grande a ponto de serem notícia. Algúém já ouviu falar em Mel Knox? Quem participa do forum de JR já, quem tem o Oxford Companion to Wine também, ele é um toneleiro da Califórnia que assina os verbetes sobre carvalho, tonéis, madeira no livrão. Mas um lado do MK que passa batido é seu feroz senso de humor. Recebo umas newsletters dele faz bem uns 4 anos e agora passaram a ser “eletrônicas” (nada do que se pensa, pdf colorido, é apenas um email com um arquivo em word falando de barricas) e tem sempre alguma pérola de gargalhar. Não resisto a dividir uma delas:

“Todas nossas barricas são feitas com madeira de árvores plantadas por Joanna d’Arc e as aduelas foram massageadas por Carla Bruni enquanto secavam por dez anos e todos nossos toneleiros ganharam a Legião de Honra…”

Dá prá ver que o estilo é o homem.

[a ilustração é o logo da empresa dele]

Flopou o caso Rodenstock?

In Idéias gerais on January 18, 2008 at 12:24 am

jefferson.jpgThomas Jefferson, terceiro presidente dos Estados Unidos, foi embaixador na França e era um amante dos vinhos. Algumas garrafas que teriam pertencido a ele foram leiloadas anos atrás, oferecidas por um alemão chamado Hardy Rodenstock. Acontece que um dos compradores, depois de muitas peripécias, cismou que as garrafas eram falsas, e tudo indica que eram mesmo. O caso explodiu com mais intensidade ano passado, rendeu um ótimo artigo na New Yorker e outro na Decanter e muito ti-ti-ti nos meios vinícolas. Agora a corte de Nova York decidiu que não tem autoridade para julgar o processo, pois Rodenstock não violou nenhuma lei local, a venda foi feita na Inglaterra e tal, filigranas jurídicas. Ainda tem muito vinho, falso ou verdadeiro, para rolar neste assunto.

Bom de preço

In Idéias gerais on January 17, 2008 at 3:17 pm

Quem quer achar bons vinhos com preço simpático visita o blog amigo do João Filipe Clemente. Hoje ele dá umas sugestões em torno de 25 reais (muitos vinhos abaixo deste preço) todas pesquisadas e provadas por ele. Estou correndo para comprar algumas garrafas, mas ainda vai sobrar para todo mundo. O link é este:

http://falandodevinhos.wordpress.com/

O João além de tudo tem no currículo ter enfrentado os Pumas algumas vezes, coisa para poucos.

Paladar, hoje

In Idéias gerais on January 17, 2008 at 3:49 am

Além da impecável (como sempre, inclusive graficamente) matéria de capa sobre o azedo, tem uma matéria assinada por este vosso criado. Depois que todo mundo tiver lido e se enfronhado do fascinante mundo campestre que visitei, conto os vinhos que bebi lá.

Vinhos voadores

In Idéias gerais on January 17, 2008 at 3:09 am

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Impliquei com a TAM num post aí no passado. Mas li a lista de vinhos que meu amigo Arthur Azevedo selecionou para serem servidos à bordo e já fiquei interessado. Cito apenas duas coisas, champagne Drappier e os Rieslings maravilhosos de Selbach-Oster. A lista completa está na Wine Style. Pena que seja na classe executiva, os vinhos estão ótimos, falta eu viajar de business agora.

Rir, rir, rir

In Idéias gerais on January 17, 2008 at 3:05 am

Hoje tirei o dia para me divertir. Começou o Febeapá do Fashion Week. Vivienne Westwood não quis ficar hospedada como caroço de melancia. Entendo e aprovo, tem coisas que são medonhas, o Unique é uma delas. Depois uma blogueira falou em “cores andinas do México” (opa! lá vão os Andes invadindo tudo). E está só começando.

Os caminhos de Swann

In Idéias gerais on January 17, 2008 at 2:22 am

Estava lendo na Gula aquela parte em que as pessoas contam algo que beberam e foi inesquecível. Sempre é bonitinho, o vinho com o pai, um Porto tomado com a tia bem proustianamente. Mas nesta edição tem um famoso cantor, um sujeito bem simpático, cujo momento inesquecível me deixou tentando imaginar a logística. Ele e a mulher, na jacuzzi, à luz de velas, 4 garrafas de vinho. Quatro! Um champagne e três tintos, todos excelentes. Mas como será para manter a temperatura, abrir, servir…e depois do tempo que ficaram lá na água, imagino que tenham saído, além de…bem…tontinhos, um pouco enrrugadinhos também. E ainda tinha as velas! Na dúvida entre imaginar a cena filmada por Fellini ou Woody Allen, preferi optar por Buñuel. E os dois devem ter virado duas ameixas em conserva. Ou não? Prefiro não experimentar, vinhos destes acho melhor à mesa mesmo.

uma imagem para refrescar

In Idéias gerais on January 16, 2008 at 7:28 pm

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Dois anos atrás, em San Vicente de la Sonsierra, na Rioja Alta, período de fim de colheita, uva Tempranillo.

O cacau

In Idéias gerais on January 16, 2008 at 6:03 pm

Revista Gula especial sobre Vinhos, que está nas bancas (e só vi hoje, sou muito devagar!) tem um artigo meu sobre…haha, peguei vocês!…não é sobre vinhos, sobre chocolate. Quando fui em outubro a Paris para o Salon du Chocolat tive a chance de provar todos os diferentes terroirs em que nasce o cacau, da África ao Oceano Pacífico. E para a Gula voltei a prová-los com vinhos e sugerir umas novas harmonizações (detesto esta palavra, mas ainda não achei melhor, combinações talvez?). Está tudo lá, quer dizer, tudo que eu penso, porque neste assunto nunca se chega a uma única e definitiva conclusão.

O que vem por aí

In Idéias gerais on January 16, 2008 at 5:23 pm

Esta semana promete polêmica. Um grupo de alto nível de jurados ingleses está avaliando os vinhos chilenos para os Wines of Chile Awards 2008. No ano passado deu um Sauvignon Blanc como melhor vinho. Neste ano a coisa vai pelo mesmo caminho, vinhos bons, bem feitos do ponto de vista técnico, mas uniformes demais. Os brancos é que estão melhorando por lá e com certeza é deles que se pode esperar coisa, pensando no único Riesling que eu me lembre aqui na Sudamérica que é Riesling, o Cono Sur. Esperemos, os resultados saem dia 17, mas aqui e ali já se captam alguns sinais de que o Chile ainda é um país confiável mas que entusiasma pouco. Depois conto uma coisa que Jean-Guillaume Prats me disse quando almocei com ele…

Gosto que me enrosco

In Idéias gerais on January 15, 2008 at 12:41 pm

O Glupt! aprova tampas de rosca, para brancos jovens principalmente. Então quando chega a notícia que o Casillero del Diablo Sauvignon Blanc passa a ser engarrafado usando este fechamento, o blog festeja.

frase certeira

In Idéias gerais on January 13, 2008 at 5:58 pm

Toda a discussão sobre carvalho e vinho, uso de barrica nova ou de segundo ou até mais usos, carvalho tostado ou médio, do bosque de Allier ou americano, húngaro, esloveno…ontem li uma frase de Gerald Asher que decidiu a questão, pelo menos para mim: “Carvalho é como alho na comida, se dá para notar em demasia é porque foi utilizado com exagero”.

Uma no cravo…

In Idéias gerais on January 11, 2008 at 4:02 pm

parker_51_cover.jpg Embora continue achando o sistema de pontos de Parker uma coisa binária (acima de 90 ou abaixo de 90) e não dê bola para estas notas (meu número Parker favorito é este da ilustração, a parker 51), tenho que admitir que de vez em quando ele acerta no alvo. Acabou de dar noventa-e-tantos pontos para os vinhos de vinhedo único da Trapiche.

Explico, a Trapiche é imensa, deve ser a maior produtora de vinhos da Argentina, e tem um ótimo enólogo geral, Daniel Pi. Como eles produzem uvas mas compram também, de pequenos produtores cujos vinhedos acompanham, o Pi teve a idéia, uns anos atrás, de escolher os três melhores dentre os 80 fornecedores de uvas Malbec, vinificar em separado e engarrafar com o nome do proprietário, criando uma linha de Single Vineyards. São três anos até agora, 9 vinhos únicos assinados.

Deu muito certo, primeiro porque é um trabalho bonito, valoriza  pequenos produtores que nunca sonhariam em ter um vinho com seu nome na etiqueta. Depois porque mostra aos “terroiristas” absurdetes, aqueles que acham que não pode haver terroir fora de uns quilômetros quadrados na Borgonha, que sim, há diferenças marcantes entre vinhedos em Mendoza, ou em qualquer lugar, desde que se “escute” a geologia, a geografia e a climatologia.

Em resumo: o RP valorizou estes vinhos, dando notas altas e exaltando a singularidade de cada um. Ponto para o rei dos pontos.

Vexame

In Idéias gerais on January 11, 2008 at 12:48 pm

Gente! Que vergonha, não saber fazer contas tudo bem, mas não saber em PÚBLICO fica feio. O Tulio (obrigado Tulio!) num comentário ao post anterior recoloca minha louca artimética no seu devido lugar. Meu consolo é saber que com esta capacidade para os números já me qualifico para ministro da fazenda de qualquer país do mundo!

Aritmética

In Idéias gerais on January 10, 2008 at 4:34 pm

O Glupt! hoje atingiu a marca dos 10 mil visitantes! Obrigado visitantes amigos. Fiz um cálculo divertido. Se eu servisse uma tacinha a vocês para comemorar, com 200 ml. cada (repetindo, né?), seriam quase 3 mil litros de vinho, ou seja, 3750 garrafas, mais ou menos, ou seja, mais que toda a produção de 1 ano de Romanée-Conti. Somos uma multidão sedenta, hahahaha! Vamos invadir um vinhedo e comemoramos lá.

Em tempo, um P.S. meu mesmo: burro! 10 mil visitantes por 200 ml são 5 mil litros, ou seja, 6250 garrafas! Vamos ter que apelar para vinhedos vizinhos, um Richebourguizinho, para ajudar…

Momento mastigável

In Idéias gerais on January 9, 2008 at 12:49 pm

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Os dois gentilhomes bascos, David de Jorge e Hasier Etxeberria, fundadores e proprietários do país de Glotonia (que me honram com o título de Embaixador de Glotonia para São Paulo, razão do meu passaporte diplomático e da matrícula de corpo consular na minha bicicleta) lançam agora um site novo, chamado RECETANIA, a cozinha sem besteiras.

Pouco a pouco  a biblioteca de Babel de Borges vai tomando forma. Já é possível consultar tudo neste livro sem príncipio ou fim que é a internet. No caso da RECETANIA  um ótimo livro de receitas clicável por ingredientes, pratos ou ocasiões. Pena que seja só em castelhano e euskera, por enquanto. Então vamos lá, para a cozinha! Testar uns pratos.

O link é:

http://recetania.com/

Boa novidade

In Idéias gerais on January 8, 2008 at 12:55 pm

Marcelo Katsuki, multifacetado blogueiro, resistente à pimenta mas alérgico a sorvetes, bom companheiro de mesa e prêmio Glupt 2007 (hahaha, deixa eu puxar a sardinha para minha brasa) me mostra uma ótima novidade, um site que pode vir a ser o wine-searcher versão brasileira.

Coloquei o primeiro vinho que me veio à cabeça, um Alión. Apareceu o 2002. Tem algumas opiniões mas está no início, vai com certeza se enriquecer com a contribuição dos usuários. E vai facilitar a nossa vida bastante, achei muito bom e vou fuçar um pouco mais. Obrigado Marcelo!

O link é este:

http://www.vinhovirtual.com.br/default.asp

Agora vai!

In Idéias gerais on January 7, 2008 at 1:38 pm

Depois de tempos sendo a favorita da crítica, mas ignorada ou menosprezada pelo público, a Riesling pegou no gosto de todos. É o que anuncia Jancis Robinson hoje, num artigo brilhante no seu site, que pode ser lido aqui: http://www.jancisrobinson.com/articles/20080105

Isto é um empurrão para eu decifrar minhas garatujas sobre os vinhos de Selbach-Oster tomados no fim do ano passado. Não tem mais jeito, o ano começou! Não adianta eu tentar adiá-lo.

Os reis. Parte 2

In Idéias gerais on January 6, 2008 at 2:30 am

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Eu ia contar a história dos Reis, da sua visita ao recém-nascido, do ouro, incenso e mirra. Mas a Roberta Malta, minha companheira blogueira, já fez o serviço completo aqui:

http://www.jblog.com.br/robertamalta.php

Então só me resta desejar: Felices Reyes! a todos os leitores. Um ano cheio de doçuras, ouro, incenso e vinhos (mirra era um analgésico e trazia implícita a cruz futura do nenê).

Debatezzzz

In Idéias gerais on January 6, 2008 at 12:49 am

ita-005.jpgita-017.jpgMe preparei aplicado para ver os debates da eleição americana. Tomei um Jack Daniels com muito gelo, mais gelo que bourbon, como eu gosto, durante os republicanos. E uma taça de Taittinger durante os democratas. Bom. Antigamente se dizia que a diferença de um republicano para um democrata era que uns fumavam charuto e outros cachimbo. Agora que fumar ficou incorreto…eles estão idênticos. Então falemos de champagne.

O ano passado não foi para mim um grande ano de champagne, bebi poucas. Não houve a epifania de 3 anos atrás, almoçar com todas as Bollinger possíveis (“Bolli, dahling!”, como diziam as Absolutely Fabulous) , inclusive uma R.D. que nunca mais esquecerei, o momento exato em que entendi que champagne não é pérlage e pop, é vin de Champagne, um vinho complexo, blanc de noirs, capaz de evolução, de maturidade…Nem o ano seguinte, em que fiz contato com a Substance de Selosse, um vinho intergalático.

A Ruinart foi uma certa decepção. Bem feita, mas sem complexidade, vinho de prancheta, tudo ali no lugar, mas sem emoção. Já a Taittinger é outra conversa, é melhor no nariz talvez, belos aromas de brioché (o briochado, palavra feia, dos bons espumantes), toque do licor, um ligeiro cheiro de anchovas que eu gosto. Na boca é fresco mas encorpado, tem peso, substância, tem a alma da Pinot com a eletricidade da Chardonnay. Só desbalança um pouco para o licor, que aparece mais que devia. E um  leve, muito leve amargor, mas fica na boca. Por isto foi minha escolhida como favorita do Glupt! E nesta altura já tinha me esquecido da eleição lá de cima…

Um P.S. necessário: o paralelo vinícola é irresistível. Os republicanos são mais carménere. Os democratas são mais divertidos, no sentido de variados, tem Pinot Noir e Riesling, tem até um vinho do Porto…hehe.

Interrompemos nossa programação…

In Idéias gerais on January 5, 2008 at 5:58 pm

oldtelegram-02label.jpgpara um telegrama de um dos nossos líderes, Randall Grahm! A notícia já está meio velha de duas semanas, mas o meu winemaker aloprado favorito (e talentoso), decidiu estampar nos seus vinhos de Bonny Doon, tudo que está lá dentro. Ou seja, o que foi usado na sua feitura, como o dióxido de enxofre que está dando tanta polêmica entre os biôs (Grahm é biodinâmico, mas não usa chapéu de Napoleão. Ele é manso…apesar de meshuga pra caramba). Como os rótulos dele já são únicos, pelo desenho e nomes divertidos, a exibição do próprio processo de elaboração do vinho é uma ótima adição. Só espero que gente menos bem intencionada não passe a estampar nos rótulos coisas como li hoje no pacote de ração que comprei para a Frederica, vinha um negócio como taurina e dizia bombásticamente: beleza! elegância! alegria!

Em tempo, o Old Telegram é um vinho de Mourvédre feito pela Bonny Doon, uma brincadeira com o nome do Viéux Télègraphe, mas muito sério no líquido. Um vinho que permite o uso da palavra “voluptuoso”, e também guloso, perfumado, com aquele toque untuoso desta uva (melhor parar antes que repita o rótulo da ração…). Em suma, um vinho gostoso e bem feito, que provei ano passado quando fui conhecer a sede da importadora Vinci. Quando abrimos a garrafa, de tampa de rosca, o ambiente se perfumou e ele só foi melhorando no copo, e deixou saudade no final, saudades que duram até hoje. Apesar de californiano (tudo a ver com os Rhône Rangers, dos quais Grahm foi um membro ativo) é muito sul da França. No site da Vinci Vinhos não diz se ainda tem, vou procurar o catalógo, tarefa meio difícil aqui em casa, achar algo impresso no meio das pilhas de coisas.

Dia de fábula: O(s) Rei(s) parte 1

In Idéias gerais on January 5, 2008 at 10:53 am

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Era uma vez um bicho-papão muito cruel que vivia num país imaginário chamado Hesperia. Quando ficou velho, ali pelos 138 anos de idade (os bichos-papões vivem muito, infelizmente, em especial os das espécies Ogrus Hispannicus, Ogrus Chiliensis e Ogrus Cubannus), sentindo que ia morrer, escolheu um ogrinho para continuar seu trabalho de devastação dos povos do reino.

Mas o ogrinho cresceu e virou príncipe e depois rei e ajudou o reino a se livrar para sempre do homem ruim. Hoje os países que estão ali no reino vivem felizes, aos safanões amorosos e cotoveladas, como todo mundo, com suas aldeias de irredutíveis moradores, como Ibarretix, Fragalix e Pujolix , bebendo dos melhores vinhos e comendo a melhor comida do mundo, desde que os bardos não cantem…

 Uma fábula bonitinha, né? Então brindemos ao rei que faz 70 anos. Não com Vega Sicilia, ele não é tão austero, é mais para um Alión.

Tarde livre para compras

In Idéias gerais on January 4, 2008 at 6:55 pm

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Let’s have a walk!

Dei uma relaxada hoje e não postei nada! Sai com a Frederica para dar umas voltinhas e aproveitar a tarde agradável e silenciosa aqui na ilha. Amanhã volto com artilharia pesada, preciso escrever as notas de degustação dos Selbach-Oster e outros mais.

Taninos

In Idéias gerais on January 4, 2008 at 10:48 am

A minha amiga e fonte de conhecimento, a Neide Rigo, do blog Come-se (link ao lado no blogroll) dá uma dica para conhecer taninos: “Melhor que chá preto, onde os taninos já estão bem domados, sugiro caqui verde, para uma experiência extrema. Eles estão presentes em quantidade absurda e estado absolutamente selvagem”. Magister dixit.

Momento “velho truque da madeleine proustiana”

In Idéias gerais on January 3, 2008 at 7:38 pm

Estou aqui fazendo nada e browseando uns trailers de filmes. Vejo que duas coisas que povoaram minha infância televisiva voltam em forma de cinema. Será que darão certo? Nunca sai muito bom, mas… Uma é Speed Racer. A outra o Agente 86 (quem diria que aquele mesmo olhar inteligente chegaria à Presidência dos Estados Unidos…). Enquanto não estreiam, as aberturas da série original e inesquecível estão no youtube:

a primeira:

http://www.youtube.com/watch?v=AvMj5LuT5hk&feature=related

e a seguinte:

http://www.youtube.com/watch?v=cscedJQ3PFU&feature=related

Grandes momentos de 2007

In Idéias gerais on January 3, 2008 at 12:46 pm

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Trufas brancas de Alba sendo generosamente “mandolinadas” sobre um creme sabayon de batatas.

Robert Parker na Patagônia!

In Idéias gerais on January 2, 2008 at 10:45 pm

Furo exclusivo do Glupt! Robert Parker morou na Argentina, mais exatamente na Patagônia, onde chegou a ter terras com mais de 60 km quadrados na província de Chubut, daí seu interesse no país vizinho. Não sabemos se ele tomou vinhos, pouco provável que tenha bebido algum, uma vez que era mais chegado em uísque. Na verdade estamos falando de Robert LeRoy Parker, que todo mundo conhece como Butch Cassidy.

Uma brincadeirinha para alegrar o calor! butchcassidy.jpg

E respondo:

In Idéias gerais on January 2, 2008 at 3:49 pm

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O pedido de um endereço de email veio com umas questões: resumidas, basicamente, em porque não inclui no prêmio Glupt! para 2007, o vinho pior que tomei, o vinho mais caro, o mais barato, o melhor prato comido no ano, o melhor livro, a maior saia justa etc etc?

Bom, se eu incluisse tudo viraria a entrega do Oscar, e minha dinner jacket está no tintureiro…Na verdade teve gente que reclamou da quantidade excessiva de prêmios também.

Mesmo assim fiquei pensando, porque adoro listas.

O pior vinho não tem, parece incrível, mas não tem. Não considero vinhos com TCA (o famoso bouchonné) como ruins, eles estão estragados, o que é diferente. É uma tristeza abrir uma garrafa assim, mas é um acidente, um problema de rolha, não tem exatamente a ver com a qualidade do vinho. Até Vega Sicilia con TCA já encontrei nesta longa estrada vinífera da vida (Repito um mot d’esprit de um amigo na época: “até o bouchonné deles é melhor, mais elegante….”).

Houve vinhos mais simples, normalitos, esquecíveis, mas nenhum que eu pudesse classificar de intrágavel. Acho que as tecnologias todas fizeram isto, os vinhos conseguem ser técnicamente bem feitos, sem arestas, exceto as da deterioração. E desapareceu, pelo menos no meu ano feliz, o traço de uvas não-viníferas, dos tintos nacionais. Parece que o Brasil entrou no mundo da seriedade (pelo menos no que tange a vinhos, falta o resto, né Brasília?).

O vinho mais caro é bobagem, porque preço é um monte de números, não quer dizer exatamente qualidade, como estamos cansados de saber. Mas acredito que o mais caro tenha sido o Romanée-Conti 2004 tomado no almoço com Monsieur Aubert de Villaine (“say hello to Aubert” disse Jancis Robinson. Chique é isto. Eu só balbuciei “bonjour Monsieur” tremendo!). Está pela ordem de 10 mil reais a garrafa, se não me engano, trazido pela Expand (o número de garrafas importadas para cá eles não contam, Otavio Piva sempre elegante dá só aquele sorrisinho maroto). E sim, é um belíssimo vinho, que estará pronto para ser bebido em uma década ou mais.

O vinho mais barato? Acho que incluí isto dando prêmios de qualidade e preço a Torres e Alamos. Mas sendo específico, considero os brancos básicos da Torres como imbatíveis, o Viña Sol e o Viña Esmeralda são dois milagres de bons e de ótimo preço. São importados pela Reloco, ótima importadora do Rio. E tinto eu diria, de novo, o Alamos Pinot Noir, da Mistral.

O melhor prato já tinha dito no prêmio Paladar. Lá votamos em muitos quesitos, cozinha brasileira, cozinha de bistrô…e comentei no voto do prêmio que o melhor prato de todos tinha sido o do Jacquin, as alcachofrinhas de entrada. Foi uma conjunção de prazeres, o dia chuvoso e frio, cheguei meio molhado ao restaurante e com fome. Vem aquele prato fumegante e perfumado de deliciosas alcachofrinhas com muito caldo, alho, azeite, uma perfeição. Fora de São Paulo, o lombo de porco do Drolma que descrevi num post anterior.

Melhor livro é bem complicado. Acho que foi Making Sense of Wine de Matt Kramer. Que saiu em português como Os sentidos do Vinho, custa 43 reais na livraria Cultura.

E saia justa…como convém a este tipo de coisa, esqueci, deletei, hahahaha, passo cada vergonha, dou cada gafe!, melhor esquecer para continuar vivendo.

Departamento de reclamações justas

In Idéias gerais on January 2, 2008 at 3:23 pm

Recebi um chamamento: não tem email no blog para fazer contato. Fui ver e não tem mesmo! Nem consegui acessar o perfil! Bem estranho isto. De qualquer maneira, cá está, perdão leitores (como dizia o Pasquim):

gluptmail@gmail.com

Presente de dias preguiçosos

In Idéias gerais on January 2, 2008 at 7:00 am

Quem ainda não percebeu que tenho um penchant por vinhos ibéricos? É o DNA gritando, meu bisavô veio do Porto, tenho o Douro correndo nas veias, e o Douro é Duero antes de entrar em Portugal e assim vou me explicando este gosto. Então o NYTimes (nada como ser organizado) faz uma página com todas as matérias e degustações de vinhos ibéricos no ano que terminou. Uma leitura para dias! Aqui o link:

http://topics.nytimes.com/top/reference/timestopics/subjects/w/wines/spain/index.html

zio Ettore

In Idéias gerais on January 1, 2008 at 6:51 am

lavalentine2.jpgEnquanto eu me divertia com uma garrafa de Taittinger e também com o imenso privilégio que é passar o…hein? revei o quê mesmo? sem barulho, sem trânsito, sem cerveja morna nem ataque de águas-vivas, isto que as pessoas consideram diversão e eu acho a ante-sala do inferno, trancado felicíssimo em casa como se estivesse na Lapônia (uns graus acima é verdade), me morre o Ettore Sottsass, grande companheiro de letras. Quer dizer, nunca vi o homem na vida, mas batuquei numa Valentine Olivetti, desenhada por ele,  por muitos anos, e ela nunca me deixou na mão, não dava pau no disco rígido e nem pegava vírus ou queimava o modem. Confesso que minha paixão sempre foi a Lettera 82, tendo também usado uma Lettera 32. Hoje tudo isto pode parecer pesado, mas uma máquina de escrever portátil destas era um iphone e tanto para a época. E eram lindas, como eram lindas estas máquinas! Foi uma raro momento em que forma e função se entenderam.

feliz 2008!

In Idéias gerais on December 28, 2007 at 3:09 am

ab20081.jpg

um brinde

In Idéias gerais on December 28, 2007 at 2:27 am

lk-004.jpglk-010.jpgEncerrei as atividades por este ano. Ontem bebi dois coquetéis que pensava ter inventado. Mas coquetéis são como receitas de pratos, raramente algo é realmente novo. Um deles eu chamei de Jack Lemon (uma parte de Jack Daniels e 3 partes de Schweppes Citrus, muito gelo e um toque de champagne rosado para dar cor), o outro sem nome é uma parte de Absolut Kurrant e duas partes de um prosecco que estiver à mão, tudo bem gelado. Terminei de ler um livro desagradável, que comentarei apenas porque me custou 17 euros e é um golpe de má fé intelectual, chama-se Le gout et le pouvoir, de Jonathan Nossiter. Tipo do livro que perdeu a oportunidade de permanecer inexistente. Mas agora é alegria e descanso, retomo a blogação no princípio de janeiro. Ci vediamo!

Pós-prêmio

In Idéias gerais on December 28, 2007 at 2:22 am

Uns poucos esclarecimentos, me perguntaram se a lista era dos vinhos que tinha bebido em 2007. Não!  A lista é dos vinhos que considerei notáveis, dentre os que bebi. Calculei, sem muito rigor científico, que provei uns 4 mil vinhos neste ano. Fruto do crescente interesse que o Brasil desperta como mercado consumidor de vinhos finos (previsão da última Vinexpo colocava nosso país como um dos mercados em expansão, junto com China, Índia e Rússia, mas acentuava nossa vantagem: um público com alguma formação no tema e menos néofito que os outros). E deixei de ir a muitos eventos! Espero que 2008 repita e amplie isto, visitas de produtores, grandes degustações, possibilidade de ter contato com vinhos especiais. Não falo sómente no ponto de vista pessoal, temos atualmente em São Paulo (e em diversas outras capitais, via internet, catálogos e venda por correio) um mundo de vinhos raramente suplantado (talvez Nova York, Londres e Chicago rivalizem).

O Prêmio Glupt! para o ano de 2007

In Idéias gerais on December 26, 2007 at 3:35 am

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 Eis meus escolhidos para o quase findo ano. Procurei escolher vinhos que bebi em São Paulo e vinhos que estão à venda, assim não consta da lista o Viña Herminia 1970 bebido em Barcelona, ou provas de barrica feitas em visitas a vinícolas. Algo terá ficado de fora, muitos algos na verdade, mas a idéia não é esgotar o ano num post, e sim a de relembrar coisas que fizeram de 2007 um ano que valeu a pena ser vivido (e bebido).

Alguns vinhos não têm detalhes, como data, porque convenhamos, minha caligrafia é de lascar, e depois de 1 ano inteiro e 3 moleskines lotados de anotações, ninguém é de ferro, sorry for that!

Os premiados receberão uma Frederica em feltro, como a que aparece na logomarca do Glupt! especialmente desenhada e produzida por Carol Grilo, da Fofysfactory.  [ http://www.fofysfactory.com.br]

 Produtor do ano:

Dirk Niepoort , Douro, Portugal 

 Revelação do ano:

Domaine Rimbert , Saint Chinian, França 

 Viagem do ano:

Áustria (descrita no meu artigo para a revista Wine Style que está nas bancas) convidado pelo esfuziante Willi Klinger, presidente do Wines from Austria.   

 Frases do ano

“Quero saber qual o pH da saliva dele”.

“Respeito minha própria opinião”. 

“Tanto silêncio que se escutam os taninos”

“Tem Pinot neste Pinot!” 

“Insosso como traquéia de boizinho Kobe”.

“Os queijos não são para mim”.

“As peras são aborrecidas”.  

 Acontecimentos do ano:

A inclusão de vinhos brasileiros e uruguaios no World Atlas of Wine

A nova visita de Jancis Robinson ao Brasil

O reconhecimento ao trabalho dos importadores na educação dos gostos (Ciro Lilla eleito personagem do ano pelo Paladar, Quim Vila eleito pelo Verema, o perfil de Kermit Lynch no NYTimes)

O Encontro Vinci com a presença de Julio César Lopez de Heredia 

 Blogs que me deram prazer e informação:

Wine Terroirs: um fotolog com excelente qualidade, fonte de conhecimento sobre vinhos orgânicos e biodinâmicos e as melhores fotos de produtores e vinhedos na internet:

http://www.wineterroirs.com/

Comes&Bebes: As divertidas incursões de Marcelo Katsuki, com muito senso de humor por um mundo normalmente cheio de esnobismo, o nosso Midtown lunch, com mais graça: http://marcelokatsuki.folha.blog.uol.com.br/

Come-se, o verdadeiro dicionário de tudo gastronômico, onde você vai para saber o que é cada coisa, para que serve e como usá-la, escrito com talento por Neide Rigo:  

http://come-se.blogspot.com/  

 Descoberta amável de lugar para beber vinhos:

Praça São Lourenço: Uma praça mesmo, com ambientes agradáveis, clima ameno, cantinho de civilidade dentro da barbárie.  

http://www.pracasaolourenco.com.br/

 Melhor serviço de vinho:

em hotel: Emiliano

em restaurante: A Figueira Rubayat  

Homenagem especial:

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Alois Kracher

Esperando que seus vinhos continuem a encantar, agora com seu filho Gerhard no comando, o blog dá um prêmio Frederica in memoriam a Alois Kracher, o homem que colocou Neusiedlersee no mapa, maior perda do mundo do vinho em 2007.  

www.kracher.net

Prêmio especial

Elas nos “enchem” e nós “enchemos” elas, mas são elas  que arranjam a foto de ultima hora em alta resolução, conseguem um lugarzinho no canto da mesa para uma conversa privada com o super produtor e arrancam uma colherada que seja do vinho caríssimo para provarmos. As boas assessoras de imprensa não nos pautam, respeitam o trabalho e as opiniões do jornalista e entendem os mecanismos de independência que fazem a boa cobertura de imprensa (e ainda elogiam o texto às vezes com erros que conseguimos produzir correndo). É neste cabo de guerra carinhoso em que vivemos que amizades vão se fazendo, para um propósito compartilhado, que é falar de vinhos com precisão, atendendo ao nosso mais importante cliente comum, o leitor.Por isto estas 3 ótimas profissionais e companheiras de jornada, que fazem muito pela difusão do vinho no Brasil recebem um Glupt! Especial:

Sofia Carvalhosa, Cristina Neves, Sandra Schkolnick. 

Vinhos tintos não europeus no ano:  

Catena Alta Cabernet Sauvignon 2003 , Mendoza, Argentina 

Montevideo de Bouza , Uruguai

Seña 2001 Chadwick, Chile

Cariñena de vinhas velhas de De Martino, 06, Chile

J. Alberto, bodegas Noemia, Patagônia, Argentina

Chacra, Bodegas Chacra, Patagônia, Argentina

Axis Mundi 2002 Pisano, Uruguai

Tannat Viejo Stagnari 04, Uruguai

Henry Gran Guarda Cabernet Sauvignon 2003, Argentina 

 Vinhos brancos não europeus no ano:

Terrunyo 2005 Don Melchor Sauvignon Blanc  Concha y Toro, Chile 

Chardonnay Pizzato, 2005, Brasil

Chardonnay Dal Pizzol, 2006, Brasil

Angélica Zapata Chardonnay 2004, Argentina 

Torrontés Rio de los Pajaros Pisano 2007, Uruguai

Elgin Vintners Sauvignon Blanc  2006, África do Sul 

 Vinhos tintos europeus no ano:

Alain Graillot Crozes-Hermitage La Guiraude , 2005,  França

Vina Tondonia Gran Reserva 1981, Espanha 

Cos d’Estournel 2001, França 

Richebourg DRC, 2004, França

Quinta do Passadouro, 2003,  Douro, Portugal

Travers de Marceau, 2005, Domaine Rimbert, França

Castello di Ama 2003, Chianti, Itália

Marqués de Riscal Reserva 2003, Rioja, Espanha

Aalto PS 2003, Espanha

Le Petit Sid, 2002, Cahors, França 

 Vinhos brancos europeus no ano:  

Montrachet DRC 2000, França

Clarión Vinas del Vero 2001 , Somontano, Espanha

Viña Tondonia Reserva 1988  , Rioja, Espanha

Tiara Niepoort, Douro, Portugal

Alain Brumont SB/Gros Manseng, 2006, França

Langeloiser Berg Vogelsgang Gruner Veltliner, Brundlmayer, 2004, Austria

Nikolaihof, Riesling Steiner Hund 03, Austria

Riesling Selbach-Oster Wehlener Klosterberg Kabinett 1983, Alemanha

Thalassitis Gaia, Unoaked Assyrtiko, Santorini, 2005, Grécia

Riesling Zind-Humbrecht Turkeim 04, Alsace, França

Herri Mina, Iroulèguy 04, França 

 Outros vinhos:

Las botas 3 de Jerez Las Cañas , Jerez, Espanha

Moscato do Rio Patras , Gerovassiliou, Grecia

Porto Niepoort 10 anos, Portugal

Espumante Escorihuela Gascón, Argentina

Late Harvest Concha y Toro

Nouvelle Vague TBA 1, Kracher, Austria

Molino Real de Malaga, Telmo Rodriguez, Espanha

Henry Cosecha Tardia Lagarde, 2005, Argentina  

 Champagne do ano:

Taittinger brut, França 

 Qualidade preço:

As compras mais confiáveis pelo preço mais generoso:

Vinícola Torres, Catalunha e Chile, alguns dos melhores e mais confiáveis brancos para beber contente. Um Colheita Tardia excelente. O bom Priorato chamado Salmos. Padrão de honestidade, pesquisa e preço justo, exemplo de que é possível produzir em quantidade sem perda de qualidade.

Alamos, Mendoza, Argentina. Mesma coisa, os melhores vinhos para o dia-a-dia por um preço correto. Meus favoritos são o Chardonnay e o Pinot Noir.  

 Degustações do ano:

Vertical de Quinta do Cotto no restaurante Bela Sintra

 Fim de semana vinícola com Eduardo Chadwick em Guarujá

 Pocket show da África do Sul, especialmente os surpreendentes vinhos de Springfield Estate

Os vinhos de Mastroberardino com o próprio Piero Mastroberardino dirigindo a prova.  

 Degustações brasileiras do ano:

Vertical de Lote 43 Miolo no Fogo de Chão com Fábio Miolo

Degustação da confraria dos sommeliers para escolha de vinho para o Rubayat Madrid 

 Almoços/jantares do ano (encontros inesquecíveis de vinho, comida e boa conversa):

Aubert de Villaine no D.O.M.

Jean Guillaume Prats no ICI bistrô

Johannes Selbach no Jun Sakamoto

Aurelio Montes no ICI

Miguel Torres Jr. no Don Curro 

 A melhor refeição do ano:

Restaurante Drolma, chef Fermi Puig, Hotel Majestic, Barcelona, dia 5 de dezembro de 2007  

O som do vinho

In Idéias gerais on December 25, 2007 at 9:26 am

No link abaixo é possível ouvir 3 diferentes chardonnays biodinâmicos, de Emmanuel Giboulot, na Borgonha, fermentando. É um som de muita tranquilidade, pontuado apenas pela voz do produtor anunciando qual o vinho a ser ouvido, que são:

Bourgogne Blanc 2006      

Cotes de beaune “La Combe d’Eve” 2006

Rully 1er Cru “La Pucelle”  http://www.gcast.com/user/microson4/podcast/main

e bebamos com prazer!

In Idéias gerais on December 24, 2007 at 1:30 am

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Feliz Natal!

In Idéias gerais on December 24, 2007 at 12:57 am

joost-swarte.gifcom uma animação de Joost Swarte.

Aritmética aérea

In Idéias gerais on December 23, 2007 at 5:58 am

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De 21 a 24 de janeiro acontece em Madri uma nova edição do convescote gastronômico de vanguarda, o Madrid-Fusión. Estas feiras já cansaram um pouco, têm quase sempre os mesmos chefs falando por meia hora, que é o tempo das palestras, das mesmas coisas, virou o circo da formula 1. Mas alguma coisa sempre surge de interessante. Estava aqui com meus botões considerando se valia a pena ir.

Descobri que a TAM inagura um vôo direto para Madri. Mas…custa 1066 dólares, contra os 908 dólares da Iberia e os 817 dólares da Air France. Como a AF é muito melhor esta diferença de preços me parece completamente inexplicável.

Na última vez que viajei pela TAM, para a Suécia via Paris, eles perderam minha mala, faltou pão no café da manhã, o assento estava quebrado (e decolei e pousei reclinado, o que é ilegal, segurando eu mesmo o encosto, LUXO só!) e no jantar me deram sem escolha um nhoque que parecia massa de modelar, (e comi vorazmente, pois passei fome por 11 horas). E agora isto, quem quiser paga quase 300 dólares a mais para sofrer este vôo. Será o privilégio de pisar naquele capachinho vermelho que faz subir  o preço?

Resoluções e esperanças de ano novo

In Idéias gerais on December 23, 2007 at 5:36 am

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Enquanto nossa equipe soma os votos para decidir quais os premiados pelo Glupt! em 2007 (e inventa categorias, lembra daquela garrafinha e rememora sabores) faço uma rápida lista do que espero para 2008, mistura de desejos e auto-conselhos:

-todos os vinhos bebidos, por todos nós, serão ótimos, estarão na temperatura perfeita.

-os preços serão sempre justos.

-as taças serão sempre adequadas.

-não haverá melhor comida que aquela do momento. E nenhuma fará mal, estará passada ou com sal demais.

-as companhias serão sempre as mais divertidas, cada refeição um acontecimento, em tudo se verá alguma razão para sorrir, mesmo no equívoco do garçom, ou na mesa que balança; é preciso considerar que a boa lembrança de amanhã é fruto do modo como encaramos o presente.

-sempre tem um vinho melhor depois e nunca é o fim do mundo.

-sempre uma boa pessoa desenrosca os elásticos, por mais emaranhados que estejam.

-rindo é mais fácil.

-Sempre alguém pode cantar Nessum dorma ou a ária de Cavalleria Rusticanna e mudar o clima para melhor.

-até carne fora do ponto tem jeito.

-sempre se pode comer uma fruta

-Ano novo é sempre uma espécie de espumante.

-E sempre teremos Paris.

Confissão tardia

In Idéias gerais on December 22, 2007 at 5:53 am

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Ou talvez ao contrário, uma admissão de incapacidade de decidir. Vinho é uma coisa complicada, não em si mesmo, nada além de um líquido vindo das uvas fermentadas. Mas as sensações que provoca são complexas. Igual filosofia ou literatura, você lê Hegel, aquilo parece um sistema absoluto de pensamento, tudo tem resposta, tudo está ali, não há mundo possível fora daquela sistema. Então abre um livro de Proust e recomeça…seu mundo caiu, outro mundo fechado, perfeito, aparece na sua frente.

Quando se bebe um tinto imponente, evoluído, maduro, aquilo parece tão definitivo, que a impressão é não haver possibilidade de algum vinho melhor fora dele. Então vem um branco, um Riesling do Mosel, e outra vez lá vai o mundo reduzido, o Riesling fecha os poros, o prazer perfeito. O que pode ser melhor? Qual complexidade maior? Vamos nesta certeza até um vinho botritizado puxar nosso tapete. Puxa! É isto, o vinho definitivo, a summa, o cume, nada pode ser mais cheio de nuances, algo que te pega por todos os sentidos. Channel número 6, de passar uma gotinha atrás da orelha.

E nestas certezas instáveis ficamos, uma busca incessante do ponto mais alto, que nunca se alcança, sobe e sobe e nunca chegamos lá. Até que, para mim, aparece o vinho que sintetiza tudo, o que eu levaria para a ilha deserta, o último cálice que espero alguém jogue na minha boca: jerez.

Tomei um oloroso, dos mais simples, um Alfonso de Gonzalez Byass, garrafa que comprei correndo antes de voltar ao Brasil, 6 euros, nada tão especial, mas ele tem tanto que oferecer, é uma droga potente, um som, que não é possível descrever em palavras. Que fique dito, neste crepúsculo de 2007,  vinhos são muitos, mas o encanto dos jerezes é único. Spain in a bottle, não é possível, não cabe tudo isto que o Jerez diz num simples copo de vinho! E no entanto, está aqui…

O bojô

In Idéias gerais on December 22, 2007 at 3:49 am

Conforme prometido, o comentário sobre o Beaujolais Villages Nouveau Drouhin, recém chegado. É o que é, muita fruta, um tutti frutti nasal, tomado frio, quase gelado, é bem gostoso, para tomar assim, sem maiores expectativas ou pretensões. Tem uma acidez bem presente, que o faz boa companhia para comida. um toque ligeiro de amargo. É melhor que se espera mas pior que poderia ser. Um vinho agradável e ligeiro, de celebração. Não é preciso fazer dele nenhum monstro, não é. Mas tampouco procurar virtudes que certamente não tem e nem pretende apresentar. Mata a sede, é divertido e ponto.  Tem um grande grau de alegria contido nele, o que não é desprezível num tempo de vinhos aborrecidos. Há mesmo uma elegância na sua frivolidade.

Recomendaria? Claro que sim, vinho em estado de prazer bruto, sem defeitos que incomodem. Se nós vivessemos na região, não tenho dúvida que consumiríamos litros com gosto. Combina perfeitamente com o momento, Natal, comidinhas em torno de uma mesa feliz, confraternização e esperança,  goles amplos de vinho, sem reflexão. Tipo do vinho perfeito para catar na prateleira do super sem ter que fazer grandes cálculos mentais, vai bem com tudo, como um aperitivo generoso.

Ontem comi o delicioso peru com farofa de castanhas do Ritz, taí um vinho que acompanharia o prato. A questão é: vale o custo de transportá-lo com pressa até os mais remotos rincões? Como vinho não, como um momento de simultaneidade global em torno de uma novidade, ou seja, como rito, sim.

Vou comentar uma festa de rua emocionante de que participei 3 semanas atrás, justamente a apresentação dos vinhos novos, em Barcelona. e como estas coisas podem realmente ter sentido pontuando a passagem dos anos, numa época em que o tempo virou commodity…

As crônicas urbanas de Glupt!

In Idéias gerais on December 21, 2007 at 2:35 am

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Bom, esta não é uma típica cena urbana. É mais um lamento. Depois de muitos dias trancadinho em casa, como eu gosto, tive que sair de tarde. Estava andando lá pelos lados do Itaim quando dei aquele passo em falso, literalmente o chão sumiu debaixo do meu pé e todo o impacto do passo errado foi para a minha coluna. E daí? O resultado é que fiquei em casa deitado depois do fato, sem poder mexer as cadeiras (como se precisasse muito delas!) e perdi um convescote para o qual vinha fazendo boca boa, tomar dois vinhos brancos fora do comum, gentileza do amigo Pagliari: um italiano feito à moda antiga e um uruguaio do Viñedos de los Vientos, com gewurztramminer usada heterodoxicamente. Lamentei muito, até porque hoje no foro de Jancis R. sua assistente eficaz Julia Harding, me chamou de “uruguaio honorário”, era um elogio e eu fiquei bem feliz. Paciência. No dia em que as calçadas forem mantidas sem estes acidentes teremos uma cidade melhor.

Faltam 7 dias

In Idéias gerais on December 21, 2007 at 12:36 am

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Estou revendo todas as anotações do ano, cada rabisco nas cadernetas considerado, cada copinho de vinho tomado repensado. Desta tarefa sairão meus prêmios Glupt! no dia 27. Não vou repetir a Wine Spectator, porque depois deste dia o ano terá terminado, nos dias subsequentes não beberei vinhos e na noite do 31 apenas Taittinger. Assim, nenhum vinho bebido em 2007 deixará de entrar na avaliação, a chance do vinho do ano ser bebido depois de anunciados os escolhidos não existe. Suspense, drama, unhas sendo roídas (para com isto!) e pressões de todos os lados. Hahaha, nada disto, só eu aqui com minha caligrafia inexpugnável decidindo quais foram os momentos vinícolas inesquecíveis.

[Na imagem uma das minhas capas favoritas da revista New Yorker, assinada por Saul Steinberg]

Vinhos de porco

In Idéias gerais on December 19, 2007 at 12:58 am

Recebi um email perguntando que vinho acompanhou o porquinho delicioso. Na verdade o almoço (se é que se pode chamar assim uma refeição de 5 horas de duração que me deixou nas nuvens. Quando acabou o sol já tinha se posto, era noite de inverno às 6 da tarde) começou com um cálice de manzanilla Lustau Papirusa (um jerez) e continuou com um branco catalão, Vinya Els Rocallís de Cans Ráfols dels Caus e prosseguiu com um tinto catalão que a memória teima em não me dizer, mas era um syrah correto. Terminou entre sorrisos com uma grappa poderosa e elegante. Mas quando o porquinho chegou eu preferi voltar para o branco. Este branco é feito de uma uva estranha, chamada Incronzio Manzone, nome do sujeito que criou por enxerto a variedade. É fino, boa acidez, parece um bom vinho da Alsácia. Então como a carne de porco tem um traço de adocicado, e como ela não era nada gordurosa, achei que o branco ia melhor e foi mesmo.

Porcos

In Idéias gerais on December 17, 2007 at 1:22 am

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Eu sou mais do vinho que de comida, mas hoje estou – na mémoria- com o sabor das duas espetaculares carnes de porco que comi na Catalunha. Realmente o porco criado solto, com comida adequada e não com rações cheias de hormônios, faz aparecer outro bicho, um que pertence à minha infância mineira. Até os meus 5 anos de idade, talvez um pouco mais, toda a comida era feita na banha de porco, inclusive arroz, feijão, batatas fritas. E fazia diferença sim, tudo tinha gosto. Lombo nunca foi uma coisa seca e dura, este pedaço branco de carne sem sabor, em que se despeja suco de limão para ver se desperta. Era macio, úmido, o porquinho totêmico de que fala Pedro Nava.

Pois comi um lombo destes no Drolma, cada pedacinho era ouro, e mesmo sendo o último numa série de pratos poderosos, todos com trufas brancas, foie e coisas assim, ele se impôs. Quando chegou à mesa tive uma decepção. Anunciado pelo maitre d’ e trazido num carrinho para ser fatiado,  eu esperava algo mais “nobre” como prato principal , afinal a refeição vinha num crescendo. Mas foi dar a primeira garfada e entendi que aquele não era um lombo de porco qualquer, era o definitivo, servido com as mais perfeitas ervilhas tortas do planeta e com o caramelo do assado e a casca apenas estalando para exibir as fibras macias do porco ibérico, todas untadas pela cocção exata das gorduras. Devia ter imaginado que o chef não ia coroar um menu perfeito com um prato errado.

Salivando…

Vinho novo 1

In Idéias gerais on December 17, 2007 at 12:31 am

O Beaujolais já “arrivou” faz tempos, mas como estava viajando só hoje esbarrei na garrafa e vou prová-la amanhã. Sem preconceitos, prometo. A campanha do Beaujolais Nouveau foi uma das mais bem sucedidas em marketing no século passado, mas teve um preço alto. Toda a região acabou perdendo prestígio, apesar de vender mais. E agora a perda de prestígio cobra seu quinhão, diminuindo as vendas. Ou seja, resultou em nada. Beaujolais é – administrativamente- uma região da Borgonha, com algumas partes classificadas como Crus, com uma uva emblema (que representa quase a totalidade da produção) a Gamay e com uma história respeitável. A tentação do dinheiro rápido terá destruído este nome, relacionado para sempre com um vinho barato, flácido e aguado? Amanhã pensarei no assunto e falarei sobre o vinho.

Tempos modernos

In Idéias gerais on December 16, 2007 at 7:08 pm

É verdade, juro, podem verificar no site da Amazon. Um comunicado aos compradores do cd Big Science de Laurie Anderson, remastered: “Por questões técnicas alguns cds saíram sem o último uivo de lobo na faixa Big Science. Se o seu só tem 2 uivos e não 3, favor encaminhar o disco a Nonesuch Records para troca”. Uivo a menos!

Momento ufa!

In Idéias gerais on December 16, 2007 at 6:26 pm

river-plate.jpgPelo menos o Boca perdeu, meu River-coração não ia suportar. Mas aqui não se fala de futebol.

Sujinhos?

In Idéias gerais on December 16, 2007 at 2:47 am

Um vinho viaja, no tempo e no espaço. Quando abro  humilde garrafa de um Malbec decente, bebo algo produzido alguns anos atrás, pelo menos dois, em Mendoza na Argentina. Saiu de lá, veio parar no supermercado perto de casa.  Tem um “rastro de carbono” aí, o tema do momento.

Um sujeito chamado Tyler Colman, doutor em política econômica, mantém um ótimo blog sobre vinhos faz uns anos, chama-se Dr.Vino, o link está no blogroll do Glupt! ao lado.

Pois ultimamente ele deu para calcular o rastro de carbono deixado pelas garrafas de vinho. Não a feitura do vidro (que também precisa ser levada em conta, afinal tem cada garrafa que é um quilo de vidro. Para quê? Confusão entre peso da embalagem e qualidade do conteúdo…) mas o que é gasto para um vinho sair do interior da França, por exemplo, e chegar a uma mesa de restaurante em Tóquio. Ou meu Malbec até aqui em casa.

Não nos alarmemos demais, nem sempre estas coisas são tão certas, catastrofismos anteriores eram só alarme falso, não acabou o mundo no ano mil e nem no 2000 (que deu otima safra na Europa…) mas um pouco de cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.  E este assunto ainda vai dar muita discussão. É  bom começar, até para vermos se vale a pena ensombrecer nosso prazer com isto.

Bom velhinho

In Idéias gerais on December 15, 2007 at 7:26 pm

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Não, não. Não é um comentário sobre o centenário do Niemeyer, que eu admiro/odeio como todo mundo ( Pampulha é uma obra-prima, o Ibirapuera também em grande parte, Brasília é algo frankenstein, tem partes interessantes, mas o todo não orna muito bem. O Memorial da América Latina um horror a ser implodido, feito com restos de maquetes anteriores. O PCF, a Universidade da Argélia, belos. Tem coisas que parecem respiradouro de metrô. Todo mundo tem tédios e vacilações, ainda mais numa obra tão ampla. Na soma ele sai em grande vantagem).

Uma das capacidades de arte é mudar nossa maneira de ver o mundo. Assim: quando apareceram as primeiras obras cubistas, tinha quem sentisse náusea, ficasse tonto, vendo aquilo, porque mudava o ângulo e a dimensionalidade a que os olhos estavam acostumados. Agora vemos frequentemente coisas que são Picasso, são Braque, no dia-a-dia. Eu vejo coisas “Niemeyer” com frequência. Fui à cozinha agora e fiz umas fotos, aleatoramente, uma homenagem, coisas que estão na prateleira mas poderiam ser assinadas em escala grande pelo arquiteto (não sei se ele bebe vinhos…acho que sim, para chegar aos 100 assim com corpinho de 95!). 

O velhinho do título é o Papai Noel que me trouxe uma garrafa de Vega Sicilia Unico 1996. Nham! Mas Jancis Robinson diz que é para ser bebido entre 2010 e 2030! Haja paciência e longevidade, vou mandar a garrafa para o Oscar N.

boa idéia para degustar

In Idéias gerais on December 15, 2007 at 12:22 am

sampling02.jpgEu vi primeiro na loja Lavinia de Paris (a de Barcelona ainda não tem) e agora um leitor do forum de Jancis Robinson informa que chegou a Londres, na The Sampler. É uma vitrine com garrafas e torneirinhas, lá estão expostos os vinhos disponíveis para degustação. Você olha o que quer, verifica o preço da taça, paga no caixa e põe sua tacinha debaixo da torneira, enfia um cartão e a máquina solta uma dose. É prático e barato, permite provar grandes vinhos sem gastar o valor de uma garrafa. Eu provei o Crozes-Hermitage de Allain Graillot (5 euros a dose) e um branco do Languedoc chamado Zoe (1 euro a dose) do Preceptoire (esqueci o nome do produtor todo, isto que dá escrever fiando na memória). Na loja inglesa, na semana de Natal, tem nada menos que esta lista abaixo, sendo que a prova do La Tâche custa 30 libras, uns 50 euros, uns 150 reais, caro, mas quem tem dinheiro para comprar uma garrafa? É um jeito inteligente de aumentar o conhecimento sobre diversos vinhos sem arrombar o bolso. Fica a sugestão para nossos importadores.

Haut Brion 1989
Pichon Longueville Comtesse de Lalande 1982
Léoville Las Cases 1982
Bonneau Chateauneuf du Pape Réserve des Célestins 1998
DRC La Tâche 1982
Haut Brion 1990
Château Lafleur 1995

Departamento de pingos nos iiis

In Idéias gerais on December 14, 2007 at 10:13 pm

zzzzz.jpgEstá um surto de uma vodka de uva por aqui, já li em diversos blogs amigos a respeito. Esclareço, como velho ranzinza e meshuga que sou, isto não é novidade. Vodka em russo quer dizer “aguinha”, aquela mesma que os passarinhos não bebiam. Vadá é água, vodka o diminutivo, e serve para destilados em geral. Vodka é destilada de batata, cereais, etc e tal. E pode ser de uva, coisa que existe tem séculos com o nome de Grappa, ou até a simpática e digestiva Bagaceira. Pode ser gostoso, mas novidade como dizia o Nélson Rodrigues, só o Hollywood com filtro (e o Bis branco, acrescento). Bom, como acabei de ver na padoca um chá verde sabor limão feito de soja(!!! sempre achei que chá verde tinha gosto de si mesmo e era feito…bom, de chá, né?) tudo já é possível under the sun.

[tem ainda alguém acordado aí lendo isto? Avisei que estou chato hoje!]

Algodão, pesticidas e all that jazz

In Idéias gerais on December 14, 2007 at 3:08 am

orsenna.jpgQuando eu estudei física no colégio, no tempo das diligências, aprendi que dois objetos não podiam ocupar o mesmo lugar no espaço. As companhias aéreas (e olha que viajo numa que ainda oferece duas opções de pratos quentes no jantar e duas escolhas de vinho brancos e de tintos, sendo os brancos do Languedoc bem gostosinhos, queijos, sorvete, conhaque e champagne, mas o aperto é igual) conseguiram anular isto, estão colocando TRÊS objetos passageiros no mesmo espaço.

Foi o que me impediu de terminar o livrinho fascinante que comprei no aeroporto, uma viagem aos países do algodão, de Erik Orsenna. Os objetos-passageiros grunhiram e tive que apagar a luz.

O que tem isto com vinho? Tudo. Pois algodão é também agricultura, vinho é agricultura, pensou? E passa por tudo aquilo que se imagina: uso de pesticidas, destruição do meio ambiente, globalização. Você já considerou se sua camiseta é natural? Se ela é orgânica? Já imaginou que estas meias inocentes podem ser fruto de exploração de coisas horríveis em lugares onde até o pesadelo tem medo de ir? Neste momento estou completamente vestido de algodão, exceto óculos – autêntico floco de óculos. Nunca tinha parado para refletir a respeito.

Vamos ter que enfrentar questões bem complicadas frente aos vinhos (e todos os produtos agrícolas) nos anos vindouros. Não só o dilema da prateleira do super: compro este troço orgânico que custa 6 reais mais caro? O biodinâmico é mais saboroso? Mas um dilema ético, ligado a coisas mais básicas da vidinha planetária, e não estético da nossa silhueta. Sem contar uma coisa que, delirante ou não, já está mexendo com as vendas americanas: a quantidade de carbono emitida pela viagem de uma garrafa, atravessando continentes.

Espero que traduzam este livro pequeno e bem escrito. Voltarei ao assunto.

Lento mas (quase) infalível

In Idéias gerais on December 13, 2007 at 8:22 pm

coctea1.jpgEu sou minha secretária, motoboy e faxineira e tem duas semanas que não venho! Tento convencer a Frederica a escrever, ela prefere dormir. Por isto demoro tanto a atualizar o blogroll e responder aos leitores. Estou devendo a parte dois do relato sobre os restaurantes estrelados (com a vantagem que comi em alguns novos) e hoje consegui colocar os links para os sites dos companheiros João Filipe Clemente e Fábio Farah. Até o fim do ano tudo será resolvido, tenho muitas coisas para contar. Decidi não fazer uma retrospectiva com o que já falei e sim com coisas acontecidas ao longo do ano que não registrei aqui, degustação dos vinhos Chadwick, Selbach-Oster e Domaine Prieur, só para um trailer. E minha lista dos melhores do ano que está em gestação.

[a foto é um famoso auto-retrato de Jean Cocteau, verdadeiro homem de mil instrumentos~, que seria capaz de dar conta das minhas tarefas brincando]

Ainda a Rioja

In Idéias gerais on December 13, 2007 at 4:00 pm

Teve gente me escrevendo sobre o que eu disse dos Riojas modernos. A pergunta era: mas são ruins os vinhos novos de lá? A resposta:  não. O Contador branco, por exemplo, é muito bom. E muito caro. O problema com os Riojas modernos é que eles são vinhos bem feitos, com muito cuidado (visitei o Remirez de Ganuza duas vezes, é impecável e admirável o trabalho dele, mas poderia ser em qualquer lugar) mas não são Rioja, não seriam identificados às cegas como vindos daquela região. Se é para fazer vinhos corretos apenas, sem identidade local (o que se pode chamar do tal “terroir”) então para que gastar terras tão especiais? Há otimos vinhos pelo mundo afora, o que eu pedia no meu radicalismo dominical era que em Rioja se fizessem vinhos com muita personalidade e sotaque, só existe uma Rioja, não dá para gastar aquele chão com outros assuntos. Eu prefiro beber um Tondonia (18 euros) que um Contador (57 euros), até mesmo pelo preço, mas não apenas.

Murmúrios

In Idéias gerais on December 12, 2007 at 9:46 pm

prod2_0014_vogue.jpgEm sociedade tudo se sabe, há rumores de que uma grande propriedade da Borgonha, domaine com 500 anos de idade nas mãos de 20 gerações da família, um filezão, de que só vou dizer as iniciais: Comte de Vogué…está à venda por uma baba de milhões e milhões de euros. Estará chegando a distopia de ter toda a França vinícola ocupada por banqueiros internacionais vestidos com boinas e jogando pétanque? Será que Bourgogne é a próxima Bordeaux? Esperemos e vigiemos.

Kracher

In Idéias gerais on December 12, 2007 at 5:39 pm

kracher_by.jpgA A revista Decanter publica um artigo online sobre o funeral de Alois Kracher na linda cidade de Ilimitz, ao lado do lago de Neusiedler, de onde saem seus vinhos dourados. Forte candidato ao primeiro prêmio do blog que vou anunciar até o fim do ano, os meus melhores. O artigo pode ser lido aqui:

http://www.decanter.com/news/168099.html

Dia MUITO triste para os vinhos

In Idéias gerais on December 5, 2007 at 8:26 pm

Fico sabendo pelo Pagliari que morreu o Alois Kracher, um verdadeiro talento. Nao só porque seus vinhos eram excelentes, mas porque ele era uma pessoa gigantesca, engracada, generosa. Nao estou inspirado para escrever bonito, fiquei muito chateado, estou aqui me lembrando dele no Encontro Mistral, depois que eu disse que tinha dormido com o gosto do vinho Nouvelle Vague botritizado dele e passado o dia pensando naquele liquido. Todas as noites eu passava lá no stand e ele dizia: “are you ready for your nightcap?”. Respondia: “Ainda nao”. Ele me dava um pouco de vinho e dizia, “volte depois”. Nao estavámos preparados para a nightcap dele, aos 48 anos, um dínamo austríaco que vai fazer um imensa falta. Durma bem Mr.Kracher!

Crepúsculo das palavras

In Idéias gerais on December 5, 2007 at 9:36 am

Duas vezes uma situacao tragicomica (desculpem o teclado ibérico que nao permite cedilhas): entro em restaurantes, bons, estrelados. Perguntam: “quer um aperitivo?”. Quero, uma manzanilla. Cara de espanto, anotam. Passa um tempo grande e lá vem o bule de água quente e uma xícara e um…chá de manzanilla! Que é como se chama aqui a camomila. Explico, “eu pedi um JEREZ manzanilla”. Desculpas, trocam o chá pelo jerez. Quando se confundem estes belos e únicos vinhos com um chá, algo grave anda acontecendo.

Gluptgrama do front

In Idéias gerais on December 1, 2007 at 4:34 pm

lareira.jpgAqui comendo sem parar, para descansar do premio Paladar (rimou, sem querer). Fui a um restaurante duas estrelas e dois de uma estrela, bebi uns vinhos bem interessantes, dois Irouleguy (branco e tinto, do Pais Basco frances, com Petit Manseng, Gros Manseng e Corbu e o tinto de Tannat) e um de Cahors (Malbec original), um biodinamico de Nicolas Joly e unas cositas más. Logo que possivel comentarei, também responderei aos leitores. Agora só um trailer e uma foto da noite de ontem, no campo, na frente de uma lareira depois de comer uma bécasse inacreditável.

Glupt! en viatge

In Idéias gerais on November 28, 2007 at 4:16 pm

Não estou louco, viatge é viagem em catalão. Aqui em Barcelona, capital de Glupt! na humanidade, frio, vinhos e felicidade. Todo mundo tem um lugarzinho em que se sente em casa, este é o meu. Mandarei mais notícias, mas digo que está fabulosa a cidade, que visito e amo faz 22 anos. Quero ser catalão quando crescer.

Voando, de novo

In Idéias gerais on November 26, 2007 at 2:15 pm

chromeluggage.jpgO Glupt! vai viajar, não consegue parar este blog! Estarei duas semanas em Barcelona, mas postarei pequenas novidades de lá, prometo. Até!

Triste

In Idéias gerais on November 24, 2007 at 1:06 am

chardonnay2005.jpgA vida profissional de um enólogo é bem curta. Umas 40 colheitas, eis tudo que ele tem para trabalhar. Se as opções de um ano são erradas, ou não de todo satisfatórias, as uvas daquela temporada não são as melhores, é necessário esperar com paciência todo o ciclo da natureza, para no ano seguinte tentar de novo, experimentar de outro jeito, arriscar. Quarenta chances de produzir um grande vinho, uma por ano. Nada mais.
E quando um enólogo promissor morre bestamente, como Ivo Pizzato na semana passada, dói ainda mais. Eu o conheci muito superficialmente, um único encontro, meia hora de conversa, alguns vinhos provados, mas deu para ver aquela chispa de entusiasmo que já fazia grandes vinhos, como este Chardonnay sem madeira, uma das garrafas levadas pela Suzana para o almoço no Mocotó e que foi unanimente elogiado. É minha sugestão da semana, na esperança de que os Pizzato continuem firmes na produção de bons vinhos, desfalcados do Ivo, em homenagem a ele.

Vale a pena comer nos Michelins?

In Idéias gerais on November 23, 2007 at 3:16 pm

19906757.jpgBom, respondendo ao Eduardo (finalmente Eduardo! Espero que valha a sua paciência…) se os restaurantes estrelados valem mesmo a pena.

Primeiro preciso dizer que não conheço tantos assim, comi uma única vez num três estrelas (Martin Berasategui) e a comida de um três estrelas aqui em São Paulo (Santi Santamaría). Duas estrelas comi em um número maior, mas tampouco uma lista muito extensa. A lista cresce nos de 1 estrela, já visitei mais destes, apesar do restaurante que eu mais goste, o Mugaritz, tenha passado de 1 para 2 no meio tempo. Comi lá 5 vezes, e considero o chef Andoni Luis Aduriz o melhor do mundo (afirmação que me valeu tomar um coice do crítico Victor de la Serna, mas como coice de critico não mata, continuo afirmando a mesma coisa).

Pois bem, colocado meu currículo modesto no setor, posso te responder mais à vontade. E uso um paralelo. É a mesma coisa para vinhos. Há vinhos caros que valem cada centavo e outros que não. Os restaurantes estrelados são como todo restaurante, inclusive a padoca da esquina, tem seus dias gloriosos e os fracos, tem uns que são hypados e mero marketing, outros que são mesmo sólidos e te oferecem uma experiência inesquecível. Preferível falar destes últimos, não é? Como tudo mais na vida, caro é o que não valeu a pena. Neste sentido tenho até sorte, porque quase sempre valeu.  Continuarei…

A foto é do chef Andoni, que aparece neste ótimo relato do caderno Travel do NYTimes, sobre 36 horas em San Sebastián:

http://travel.nytimes.com/travel/guides/europe/spain/basque-country/san-sebastian/overview.html

Kermit e não é o sapo dos Muppets

In Idéias gerais on November 21, 2007 at 5:40 pm

kermit.jpgHoje no NYTimes Eric Asimov fala de um dos meus ídolos, autor dos melhores catálogos, escritor e comerciante de vinhos: Kermit Lynch. O livro dele, “Adventures in the Wine Route” já li tantas vêzes que tive que comprar um segundo, porque o primeiro desmanchou. Sem sombra de dúvida é o livro mais delicioso sobre vinhos que já foi escrito (bom, digamos que empata com as memórias de Hugh Johnson).

Quase consegui entrevistá-lo uma vez, dois anos atrás. Escrevi um e-mail para sua mulher, que é fotografa e cujas fotos aparecem nos livros e catálogos. Ele me respondeu usando o endereço dela, porque não usa e-mail e disse exatamente isto: “como vamos fazer? Só uso telefone!”. Como eu não uso telefone, detesto este négocio, ficamos de achar um jeito, que até hoje não apareceu.

Todo mês me lembro disto,  quando recebo o aviso de que nova newsletter está na página da importadora. Quem quiser um gostinho da prosa do homem, pode baixar as newsletters anteriores no endereço http://www.kermitlynch.com/

Pacotinhos mágicos

In Idéias gerais on November 21, 2007 at 5:08 pm

Minha amiga Neide Rigo, que tem o melhor blog sobre todos os alimentos (o link está aí ao lado) fez um post sobre embalagens populares que é um primor. Eu gosto muito deste design espontâneo, aperfeiçoado anonimamente durante sabe-se lá quanto tempo. Vale a pena ler e ver as fotos, não prestamos atenção nestas coisas, no mundo todo tem exemplos, pacotinhos, cestinhas, embalagens de palha, mas algumas delas são dignas de figurar no MOMA ao lado de coisas como a cadeira bertoia. Aqui:

http://come-se.blogspot.com/2007/11/eco-friendly-packaging.html

Tempo de estrelas

In Idéias gerais on November 21, 2007 at 2:40 pm

Todo mundo malha o guia Michelin (inclusive eu), mas quando chega a temporada dos novos guias, é um alvoroço para saber quem ganhou, quem perdeu ou quem manteve as estrelinhas tão desejadas. É como aquele momento de véspera de prêmio Nobel. Estou de olho nos da Espanha, curiosíssimo.

Pausa fotográfica

In Idéias gerais on November 20, 2007 at 7:49 pm

selfportrait.jpgA gente tem que se divertir enquanto come. Eis meu auto-retrato com doces libaneses, bandeira do Brasil e crucifixo. Para modernista nenhum botar defeito. Te cuida Tarsila!

Alguma coisa errada no meu calendário

In Idéias gerais on November 19, 2007 at 10:47 pm

Peraí! Hoje é 19 de novembro, certo? Então pelo meu calendário ainda falta meio mês de novembro e dezembro todo para o ano acabar. Como a revista Wine Spectator já está anunciando o “Vinho do Ano”? Eu vou dizer o do Glupt! Farei até a listinha dos melhores bebidos neste ano da graça de 2007. Mas imaginem se eu bebo O VINHO do ano no finzinho do 31 de dezembro? Sei, a revista vai para as bancas, precisa ser preparada e tal. Não seria mais correto publicar em janeiro a lista dos melhores vinhos do ano que acabou? De toda maneira, como o Luiz Américo gosta de me provocar pois sabe que detesto a WS, dizendo “a revista do seu amigo” conto aqui qual o vinho do ano para a brilhosa, chata e desnecessária publicação americana. Rufar de tambores, suspense mixuruca, Marvin Shanken, editor da gororoba abre o envelope. O vinho do ano é: Clos des Papes Chateauneuf de Pape 2005.

O resto da list pode ser lido no site da (bleargh!) revista.

Os vinhos do post anterior

In Idéias gerais on November 19, 2007 at 12:23 pm

Só para esclarecer sobre os vinhos com mais detalhes.

O Remelluri é um Rioja e o Clarión, o branco das Viñas del Vero um Somontano. Ambos são importados pela Mistral, embora eu não tenha achado no site deles, mas acredito que um telefonema para lá esclareça, como já aconteceu recentemente com os do Kracher. É que as vezes os vinhos estão em processo de importação e tal, e não aparecem no catálogo, mas existem. Vale para todas as importadoras, visitem os sites mas chequem diretamente com elas.

Roberson, o Rodrigo da Mistral esclarece o seguinte: “O Viñas del Vero Blanco, em uma categoria mais modesta é também muito bom. Não colocamos o Clarión para venda no site pois a quantidade é bastante limitada, mas pode ser comprado por telefone ou na loja da Mistral”.
Eu acrescento, o Clarión é ESPETACULAR.

Mocotó em Londres

In Idéias gerais on November 17, 2007 at 2:27 am

jancisnick.jpgA visita que o casal Jancis Robinson e Nick Lander fez ao Brasil aparece hoje na coluna dele no  FINANCIAL TIMES no link seguinte: http://www.ft.com/cms/s/0/b5968914-93f9-11dc-acd0-0000779fd2ac.html . Dentre os lugares visitados que  destaca como tops, o Hotel Emiliano onde se hospedaram, os restaurantes D.O.M., Tordesilhas e Brasil a Gosto e o Mocotó, visita em que fomos de guias Suzana Barelli e este blogueiro que vos fala. A odisséia foi contada no Paladar, mas agora é engraçado ver a versão do crítico, que gostou e muito. Numa das fotos ele aparece com uma faca de dar gosto abrindo as garrafas que provamos, 12 no total. nick.jpgMarido de crítica de vinhos importante e ex-dono de restaurante, o homem é hábil e rápido na tarefa, enquanto nós quebrávamos as rolhas…

Mais comida indiana

In Idéias gerais on November 13, 2007 at 9:56 pm

Como neste blog os comentários passam meio batidos, me permito dar destaque ao feito hoje a um post anterior, sobre harmonização com comida indiana. Vem de uma brilhante importadora, Angela Mochi,  da ótima Wine Company, que tem no seu catálogo bem cuidado meus estimados vinhos Marichal do Uruguai, dentre outras delícias ( e com ótimo preço, eles baixaram os preços dos vinhos acompanhando a queda do dólar, um ótimo exemplo). Eis o que ela diz:
“Eu gosto muito de comidas condimentadas, e uma opção legal nos tintos são os shirazes australianos, aqueles bem frutado e com bastante notas de especiarias.
Isso eu aprendi com os nossos amigos aussies, que consomem muita comida oriental, e cujas influências se percebem inclusive na própria culinária do país”.

Quem se interessar em fazer contato com eles  (Angela e Marcos, que cuidam pessoalmente da seleção de cada vinho que representam), a página da importadora é http://www.winecompany.com.br/

O Romanée-Conti

In Idéias gerais on November 13, 2007 at 8:35 pm

Complementando o que disse anteriormente sobre os vinhos provados no almoço de Aubert de Villaine, proprietário do DRC, aqui a matéria publicada no caderno Paladar do Estadão de 5a passada:

http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup77370,0.htm

As fat ladies

In Idéias gerais on November 12, 2007 at 12:52 am

jennifer_paterson_e.jpgclarissa_dickson_e.jpgNão sei se ainda passa nalgum re-run de tv a cabo a série das “Two fat ladies”, mas eu adoro o livro sobre a Jennifer Paterson que tenho. Ela morreu uns anos atrás, era super aristocrática na árvore genealógica, mas bem falida e foi tudo, inclusive cozinheira da revista Spectator, o equivalente a um Orleans e Bragança cozinhar para a turma do Pasquim, se as paredes contassem o que rolou então…Agora a gorda sobrevivente, Clarissa Dickson Wright reaparece numa delícia de entrevista ao Financial Times, que pode ser lida aqui (ainda não aprendi a esconder o link com aquela almofadinha fofa escrita clique aqui, mas aprenderei):

http://www.ft.com/cms/s/0/4ad15a4e-8c12-11dc-af4d-0000779fd2ac.html?nclick_check=1

Um dia feliz (e simples)

In Idéias gerais on November 11, 2007 at 8:40 am

imagem-024.jpgimagem-011.jpgimagem-057.jpgimagem-032.jpgimagem-041.jpgimagem-025.jpgNão é difícil ser feliz, descobri. Fácil tampouco, tem um detalhe básico, é preciso estar em Paris. Mas isto é só um detalhe, pois dá para construir uma Paris imaginária em diversos lugares.

Acordei num dia lindo, 8 graus, céu azul e a torre lá tranquilona na janela. Dia de bater perna sem rumo e sem mapa. Saí do hotel e fui conferir um endereço que a Nina me passou,  o Au Bon Marché da rue de Sévres. Comprei uns queijos mais pela aparência e por serem não pasteurizados, que pelos nomes. Não estava querendo aprender, nem puxar pela memória, menos ainda pensar, um dia como aquele não foi feito para o pensamento.

Depois na parte de vinhos uma garrafa de um belo Gauby, um branco biodinâmico do Roussilon, velho conhecido.
Voltei para a rua, andei até a Cherche-Midi onde fica a padoca mais linda que já vi, a Poilane, tem um pão de nozes em torno do qual seria fácil construir um templo e passar a venerá-lo. Comprei um (é enorme), outro de centeio, uns croissants, um brioche lindo, perfeito.
Andando e andando sem rumo esbarrei numa lojinha de queijos na Ile Saint-Louis, pedi um reblochon, porque meu kit-queijo não tinha este tão querido, que é este de casca laranja na foto, onde se nota que dei umas dentadas nele antes de fotografar, não deu para esperar!

E três peras, pêras cheias de caldo, doces, duras e macias ao mesmo tempo, como sabem ser as mais inesquecíveis desta fruta favorita e grande companheira para os queijos de cabra e para os queijos em geral.

Depois num banco das Tulherias, com uma insuportável leveza no meu ser, hahaha, tive um momento de perfeição comendo parte disto tudo. Noutro dia foi num banco dos Jardins de Luxembourg, com as folhas de outono caindo. E no terceiro dia, no próprio quarto do hotel, vendo a final da copa do mundo de rugby na tv e com um potinho de ovas a la façon russe (10 euros, não pensem que esbanjo) não pasteurizado e muito, mas muito mais saboroso que ovas pasteurizadas. Porque esta implicância com pasteurização? Porque boa parte das texturas e sabores são alterados pelo processo (eu sei, é para nosso bem, saúde, segurança alimentar, mas…) e a Europa dos burocratas de Bruxelas vai acabar conseguindo banir os queijos rústicos e os processos antigos de fazer as coisas, então é preciso comer antes que eles venham com as leis.

E o repasto ainda rendeu por mais dois dias.
Ser feliz é simples, e barato. Preço dos queijos 20 euros, dos pães todos, 6 euros o imenso de centeio, 4 o de nozes. O vinho 11 euros. As peras 3 euros. Não chegou a 120 reais todo este deslumbramento.

O sujeito que olha as malas no raio-x do aeroporto não deve ter entendido muito bem um cara embarcando com um pacote enorme de pães na bagagem de mão. Ou, sendo francês, talvez tenha entendido perfeitamente bem. Passei a semana comendo pão de nozes da Poilane aqui em São Paulo. Aceito presentes de quem vier de Paris, sem vergonha alguma.

cantando

In Idéias gerais on November 10, 2007 at 10:18 am

[com bill evans e tony bennet]

The days of wine and roses laugh and run away like a child at play
Through a meadow land toward a closing door
A door marked “nevermore” that wasn’t there before

The lonely night discloses just a passing breeze filled with memories
Of the golden smile that introduced me to
The days of wine and roses and you

Le tombeau de M. Merleau

In Idéias gerais on November 10, 2007 at 8:42 am

imagem-131.jpgNa minha curta visita a Paris esbarrei por puro acaso no Pére Lachaise, um dos cemitérios da cidade. Errei o caminho, minha idéia era chegar a Place de Vosges. Mas já que estava ali na porta entrei. Fui olhando os túmulos, Proust, Alice Toklas, Gertrude Stein, Oscar Wilde, Jim Morrison, Edith Piaf…de repente dei na lista com Maurice Merleau-Ponty, minha matriz de pensamento, o sujeito que está na base de tudo que penso, sobre quem quase escrevi uma tese de mestrado. Foi díficil achar o local, totalmente esquecido, coberto de folhas, umas deprimentes flores de plástico de décadas passadas. Assim é a vida, como dizia Unamuno, um dia até os mortos morrem, são esquecidos. Fiquei lá pensando, que fazer com o mestre? Deixá-lo ou cuidar dele? Optei pela segunda possibilidade. Limpei a lápide, lavei, comprei umas flores. Em 2008 será o centenário de nascimento deste pensador tão importante e esquecido. Acho que fiz minha parte (não ia contar isto, algo um pouco íntimo, mas um amigo me disse que merecia deixar o relato). [no ipod, claro: thanks for the memory]

Sempre os preços

In Idéias gerais on November 10, 2007 at 8:20 am

Alguns restaurantes estão entendendo, finalmente, que não é preciso arrancar o couro do cliente no vinho, mais interessante vender e circular mais garrafas com menos lucro em cada uma, todo mundo fica feliz. Fui jantar no Bassi do Bixiga, ótimo ver que o vinho mais caro não passa de 150 reais, as taças são corretas, e pude tomar um Borgonha branco mais que delicioso de Louis Jadot por 75 reais e um jerez, o vinho que me deixa feliz na alma, um manzanilla La Gitana, de Sanlucar de Barrameda, o mais próximo que vinho chega a ser de música, por 35 reais. Sim meus amigos de blog, voces leram certo, trinta e cinco reais uma garrafa desta maravilha complexa, o melhor aperitivo do mundo, fresco, cheio de nuances de cítricos, maça verde, amendoas! Estamos nos civilizando. Já não era sem tempo. Vinho não é luxo, é necessidade, comida, companhia da comida.

Cinquentenário

In Idéias gerais on November 8, 2007 at 4:41 am

Opa Eduardo! Passei por esta prova recentemente, a dos cinquenta! Olha, neste caso eu te indicaria sim os Rieslings alemães e os alsacianos. Começaria com os trocken, os secos e iria até um espetacular TBA, um botritizado de sobremesa. Produtores há bons e de diversos preços disponíveis, a Mistral, a Expand, a Decanter e a La Pastina importam rieslings. Agora na hora de apagar as velinhas, ficar feliz, olhar o futuro de frente, só há uma opção possível, um vinho do gênio austríaco chamado Alois Kracher, importado pela Mistral, este o néctar do vinho de sobremesa, com uma acidez espetacular compensando a doçura extrema. Para mim não há nada melhor no mundo! E olha que o mundo é grande!

Condrieu

In Idéias gerais on November 8, 2007 at 4:37 am

Tulio, eu com estas coisas de harmonização, fico com o que faz a boca salivar. E quando vc diz Condrieu, minha memória imediatamente me apresentou um queijinho de cabra, com umas torradas ao lado, quanto mais “cabrálico” melhor. Claro que há várias outras opções, mas como canta a Laurie Anderson: “my brain is bosie”, meu cérebro é mandão!

Monsieur de Villaine

In Idéias gerais on November 7, 2007 at 3:52 am

imagem-007.jpg

Comida indiana

In Idéias gerais on November 7, 2007 at 2:53 am

Blog novo (velho recuperado) e não sei mexer nos controles! Então não sei responder aos comentários lá onde estão. O que vira uma boa desculpa para um post. O Eduardo me pergunta o que beber com comida indiana. E sugere, espumantes? Com certeza, espumante dá certo sim. Mas eu acho comer o tempo todo com espumante meio empapuçante, coisa minha. Daí sugiro o que considero a perfeição para comidas picantes em geral, indiana, thai, chinesa e até mexicana: Rieslings. De fato o melhor mesmo são os vinhos feitos de Gruner Veltliner, mas como esta uva austríaca é bem rara por aqui (infelizmente) os Rieslings são um bom coringa. Alguns rosés também vão bem.

Aventura britânica

In Idéias gerais on November 5, 2007 at 10:47 am

Fui com o casal Jancis Robinson e Nick Lander ao Mocotó. O relato deste mergunho em profundezas brasileiras está aqui, no Paladar de 5a passada: http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup73952,0.htm

Verguenza ajena

In Idéias gerais on November 2, 2007 at 11:37 pm

Estava aqui perto de casa, num restaurantinho, feliz, na tarde/noite chuvosa do feriado, tudo plácido, quase pasmaceira mesmo. Então chega um senhor de cabelos muito brancos acompanhado por 2 senhoras.

Um minuto depois está esbravejando, dizendo: “sou muito educado! MUITO! é o que me impede de dizer que sou o doutor sei lá das quantas! que sou amigo de autoridades, que isto e que aquilo!” E gritava nervoso: “se eu não fôsse muito EDUCADO, estaria fazendo uma cena” (e ia fazendo a cena, que anunciava que não faria…).Seria até engraçado, se não desse vergonha da coisa patética toda.

Fiquei suando de vergonha por ele. E tudo porque a mesa que ele tinha reservado não estava disponível. Não uma mesa, A MESA, a que ele queria. Nestas horas é bom não ser dono do restaurante. Eu teria dito sem piscar: “o senhor então pode ir embora e não volte mais!”. Aliás, quase disse mesmo. Pedi a conta e vim embora, ele ficou lá bancando o importante, gente minúscula.

a volta dos mortos-vivos

In Idéias gerais on November 2, 2007 at 1:25 am

Eu pensava que no século 21 não haveria mais flute de champagne, nem talheres de peixe. Não existe copo pior em todos os sentidos que flute de champagne, prefiro beber num copo de boteco. Talher de peixe nem precisa explicação, é um garfo que não espeta e uma faca que não corta…deve ter sido inventado pelo Marques de Sade.

Continuando 2…

In Idéias gerais on November 2, 2007 at 1:15 am

Enquanto o Glupt! não volta…preciso descarregar os resmungos, bocejos e divagações de um diletante em tudo.

bom, continuando…

In Idéias gerais on July 13, 2007 at 10:19 pm

nancy_mitford.jpg

Nancy Mitford, 1904-1973 (na foto em Veneza, no ano em que nasci, 1957)

Agora que os vinhos passam por uma entressafra,  decidi colocar aqui todas aquelas outras coisas que me passam pela cabeça. Escolhi um título homenagem a uma das (poucas) pessoas que admiro: Nancy Mitford. E tentarei manter a periodicidade dos posts de sempre.

Mudança, de novo!

In Idéias gerais on July 4, 2007 at 3:13 am

7280891.jpgVisitantes deste blog, lá vamos outra vez, tudo cibernéticamente empacotado, passamos a atender, com a mesma fidalguia e cortesia (espero) no novo endereço

http://glupt.blig.ig.com.br/

A casa ainda está terminando de ser reformada, falta lugar pra sentar, as taças não são adequadas ainda, e a temperatura estamos regulando. Mas esperamos vcs lá: LH e Frederica.

Fim em pizza

In Idéias gerais on June 29, 2007 at 1:47 am

Fui com o caro Didú Russo ser jurado de pizzas. Quase 6 horas vendo as 9 duplas trabalhando, abrindo massa, colocando recheios, tremendo, com muita ansiedade. No final o clássico é sempre melhor, tinha pizza com tremoços, batata palha e milho…mas não tinha nenhum horror explícito, os horrores devem ter sido eliminados nas prévias (era a final). Felizmente, nada de pêssego em calda.  Ganharam : a Camelo, que era uma delícia, apesar da massa fina, eu gosto de massa grossa; uma da Bahia e uma do interior de São Paulo, um lugar chamado Leme. Fiquei imaginando a festa na cidade por ter uma pizza em terceiro lugar na Copa Brasileira. É bom ver a alegria singela de vencedores, gente que passou a vida na frente de um forno quente. É um pouco melancólico também, mas só um pouco…A feira (era na Fispal) gigantesca como sempre, coisas legais (uma máquina de espresso Saecco, sonho absoluto de consumo, 5 mil reais…) e coisas do planeta jupiter: um líquido para transformar chopp claro em escuro…prá que? Ainda não consegui entender a vantagem. Ganhamos um avental, duas garrafas de azeite, um balde para gelar cerveja e duas latinhas de castanhas de caju. Cheguei em casa cansado, abri uma Norteña uruguaia e as latinhas. Dentro delas, como se um rato tivesse chegado antes, uma colher rasa de castanhas meio quebradas. Surreal! Totalmente surreal. Tinha bom ar condicionado, o barulho era inferior ao que eu esperava, o Didú me fez rir muito, não tive enxaqueca e sobrevivi.

Un coeur simple

In Idéias gerais on June 19, 2007 at 3:50 am

img10232418994.jpgUm Rhône potente, muita fruta, sólido e intenso, sem meias palavras, do campo, com aquelas cores bem definidas de uma paisagem de Pisarro. Percebi que só falo bem dos vinhos que tomo, talvez por (a) só tomar vinhos bons (quá-quá-quá) ou (b) preferir escrever e memorizar sómente os que gostei, típica Pollyana vinícola. Valeu cada gotinha e moedinha dos 19 euros que paguei por ele, vinho amigo, franco e que logo enturmou, deitou no sofá e acendeu um charuto. Ou como no conto homonimo de Flaubert (coeur simple, não crozes-hermitage! daaahhh) um vinho de pequenas alegrias e tristezas da vida rural.

Momento alegria

In Idéias gerais on June 18, 2007 at 6:30 pm

“Ferran Adriá” ensina a fazer um carpaccio de mortadela de Mickey Mouse, rir, rir, rir.

http://www.youtube.com/watch?v=kfMQAsj6uWo&mode=related&search=

Niepoort

In Idéias gerais on June 16, 2007 at 4:22 pm

tiara.jpgComeçando a longa lista do que bebi na viagem, um branco inusitado de Dirk Niepoort (quase redundante juntar as duas palavras, Niepoort e inusitado…), chamado Tiara. Numa garrafa renana, ele diz ter querido fazer um riesling sem a uva riesling, e conseguiu, usando uma daquelas centenas de variedades portuguesas, a Codega. O vinho é notável, com toda aquela acidez dos vinhos dele, inclusive os Portos (no almoço aqui no Bela Sintra, ele disse que a acidez é um dos seus objetivos e preocupação constante, palmas para ele!), um nariz de cítrico, especiarias, até uma nota de curry (ou eu estava com a narina blindada por 400 Gruner Weltliner da semana anterior…) e cássia, encorpado, solene sem ser pomposo. Perfeito, ainda mais pelos 13 euros que custou.

feliz

In Idéias gerais on June 13, 2007 at 5:50 am

Bom, existe coisa pior que longa espera em aeroporto e voos interminaveis? Pois la estava estoicamente este bravo correspondente, quando a airfrance ofereceu um dinheiro e uma noite no hyatt para quem aceitasse voar na manha seguinte. nada poderia aparecer em melhor momento: em lugar de 11 horas de apertada cabine, uma super banheira cheia de espuma, uma cama do tamanho do General De Gaulle com mil travesseiros macios, um dindas no bolso, um belo cafe da manha e agora um voo diurno como eu gosto…se tudo na vida fosse assim!

Danubio azul (verde na verdade)

In Idéias gerais on June 12, 2007 at 9:55 am

back home

In Idéias gerais on June 12, 2007 at 9:52 am

Estou escrevendo este post já de malas prontas para voltar. O táxi vem as 13, daqui uma hora. Vôo daqui (Barcelona) para Paris e de lá para Sao Paulo. Aqueles dias passados no ar, entre check-ins, malas na esteira, exame de passaporte e agora mais uma chatice: ter que jogar fora a garrafinha d’agua e tirar o cinto. Viajar é cada vez mais desagradável, mas nao viajar também…Aproveito e coloco uma foto dos meus carefree days na Austria, sugando uma tacinha de Gruner Weltliner num barco no Danubio. A vida pode ser boa, de vez em quando.

flying around

In Idéias gerais on May 27, 2007 at 5:35 pm

266759398_571f4e27871.jpgO blog viaja na próxima semana e volta em duas delas. Com muitos vinhos provados pelo caminho.

Deu branco

In Idéias gerais on May 22, 2007 at 3:45 am

malin_12_lagascogne.jpgFui com a Nina no ICI bistrot comer moules et frites, que o festival começa hoje. E tomei o branco que fiquei me devendo desde a semana passada, muito bom, este Alain Brumont além dos Tannats legais que fazia (os recentes pareciam meio descaracterizados) faz este ótimo branco. O ICI virou gente grande, ganhou aquela pátina e simpatia de um lugar onde é gostoso voltar e ficar, um certo empilhamento de camadas, que faz um genuíno restaurante de toda a vida, no bairro. Uma garrafa vazia de um grande vinho que se coloca na prateleira, um quadrinho a mais, um abatjour que não cega a vista, bom atendimento sem exageros de salamaleques, boas taças, preços corretos. A costela à provençal era uma gostosura e o suflê bem armado, imponente, parisiense, uma boniteza.

Vinho: Gros Manseng/Sauvignon Blanc 2005, Vin de Pays du Côtes du Gascogne

Momento animação

In Idéias gerais on May 20, 2007 at 2:42 pm

Para não dizerem que não falo de coisas bonitinhas- e sem alcóol -para menores, o estúdio Disney (o mesmo que patrocina o Heston Blumenthal, he, he…) lança um filme que gira em torno de uma cozinha em Paris. A animação é linda, apesar de nada jamais superar a pintura frame a frame de Branca de Neve. Mas confesso que o trailer me bastou, 9 minutos desta correria toda e panelas voando já me cansaram. Para domingón é um atraente programa e a imagem é espetacular, mostrando por tabela onde o cinema vai acabar, aqui na tela do computador. O filme se chama Ratatouille e o trailer está aqui:

http://www.apple.com/trailers/disney/ratatouille/previewQTlarge.html

Liberou

In Idéias gerais on May 20, 2007 at 12:29 am

Depois de anos que todo mundo tenta incluir os rosés como escolha decente, até mesmo com uma importadora dedicada só a eles, como mostrou o Américo no Paladar (e deu certo, Américo?), parece que pegou, virou mania. Então já podemos beber outra coisa. Eric Asimov hoje levanta um assunto interessante no NYTimes. A rejeição, principalmente masculina, aos brancos. Enquanto que gente do vinho, quanto mais tempo passa, mais prefere brancos. Tenho sofrido disto, porque em mesa de cidadãos não vinópatas, é difícil emplacar um branco, mesmo que sempre as pessoas me digam: “vc escolhe!”. Eu escolho, um branco. Vejo as caras de decepção, choque, horror e repulsa e acabo atendendo à freguesia. Mas saio sempre com aquele branco que NÃO bebi na memória. O mais recente branco não bebido foi um do Madiran, Alain Brumont, Petite Manseng e SB.

BB

In Idéias gerais on May 19, 2007 at 11:39 pm

O Gopnik tinha razão, como sempre, este papo todo de harmonização e fermentação em carvalho, o que a gente quer mesmo é BB: birita barata.

Nu, coberto de espuma e não é na banheira

In Idéias gerais on May 19, 2007 at 5:44 am

O artigo de Rogério Fasano no caderno Paladar de 5a feira passada é um primor. Devia ser parte do currículo das universidades de gastronomia. Sempre desconfiei do Blumenthal, como uma cópia caricata do Adriá. Mas como estes restaurantes têm fila de espera de meses e contas do tamanho do PIB do Zimbabue, ninguém ousa dizer que detestou. Pois lá está, com todas as letras, o relato do jantar completo, cada coisa mais asquerosa que a anterior. É uma disneylandia onde o Pateta é o cliente e o Tio Patinhas o cozinheiro. Atenção, não estou num surto de Santisantamarice, não se trata de dizer que toda a cozinha contemporanea é picaretagem e efeitos especiais. Mas o Fat Duck aos olhos do Fasano, é. Resta conferir pessoalmente, confesso que o Blumenthal é muito simpático e acessível.

Salt chic

In Idéias gerais on May 18, 2007 at 3:32 am

Voltei no Sal Gastronomia, restaurante simpático, gostoso e bon marché dentro da galeria de arte Vermelho (na minha modesta opinião, como ex-crítico de arte, a galeria vai sumir e o restaurante ficar, mas ça va sans dire…). Ótimo vinho do Languedoc Roussillon chamado Chatêau de la Bastide, Douce de Folie. Cada vez gosto mais deste vinhos do sul da França que são algo catalães. E com preço amável. A comida ótima, um magret de canard com pure de mandioquinha, uma sobremesa deliciosa da alma, com sagú;  sempre que tem sagú para mim é confort food. Que lugarzinho especial! Pensei em escrever algo, claro que o Braulio já tinha escrito, este Braulio Pasmanik que garimpa as pepitas antes de todo mundo.

Mas au schiste?

In Idéias gerais on May 8, 2007 at 1:48 am

rimbert.jpgO doidão Rimbert chama um de seus vinhos assim, porque as uvas são torturadas no complicado solo de xisto e também porque ele se sente um masoquista em produzir vinhos ali. Mas os vinhos são bons! Como diria o Conselheiro Acácio: vinho quando é bom, é bom. Estes são. Fiquei de três da tarde até as oito provando e aprovando 9 vinhos da Delacroix, uma importadora capricho do simpático Geoffrey de la Croix, que aguentou além de meus comentários um sofrimento maior: meu francês! Cada vinho parecia ganhar do anterior, todos orgânicos ou biodinâmicos. Tinha Bordeaux, Champagne, Borgonha (de babar) e Rhône (idem) mas o Languedoc, na minha modesta opinião, caiu matando. Este Travers de Marceau do Domaine Rimbert, tão perfumado, tão mediterrâneo, mas sem o calor habitual da região, tão amigável como uma tarde nos Pireneus, foi o meu favorito. Bravo!

Ah! quem dera

In Idéias gerais on May 6, 2007 at 10:48 am

2911606930_08_lzzzzzzz.jpgQuero escrever assim, quando crescer; depois traduzo, que agora estou com preguiça:

Pierre Gagnaire.Pour être sincère, c’est mon chef préféré. C’est une cuisine de doute, de peur, de schizophrénie. Tout à coup, la cuisine se fend, ouvre son cerveau. Les plats partent dans tous les sens. On dirait parfois que Pierre Gagnaire vient juste d’assister à un accident. Il raconte tout avec la furie des mots, leurs répétitions”.

França

In Idéias gerais on May 6, 2007 at 3:54 am

Bom, hoje tem eleição francesa. Nada mais chato. Mas para homenagear a pátria intelectual posto o link para um vídeo (não sei postar o próprio, hoje me senti mais burro que o habitual). Lindo, melancólico, num pensive mood como deve ser. Sobre a sensação permanente de impertinência, de estar sempre num hotel, de nunca chegar de verdade, de usar coisas que mãos invisíveis colocam e tiram do lugar. O desconforto que é estar no mundo, visitando e como hóspedes. É baseado no “Journal d’un homme de chambre” de uma das pessoas que mais gosto no nosso assunto (desculpe Paco, sei que vc detesta ele. Eu adoro, cosa fare). Bon dimanche!

http://www.youtube.com/watch?v=taCVP2EsMIk

Gloria em vida

In Idéias gerais on May 5, 2007 at 1:57 am

Tá ouvindo umas trombetas tocando? Sou eu chegando com meu novo tema musical, haha. Este blog foi citado pelo Marcelo Katsuki- http://marcelokatsuki.folha.blog.uol.com.br/ e desde então virei celebridade. Até precisei mudar a mobília aqui do Glupt rapidinho, para poder receber melhor tantas novas visitas. Obrigado Marcelo e novos leitores! Frederica também ficou feliz.

fredafeltro1.jpg

[ilustração em feltro de Carol Grilo, www.fofysfactory.com.br]

Expovinis 2

In Idéias gerais on May 4, 2007 at 10:48 pm

Mais da feirona. Num cantinho ensolarado (parece bonitinho, mas só piorava o calor) um casal de sul-africanos, Paul e Nicky Wallace, da Elgin Vintners. Foi o encontro mais curioso, eles vieram na cara e coragem, souberam da feira, alugaram um stand (quase nada, uma tenda descreveria melhor) e ficaram lá servindo seus vinhos. Eram simpáticos, falantes, estavam adorando o passeio. Eu jamais teria descoberto os dois naquela confusão, se não tivesse me encontrado com eles enquanto provava as novidades dos Pisano. Confesso que esta gente muito amável mete medo. Pois e se os vinhos forem ruins? Treino sempre uma cara de poker, bem neutra e falo: boa acidez, bastante fruta, madeira bem integrada. Mas às vezes sinto um rim dissolvendo e a azia terminal envolvendo meu esôfago e não dá para ganhar o Oscar do fingimento.

Pois bem, os vinhos deles eram:ÓTIMOS! Um Sauvignon Blanc muito elegante, gostoso e bem feito. E um Merlot excelente, nem austero demais, nem fácil demais, aquele meio caminho entre mundos Velho e Novo que dá no que se pode chamar: bom vinho. E com um rótulo cor laranja muito atraente, e com tampa de rosca, e custando (lá, infelizmente) 5 dólares o branco e 10 dólares o tinto, que traduzidos em funny money resultam nas inacreditáveis quantias de 10 real e 20 real. Se aqui tivessemos vinhos desta qualidade com este precinho…

Expovinis

In Idéias gerais on April 29, 2007 at 7:58 pm

Bom, todas as reclamações feitas a respeito do calor intragável na Expovinis (no primeiro dia faltou ar, taças limpas, cuspideiras nos stands. No segundo dia, como as geladeiras fizeram seu trabalho, o calor continuou mas pelo menos os vinhos passaram a estar do jeito certo), vamos aos vinhos. Foi a melhor destas feiras nos últimos anos. Provei no segundo dia 60 vinhos, nenhum era ruim, o que é uma surpresa.

Destacaria um Malbec de Cahors, a terra de origem da uva, chamado Impernal, que tinha um aroma delicioso de ameixas pretas e que era a experiência de tomar um vinho histórico, pois esta região, com seu “vin noire” aparece desde o século 11 na literatura.  

Também fazendo bonito meu querido Uruguai, os Pisano com novidades: um Torrontés de colheita tardia (Fabula) e o espetacular Axis Mundi, que infelizmente está no final (a safra de 2002 que foi fantástica para eles, deu só umas duas mil garrafas, a Fabiana Bracco trouxe 3 delas, uma para cada dia da feira. Claro que passei todos os dias lá com meu copinho na mão e um olhar de cachorro sem dono, pedindo minha cota). Além do ótimo RPF Petit Verdot e do Rio de los Pajaros Viognier, mostrando a personalidade peculiar dos brancos por lá, com um preço sensato e amável: 40 reais.

Juan Andrés, da Bodegas Marichal,  tirou de debaixo da mesa uma coisa sem rótulo, um blanc de noirs, um branco de Pinot Noir, interessantíssimo. Uma vinícola nova, Alto de las Ballenas, com um Tannat-Viognier. Estes uruguaios…

 (continuará)

In Idéias gerais on April 29, 2007 at 2:51 am

serrano.jpg

pausa artiztyka

In Idéias gerais on April 29, 2007 at 2:51 am

hehehe, como escreviam aqueles tropicalistas, cheios de ks. Seguinte, arte ainda é sobre o tal do belo, e o El País de hoje publica um slideshow sobre Andrés Serrano, o cubano-americano. Eu tinha um livrão dele que era pura pintura da Renascença, umas vezes e do Barroco, noutras.  Eram fotos de morgues, com uma luz de fazer babar os tenebristas. Sumiu, o livro, não ele. Agora aparece fazendo fotos como esta que posto aqui, que o jornal considera blasfemas e coisas assim, atrevidas, estas palavras  que  os novatos em kurtura acham que são bacanas para atrair o caro leitor. Na verdade as fotos não podiam ser mais católicas, porque o negócio é o humanismo. Ele não está ofendendo ninguém, está abrindo um livro de explicações fotográficas para aqueles problemas ontológicos (esta foi caprichada. É feriado, estou usando os recursos todos) de sempre. Deixa prá lá, basta olhar.

In Idéias gerais on April 28, 2007 at 10:05 pm

imagem2.jpg

resumo da semana

In Idéias gerais on April 28, 2007 at 10:02 pm

Estou esfriando os tamborins para escrever sobre o rito de expiação chamado Expovinis. Cada um faz a Via-Sacra que pode…Enquanto isto ando numa implicância federal com gente que traduz tudo. Escrever certas coisas é feio. Ninguém fala: o Grande Ben para o relógio. Ou que visitou a Alameda Soturna, onde ficam os clubes, a rua do Regente de Cima,  a do Regente de Baixo, a Rua dos Bônus e o Arco de Mármore, no Parque Hyde, perto da Esquina dos Oradores. Londres é mesmo linda, tem o Parque Verde, a Rua Germina para comprar camisas e gravatas, o Beco Sevilha para fazer ternos, o Jardim do Convento e, para os fãs, a Via da Abadia, onde Paulo, João e Jorge e Ringo gravavam.  Pensando bem, deixe que traduzam, pelo menos vamos rir. E na próxima postagem (sua, sua, molha a camisa): Expovinis.  

Os 50

In Idéias gerais on April 24, 2007 at 12:21 pm

A lista tão falada da revista inglesa Restaurant, que a cada ano elege os 50 melhores restaurantes do mundo, dá as polemicas habituais. Afinal, toda listagem, seja de melhores, piores, lista de compras ou selecionados no vestibular, significa a mesma coisa: um recorte feito da realidade por um/vários observadores. São milhares de restaurantes no mundo e, evidentemente, sempre alguém vai reclamar que o da Dona Maria da Esquina, que é seu favorito, não foi incluído. Mas mesmo assim é curioso observar os acertos da coisa. Primeiro, concordo inteiramente com a grande preponderância de espanhóis, afinal desde o fim do século XX quem vem dando rumos à gastronomia são os catalães e bascos. Segundo, a recuperação, pouco a pouco da França no cenário. Os franceses inventaram tudo isto, mandaram no mundo da mesa até os anos 80, mais ou menos, depois houve um gap inexplicável, uma espécie de respirada fundo, e agora estão voltando.

Eu, como europeísta, espanholista e catalanista, não poderia ficar mais contente. Adriá, Andoni e Arzak, o triplo A é muito representativo de tudo que se passa lá. Sendo Andoni do Mugaritz, meu guru e ídolo gastronômico, a única pessoa viva que admito chamar de genial. Os franceses são pesos- pesados mesmo, Ducasse, Gagnaire e Michel Brás[ é Bras, mas o corretor do word teima em mudá-lo para o bairro paulistano. Melhor para nós...]. Não há o que discutir e ponto. Os Estados Unidos mostram, mais uma vez, que são apenas um pais grande e não mais uma referencia. São dois americanos entre os dez, mas os dois são um só! E se trata do veteraníssimo da “escola de Berkeley”: Thomas Keller, que aparece com seus dois restaurantes, o da Califórnia e o de NY. Se pensarmos em proporções, que a Espanha é menor que o Texas, que San Sebastián é uma cidade de meros 1 milhao de habitantes e tem ali dez mega chefs, fica patente a roça que os EUA são. E por falar em mato, o Brasil aparece com muita justiça com o Alex Atala, que salta vertiginosamente de 50 para 38. Justo, justíssimo. Não fiz um levantamento cientifico, mas duvido muito que algum dos outros chefs, os outros 49, precise fazer almoço executivo e arroz com feijão. Num país de verdade o Alex teria suas mesas lotadas todo dia para menu degustação e não precisaria disto, mas é a velha historia de como o Banana’s trata seus filhos. De qualquer modo ele vai rompendo caminhos. Uma lista é uma lista. Mas esta vem cada ano melhor…

Aqui a lista completa, com os sobes e desces:

http://www.theworlds50best.com/2007_list.html

charada

In Idéias gerais on April 23, 2007 at 5:32 pm

O número 1 é o sétimo…

Riesling de sabadão

In Idéias gerais on April 14, 2007 at 8:55 pm

riesling.jpgAh Riesling impossível, escorregadia, indemonstrável e inefável, a língua não é capaz de descrevê-la, docinha e ácida, o nariz quase agarra o seu aroma, mas vai do mel ao querosene e do cítrico ao gasoso, uva mágica, cogumelo vínícola, se ao menos voce existisse para os anos setenta, muitas vidas teriam sido salvas, voce teria sido a heroína, o açúcar marrom, a poeira dos anjos daqueles tempos. Tarde demais. A Riesling é a letra do Wilco:

Impossible Germany
Unlikely Japan
Wherever you go
Wherever you land
I’ll say what this means to me
I’ll do what I can
If this was still new to me
I wouldn’t understand
But this is what love is for
To be out of place
Gorgeous and alone
Face to face
With no larger problems
That need to be erased
Nothing more important than to know
Someone’s listening
Now I know
You’ll be listening

Breakfast

In Idéias gerais on April 12, 2007 at 3:21 am

vonnegut1.jpgTomei uns SB deliciosos, um do Finca Las Moras e outro do Chakana Estate de perfeição, frescos, agradáveis, descompromissados, amigáveis. E otras cositas más. Mas como nenhum dia é redondo na vida, o Kurt Vonnegut me faz o favor de morrer justo hoje. Como ele pode?

Fred Astaire

In Idéias gerais on April 8, 2007 at 5:50 am

cantando em Funny Face: “if you can cook, the way you look…”

In e out das uvas

In Idéias gerais on April 8, 2007 at 4:43 am

Uvas que andam fora de moda: Chardonnay e Gamay.

Uvas que estão na moda: Riesling e Pinot Noir.

Uvas que vão entrar na moda, logo, logo: Viognier e Cabernet Franc.

Que besteira!

A visit to a small planet

In Idéias gerais on April 3, 2007 at 1:54 pm

untitled.jpgPáscoa chegou mais cedo. Hoje no site de Jancis Robinson, ela destaca como vinho da semana o Tannat dos Bouza. Como amo o Uruguai,  e vejo naqueles vinhedos um futuro muito precioso, fiquei lisonjeado como se eu fizesse o vinho. E ela não deixa por menos, chama o top de linha Montevideo, de “glorious”. Preferia até que o Uruguai ficasse como um segredinho discretissimo, porque é o melhor país destas plagas. Mas, vamos e venhamos, eles merecem, o casal Elisa e Juan Luis e o excelente enólogo Eduardo Boido. Belo trabalho. Vou desarrolhar o Tannat-Tempranillo que tenho aqui.

Em tempo: os vinhos Bouza chegam ao Brasil pela Decanter de Santa Catarina, com filial em São Paulo e Belo Horizonte.

Galicismos 1929-2007

In Idéias gerais on March 6, 2007 at 9:33 pm

gauloises.jpg

Nada mais francês que o pensamento e o cigarro sem filtro. Ou como diria o pensador, desaparecido hoje: “O pensamento não é mais que uma coincidência feliz”. Baudrillard, Cool Memories IV.

Vaidade

In Idéias gerais on March 2, 2007 at 2:49 pm

vanidoso.jpgEsta foto saiu num artigo que publiquei ontem no Paladar e também no Glotonia, além de sair no jornal dos Dialogos de Cozinha. É uma sobremesa de Andoni Aduriz chamada “Vaidade”. A imaterialidade cor de cobre destes gomos de ar, o sólido do chocolate e o dourado da pincelada no prato fundam uma nova estética, finalmente estamos num outro século, em que a inteligência não faz sombra à beleza. Pelo visto tem muita gente apaixonada por esta foto de José Luiz Lopez de Zubiria. É um dos pratos mais bonitos que eu já vi, pega toda esta papagaiada de Bocuse D’Or e cisnes de açúcar, todo o kitsch abarrocado da chamada “alta gastronomia” e mostra um desenho delicado, de mestre. Já falei demais, do que não se pode falar, deve-se calar.

Mercado

In Idéias gerais on March 2, 2007 at 9:43 am

Quem pensa que a disputa pelo mercado inglês é recente está enganado. Desde o século XIII, sim, vc leu bem, 13, que a Inglaterra é atraente para os vinicultores, quando Eleanor de Aquitânia se casou com o futuro rei inglês Henry II e os produtores de Cahors (sim, eram vinhos de Malbec) e depois os de Bordeaux, em idas e vindas de guerras e conquistas territorais, entraram e saíram de moda alternadamente. Depois a Inglaterra inventou o claret, que nada mais é que Bordeaux amadurecido de maneira correta, o vinho do Porto e o Jerez. Estes ingleses beberrões…

Argh! Isto?

In Idéias gerais on February 28, 2007 at 5:34 pm

132007022809373615charles.jpgfoto EFE

Perde e ganha

In Idéias gerais on February 26, 2007 at 10:20 am

nueva_especie_epimeria_crustaceo_25mm_largo.jpgPois nem tudo é tragédia. Sumiu a ave Dodo e outras guloseimas. Mas o lento degelo da Antarctica (o pólo sul, não a cerveja esquecida fora do freezer…) começa a mostrar um universo marinho totalmente desconhecido e inesperado, que existe lá debaixo do gelo. A foto de um crustáceo, lindo, publicada no El Pais, que tentarei colocar aqui, me deu água na boca. Tão bonitinho, parece gostosinho, será o camarão do futuro?

A data pedante…

In Idéias gerais on February 24, 2007 at 11:13 pm

…e a data relevante. Muita gente acha, com razão, que gente do vinho fala de safras como uma arma de esnobismo. E frequentemente é mesmo. Mas vinho, apesar de durar mais que muita coisa, tem também um prazo de validade. Neste caso, a safra é um indicativo de que o que está dentro da garrafa já pode ter ido pro beleléu. Por exemplo, um vinho ligeiro, para matar a sede, com muita fruta, como os Torrontés argentinos, ou o famoso Beaujolais, são para tomar logo, no ano de sua colheita, quase saindo da vinícola. Vejo no supermercado coisas bem desagradáveis. Gosto muito dos brancos da Finca Las Moras, de San Juan, Argentina. Estão na faixa de 21 reais e são ótimos com comida e sem muita pretensão. O Viognier é um achado. Mas aqui no Pão de Açucar que frequento, está o de 2004. Comprei assim mesmo e minhas suspeitas se confirmaram. Ali exposto, na prateleira, com toda a variação de luz e temperatura, e mais uma espécie de labirinto de ovos de Páscoa que estão montando em frente, o vinho já estava cozido, cozido mesmo, experimente ferver um pouco de vinho e depois deixar esfriar e prove: um vinho cozido. Se fosse 2006 estaria perfeito. Então tem que olhar o ano sim, não para dizer sobre um vinho de 20 e poucos reais, que “as condições climáticas em 2004 no centro-sul da Argentina foram amplamente desfavoráveis” afetando uma sabedoria bestinha, mas para não comprar um sopão engarrafado de Viognier. Pena.

Uvas e popularidade

In Idéias gerais on February 24, 2007 at 9:52 pm

Eu falei aí atrás que não gostava de Sauvignon Blanc. Depois fiquei pensando, acho errado pensar vinhos em termos de uvas que se gosta ou não. Me dei um puxão de orelha, sou muito rigoroso com meus próprios pensamentos. Afinal a mesma uva que ali aparece feia na foto noutro lugar, sob as mãos de outro enólogo, com outras técnicas de vinificação, pode ser sensacional. Se eu acho esquisito gente que diz: “só gosto de Cabernet”, como vou repetir a mesma coisa? Nah, nah, comigo não violão. Tudo pode ser gostável. E é preciso provar para saber.

Bastilha 2

In Idéias gerais on February 24, 2007 at 1:31 am

Eleição na França é igual jogo de canastra naquela praia das Férias do Monsieur Hulot: um cara mostra as cartas e tem sarcozí na mão. O outro tem segolene, que é o mesmo jogo mas com coringa. Vão para a segunda rodada e o sarcozí continua com o mesmo jogo, mas o outro tenta a segolene royal.

Bastilha

In Idéias gerais on February 23, 2007 at 8:10 am

Quando comeremos com prazer e esqueceremos das estrelinhas…

bibendum2.jpg

A SB

In Idéias gerais on February 22, 2007 at 8:30 pm

Vou comentar os vinhos da VINEA, já devia ter comentado, mas o Mr.Bill Gates vive entrando na minha vida, travando meu pc, atrapalhando minha agenda. Estava pensando sobre o mistério da Sauvignon Blanc, uma uva “menor” mas com uma personalidade tão variada que vai ficando interessante. Quando se fala em SB do Novo Mundo eu arrepio, penso naquele turbante da Carmen Miranda, todas aquelas frutas tropicais, que na metade da primeira taça já me enjoou. Uma bomba de manga e abacaxi. Sempre senti isto, mas não tinha coragem de dizer, até que Sir Hugh himself, Hugh Johnson, vestiu a carapuça e disse que não gosta de SB. Pois então comecei a ver que nada é preto ou branco, exceto o preto e branco (como diz outro escritor favorito). Tomei um SB de Casablanca, que era mais para o cheiro de vegetais, pepino cru, aspargos, aipo. Um de San Juan, da Finca Las Moras, que foi uma pequena aula sobre a uva, com o cat piss in a gooseberry bush, xixi de gato num arbusto de groselha. E finalmente, este da Casa Marin, que me recoloca nos vinhos que tomei e comentarei no próximo post.

Pensamento em linha

In Idéias gerais on February 20, 2007 at 5:26 pm

Dias 12 e 13 de março acontece fisicamente em San Sebastian e virtualmente na sua casa, caro leitor, um encontro de chefs, pensadores, chefs pensadores (tem sim, uns 3 mas tem), téoricos e glutoes em geral, indo de slow food a novas tecnologias. A coisa toda é capitaneada pelo euro toques (estou pagando bem por um hifen, um til e um acento neste teclado dos infernos) e por vários estrelados Michelin, dentre eles o melhor chef da Espanha, Andoni Luis Aduriz do Mugaritz. Eles prometem que tudo estará online em no máximo duas horas após a delivrance perante o público. O endereço é http://www.dialogosdecocina.com/home/ctrl_index.php?accion=cocina

A coluna sabe

In Idéias gerais on February 20, 2007 at 4:52 pm

Mas nao conta. Vem importadora nova por ai, vem uma boa surpresa para os vinhos brasileiros, vem um icone quase definitivo do Velho Mundo, feito de maneira antiga e fabuloso, que divide a vinicultura de uma regiao muito famosa. Hahaha, um centavo pelos meus pensamentos. É muito chato saber coisas que nao se pode contar.

Quaresmeira

In Idéias gerais on February 18, 2007 at 9:56 pm

Antes se dizia que o tal terceiro misterio de Fatima era que nao existia o purgatorio. O Papa acabou com ele, e ninguem se importou. Eu acho que o misterio é que o terroir nao existe. Cada vez fica mais evidente que as tais caracteristicas minerais do solo sao impossiveis de serem detectadas no vinho. O que existe é a luta do homem e da uva contra a natureza, o terroir nada mais é que o defeito de cada vinho, o defeito que fica, fruto da chuva, da idade do vinhedo, do tipo de vinificaçao utilizado, o terroir nao é o chao, é a derrota do homem estampada nos vinhos. Vodca é sobre a mesmidade (ou a mesmice, dependendo do ponto de vista), vinho sobre os defeitos que tornam cada garrafa unica. Ainda bem, o terroir nao existe, como aquela coisa do solo passando sua microfisica para a bebida, existe como uma impossibilidade de fazer o vinho perfeito e identico como um destilado.

Recorded at the Cine Teatro Gran Rex in Buenos Aires, June 24, 1973

In Idéias gerais on February 17, 2007 at 5:34 am

Recorded at the Cine Teatro Gran Rex in Buenos Aires, June 24, 1973

Inveja

In Idéias gerais on February 17, 2007 at 5:33 am

Estava aqui arrumando os cds e os mp3s e ouvindo horas e horas de Thelonius Monk, Milt Jackson, MJQ, Bill Evans, Miles Davis, Gil Evans et caterva. Então me bateu a lembrança de uma das poucas invejas que já senti. Eu vi Dizzie Gillespie tocando três vezes, Piazzolla idem, 3 vêzes, o Modern Jazz Quartet uma única, mas eram shows grandes e normais. Meu ex-vizinho de Buenos Aires foi que me deu a invejinha. Numa fria e chuvosa manhã de domingão porteño, ele viu num teatro quase vazio, Bill Evans. Esta soma de umidade, domingo de manhã, BsAs e teatro vazio cavaram um oco na minha alma, eu PRECISAVA ter visto isto. Ça va. E foi no Teatro Rex, decadentão da Corrientes, lá em cima, tudo tem um gostoso ar melancólico de bruma neste dado biográfico do outro.

O vinho já volta

In Idéias gerais on February 17, 2007 at 5:18 am

Fui à nova importadora, a VINEA store, muito simpática, tomei uns Casa Marin de enorme pureza. Pureza? Quer dizer que eles eram limpinhos? Não. Quer dizer que eles tinham muita tipicidade. Está complicando! Tipicidade, assim como trajes típicos? De uma certa forma, sim. Cada variedade de uva tem umas características, a Riesling tem lá uns atributos de Riesling, a Sauvignon Blanc também e por aí afora. E esta coisa ainda se altera se o clima é quente, ou frio, a altitude é tal ou tal e vamos adiante, muito que explicar, falarei destes tais vinhos e destas palavras. Mas estou “de” Carnaval, que no meu caso é arrumar arquivos. Já volta o vinho.

Momento poético

In Idéias gerais on February 16, 2007 at 9:25 pm

Blog também é cultura. Choveu. Está uma tarde cor de Sauternes.

Vidas minúsculas

In Idéias gerais on February 16, 2007 at 2:14 pm

Carnaval, hora de aproveitar o silêncio. Incrível, mas é o momento de mais silêncio que tem aqui, hoje os passarinhos estão em idílio campestre ou idiotia rural, sei lá. E hoje tive um daqueles minor achievements. Consegui colocar o lixo prá fora ANTES do caminhão passar! É uma guerra continuada, eu juro que os lixeiros ficam esperando eu abrir a porta para passarem correndo e irem embora. Sou pego com o saco na mão (metaforicamente) frequentemente, descendo perplexo minha Unter der Linten (plano para 2007, aprender a colocar trema no teclado, anotação mental normativa 32/ag/ooo.01) e fico lá, boquiaberto, querendo gritar, parem! parem!

Woody

In Idéias gerais on February 15, 2007 at 6:44 pm

Quem me conhece sabe que detesto sonhar. No sentido daquela coisa que passa pela cabeça enquanto dormimos. Não no sentido de imaginar que terei um vinhedo no ano que vem. Tenho a tese de que todo sonho é um pesadelo. Mas hoje sonhei que estava assistindo um filme novo do Woody Allen e lá pelas tantas ele dizia: “Não gosto de crimes que envolvem comida. Por isto não gosto quando minha mulher cozinha”. Acordei rindo. Sei que é idiota. Mas na hora pareceu engraçado…

Ralph Steadman

In Idéias gerais on February 10, 2007 at 9:27 am

steadman.pngDeve ser bom entender de vinhos, ter um vinhedo e ainda saber desenhar. Estou lendo dois livros de Ralph Steadman: “Untrodden Grapes” e “The joke’s over”. Só para dar uma idéia do sujeito, este desenho de como uma uva vê um degustador. Rir, rir, rir.

Como degustar vinhos em uma frase

In Idéias gerais on February 10, 2007 at 9:22 am

 As pessoas fazem cursos, dão palestras, assistem palestras, frequentam degustações horizontais, verticais e diagonais, passam dias discutindo o mérito da safra de 2000 sobre as outras na Europa, a mística dos anos terminados em zero, olham tabelas de pluviometria, mapas satelitais e discutem a existência do terroir como um substituto laico para o misticismo de qualquer espécie. Mas conhecer vinhos é uma única coisa: repetir e comparar. Então, eu que adoro tudo que mencionei, gosto da coisa toda que está em torno do vinho, porque no fundo se trata de um passatempo além de um prazer, cosa mentale, assumo minha parcela de culpa como complicador de uma tarefa simples. Numa única frase -que é tirada de Léo Fourneau quando ele fala de restaurantes- degustar vinhos é:

REPETIR E COMPARAR

Aguinhas de fevereiro

In Idéias gerais on February 8, 2007 at 6:01 am

Além de não parar de chover, um motoboy do capeta, veio da GULA, com uma garrafa que mandaram para mim, a ABSOLUT ruby red, de grapefruit. Eu estava tentando ficar em abstemica concentração, antes que a temporada de vinhos recomeçasse, mas se tem uma coisa que amo é vodca cremosa, ultra congelada, e se tem outra coisa que gosto é grapefruit. Então os dois martinis de Absolut Ruby Red foram inescapáveis. Aproveito e furo o meu próprio lar, o caderno PALADAR, que entrevista o cara da vodca sueca e aceita que não sabe o próximo sabor a ser lançado na lista de vodcas flavorizadas (eles criaram o neologismo, eu adoro neologismo e agarro logo este com prazer): é de pera, a Absolut Pears. Quem quer uma informação adicional lê os blogs, todos vcs 28 que visitaram hoje sabem disto antes da grande imprensa. Modestamente. É brincadeira, viu Michelle?!

Argentina

In Idéias gerais on February 7, 2007 at 2:36 am

Fiz em dezembro uma viagem espetacular pela Argentina vinícola. Norte a Sul, literalmente. Os textos saíram no encarte da revista Gula que está nas bancas (edição de janeiro). Como fui provando vinhos ao longo do caminho e tomando notas, vou começar aos poucos a colocá-las aqui.

Pontos

In Idéias gerais on February 7, 2007 at 2:34 am

Confesso que nunca entendi o sistema de pontuação de Robert Parker. E, nestas alturas da vida, pouco me importa entende-lo. A coisa começa em 50 e tem mil meandros desinteressantes. Na verdade, é um sistema binário. Vinhos com 90 ou mais pontos, que todo mundo comprava e adorava (já nem tanto) e vinhos abaixo dos 90. Podia ter resumido tudo em “do tipo 1″  e “do tipo 2″. Eu não sei que classificação usar. Algum tipo é preciso, porque nossa mente é cheia destas manias de arrumar em prateleiras. Embora seja meramente para dizer que um vinho é melhor que outro, preciso de uma tabela, de uma coisa, sejam estrelinhas, fredericas ou uvinhas. Por enquanto usarei a escala de 10, que entendo, parece óbvia e na qual fui criado. E sempre lembrando, que um vinho de nota baixa não é necessariamente pior(!) Eu mesmo me surpreendo com isto, mas é verdade, tem dias que voce quer um vinho pesadão e cheio de taninos não domados. Naquele momento tal vinho é nota 10, embora numa degustação cheia de frufrus, ele passe batido no meio de outros mais equilibrados e elegantes. Em vinho toda afirmação é contraditória, é meio como o  parce que dos franceses, é assim, porque sim… 

Monstruosidade

In Idéias gerais on February 6, 2007 at 1:27 pm

Os governos de Espanha e Portugal, sob a tirania deste grande erro que é o carro, estão planejando uma autopista Barcelona-Porto. Até aí só mais uma idiotice megalô naquele estilo “governar é construir estradas”. O triste detalhe é que a porcaria asfáltica irá cruzar nada mais, nada menos, que vinhedos de Vega-Sicilia, Alión, Mauro, Pingus e outros para depois ir derrubando uvas Portugal adentro, em pleno Douro. A coisa já anda em movimento, não é como aqui, para 2200. Quem quiser assinar um protesto online, o link é

http://www.savetheduero.com/

Um lema

In Idéias gerais on February 1, 2007 at 9:49 pm

Roubo uma frase de David de Jorge, do livro que estou traduzindo, “Porca Memoria”:

Los errores son a menudo mucho más gratificantes que la perfección. Y dan menos dolores de cabeza.” Acho que queria passar isto para latim e gravar no meu brasão. Se tivesse um brasão. Nada é pior que a perfeição. Pensando bem, o perfeccionismo é…

In Idéias gerais on January 31, 2007 at 7:45 am

4.10.06

Jargão

Um amigo, cansado de falar em aromas primários e secundários dos vinhos propõe uma atualizada tropicalista-universalista das fichas de degustação, no estilo: “oxe, isso num dá inguio”.
“Na primeira cafungada: saravá, que vinho tranca-rua da bixiga taboca da boca do catimbozó. E voltando a cafungar, o vinho se mostrou como onde o mistério encontra o brilho e repousam, alinhados, no céu supremo do pheitiço”.

17.9.06

Da difícil arte de premiar

Com algum atraso coloco o link para os resultados, opiniões e controvérsias do prêmio Paladar, no qual tive o prazer e cansaço de participar. Uma maratona!

http://www.estadao.com.br/ext/especial/extraonline/especiais/premiopaladar/index.htm

11.9.06

Rolhas

Numa degustação um Vega Sicilia com TCA, coisa raríssima, dado o esmero com que tratam as rolhas, até mesmo plantando os próprios sobreiros. Comentário de um amigo: “mas até o bouchonée deles é melhor, elegante…”.

22.8.06

Entrevista

Que fiz com Michel Rolland está no site da Gula em:

www2.uol.com.br/gula/entrevista/index.shtml

21.8.06

Definição

Uma amiga diz que sou um “globe-trotter da birita chic”. Gostei e vou usar, talvez no meu cartão de visitas.

8.5.06

Um pouco de tietagem


GAJA & me
Não posso resistir, tenho que postar esta foto que recebi da Alexandra Forbes, eu no auge de ser groupie, garrafa (vazia, que pena) na mão para ele autografar, livro na mão idem (para que a gente guarda autográfos? pelo mesmo motivo que coleciona coisas, uma tentativa de perenidade, de segurar o tempo, ou tirar uma casquinha da celebridade, sei lá!) e uma intensa felicidade com belo almoço e vinhos inesquecíveis no interior…a vida é boa por cinco minutos mensais, o que já é um lucro.

O trauma da primeira vez

Eu já bebi vinhos com screwcap, mas sempre servido por alguém, seja em restaurante ou noutro lugar, já abri aquelas garrafinhas que te dão nos aviões, mas aquilo não conta, avião (sem trocadilho) é um mundo suspenso, nada ali tem a ver com a realidade, nem a comida, nem a bebida, é o teletransportador, vc dorme numa língua e acorda em outra, parte no verão e hega no inverno. Então a minha primeira screwcapada pessoal foi ontem e foi muito esquisito. A garrafa é igual, o vinho era bom, porque a estranheza? Não sei, mas ficou faltando alguma coisa, o gesto, o barulho da rolha, a rolha para ficar segurando e examinando por falta de coisa melhor para fazer. Abrir um vinho com screwcap parece abrir um uísque. Ficou uma coisa incompleta. Vai passar, é claro, vamos todos nos acostumar, mas por enquanto é diferente, realmente estou sentindo falta da rolha, nunca pensei que diria isto.

eis o Homem

a Gaia Ciencia

Juro que vou colocar notas de cata e fotos do almoço histórico com Angelo Gaja. Sempre quando se espera menos e se recebe mais é melhor. Fui com preconceito, o homem é casmurro, carantonha, mal humorado, os vinhos caros demais. Pois cheguei em casa e coloquei a garrafa autografada do Gaja na frente da cama e dormi sonhando com aquelas propriedades lindissimas dos slides. O homem é muito divertido, um show man. para mim so lamento que sendo almoço meu apetite nao esteja ainda dos melhores, mas a comida estava muito boa, eu adoro cordeiro e foi incrivel como o vinho explodiu de bom quando tomado com a comida, realmente eu que sempre acho que vinho combina mesmo com vinho, vi que combina com comida tambem. E tirei foto abraçado com ele e cai na mais pura e despudorada tietagem. Mudar de opinião para melhor sempre é bom. E que vinhos, Deus do céu, que vinhos!

14.4.06

feliz Páscoa!

13.4.06

Breve

Estou devendo comentários sobre a degustação de Borgonhas com Jonathan Nossiter do Mondovino e de Touriga Nacional com Suzana Barelli. Semana que vem tem a vertical de Chryseia. Tudo será devidamente relatado, gripe é gripe e gripe de conexão é pior, mas agora estamos no ar de novo, tudo está sendo escrito e será postado logo.

Uma lista é uma lista, uma lista

Exceto quando a gente fica feliz com ela. Esta da revista inglesa Restaurant que acaba de ser divulgada dá muito orgulho. Primeiro porque o Alex Atala aparece nela, primeiro restaurante brasileiro a ser citado numa coisa desta ordem, dentre meros 50 restaurantes do planeta. A última vez em que comi lá já se percebia que ele tinha achado sua linguagem, e ainda entesouro um chocolate branco com caviar (e olha que não sou o melhor lembrador de cardápios do mundo, tenho melhor memória para vinhos). Depois a minha festa particular pela décima posição alcançada pelo mais perfeito dos chefs, Andoni Luis do Mugaritz, de San Sebastian. Ver o Mugaritz reconhecido nesta escala é para mim muito mais importante que ganhar a Copa do Mundo, pois o Mugaritz é a cozinha do século 21, tecnologica mas inteligente e sensível, tocando a perfeição. Hoje que volto a escrever neste blog depois de longo e tenebroso invernos de caixas de mudança faço este post com o coração leve e feliz.

25.3.06

Pijamão

No Observer Food Monthly, caderno que circula com um dos melhores jornais ingleses (sendo o outro melhor o mesmo, que é o Guardian, pertence ao mesmo grupo e nem sei bem porque são dois), o crpitico de vinhos Tim Atkin conta o que bebe em casa, que é sempre diferente dos Margaux e Lafite das degustações, bem instrutivo e pode ser lido aqui:
http://observer.guardian.co.uk/foodmonthly/story/0,,1736835,00.html

Consideração

Encaixotando coisas sem fim, pensei: existe coisa mais inútil que um pires?

22.3.06

Escolástico

Hoje no NY Times, Eric Asimov escreve longo artigo sobre Robert PArker. Como eu ontem tive um estalo que toda a influência do RP vem ainda da questão dos universais, que deu cada briga feia na filosofia da Idade Média, achei uma coincidencia certas coisas que ele escreve. Meu artigo vai sair no Trópico, sobre RP e o problema da Escolástica (nada como uma propaganda subliminar, leiam meu artigo, se e quando, for publicado). Mas de volta ao fluxo, o artigo está aqui, o dele (ai que confusão, é a mudança, ninguém tem um raciocínio linear cercado de caixas):
http://www.nytimes.com/2006/03/22/dining/22pour.html?_r=1&oref=slogin

21.3.06

We are moving


Este blog está de mudança, não o blog, que continua neste mesmo endereço virtual, mas o blogeiro. Assim estaremos sem posts por uns dias, dependendo do bom humor da Telefonica e assemelhados, quando então voltaremos com muito mais de vinhos e coisas do vinho. Enquanto isto uma foto de alguns dos melhores vinhos bebidos neste endereço. Remelluri Blanco, Duhart Milon, Flor de Pingus Barceló edition, Lafite, Penfolds Grange, Clos de la Bergerie. Foi bom beber aqui, vai ser melhor beber lá. Até.

13.3.06

Clos de la Bergerie 2001

A principio, quando se abre a garrafa e se serve a primeira taça parece um vinho que passou. “Uhn…este já era, amarelo deste jeito e com este nariz meio botritizado e de chenin blanc ainda por cima…35 euros jogados fora”. O nariz é uma delícia, cheio de convites voluptuosos (primeira e última vez em que usarei esta palavra neste blog, juro) mas não promete em termos de um vinho branco do Loire, se ainda fosse um Sauternes ou algo do tipo, mas de um Loire se espera aquela brancura adstringente, ou uma doçura monossilábica. Montes de cheiro de palha molhada, de coisas torrefadas, de mel, mas nada de frescor e alegria. Então um gole: é seco! Surpreendentemente seco, como se fôsse um Tokaj sem o açúcar residual. E depois o negócio vai ficando sério, o vinho é uma explosão de sentimentos, acidez deliciosa, juventude de um adolescente, matizes de um “dos grandes”, destes que cada cheirada e cada provada te levam para outros patamares. O homem é mesmo um monstro, Nicolas Joly, e este é só o seu segundo vinho, nem mesmo é o Coulée de Serrant. De tomar de joelhos, mas é muito desconfortável, bebamos de joelhos psicológicos. E traduzir com graça o seu nome aumenta o gosto: Cercadinho das Ovelhas…

9.3.06

Silly things (ou chicletes de sabores exóticos)

Momento Romanov

Eu não nutro especial simpatia pela ex-família real russa, mas não sei bem porque, faz muitos anos, criei a teoria dos Romanov. É assim, quando estas famílias perdem tudo e são obrigadas a fugir, às pressas e aos trambolhões, sempre sobra uma coisinha preciosa, uma latinha de caviar que seja. Então sempre que tenho que fazer algo de que não gosto, como longas viagens desconfortáveis de ônibus, levo nem que seja uma garrafinha de vinho, um chocolate especial, um conforto. Uma amiga de uma amiga, cujo nome infelizmente não sei, quando ficava dura de doer, contando as moedas, dizia: “sempre se pode comprar um chicletes de sabor exótico”. A vida tem estas compensações, senão ninguém sobreviveria a ciclones e guerras.

5.3.06

O Bordeaux de ontem

Jantar no Fasano

Foi estupenda a experiência. Vou falar dos vinhos primeiro, fomos esquentando os tamborins com unas copitas de jerez fino, depois passamos para a mesa e o sommelier sugeriu um vinho do sul da França, um Costieres de Nimes, cujo nome ainda vou providenciar saber, mas que era feito de Grenache Blanc, ou seja, um vinho daquela coisa chamada Catalunha, só que do lado de lá da fronteira, muito fresco, austero no nariz, mas com uma gulosidade bem atraente. Depois veio um Cono Sur Riesling, um riesling chileno, excelente surpresa, pelo preço e pela qualidade, para comprar e ter em casa, é baratinho, 38 reais na importadora dos Fasano. Então passamos aos séris Chateau Duhart-Milon 86, vinte anos dormindo esperando por goelas sedentas, Como acontece com vinhos e é sempre educativo, das 3 garrafas a primeira estava inacreditável, bem madura, gostosa, animada, mas pronta para beber. A segunda estava desmaiada e parecia descendo a serra e foi um ato de misericórida acabar com ela antes que morresse e a terceira matamos cedo demais, podia esperar mais uns 4 anos no minimo, parecia engarrafada recente. Vinho não é ciência nuclear, ainda bem. Uns cálices de Madeira Blandy’s e um conhaque encerraram a noitada.

2.3.06

Um Chinon, e um Tannat

O Pisano 1a Viña, por exemplo

Um Chinon, Charles Joguet

Sendo inteligente para variar

Bordeaux Grand Cru

A brincadeira, na verdade é um jogo, é definir os estilos de vinhos, uvas, regiões, através de imagens, mas não retratos dos vinhedos. Assim a imponencia e complexidade vetusta de um Grand Cru de Bordeaux, com duas decadas ou mais nas costas, faz pensar num salão de espelhos bem do grande século. Enquanto que a simplicidade, sinceridade e limpeza de propósitos de um bom Tannat uruguaio imediatamente se conecta com um pintor como Duccio, ou Ucello, ou até Giotto, aquela angulosidade de taninos que fazem parte do contexto, aquela perspectiva tal qual se pode ver. Um cabernet franc do Chinon, um Carpaccio, o pintor não a carne…fiz várias mas vou postar só 3 por enquanto, esperando sugestões. E olha que eu não bebi!

1.3.06

Desculpem

Hoje me aconteceu uma coisa tão definidora da vida de um crítico de gastronomia e enófilo, um hedonista alimentado à base de trufas brancas ou negras, conforme a estação, que preciso contar aqui, embora transcenda este umbral da intimidade que mesmo os blogs respeitam. Tive fome ao meio-dia, venho batucando o teclado desde o nascer do sol. Abri a geladeira, pensei, vou fazer uma sopa, peguei uma panela com arroz de ontem e abri a torneira em cima, coloquei um pouco de sal e deixei fervendo. Depois coloquei um fio de azeite, este sim, trufado. Mas foi trash demais, e eu precisava contar, ou agora, ou no leito de morte, preferi agora.

26.2.06

Quase escapou


Esta eu não tinha visto, foi o José Luiz Pagliari, o homem que sabe tudo de vinhos (e é modesto como ele só) que me chamou a atenção. Como Eric Asimov do NY Times começa seu artigo sobre os Riojas dizendo: “confesso, sou um partisan da região” (ou melhor, sou um fanático…) e eu também sou, não podia deixar de colocar o link aqui: http://www.nytimes.com/2006/02/22/dining/22wine.html
Como sempre explicando que para ler um artigo do NY Times é preciso estar inscrito como leitor online, mas que a inscrição é grátis e etc. E também para quem tem som no pc, vale a pena depois de ler o artigo, ouvir os comentários sobre as garrafas selecionadas, feitas em geral pelo próprio Eric mais um bando nada desprezível de convidados, como Frank J. Prial e alguns sommeliers e enófilos nova-iorquinos. Isto é que é carnaval!.

25.2.06

Remelluri blanco


Nem sempre o vinho é o que está na taça, é a sua história nela, o que vc sabe a respeito. Vinho é História e história, geografia e biografia. Um Remelluri blanco, com este nariz estupendo de cascas secas de laranja, de anchovas saídas do mar (mas como? o mar está a centenas de quilometros da Rioja Alavesa! O vinho não é para quem pensa cartesianamente. Há anchovas frescas no aroma do Remelluri e pronto), com esta carnosidade que te enche a boca e o espirito, alegria liquida. Aquele cheiro que dura segundos quando uma ostra é aberta, como se a onda do mar estivesse em refluxo mas ainda deixasse um restinho de maresia. E depois flores, petalas, um toque seco de mel, como se mel pudesse ser seco. O que mais se quer de um vinho? Que ele te transporte da Avenida Paulista poluida, feia e suja num sabado idiota de carnaval, para aquele sopé de montanha tão estupendo, para uma paisagem que nunca será a sua, para aquela tumbas milenares de mortos desconhecidissimos que já viraram minerais e que já viraram adubo e que já viraram vinho. Evoé Remelluri, um copo de vc é um carnaval. Beber um vinho assim vale uma missa. E depois vão aparecendo, sem nenhuma obviedade, o coco da madeira, tão discreto, tao elegante, um ponto sutil de botritis (ou será o skindo do carnaval já se intrometendo na minha olfação). Este vinho é um pequeno tesouro pré-quaresmal, depois dele realmente é preciso pensar 40 dias sobre o misterio da vida., e descobrir no final que tudo valeu a pena. Um vinho que faz chorar, como uma cantata de Bach. Sabe porque vinho é melhor que qualquer outra bebida? Por que vinho é comunitário, não é prazer solitário, é para ser compartido, dividido, só é realmente magnífico o vinho que é tomado em grupo.
Gracias Mikel Zeberio, David de Jorge e Juilián Armendáriz que me levaram aí por primeira vez, desta matéria líquida é feita a amizade e as gratidões. E Fifo e Margot Botti, com quem estivemos na porta da granja Nuestra Señora de Remelluri, chegar tão perto de Na. Sra. é mesmo como tocá-la.

Da arte de compartir


Não sei quem já teve a oportunidade de emprestar coisas que não voltam nunca. Eu infelizmente já, e como…então tive a complicada situação de provar 3 vinhos diferentes, em apenas 1 copo apropriado, com 3 pessoas diferentes. Parece mágica, dá certo, se as pessoas têm senso de humor (e tinham), mas é um malabarismo e tanto. Além da degustação às cegas inventamos a degustação em círculos. Obrigado ladrões de taças, voces forçam uma criatividade a mais no já malabarístico dia-a-dia do viver.

24.2.06

Ktima Pavlidis 2002


Pavlidis da região de Drama! Drama! O vinho não é dramático, ao contrário, deliciosamente ácido e mineral está descendo torrencialmente com um penne com brócolis, nozes e atum fresco. Estou quase vendo o por-do-sol no Pireu e ouvindo uma vozinha distante gritando: “Aritofánes!”. Se os pré-socráticos tivessem um vinho destes não teriam deixado aquelas tabletinhas com fragmentos.

Amanhã

Vamos comentar um grande vinho português e um delicioso vinho grego, o português é o Meandro, segundo vinho da Quinta do Vale do Meão, do Douro, precisa falar pouco mais que isto, um vinho de Francisco Olazabal. O grego, está sendo bebido neste exato momento, muito fresco, corte de Sauvignon Blanc e Assyrtiko, e por isto só poderá ser devidamente comentado amanhã.

21.2.06

Come, come


Nem só de Michelin e guias locais de críticos inchados de si mesmos, como o insuportável “old fart” Rafael Garcia Santos na Espanha (um daqueles típicos bullies de restaurantes) vive o panorama da conversa inteligente sobre comida. Um grupo de gente do bem criou o Omnivore, um jornal simpático e agora também um guia. Acontece que o primeiro congresso do Omnivore acontecerá agora mesmo, esperamos que com grande resultado. Quem quiser visitar a página deles (um exemplar do jornal pode ser baixado grátis, no formato pdf) o endereço é este aqui:
http://www.omnivore.fr./
Infelizmente tudo ainda está somente na língua de Voltaire e Sartre, mas todo brasileiro acha que consegue entender francês, porque entende o Claude Troisgros na TV (haha, brincadeira!).

O Señor Vega Sicilia

Saiu na Gula que está nas bancas minha “aventura” pela região de Toro (não tem nada a ver diretamente com touradas, é no extremo noroeste da Espanha, frio e desolado, e lindo…) rumo ao encontro com Pablo Alvarez do Vega Sicilia, o link está aqui : http://www2.uol.com.br/gula/gulodices/160_noticias.shtml
Infelizmente, por falha minha acabei por chamá-lo de Alquiriz e não Mesquiriz como é o verdadeiro sobrenome materno dele, mas é que o nome original do Pintia, quando começou o projeto de VS fazer um vinho em Toro era Alquiriz, depois mudado para Pintia. Nisto que dá fiar na tremelicante memória…

Tanta terra, tão pouco terroir, vá entender…

Suzana Barelli, querida e experta jornalista de vinhos, conta que estão chegando ao mercado alguns brancos interessantes de Santa Catarina, cuja página web pode ser visitada aqui : http://www.villafrancioni.com.br/ Dou meu voto de confiança, mas desanimo um pouco ao ver que estão fazendo um Chardonnay e um Sauvignon Blanc, com todos os cuidados e carinhos, barricas de carvalho Allier e etc. Será que não dava para sermos mais ousados nas variedades? Plantar umas maluquices para ver o que pode sair? O melhor branco que tomei até agora (bom, ainda estamos em fevereiro…) foi o Maria Gomes de Luís Pato. Maria Gomes sendo a uva portuguesa da qual ele tira esta delícia na Bairrada. Mas tudo bem, louve-se mais uma vinícola brasileira, e ainda por cima em Santa Catarina. Esperemos…

16.2.06

Lá vai a rolha embora, de novo


Nenhum assunto volta mais à tona que o do desaparecimento das rolhas, da sua substituição por sintéticas, ou metálicas, ou de vidro ou screwcap: a tampa de rosca. Randal Grahm, o irreverente e engraçadissímo produtor de Bonny Doon fez o enterro simbólico de M.Thierry Bouchon, uns anos atrás, um nome fictício para a velha cortiça. E a rolha persiste e com ela o saca-rolhas. Mas agora um querido produtor do Loire, o Domaine de Baumard, com seu Savennières dentre meus amigos mais estimados, adotou a rosca. Neste caso não é um produtor comum, nenhum mega-industrial australiano, mas um refinado vinho branco longevo do Loire. Caso de se perder o requebrado, ou com a desculpa pela forma baixa de humor, o trocadilho: perder a rosca.

(a imagem é do melhor produtor de screwcap do mundo: Stelvin)

14.2.06

Uma visão da planície


Geralmente vemos a guerra de pontos de vista privilegiados, sempre do melhro ângulo. Por isto é instrutivo ler o relato de uma pessoa que foi ao Madrid-Fusión (mas para ser justo é preciso dizer que seria igual em qualquer destes eventos…) como simples frequentadora. Fez sua inscrição, pagou a caríssima taxa (em geral algo pertode 600 euros, preço de um carro velho vagabundo, mas um carro…) e foi sofrer na mão de todos, organização, hotéis e egos: a guerra na trincheira não tem nenhum charme. Há empurrões para sair na foto, disputa por um pedacinho de proteína e jovens chefs ambiciosos ávidos-por-aparecer-na-mídia-mesmo-que-seja-sendo-criticiado disputando espaço com velhos chefs ambiciosos a.p.a.n.m.m.q.s.s.c. Quem é de fora acha o Arzak um doce, é mais real ver este Arzak que ela mostra, um camaleão com um olho atento à oportunidade. Enfim, este o valor dos blogs, mostrar uma mosquinha no leite, que nem todas as viagens são perfeitas e nem todos os jantares maravilhosos. O link está aqui:
http://elenahernandez.blogspot.com/

12.2.06

A nova França?

Artigo semanal de Jancis Robinson no FT e reproduzido no site dela, na parte de acesso grátis aqui: http://www.jancisrobinson.com/articles/winenews060211 explica porque a Espanha é a queridinha de muita gente (y compris o que escreve este blog…) e porque os franceses têm razão de estarem preocupados com o ataques australiano-argentino no lado quantidade e espanhol no lado qualidade dos vinhos.

9.2.06

Almoço com Pablo Álvarez do Vega Sicilia

Vinhos provados (ainda não no mercado):
Pintia 2003
Alión 2002
Valbuena 2001 e Valbuena 2000
Vega Sicilia “Unico” 1995

Léon

Como só amanhã teremos uma grande prova de vinhos para comentar, aproveito aqui a parte que contribui no foro de leitores do site da Jancis Robinson, numa discussão sobre biodinâmicos. Me empolguei e acabei faznedo um mini guia portátil de Léon, que ela gentilmente classificou de “cheio de atmosfera”. Fiquei inchado de vaidade como um baiacu, assim que lá vai:

“Since last year’s forum at Vic (in which we tasted with Ricardo Palacios and Joly himself – very funny man, indeed, mesmerizing – some “anthroposophic wines”: Jacques Selosse, Coulée de Serrant, Moncerbal, Gramenon , Derain , Dominio de Atauta…)
I am planning a visit to Villafranca del Bierzo, and tried twice to get there but on both occasions it flopped (it’s so far north, so difficult to reach without a car…). In March I reached León and talked with Ricardo by phone. He was waiting me, but there is one single daily bus between León and Villafranca del Bierzo, and it takes four hours to accomplish the 200 km. I had to abort the mission and return to planet earth. Last November en route to León again, I had my scheduled changed to meet that very polite man from Vega Sicilia Mr Alvarez, to visit their Pintía operation in Toro, an invitation impossible to let go, ça va sans dire. When this finally arrived Ricardo had some problems in Madrid and couldn’t return from the La Guia tasting. I spent a wonderful weekend in León, just resting in that charming Castillian city.

I do recommend a visit, the most beautiful cathedral in Spain, except Cordoba, plus some so nice plazuelas, alleys, a Gothic quarter poetically called Barrio Humedo, a place with astonishing aplomb as for what it is: a centre for an empire that is not there, a void, curious place. There is a one Michelin star restaurant called Vivaldi, just average, but one of those reliable old places of ever, where you can eat a decent salad of fresh asparagus plus some grilled sweetbreads and an almond tart, called Casa Pozo and of course the impressive Parador (that I could describe, quoting you in reverse, as Vega Sicilia in stone).

I drank some interesting wines: Luna Beberide that is also Mencía and from Mariano Garcia (? I am not sure and Aalto , Quinta Quietud and Bembibre. I don’t know were my notes are but I know I liked Aalto and not the others, and didn’t visit the each time more unreachable vineyard. I’ve tasted the other wines in Barcelona with Quim Vila ( Pétalos, Corullón, San Martin, Las Lamas…).

Coincidentally Mistral [a major, family-run Brazilian fine wine importer] will present the new wines they are importing next Friday, and among them Palacios Remondo and Petalos del Bierzo and Corullon. Can’t wait to read your account on Spain. I like the place more and more, if it’s possible to love it more than I already do. Hope not to damage your language too much but I have to work at night because it’s 34 degrees C and my brain is roasted”.

8.2.06

Malbec

Interessante artigo de Eric Asimov no NY Times sobre a Malbec, que pode ser lido aqui:
http://www.nytimes.com/2006/02/08/dining/08wine.html?_r=1&oref=slogin
A idéia não é nova, mas raramente é de fato executada em provas de vinhos, comparar Cahors e Argentina, mas o painel é um pouco acanhado com apenas 5 vinhos, teria sido melhor com uma gama mais variada de argentinos, pois já há para tudo, inclusive um pouco de terroir mendocino, patagônico e saltenho no assunto. Enfim, é um começo.

5.2.06

Canícula


(12 graus, eu era feliz e sabia…)
Sei, o blog é sobre vinhos e quase ninguém bebe vinho nesta página. Fa caldo Madame! Quando refrescar o vinho volta a ser gostoso, semana que vem teremos novidades, algumas preciosidades serão bebidas, novos vinhos do filho do Catena Zapata, uns borgonhas de estirpe, reencontro com o Petalos del Bierzo de Alvaro e Ricardo Palacios, um biodinâmico bem radical, arrancado das terras de Castilla y Léon. Mas por enquanto, quem diria, aderi ao refrigerante. Passei pelas Colas, depois revisitei o Guaraná, mas como tudo tem cafeína demais, fiquei na Fanta laranja light.

4.2.06

Bananas

Duas copas do mundo passadas, ou três (êta idade!) tínhamos um grupo de amigos que cozinhava pratos dos jogos, assim: principal de um time e sobremesa do adversário, mais ou menos dentro de umas regras (tinha umas roubadas na tabela, para ornar, senão ficava complicado comer, cardápio é como escanteio, todo mundo discute). Só que dava muito prato com banana, país pobre sempre tem prato com banana (apud Nísia). Pois hoje no NY Times apareceu um maluco que inventou um descascador de bananas, para fazer uma coisa que realmente é gostosa, “patacones”, umas grandes moedas de ouro (daí o nome) feitas com banana frita. Tem até vídeo explicativo e o acesso é grátis, aqui:
http://www.nytimes.com/2006/02/01/dining/01peel.html

27.1.06

Pausa



Amigos leitores deste Blog, tenho um livro para terminar nesta semana, para a editora do Senac, assim que o blog ficará temporariamente sem novos posts, mas não desanimem de mim, por favor, já estarei de volta.

então…

In Idéias gerais on October 13, 2005 at 5:44 pm


começou. e quando começa é assim mesmo.

Para tudo: aforisma

In Idéias gerais on July 8, 2004 at 6:00 am

Tudo já foi feito antes, e melhor. Mas continuem tentando.

Espanha 2

In Idéias gerais on July 7, 2004 at 12:34 am

Grahm Greene, em suas viagens anuais a Espanha, pedia ao motorista que parasse em qualquer hospedaria de beira-de-estrada e que perguntasse se tinha Marques de Riscal. Se a resposta era sim, o escritor inglês descia do carro e se hospedava lá. Para mim seria o Viña Pedrosa, onde há, posso ficar. Mauro também. Não há vida inteiramente feliz fora destes vinhos e neste lugar, vamos enganando.

Espanha

In Idéias gerais on July 7, 2004 at 12:12 am

Eu gosto de vinhos brancos, tintos, rosados, champagne, de sobremesa, generosos, todos. Mas nada me tira tanto do sério, me deixa tão feliz quanto um ribera del duero ou rioja, estou aqui tomando este Cepa Gavilán dos Perez-Pascuas, o sentimento da meseta de Castilla Vieja, tudo que aconteceu lá na história, mas tudo que ME aconteceu lá na MINHA história, está misturado neste vinho. Nesta altura da vida um lugar é sempre mais que um lugar, mas uma soma das vezes boas ou péssimas em que passamos por ali. Tenho Burgos a escolher na minha caixa de recuerdos, sozinho e feliz, sozinho e tristissimo, acompanhado e trsitissimo (quase sempre). Me devo, e a Burgos, uma viagem leve àquela cidade, em que não seja preciso trancar-me no banheiro para chorar. E Léon.

por aí

In Idéias gerais on June 26, 2004 at 8:56 pm

Gosto de cidades que estão meio ou totalmente fora de foco, mas que tenham frio e umidade. Nunca moraria em Nova York, cidade já ressecada pelo olhar, elegeria Baltimore. Mas muito mais interessantes seriam Montevideu, Trieste, Bratislava ou Léon. Barcelona cansou, está exausta de si mesma. No Brasil, não sei, talvez Caxias do Sul.

Palavras

In Idéias gerais on June 26, 2004 at 11:50 am

Tipicidade = bucolismo? Existe a palavra bucolismo? Preguiça de olhar no dicionário, mas soa bem.

Erosão humana

In Idéias gerais on June 26, 2004 at 11:48 am

É preciso sempre tirar uma colher de areia da base da estátua do líder (ídolo, autoridade, governo, chefe, you name it). Uma colher cheia. Isto em décadas (anos, séculos, milênios…etc) irá derrubá-la.

Conceitos

In Idéias gerais on June 25, 2004 at 10:40 pm

Tenho umas destas luzes, coisas que se lê e prova e só num momento fazem a digestão no cérebro. De repente entendo a diferença entre terroir e tipicidade. Mesmo com Raffaele Cani da Santadi me dizendo, brincando é claro, que até a igreja bizantina que fica no caminho da bodega, na Sardenha, entra no vinho, o que seria uma visão de “obra de arte total” do conceito de terroir…Mas entendo hoje assim: terroir é geologia, mais que tudo. Tipicidade é geografia.

Sintética

In Idéias gerais on June 22, 2004 at 5:18 pm

As rolhas de plástico não fazem pop.

Geração

In Idéias gerais on June 22, 2004 at 3:45 pm

Gente que umas décadas atrás queria mudar o mundo, agora está -no máximo- tentando mudar a mão da própria rua, para ficar mais fácil estacionar o carro.

Se eu fôsse um vinho

In Idéias gerais on June 22, 2004 at 6:42 am

Cor pálida, algo envelhecida. Corpo médio, boa acidez, taninos nobres de carvalho americano (na cara), quase nada de tostado. Melhorou muito na garrafa, tem ainda alguns anos pela frente. Corte de 70 porcento Tempranillo, 20 porcento Garnacha e 10 porcento Pinot Noir (algo raro). Rolha de cortiça natural. Safra 1957. D.O. Somewhere over the rainbow. Etiqueta: Desenho de Chillida. Gradação: 13%.

O livro da Sandrine

In Idéias gerais on June 22, 2004 at 4:46 am

Comprei o livro que Sandrine não gostou. Eu queria muito, ela largou na página 10. Não sei a razão, talvez porque ela fume tanto e o livro ficasse escorregando enquanto ela tentava alcançar o maço de Gitanes na cabeceira. Ou leu no metrô um pouco e quando chegou em casa se arrependeu da compra. Sandrine usa um perfume bem clássico, com um fixador tremendo. O livro atravessou o Atlântico, passando pela casa da mãe do Dominique em Grenoble. Sandrine deve tê-lo comprado na Fnac, mas conseguiu vendê-lo para mim pela Amazon. Cada vez em que abro o livro o cheiro de cigarro e perfume de Sandrine está presente. Penso se ela estará contente com os 6 euros que recebeu. Eu estou contente com o livro. Mas acho que Sandrine podia tentar largar o cigarro, ou fumar menos.

Vácuo

In Idéias gerais on June 21, 2004 at 6:00 pm

O horror ao vazio barroco era uma atitude estética, cujo resultado ainda é agradável até hoje, mesmo que dê a “síndrome de cansaço do baixo-contínuo” em algumas pessoas mais sensíveis. Atualmente tenho percebido (suportado descreveria melhor) uma espécie de horror vacui moral, em que a necessidade de preenchimento de todos os espaços (sonoros, visuais, etc) é mais para evitar olhar para o interior cheio de ar de cada um. Estou quase pedindo: desliguem este oco intelectual aí que eu quero pensar!

Momento Catena

In Idéias gerais on June 20, 2004 at 12:30 pm

As entrevistas que fiz durante o Encontro Mistral pertencem à Mistral, é claro. Entretanto, enquanto vou decifrando minha caligrafia ou degravando (palavra horrível) as fitinhas, vou escrevendo uma espécie de circunstância. Aqui a do Catena Zapata.
Don Nicolás Catena impressiona. Por trás de sua figura, menor que deveria ser (sempre achei que ele seria um índio argentino altíssimo, como o próprio Péron), brilham pequenos olhos azuis, delicadamente colocados no fundo de sua cabeça leonina. Sua voz é suave e aflautada e ele a sopra com grande perfeição. Por alguma razão falar com ele é uma experiência quase mística, embora curiosamente relaxada, como se fossemos velhos conhecidos. Foi esta aura que afasta e aproxima, ao mesmo tempo, que me fêz não chamá-lo como deveria: Dr.Catena, como fazem os anglo-saxões, y compris Dona Jancis, ou de algo mais brasileiro como senhor Catena. Só saiu Don Nicolás.
A simpatia é uma arma poderosa de defesa, qualquer questão mais constrangedora que pudesse ter, algo como o surrado paralelo entre Mondavi e ele (que sei que o desagrada) ficou desarmada por este feitiço da gentileza.

The Real Thing

In Idéias gerais on June 19, 2004 at 9:52 pm

The name is Bolli, Bollinger. A favorita do 007, da chefe dele, a Rainha, da amiga dela Edwina Monsoon e…minha. Só ontem, depois de tantas décadas, num almoço inesquecível (como todas as coisas do genero inesquecíveis, irá desaparecendo lentamente, mas o vinho fica na memória) com o diretor da Maison, Monsieur Philippe Menguy, descobri que tudo que bebi até hoje sob o nome champagne não passava de espumante, pobre da Viuva Clicquot, pobre do querido monge beneditino Pérignon. Este o vinho de champagne verdadeiro, suco de Pinot Noir encorpado, austero, convincente. Uvas Grand Cru e Premier Cru, quer dizer, de parcelas de terra demarcadas, selecionadas, escolhidas, algo que produziria um grande borgonha tinto, se a opção e a região fossem as tais. E mesmo atrás de uma camada de Chardonnay a alma tinta está presente. Nada de explosões de alegria gratuita, mas uma felicidade interna crescente, algo como o nirvana. Nada de bolhas profusas, mas um fio fino, quase inexistente de micro-borbulhas, não diria pérlage, pérolas são grandes, diria mesmo mera agulha, cadeia de atómos. Quanto mais foi avançando o evento, e a qualidade e tempo de guarda das garrafinhas, mais a coisa foi ficando cheia de gravitas. Começamos com a jovem tímida e caladona, mas de trato amável, a Special Cuvée Brut. Depois trocamos umas palavras com a irmã mais velha, mais culta, interessante, Grand Année Brut 95. No final conseguimos alcançar o máximo, fomos admitidos à presença da própria e sábia senhora, uma R.D. Extra Brut 90. Isto mesmo, 1990, quatorze anos de espera para ser engolida com um suspiro de contentamento. Ainda muito fresca devido à acidez tão presente, mas amarelo ambar, cheiro de confeitaria quente num dia de inverno, sabor amendoado (no sentido de amendoas e no de algo oblíquo também). Esta bebida peculiar, afastadissima da exuberancia celebratória dos seus pares, parece mais…parece…não sei, parece com ela mesma, uma Bollinger que fica macerando e envelhecendo na própria borra por todos estes anos até ter sido recentemente degolada, numa tradução literal do R.D. do rótulo. O nome é Bollinger, pronuncia-se Bô-lân-gê, mas isto se a língua ainda conseguir se mover.

Vinho e geografia (ou será vinho é geografia?)

In Idéias gerais on June 19, 2004 at 5:25 pm

No recente Encontro Mistral pude constatar uma coisa que venho intuindo faz um tempo: só são realmente bons os vinhos que respeitam profundamente a geografia, o que se convencionou chamar (e já está enchendo) de terroir. Lugares que tem uvas autoctones e não as utilizam produzem vinhos sem graça. Podem até ser muito corretos, bebíveis, mas sem cárater. No Novo Mundo é inevitável que se faça monovarietais ou mesmo cortes com uvas importadas. E tomei ótimo Pinot Noir da África do Sul, idem Chardonnay. A Sauvignon Blanc da Nova Zelandia, os Merlots argentinos, que começam a ser melhores que os Malbecs e tal. Mas vinhos espanhóis puramente Cabernet Sauvignon, por exemplo, são chatos, aborrecidos. A decepção maior foi o Blecua da Viñas del Vero. Mas toda a linha deles é uma linha reta, justamente (minha tese) porque são monovarietais franceses. A graça de Ribera del Duero é a obssessão pela Tempranillo. Manolo Pérez-Pascuas me disse: “Papai nunca conheceu Cabernet, nem Merlot”. Deu uma respirada: “E nem precisou…”. O único vinho bom da siciliana Spadafora era o de sobremesa, porque 100 porcento Cataratto. O resto era afrancesado. A única vinicola melhor fora do Encontro Mistral, foi a siciliana Donnafugatta, porque era tudo Nero d’Avola, Ansonica e Cataratto. A uva conhece melhor seu lugar. A ambiguidade catalã em ser Europa, Espanha ou Languedoc está nos vinhos muito bem mostrada. Os do Castell del Remei, Celler de Cantonella, são exatamente isto: um pouco de cabernet, um pouco de tempranillo (ull de lliebre), um pouco de merlot. A garnacha que não respeita fronteiras, se esticando por todo o nordeste da Espanha e o sul da França, a Cariñena/Carignan, e por aí afora. É preciso resistir com estas uvas, para que não vire tudo um mar de Cabernets. Já vem esta Mantoneu e Callet de Mallorca, a Mencia do Bierzo, até a Bobal, que parece ser meio bestinha. Mas são as uvas locais, que se melhore com um pingo de francesas, mas que pelo menos sejam experimentadas com vinificação séria antes de serem cortadas. Não fosse esta teimosia e as Tempranillo de mais de 40 anos da Viña Pedrosa teriam virado lenha de fogueira, e sido substituidas por trigo.

Uma frase do guruzinho da internet

In Idéias gerais on June 19, 2004 at 5:23 pm

fff: “A gente fica de fora, mas a gente entra de lado. ”

Desarrolhar

In Idéias gerais on June 19, 2004 at 5:20 pm

The near is ending!