Ensaio sobre a cegueira
Fiquei contente com o resultado dos top 10 da Expovinis. Eu sempre achei os Rio-Sol subvalorizados, são melhores que a maioria diz, embora não sejam espetaculares ou emocionantes, e custam 18 reais e 90 centavos, valor que eu julgo adequado para vinhos do dia a dia, nacionais e competitivos. É muito bacana tomar tops como Salton Talento ou Miolo Quinta do Seival, são bons, mas são caros e entram numa faixa de preço com competição à altura de argentinos e chilenos, sem dizer de meus queridos uruguaios, que são mais baratos. O Rio Sol acerta no preço pelo que oferece, um bom vinho correto, correto o bastante para ganhar uma degustação às cegas com avaliadores respeitáveis como Jorge Lucki, José Luiz Pagliari, Manoel Beato e Roberto Gerosa, to name a few.
Este o valor das degustãções às cegas, um exercício de objetividade.
April 30, 2008 at 8:46 pm
Importante informação, Luiz. Mais ainda vindo de você. E estou totalmente de acordo com o seus comentários.
Um abraço
Rubén Duarte
May 1, 2008 at 10:36 am
É raro mas acontece. Aqui discordamos frontalmente. Esse Rio Sol é uma bomba, independentemente de seu preço. Terrível. Estranhei muito esse resultado.
May 1, 2008 at 6:08 pm
E eu adoro os vinhos do Vale do São Francisco… fiquei mto feliz em visitar a ExpoVinis este ano!!!
May 2, 2008 at 11:43 pm
O salton talento tem um bom rótulo, graficamente falando. Como vinho é caro e dificilmente resiste à comparação com outros sulamericanos e muitos de terras mais distantes na mesma faixa de preço. A degustação às cegas é a única forma de julgamento legítima para um expert e tende a ser a mais justa, felizmente para nós mortais a melhor forma é a degustação com conversas cheias de opiniões oblícuas e idiossincráticas.
May 2, 2008 at 11:47 pm
Saiu do Taras Bulba, Pizonsnky?
May 3, 2008 at 12:10 am
Peço perdão pelo “oblícuo”, meu comentário oblíquo, aqui como na Polônia, quer apenas indicar que bom mesmo é não fazer muita ciência na hora de apreciar e criticar vinhos. Esse mundo tecnificado fica melhor com arte e subjetividade. Provei hoje um torontes argentino com corte de chenin blanc comprado no supermercado. Suspeito que passaria no teste dos ceguinhos.
May 3, 2008 at 1:18 pm
“O teste dos ceguinhos”! Adorei a expressão!
Confesso que eu, uma pessoa que se considera (quase) sem preconceitos, tenho sempre um pé atrás com vinhos do São Francisco e outros lugares brasileiros “exóticos”. Talvez resquícios de priscas eras quando um agrônomo amigo trabalhou na Aurora (vai longe esse tempo…
e contou o que ouviu de um enólogo italiano que visitou a vinícola e deu sua opinião sobre os vinhos do Nordeste (eram certamente os primeiros): “é um resultado interessante, mas não é vinho”.
O tempo passou, o tempo voou, e agora estou no nível Iniciantes II do meu curso pessoal sobre vinhos. O tema de casa sempre é provar vinhos desconhecidos que caibam no meu bolso. Vamos a esse. E abaixo o preconceito!