luizhorta

Archive for October, 2008

Vídeo

In Idéias gerais on October 30, 2008 at 3:12 am

Tem gente que vem ao mundo para melhorá-lo. É o caso do Cezar França, um dos melhores sommeliers do país, discreto, fino, gentleman. Foi ele que abriu as garrafas da degustação do Guglielmone, feita para o Paladar. Um mestre, enfrentou com firmeza o risco daquelas rolhas tão fragéis que guardavam vinhos ainda muito vivos. O Didú Russo, com aquela camerinha implácavel, registrou o momento do desarrolhar. O vídeo pode ser visto aqui:

http://blogdodidu.zip.net/arch2008-10-19_2008-10-25.html#2008_10-24_18_21_29-4908442-0

Impossível

In Idéias gerais on October 28, 2008 at 5:37 am

Não deu para escapar. O melhor cartoon sobre a crise saiu na New Yorker.

 

10 anos, errei

In Idéias gerais on October 27, 2008 at 2:23 pm

O Marcel do blog Gourmandise, corrige com precisão: um Gran Reserva não pode ser 2005. E não pode mesmo. O que bebi com peixe foi um Marqués de Murrieta Gran Reserva 1995. Que está me fazendo babar de memória neste momento. Mais riojano impossível.

Harmonizações modernas

In Idéias gerais on October 26, 2008 at 4:11 am

Pena que o Glupt! não seja sonoro, pois tocaria a musiquinha tema da nova modalidade de posts. Sugeridas pelos amigos do blog “Que bicho me mordeu”, apresentamos as Harmonizações Modernas.

A primeira, testada e muito boa, foi um peixe de carne densa, molho pesado e cremoso e um Rioja Gran Reserva. Para ser exato um Marques de Murrieta 2005. Peixe e tinto?! Pois é. Os taninos ultra delicados deste espanhol clássico e o pescado intenso combinaram à perfeição. More to come…

Days of wines and roses

In Idéias gerais on October 21, 2008 at 12:13 am

Uma lista de vinhos destes últimos dias, alguns muito bons, outros decepcionantes ou normais. Um Gruner Veltliner Brundlemeyer Kamptaler Terrasen, ainda com muita vida e tipicidade para mostrar, mas já com traços gostosos da uva única austríaca. Depois um Burklin-Wollf Estate, Trocken, 2006, que mesmo com esta palavra trocken no rótulo denunciava na cor amarela e no nariz de botritis um ponto de doçura importante. E delicioso. Mas parece que os alemães sofrerão o mesmo que os alsacianos, o que diz no rótulo pode não coincidir com o que está dentro. O horror dos sommeliers (lembro dos numerozinhos impressos pelo Domaine Zind-Humbrecht, indicando grau de doçura, diante da indefinição da nomenclatura e evitando os atropelos de harmonização.

Dois vinhos do sul da França, meu querido Travers de Marceau de Rimbert e o mais durinho e caladão Remejeanne do Rhone.

E a glória, tanto pela qualidade quanto pelo momento especial. Jacques Trefois, uma das pessoas que respeito e admiro, me apresentou uma taça: “diga o que é isto. Não precisa dizer ano, nada destas coisas, só região…” Cheirei, cheirei, provei, muita fruta madura e escura, ameixas, boa acidez, elegante mas cheio de vólupia. Matei que era do sul, fiquei hesitante entre Languedoc ou Rhône. Não era obviamente Syrah. Achei menos quente que o sulzão, pensei: deve ser do Rhône, mas sul. E era!

Acho que ele ficou orgulhoso de mim. Eu fiquei bem feliz, não pela coisa circense de acertar coisas às cegas, mas por ver que algo venho aprendendo. O vinho era um belo natural, L’Anglore, de Eric Pfifferling. Com uma lagartixona no rótulo. Destes momentos para contar para os netos, eu erraria uns cem em cada 102 vinhos…e este acertei, com testemunhas. Depois explico como fazer o mesmo, é mais lógica que enofilia.

Mistério

In Idéias gerais on October 19, 2008 at 4:42 am

Tem horas que eu penso que o tal terceiro mistério de Fátima, nunca completamente esclarecido e que envolveria a devastação nuclear, algo desta magnitude, seria bem mais simples. Talvez a revelação que no fundo, na realidade, o terroir não exista..

Contra o rudimentar, um grumpf no glupt

In Idéias gerais on October 18, 2008 at 8:53 am

Tempos tão aborrecidos, alpinistas e gurkhas culturais, tanta gente que sabe duas coisas afetando falar de uma terceira, que nem sentido tem. Arrivismo trotando. Antes de desanimar pensei na raiz latina de inteligência, forçando a etimologia: inteligere, ler, entender, no fundo, dentro.

Basta fechar o portãozinho do Jardim de Epicuro. Da cachola retirei alguns confortos  (dois coincidentemente fornecidos numa mesma edição do NYT): Calder, Feiffer. E um vídeo de François Simon sobre o hotel Westminster com música de Brian Eno. O BWV 988, em todas as versões disponíveis. Marianne Moore, Saul Steinberg, Wallace Stevens. Tio Vanya, The Tempest: “Since I have my dukedom got…”; um joelho de Claire, um raio verde, uma carta de Paulo aos gentios (terá ido como? Um email dele teria sido mais rápido?); o caracol de Matisse na Tate, a rendição de Breda, a batalha de Paolo Uccello (na sua guerra entrei, da sua guerra sai, não matei ninguém, nem morri). Acreditar que a fé sem compaixão é vazia. Foucault sobre Borges e como é possível sim, rir com a filosofia; a Ética a Nicômaco; o sujeito de Hipona pedindo pureza, mas não imediatamente; Audrey Hepburn com sua Funny Face; as samambaias do doutor Sacks, o nascimento de Olivia em Paris to the moon; o ensaio da Yourcenar sobre Piranesi e o de Nicholson Baker sobre o tamanho dos pensamentos; o livrinho de Jan Morris sobre a Espanha, o livrão dela mesma sobre Veneza. Liebling, Kermit Lynch, Roberto Calasso, Jim Harrison, Edmund White, M F K Fisher. Bill Evans tocando naquela manhã estática de Buenos Aires. Ah, e Buenos Aires. O Modern Jazz Quartet, Bach, Bach e Buxtehude. A escada rolante até ver a Rotunda na estação Tibidabo, sempre tem uma estação de metro, sempre é fevereiro frio, sempre tem o van der Weyden no Prado, a cadeira de Tapiès no teto da fundação, o De Chirico reconfortante. Zurbarán, a idéia do norte, o táxi londrino, Saint Eustache e a bíblia surpresa de Keith Haring. O som das ruas de Paris, como Cherche-Midi, rolando na língua, a melancolia de Montevidéu. E a Frederica.

Minha cabeça é meu playcenter. De certa maneira estou retomando-a, ela, a cabeça, que fora ocupada como a casa do conto do Córtazar. Minhas poetas citadas pelos outros, minhas músicas escutadas pelos outros. O que é meu, divido, ou dou, mas quando quero. Agora já e discricionáriamente, não quero mais doar, nem emprestar. Peguei meus pensamentos de volta, reuni minha turma de fantasmas culturais íntimos e vou redistribuí-los. Quando quiser. Ou como disse um deles: Un repas, même à deux, est collectif.

Adega Medieval

In Idéias gerais on October 15, 2008 at 2:57 am

Aqui os links para o Paladar no site do Estadão onde foram postados os artigos sobre os vinhos do Guglielmone.

A história

http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup256632,0.htm

As notas de degustação

http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup256617,0.htm

Considerações sobre os vinhos brasileiros;

http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup256616,0.htm

Sobre a adega do Ennio Federico:

http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup256633,0.htm

Os flagrantes de Glupt! (2)

In Idéias gerais on October 14, 2008 at 1:01 am

Didú Russo e José Luiz Pagliari mostram como Mutt e Jeff degustam.

Os flagrantes de Glupt!

In Idéias gerais on October 14, 2008 at 12:50 am

Edecio Armbruster, que já presidiu a Sbav-SP sabe que nunca se perde a majestade.

Etc e tal

In Idéias gerais on October 12, 2008 at 7:06 pm

Estou em dívida com os leitores do Glupt! Hoje atingimos 40 mil visitas. Se cada uma significou uma taça de vinho, esvaziamos umas 8 mil garrafas neste blog. Mas mesmo assim tenho me comportado feio, não respondendo comentários nem perguntas. Já cuido do assunto. No momento estou pesquisando uma bicicleta para comprar, e me divertindo. Bicicleta sem marchas agora se chama: monovelocidade. E cantil: hidratador térmico portátil. Rir, rir, rir.

Guglielmone, Ennio e Didú

In Idéias gerais on October 9, 2008 at 4:34 am

No blog do Didú há um vídeo depoimento do Ennio Federico sobre os vinhos de Oscar Guglielmone. Este o assunto da matéria de capa do Paladar de hoje. O Ennio foi extremamente generoso, como ressalta o Didú, em colocar à prova um acervo tão importante de vinhos históricos brasileiros, coisa impossível de ser conhecida de outra maneira, se não fosse pelo cuidado dele em manter estas garrafas por tanto tempo. A matéria está nas bancas, provavelmente colocarei um link aqui, quando estiver disponível no portal do Estadão, mas vale ler no papel, pois sempre a edição é mais completa e bonita. E o vídeo do Ennio falando ao Didú está aqui:

http://blogdodidu.zip.net/arch2008-10-05_2008-10-11.html#2008_10-09_01_08_56-4908442-0

Peñin, exclusivo para o Glupt!

In Idéias gerais on October 7, 2008 at 1:35 am

Fiz uma degustação e conversei com o crítico espanhol José Peñin. A matéria foi publicada no Paladar, duas semanas atrás. Mas depois que o suplemento já estava nas bancas recebi um email dele com detalhes sobre o que pensou dos vinhos brasileiros. Parte da conversa posto em seguida.

Sobre os vinhos de Santa Catarina:

Realmente estoy sorprendido de los rasgos de los vinos catados en Villa Francioni. Son los vinos mas “bordeleses” del hemisferio sur. En nada se parecen a los vinos chilenos aunque estos sean menos concentrados y cálidos que los argentinos, mi asombro fué comprobar que el clima de esa zona brasileña con temperaturas máximas mas bajas que en la mayoría de los zonas latinoamericanas puede producir vinos de merlot que podrian confundirse con algunos de Pomerol o Saint Emilion bordeleses.

 Sobre brancos brasileiros:
Aunque Brasil dispone de climas mas variados de los que cabe suponer, hoy los blancos no deben circunscribirse solamente a zonas frescas. Hoy los vinos blancos son apetecibles con graduaciones mas altas ya que nunca pierden el carácter varietal y por lo tanto pueden producirse en un campo mas amplio de la geografía brasileña. Es convenientes que vinos blancos con cuerpo estén fermentados en barrica cremosa francesa..
 
Sobre os vinhos do Brasil na Espanha:
Desgraciadamente el vino brasileño es desconocida en mi pais.
 
Sobre os melhores brasileiros em sua opinião e pontos:
Sin duda los próximos Villa Francioni. He probado en bodega como futuros “premiums” excelentes syrahs, tempranillos y sorprendentemente los petit verdot algunos de los cuales poseen una calidad que alcazaría alrededor de los 94 puntos de mi guia.

 Problemas na vinicultura brasileira

No he visto ningún defecto en los vinos catados. Lo mas penoso que es hayan rasgos confitados debido a la potente acción del sol. Es muy importante la labor que se se está haciendo en el viñedo continuo de Rio Sol en donde se pueden obtener dos cosechas y una consecución de trabajos en la viña lo que permite mas de 25 vendimias en función de la poda. Solo falta acertar con el mejor portainjertos y el clon para lograr vinos de mas 90 puntos en la Guia.
 

 

Noche escura del alma

In Idéias gerais on October 5, 2008 at 4:52 am

Nada a ver com as angústias barrocas de San Juan de la Cruz, a noite escura era a cor do Malbec do jantar. Malbec que poderia ser chamado de Cot, pois veio de Cahors. Não adianta, a gente coloca a França para trás, declara que já não é a pátria da gastronomia, elege a Espanha como meca, nomeia todas as crises e decadentismo de seus produtos. Mas na hora definitiva, na undécima hora, é o vinho francês o melhor do mundo. Este Malbec, chamado Impernal e importado por uma pequena empresa chamada Compagnie des Vins de France é pós-graduação em Malbec para quem fez a graduação nos argentinos. Tudo que o manual ensina ele tem: aroma de violetas, couro, intensidade com elegância, taninos potentes mas finíssimos, acidez perfeita. E escuridão. Belo vinho. Puro prazer com a carne bem feita do novo restaurante Pobre Juan em Higienópolis.

Pedaço de chão

In Idéias gerais on October 3, 2008 at 7:19 pm

Ganhei dos amigos do Que Bicho um torrão do chocolate com o cacau de São Tomé e Princípe, radical, muito radical. Trouxe para ser provado na redação. Houve rechaço, aceitação, paixão, ódio, caras esquisitas, caras felizes, em proporções quase iguais. Não é fácil entender um chocolate destes, que não é nada amigável, mas tem um gosto e um retrogosto…

Os melhores comentários foram do Jocelyn Auricchio, jornalista do caderno Link do Estadão. Aqui algumas das frases dele:

“O cheiro dá até taquicardia”.

“É macho isto”.

“Se comer dois pedaços, vou para o hospital”.

“Devia ter tarja preta neste chocolate!”.

Nova credibilidade para a Cariñena

In Idéias gerais on October 2, 2008 at 12:09 pm

Artigo publicado no Paladar de hoje:

http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup252021,0.htm