Rio Sol Cab-Syrah 2
Bom, chega de suspense, vamos lá. O vinho é simples, tem uma camada só. O nariz é mais agradável que a boca, muita fruta madura, algo quente, é evidente que veio do sertão, onde fazem 4 colheitas por ano, ou mais. Tem alguma tipicidade de Syrah de NM, peppery, carnudinho, muito torrefado, mais escuro e fechado que eu esperava, achei que seria mais luminoso e alegre no lado fruta.
Na boca é agradável sem mais, acidez correta, taninos demasiado secantes para meu gosto (uso do engaço? chip? certamente este traço amargo verdoso não vem de falta de madurez das sementes, naquele clima tudo deve amadurecer por igual, vapt-vupt).
É um vinho modesto, apesar de prometer no aroma, com comida e sem pensar demais seria gostoso. Evidente que neste preço há pouca coisa assim no mercado, só mesmo Dal Pizzol consegue manter estes preços (e melhores vinhos, na minha opinião).
De qualquer maneira, embora não entusiasme, é muito decente como introdução, as virtudes são mínimas mas a sinceridade é uma delas, e os defeitos tampouco gritam, só mesmo o excessivo amargo duro dos taninos.
Vale a pena? Vale, enquanto os preços não forem bons para os vinhos no BR, é uma opção. É até muito mais austero que esperaria, tem grandes pretensões para o que custa, às cegas pareceria mais caro. Não entendo porque se chama Syrah, está muito mais próximo de Shiraz.
May 5, 2008 at 12:03 am
Luiz,
Qual das 4 safras de 2006 que você tomou?
May 5, 2008 at 12:13 am
Boa pergunta, não faço idéia. Me disseram que tem um lugar lá em que há as 4 estações simultaneamente, para mostrar como é. Não dá para negar que é um projeto impressionante e o nome de paralelo 8 é atraente. Admirável Mundo Novo!
May 5, 2008 at 4:00 am
4 Safras ? Wow, como vem no rotulo ? RioSol 2002 1 de 4 ?
May 5, 2008 at 12:06 pm
Luiz,
Fiz a mesma experiência no ano passado e fiquei decepcionado. Não consigo admitir a idéia de plantar uvas viníferas no sertão. E isto porque acredito no respeito ao terreno e às condições climáticas. Vinho não é refrigerante. Ou pelo menos não deveria ser…
Quanto às safras, pouco importa, pois o clima no sertão não varia nunca…
I’d rather buy a beer….
Parabéns pelo Blog.
José Luiz
May 5, 2008 at 12:34 pm
E eu que achava que já estava aprendendo alguma coisa… Agora não sei mais nada
Qual a diferença entre Syrah e Shiraz?
snif…
May 5, 2008 at 2:34 pm
Helô, Syrah e Shiraz é a mesma coisa, uma só uva, mas no Rhône tem certas características e na Austrália outras, eu estava me referindo a isto, que o Rio-Sol parece mais australiano que francês e que seria mais adequado chamá-lo de Shiraz.
May 5, 2008 at 3:01 pm
Buenas, não tava tão perdida assim.
Syrah francês - e argentino? Ou todos no Novo Mundo tendem a reproduzir as caracteísticas da Australia?
(te aluguei
)
May 5, 2008 at 3:08 pm
Eu acho o Syrah tão peculiar na França, que chamaria qualquer outro de Shiraz.
May 5, 2008 at 5:35 pm
Não achei na Expand do Anália Franco. Vou ver se consigo em outra e aí …
May 5, 2008 at 6:59 pm
Só para esclarecer: a Dão Sul não tem 4 colheitas ao ano, mas 25! É verdade, acreditem, lá as videiras não hibernam por falta de inverno, então os portugueses que só em piadas têm pouca inteligência, decobriram que quando se poda a videira e corta-lhe a irrigação, ela hiberna pensando ser inverno… daí dividiram a fazenda em 25 partes e fizeram um sistema que a cada 15 dias têm colheita de alguma casta. Acredite se quiser. E diugo mais, gaste um pouquinho mais (R$ 48,00) e experimentem o Rio Sol WineMaker Selection Alicante Bouschet.
May 6, 2008 at 9:38 am
Esse projeto da Dão Sul é realmente unico no mundo e desperta ódios e amores. Incríveis essas informações de colheitas Didu. Quanto a esse corte básico de Cab/Syrah é realmente um vinho agradável para o dia-a-dia e, creio eu, o que despertou enorme surpresa foi ter empatado com o Boscato Gran Reserva como melhor nacional da Expovinis. Não fosse a reconhecida seriedade e capacidade dos juizes, certamente o resultado ficaria sob suspeita. A conclusão a que chego, sem desmerecer o vinho, é de que houveram poucas inscrições nesta categoria. É um bom vinho, sim, mas dentro de sua faixa, não para tanto. Minha Wish List para 2008 segue crescendo. Agora entra mais essa dica do Didu.
May 6, 2008 at 11:45 pm
Parabéns pelo Blog!
Tudo bem…mais eu continuo gostando do meu Malbec. Argentino, do vale do Uco.
Eu respeito muito os vinhos novos brasileiros…Eu gosto da cultura brasileira…em fim.
Tenho muitos amigos novos…é difícil.
Mas, mudando de assunto, eu gosto também do Barbera D´Asti. Me lembra muito a Italia, sei lá…
Abraços,
Rubén Duarte
May 7, 2008 at 11:00 pm
Uma pergunta: o senhor Didu escreveu “quando se poda a videira e corta-lhe a irrigação”… então a legislação de lá permite irrigação? (imaginava o contrário) e no sertão? O rio sol é de vinhedos irrigados? (imagino que tenha de ser). É isso, agradeço qualquer informação, pelo menos esse vinho teve a virtude de produzir um bom debate, o que não é pouco para um produto brazuca.
May 10, 2008 at 10:28 pm
Caro Raul, saúde.
Nossa legislação permite a irrigação sim. E no Nordeste estes vinhedos ficam às margens do São Francisco. Dessa forma lá quem faz o ciclo da videira é o enólogo… incrível isso não? E há um ponto no vnhedo onde se tem as quatro estações uma ao lado da outra, numa a videira iberna, noutra ela florece, noutra há frutos maduros e noutra as folhas estão caindo… Saúde!
May 14, 2008 at 9:02 am
saúde senhor Didu!o importante é que sejam cada vez melhores os vinhos do sertão.