Ontem e hoje, ufa! Comecei com uma prova de 7 vinhos de François Lurton, com a presença do próprio. Decepcionantes, só um Malbec me pareceu interessante. Mas preciso achar as anotações, quando preciso consultar papelada é um sintoma de que não gostei, em geral escrevo tudo de mémoria, pois escrevo como agora, deitado com a Frederica no colo e a preguiça de madrugada de ir decifrar minha caligrafia.
Depois um almoço com M.Christophe Salin, diretor da Lafite Rothschild. Primeiro vinho, Chateau d”Aussieres, forte e novo mundista, apesar de um Languedoc. Aquelas uvas que podem ser tão voluptuosas, mas que são quentes e potentes pelo lugar, ficaram, infelizmente bem rústicas e pesadonas. Languedoc, na minha opinião, só se presta à produção pequena, artesanal e com mão muito delicada, todos os grandões instalados lá tomaram uma bola entre as pernas da região, não conseguiram exprimir o local, incluindo (heresia total dizer isto) Daumas Gassac depois da fama.
Seguiu-se o Caro, que provei anos atrás logo que saiu, quando veio a enóloga, Estella Pertinetti e me pareceu na época só um vinho argentino com sobrenome importante. Como eu estava errado! Agora com um tempo bom de garrafa mostrou que a união de Catena e Lafite tinha que dar em coisa boa. Como estava ao lado do Monsieur, aproveitei e lasquei: “primeiro um vinho argentino feito na França, depois um francês feito na Argentina”…ele riu e concordou. Cara sincero, com 13 anos de trabalho no Chateau, aproveitou e confidenciou que não vê virtudes em Bordeaux branco, ligeiros e para aperitivo. E eu tinha gostado muito do que bebemos na chegada. Ele tapou a boca e falou baixo: “branco é na Borgonha, são os que eu gosto…”. Eu insisti: “mas e 2007, em que estão elogiando somente os brancos e Sauternes?”. Ele continuou rindo: “Borgonha…”.
Então veio o melhor, o Quinta do Carmo, produto da Lafite no Alentejo, espetacular, elegante, sério, muito melhor que o seguinte, o Carruades de Lafite, segundo vinho do Chateau! Esse era uma aula meio desequilibrada de bretanomices. O Quinta do Carmo arrasou, outro francês feito fora e melhor que o francês feito dentro. E para terminar (mea culpa) bebi dois cálices do Sauternes, também déuxieme vin, Charmes de Rieussec, toda aquela sauternidade, aquele cheiro de cola de carpete, aquela delícia, mesmo com seus 14 de alcóol. Bordeaux quando é bom, (estilo comendador Acácio) é bom. todos são da Mistral, não decorei preços, mas o Sauternes era bon marché, ainda mais pela qualidade que tinha. Estou com mania de listar vinhos que seriam ilustrativos de determinada variedade, região ou estilo. Este era um Sauternes exemplar, quando for preciso explicar de que se trata o lugar e seus vinhos usarei como modelo.
E fui para o champagne dinner de Morgane Fleury, champagnes biodinâmicos, safrados, todos 1995, cheguei a encostar a mão na lua! O Extra Brut era finíssimo, complexo e seco como uma lâmina de aço. O Doux ficou interessante com foie, mas o mais equilibrado, nuançado, cheio de detalhes, era o Brut. Muito, mas muito bom.
E no dia seguinte…40 vinhos do catalogo da Expand, mas conto amanhã.