luizhorta

Archive for February, 2008

Caçador de vinhedos perdidos

In Idéias gerais on February 29, 2008 at 3:53 am

telmo.jpgrodriguez1.jpgtelmodehesa.jpgtelmo_rodriguez_gazur_web.jpgRecebi um email de Telmo Rodriguez que me deixou contente, ainda repercutindo a resenha que publiquei no Paladar, que bateu em Glotonia dos porquinhos e foi parar na mão do vinicultor e também vertido para castelhano no El Mundo. As voltas que os textos dão.

O Telmo para quem não sabe é um recuperador de sabores antigos. Viaja pela Espanha atrás de vinhedos meio abandonados, pacientemente recupera o que é possível, procura saber como o vinho era feito na região e faz alguns inesquecíveis líquidos, como o Molino Real. Ele conta que está trabalhando em um pequeno vinhedo de 2 hectares na Rioja, usando co-plantação, tentando reviver como era um Rioja em outras eras.

Pois foi este sujeito que o livro do Nossiter lista como uma espécie de enólogo sem raízes. Entendo, há preconceito, o Telmo tem físico de poeta tísico e longa cabeleira de nouveau-philosophe, parece mais Bernard Henri-Lévy que um vinhateiro, é franzino, afável e simpático. Mas basta olhar bem suas mãos e ver que ele é do campo. Cresceu em Remelluri, comprada pelo pai, depois foi estudar em Bordeaux, dormia na cantina vigiando o processo, trabalhou duro, refinou o conhecimento.

Na sua rápida passagem por aqui, uns anos atrás, numa edição do Encontro Mistral, conversamos sobre coisas fascinantes, sobre a fluidez e sobre a accessibilidade, suas preocupações naquele momento. Um cara especial, que diz que talvez venha este ano de novo a São Paulo. Curiosamente, sendo ele o mais injustiçado personagem do tolo livro que resenhei, lembro da primeira vez que assisti Mondovino, numa exibição antes da estréia, num mês de fevereiro durante o Foro em Vic, numa sala gelada e com uns poucos gatos pingados, que riram e se divertiram, sem maldade alguma. No grupo estavam o mais apaixonado importador de Barcelona, Quim Vila, Nicolas Joly e…Telmo Rodriguez.

Como ele trabalha pela Espanha afora, desde a Galicia até Málaga, produzindo Rioja, Ribera del Duero, Valdeorras, Toro, Montilla-Moriles o cineasta logo carimbou seu trabalho de “voador”. Como se não fosse possível conhecer profundamente um vinhedo e uma terra sem ficar plantado no chão 24 horas como um tubérculo.

Os vinhos de Telmo estão à venda na Mistral, os preços variam, a qualidade também, nem todos são espetaculares, mas são profundamente honestos e com um vigor intelectual de busca de uma expressão preciosa dos terroirs e das diferentes uvas regionais que utiliza, como a Monastrell do Al Muvedre e o Moscatel do Molino Real. Não é pouca coisa. 

Lua cheia

In Idéias gerais on February 27, 2008 at 6:16 pm

castviejo1.jpgcastviejo2.jpg

Como a atividade que despertou mais curiosidade dos leitores foi a da colheita na madrugada, dou um adiantamento no assunto. A Bodega Castillo Viejo, do simpático Edgardo Etcheverry e família, cujos vinhos são importados pela La Pastina, decidiu colher seu Sauvignon Blanc (considerado um dos melhores do Uruguai) de madrugada, para que as uvas ainda frias não perdessem todas suas qualidades aromáticas até chegarem à cantina. Os trabalhadores chegam num onibus à meia-noite e colhem até o sol aparecer, em torno de 5 da manhã. Eles temiam que não fossem encontrar gente disposta a trabalhar num horário tão peculiar. Mas ao contrário, estão tendo problemas agora é com os que trabalham sob o sol inclemente. Todo mundo quer passar para a noite. A primeira foto mostra como funciona, uma lanterninha na cabeça. A segunda eu bati segurando um cacho de uvas e mostrando o campo de luz que eu via, sem flash. Além de ser menos exaustivo sem sol, o foco faz com que o trabalho renda mais, cada colhedor aumentou sua produtividade e ganha mais. E fica lindo ver o campo cheio daqueles vagalumes humanos.

Desfragmentando o disco

In Idéias gerais on February 27, 2008 at 2:15 pm

svhockney10.jpgPronto, consegui  me reunir todo num só corpo de novo! Viajar dá um estilhaçamento no espírito, fica um pedaço aqui e outro ali, um monte de roupa para lavar, mala aberta exigindo atenção, Frederica nervosa e todas as tarefas do dia-a-dia. Agora estou, mais ou menos, no controle da situação, até a próxima viagem, daqui duas semanas….quando tudo sairá do lugar de novo.

Primeira entrega de prêmio Glupt!

In Idéias gerais on February 24, 2008 at 8:59 pm

imagem-1000.jpgDaniel Pisano colocou na lapela o troféu Frederica para um dos melhores tintos de 2007: Axis Mundi 2002. E posou com os irmãos Gustavo (enólogo) e Eduardo (responsável pelos vinhedos) desta exemplar empresa familiar. O prêmio vai ser emoldurado e colocado na deliciosa sala de comidas da vinícola, em Progreso.

Balançando

In Idéias gerais on February 24, 2008 at 1:33 am

Mais de mil quilometros viajados, 130 vinhos provados, 14 vinícolas, ampla gama de uvas diferentes, de belos Sauvignon Blanc e Marsanne a inesperados Nebbiolo e Garnacha, estilos desde espumantes plenos de frescor a austeros vinhos de sobremesa num estilo Sauternes ou mais falantes num estilo Tokaj, com botritis, sim senhor. Eis o retrato rápido do querido paizito. O Uruguai para mim é mais que um país vinícola muito interessante e desconhecido, o Uruguai é uma missão.  

Os euros jogados fora

In Idéias gerais on February 22, 2008 at 1:12 am

Paladar de hoje tem um comentário que fiz sobre o péssimo livro de Jonathan Nossiter, 19 euros jogados fora. Vi aqui na internet do hotel em Montevideu, o texto aparece no seguinte link:

http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup128156,0.htm

Mensagem do front

In Idéias gerais on February 22, 2008 at 12:58 am

É possível viajar 1200 quilometros num país do tamanho do Uruguai? Sim! E tem vinhedos nas duas pontas norte e sul do país. Mais detalhes quando eu estiver de volta…

Gluptgrama do Uruguai 2

In Idéias gerais on February 19, 2008 at 9:11 pm

Fernando Deicas, gentleman uruguaio entusiasmando pelo que faz, com o filho Santiago, no meio de um almoco excelente decide uma surpresa: abrir em sua casa um Preludio tinto 1995, corte bordales espetacular de Tannat, Cabernet Sauvignon, Merlot, Petit Verdot e Cabernet Franc. Instante mágico de pura generosidade que só o vinho propicia.

Gluptgrama do Uruguai

In Idéias gerais on February 19, 2008 at 8:51 am

Momento único, colhendo uvas Sauvignon Blanc de meia-noite as 4 da manha, com luz de mineiro na testa, para que as uvas nao percam qualidades aromaticas sob o sol forte. Fantástico cenário de filme, todas aquelas pessoas operosas, como formiguinhas iluminadas, enchendo caixas e caixas do que virá a ser um SB fresco e puro.

A temperatura

In Idéias gerais on February 16, 2008 at 1:24 am

23051347.jpgComo estou fazendo mala com um calor tremendo e mil pernilongos no meu encalço, achei oportuno descobrir que boa parte da ediçâo sobre a temperatura dos vinhos está disponível online, na página do Paladar, aqui:

http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup120877,0.htm

Vuelvo al Sur…

In Idéias gerais on February 14, 2008 at 2:58 pm

imagem1.gif

Mais tango, desta vez Amelita Baltar, de Piazzolla, Vuelvo al Sur, com o qual o Glupt! entra num hiato, uma semana no Uruguai, de onde espero postar algo, mas dependerei dos wi-fis locais.

http://www.youtube.com/watch?v=YlqMtc6M_0Y&feature=related

Southbound, ho!

Tango e vinho

In Idéias gerais on February 13, 2008 at 9:36 am

argentina_tango.jpg

O João Filipe ataca outra vez, vinhos argentinos para todos os bolsos, inclusive um Barrancas (é do Pascoal Toso? acho que sim, se fôr o que estou pensando vale a pena) por 11 reais e 50! E os Alamos queridos por 25 reais. A lista está aqui: http://falandodevinhos.wordpress.com/2008/02/13/boas-compras-vinhos-argentinos-fev08/

Isto até merece um tanguinho, que tal Edmundo Rivero cantando, com letra de Borges e música de Piazzolla? Pois tem aqui:

http://www.youtube.com/watch?v=fdrG3JnPwJU

Bom, agora tomei gosto, este uruguaio de Tacuarembó também canta seus tanguinhos:

http://www.youtube.com/watch?v=UoSMcttj7-4

Momento generosidade

In Idéias gerais on February 12, 2008 at 5:56 pm

Foi o Paco Torras, catalão-carioca do Bistrô Carioca (link ao lado, carnaval já passou, cadê novidades do Rio, Paco?) que me indicou este blog: Encantadissimo. Ótimas fotos e comentários dos restaurantes de Barcelona e adjacências. Passei a ser fã, mas agora o blogueiro resolveu suspender as atividades e partir para outra. Só que como legítimo representante do “espírito da internet” colocou um arquivo em pdf para download com todo o contéudo do Encantadissimo, facilitando a vida de quem quer guardar seu verdadeiro guia de restaurantes. Belo exemplo e ótima oportunidade. O link para baixar o arquivo é este:

http://www.encantadisimo.com/index.php/2008/02/12/descarga-encantadisimo

Recomendação cinematográfica

In Idéias gerais on February 12, 2008 at 4:47 am

persepolis_368.jpg

Quem lê o Glupt! deve pensar que vivo no cinema. A última vez que me lembro de ter entrado num foi 3 anos atrás. Vejo muito filme amarrado na poltrona do avião, por tédio, foi assim que assisti umas 3 vezes aquele aborrecido Sideways. Mas ontem vi “Persepólis” e me encantei. Animação para mim tinha acabado, todos aqueles bonequinhos computadorizados histéricos e muito barulhentos, que me cansam em segundos. Mas este filme é fínissimo e com uma qualidade visual incrível.

[e tem uma cena curta e divertida com um lagar atípico para pisar uvas...]

Próximos desarrolhos

In Idéias gerais on February 12, 2008 at 1:29 am

Bom, acabou o período caseiro, começa o “ano civil” e lá vamos nós. Quarta-feira almoço com o enólogo da Norton argentina. Confesso que está me custando admitir que a temporada recomeça…e sábado Uruguai. Semana que vem perderei (snif, snif) a visita de um dos meus favoritos, Luís Pato. É a terceira vez que coincide viagem com a vinda do Pato. Que coisa! Mas não tem mais desculpa, o ano começou mesmo.

O homem do pneuzinho

In Idéias gerais on February 10, 2008 at 10:27 pm

180px-michelinmanrunning.jpgEu não ia postar mais nada hoje, mas a fofocaiada sobre a iminente aparição do Michelin France (primeira semana de março) está tão intensa que não resisti a ecoar no Glupt! um pouco da loteria das estrelas.

Sim, o Michelin é um guia discutível, surgiu para ajudar os viajantes de carro nas suas refeições de beira-de-estrada (e o paradoxo é que o mais famoso restaurante atual, El Bulli, seja mais fácil de atingir por mar que pela estrada péssima…) e blá-blá. Mas todo mundo ama discutir as estrelas.

No momento o que há nos foros, blogs e sites da gastrosfera é: a segunda estrela para Robuchon, a primeira para o Jules Verne de Ducasse na Torre Eiffel e a perda de uma para o insuportável Alain Passard, que se fôr verdade comemorarei, eita sujeito intragável e supervalorizado.

Ainda o verão

In Idéias gerais on February 10, 2008 at 9:55 pm

at1960-steinergatekrems-large.jpgClaro que não cabia na lista publicada pelo Paladar todos os vinhos adequados ao verão. Mas toda hora me ocorre mais um, toda lista é assim mesmo, a gente vai acrescentando coisas depois, aquele tapa na testa: “puxa vida, como fui me esquecer deste!?”.

Então lá vai mais um, ou uns, os cabernets franc (qual será o plural de Cabernet Franc? Cabernets Franc ou Cabernet Francs ou Cabernets Francs? Não faço idéia, aceito sugestões) do Loire, os sem madeira, como os de Charles Joguet. Lembrei também que a Dal Pizzol, uma das vinicolas com preços mais simpáticos no Brasil, produz um Gamay. O importante é levar em conta o teor alcóolico, mais até que cor ou estilo.

O Rogério do ótimo Amuse Bouche (link ao lado na lista de blogs) deu hoje uma receita curiosa de moqueca de banana, confesso que tive muita vontade de provar. Ele combinou com um rosado argentino, opção que me parece corretíssima e sem riscos. Inclusive porque gostaram e o que conta mais é isto, se as pessoas comeram e beberam e gostaram, deu certo.

Mas na minha mania de austríacos, alemães e alsacianos como coringas, talvez um Riesling (não os trocken, mas os com um pouco de açucar residual) poderiam ser uma ousadia interessante. Porque Rieslings têm normalmente baixo percentual de álcool (até os Smaragd do Wachau, os mais concentrados e feitos de uvas mais maduras passam pouco de 12, 5, mínimo aliás para poderem ter a palavra Smaragd no rótulo), boa acidez e os que não são secos, um ponto doce importante para acompanhar o da banana. Para testar.

[fiquei rindo pensando que já é preciso explicar aos adolescentes que esta coisa aí é um selo, que a gente passava a língua e colava numa carta, sim, carta, que ia pelo correio...tudo soooo yesterday! De qualquer maneira "colei" um selo neste post-postal mostrando a linda cidade de Krems no nordeste da Austria, de onde saem Rieslings e Gruner Weltliners de encher a boca]

Feriado

In Idéias gerais on February 10, 2008 at 9:19 pm

frederica3.jpglk-018.jpglk-007.jpglk-046.jpgAmanhã é feriado no Glupt! Aniversário de 5 anos da chegada da Frederica, trazida pela Helena Jacob (que não vi mais, mas a quem sempre agradeço. Quem convive com um gato sabe o gosto que é). Não vai haver comemoração, mas posto umas fotos dela, inclusive uma exclusiva do sorriso boca branca famoso. Quem é mais canino não tem importância, somos democráticos aqui. Alguém escreveu recentemente num blog, que todo blogueiro mais dia, menos dia, coloca uma foto do gato no site…Como a Frederica é o logo desse aqui, cheirando sua magnum de Quinta do Vale do Meão, vocês já devem ter se acostumado a imagem dela.

soluços

In Idéias gerais on February 10, 2008 at 5:38 pm

macucojobim.jpg

Acordei azedo, mas cantando: “moro na roça sinhá, eu nunca morei na cidade, compro jornal da manhã, prá sabê-das-nuvidadi…”. Toda vez que chove com raios, ou seja, todo dia, tem um ritual aqui. Frederica se esconde no seu abrigo anti-aéreo, que ela comprou no ebay depois que a guerra fria acabou. E eu desligo tudo, modem e pc na parede, porque já se queimaram dois nestes dois anos.

É o preço a ser pago por morar afastado. Afinal moro longe, 10 quadras da Paulista…Fico me lembrando uma vez que faltou luz em Nova York foi tão dramático que rendeu um filme, e num apagão mais recente, rolaram cabeças e o prejuízo foi gigantesco. Aqui se fossem fazer filme teria que ser uma mini-série interminável.

Que a gente pense que mora em NY tudo bem, mas seria legal copiar a estrutura urbana da cidade e não só a roupinha e os preços que pagamos. Nova York é uma urbe interessante, merecia servir de modelo  (transporte público, por exemplo, a nossa gigantesca malha de metrô com passagem a 1 dólar e 40, mais cara que a dos metrôs de Paris, Barcelona e etc  já explica sobre o que estou falando…).

Ontem out of the blue, nem chovendo estava, apagou toda a luz do quarteirão por mais de meia hora. Hoje já piscou 3 vezes e reiniciou o pc. O macuco canta na floresta, canta macuco, canta, na floresta…É o trópico, não tem jeito. Lévi-Strauss, socorro!  

[valeu a irritação por ter encontrado este desenho lindo de um macuco, feito por ninguém menos que Tom Jobim. Salvou meu domingón]

Etc e tal

In Idéias gerais on February 10, 2008 at 4:12 am

os_home07.jpgBlogueiro também tem uma vida cotidiana. Neste fim-de-semana fiquei relendo um livro tão bom, que não tem absolutamente nada a ver com vinho, exceto o prazer que proporciona parecido ao de um grande vinho evoluído. E tomei coca light, simplesmente não estava in the mood para vinhos e nem para falar deles. Semana que vem viajo ao Uruguai, onde ficarei seis dias, então estou em concentração.

O livro é Musicophilia de Oliver Sacks, que está traduzido pela Cia das Letras, com cuidado e bela capa, mas com um título esquisito: Alucinações Musicais. Existe este problema paternalístico no Brasil, quando se crê que as pessoas rejeitarão algo por ser “difícil” colocam um título que pensam ser mais atraente, em geral acaba sendo um pouco ridículo e faz pouco dos leitores (títulos de filme sofrem da mesma coisa. Annie Hall de Woody Allen se chamava aqui “Noivo neurótico, noiva nervosa” e nós ainda rimos dos portugueses…).

Mas o livro é ótimo, como sempre no caso do Dr.Sacks, tem ironia, ciência, humanismo, simpatia e uma visão maravilhosa da capacidade curativa da música.

Aprendendo no lugar certo

In Idéias gerais on February 9, 2008 at 8:00 pm

Rogério Rebouças, que chamei de “cavista voador” no post anterior, mas que é além disto um verdadeiro embaixador do Languedoc-Roussillon no Brasil ( e o mais francês dos cariocas, o Claude Troisgros que me desculpe!) mantém um blog ótimo sobre os cada vez melhores vinhos do sul da França.

Com os preços exorbitantes de Bordeaux e Borgonha, os europeus mais descolados (leia-se ingleses, descolados até como ilha…) estão se voltando para bons vinhos de outras regiões menos hypadas, caso de Cahors, do Sudoeste todo e do Sul.

Agora o Rogerio está divulgando um curso precioso para quem quer saber tudo sobre a produção de vinhos, curso a ser ministrado em português, de enologia profissional. Eu ainda não reativei a coluna “O que vem por aí” (por falta de tempo), mas esta é uma notícia do tipo “o que vem por aí especial”. Os detalhes do curso podem ser lidos aqui:

http://vinhosulfranca.blogspot.com/2008/01/curso-de-enologia-profissional_30.html#links

Isto pra mim é grego

In Idéias gerais on February 8, 2008 at 7:59 pm

Nas sugestões de verão que o Paladar publicou fica a impressão que o Assyrtiko Santorini Unoaked é tinto. Mea culpa. Assyrtiko é a uva, branca. Santorini a ilha vulcânica, e o vinho (cujo rótulo diz: bone dry. Algo como seco até o talo) uma perfeição de branco seco. Tem a versão oaked, que passa em carvalho, mas como acontece com diversas uvas, como Riesling e a própria Sauvignon Blanc, a madeira não combina e nem ajuda (apesar de Manfred Tement fazer uns SB na Styria, sul da Austria, com um percentagem de estágio em madeira, que tem interesse). Então mudemos a posição do vinho, obviamente para a coluna dos brancos de verão. Coisas do word e de seus caprichos (quantas vezes já não escrevi VEJA Sicilia, por causa do programa de correção de Mr.Gates?).

Os cavistas estão chegando

In Idéias gerais on February 8, 2008 at 6:41 pm

Tenho visto com gosto um movimento novo no nosso mercado de vinhos. Agora que existe um público interessado de verdade, mais ampliado ( e crescendo) começaram a aparecer pequenos comerciantes que atuam em nichos definidos. Isto é animador! A tradição européia (e mesmo americana, pensando nos Kermit Lynch, Neal Rosenthal, Terry Theisse, Skurnik, e outros que a mémoria não solta agora) é de ter aquela lojinha da esquina, em que vc confia, e que busca os próprios vinhos. O sujeito vai com seu caminhão e compra direto e vende em Paris. É bacana, tem um foco muito definido e cria um ambiente novo, que não concorre com os grandes nomes e importadores, apenas complementa. Tive contato recente com a Tire-Bouchon, que é assim, vende vinhos de vários importadores mas tem uma importação exclusiva de alguns vinhos do sul da França e da Córsega. A Delacroix idem, trabalha com pequenos produtores organicos e uma lista cuidada.  E tem o caviste voador, como chamei o Rogério Rebouças, que vem todo mês com alguns vinhos e acha mercado para eles. Estamos chegando na maioridade.

A fera Feiring

In Idéias gerais on February 7, 2008 at 9:38 pm

alicef.jpgMais “rir, rir, rir”" de Alice Feiring. O sistema de pontuação dela, do pior para o melhor vinho:

-Não ponho isto na boca de jeito nenhum

-Pia abaixo, não na goela

-Dá prá beber, mas não me deixa contente

-Este dá para beber, mal não faz.

-Todo dia? Claro, porque não?

-Que vinho excêntrico! Interessante…

-Gosto muito deste.

-Eu amo este vinho.

-Não consigo parar de pensar nele.

-Não posso viver sem este vinho.

Ardida como pimenta

In Idéias gerais on February 7, 2008 at 8:44 pm

Quem acha que já leu comentários cruéis sobre vinhos precisa ver o post que Alice Feiring fez hoje no seu blog. Paul Newman, o ator, lançou dois vinhos, um branco e um tinto, na série de produtos que levam seu nome (pipoca, molho pronto e etc). A renda é para caridade e tudo mais, mas nada disto impede a terrível e caústica Ms.Feiring de atacar sem dó. Eu gargalhei, o texto é um primor de maldades e comentários certeiros, não vou tentar reproduzi-lo e muito menos traduzi-lo, senão mexo no estilo. Só digo que prefiro enfrentar um bando de hamsters assassinos que esta ruivinha com a pomba-gira baixada nela.

O link está aqui:

http://www.alicefeiring.com/winebitch/000340.html

Aquela geladinha do verão

In Idéias gerais on February 7, 2008 at 7:00 am

809.jpgNão é cerveja, é uma taça de vinho. O Paladar de hoje dedica sua capa e matéria principal ao tema dos vinhos para o verão. Acho que posso elogiar sem parecer cabotino, mesmo tendo participado. Afinal é um trabalho da equipe do suplemento e ficou bom e instrutivo. Espero que ajude nas escolhas de ótimas bebidas para o calor (que ainda não deu as caras totalmente!)

[na foto a série "O" da Riedel]

What’s up, Didú?

In Idéias gerais on February 7, 2008 at 6:45 am

whatsup.jpgQuem é assinante da melhor newsletter eletrônica sobre vinhos em português, a What’s up? do caro amigo Didú Russo vai se encantar com duas notícias que darei em seguida. Quem não assina, está perdendo tempo, basta mandar um email para ele e pedir para ser incluído no mailing (endereços abaixo).

As notícias são as seguintes: o What’s está de volta. O Didú estava trabalhando para colocar seu site no ar e daí segurou umas edições do informativo (é impressionante como ele é lido. Uma semana atrás recebi um e-mail de produtores uruguaios comentando uma degustação feita pelo Didú…), mas agora ele volta e as edições anteriores estarão no site para quem quiser baixá-las.

E a segunda boa notícia, na verdade ótima, é que o site já existe e pode ser visitado, apesar de algumas colunas ainda não estarem online. Tem um vídeo de Jancis Robinson que deve ser o mais descontraído que ela já fez e um antológico com Aubert de Villaine do Romanée-Conti. Tem mini-entrevistas chamadas Actor’s Studio com todo o Who’s Who do mundo do vinho, de Nicolas Joly a Adriano Miolo, de Doutor Sergio de Paula Santos a Filipa Pato. Li algumas que ainda irão ao ar, coisa para imprimir e reler. E tem a equipe Russo, a família completa, com o Ramatis, segundo degustador do What’s up, a Julia Harding do Didú. E várias surpresas. Eu estou colaborando com uns textinhos sobre viagens, sem a graça do titular (e sem saber dar nó em gravata borboleta, que é mais dificil que pilotar um Boeing!).

o email para assinar a newsletter (grátis) é:

didu@didu.com.br

e o do site é:

www.didu.com.br

PS: Furo do Didú exclusivo para o Glupt! Vem aí o programa dele na TV!

O “Seu” Illy

In Idéias gerais on February 7, 2008 at 4:31 am

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Fiquei surpreso e chateado com o passamento de Ernesto Illy, o “Seu” Illy da família triestina que mudou a cara do café espresso no mundo. Tudo bem, vai ter gente falando de fulano e beltrano que também fizeram isto e  aquilo, mas o padrão Illy, tanto no pó quanto nas máquinas rigorosamente reguladas, temperatura da água, pressão e a sacada genial das xícaras assinadas por artistas e colecionáveis era único e fruto do entusiasmo deste homem.

Ele aprendeu português de tanto vir aqui negociar e batalhar pela qualidade, muito antes da devoção às origens dos produtos ser valorizada. Instituiu um prêmio para a melhora do café de pequenos produtores e certamente devemos a ele uma boa parte do que hoje tem mil pais e mães por aqui, cafés selecionados, terroirs, padrão. Illy já estava nisto antes da Arca do Slow Food e do Adriá e dos orgâncios, pioneiro é isto, o cara que chega antes.

Nos meus anos felizes morando em Buenos Aires a marca Illy estava associada a outra maravilha, os Alfajores Havanna. E os Havanna Café eram os lugares melhores para exercitar a civilidade na melhor cidade da América do Sul, o que não é pouca coisa.

Eu coraçãozinho Illy, para mim continua o melhor e mais confiável espresso, com acidez deliciosa. A marca desenhada por, nada menos que,  James Rosenquist é um luxo ainda hoje e as xicrinhas! O design meio Patópolis de Mateo Thun, com a alça redondinha e gorda, parecendo um donut, muito imitada e nunca igualada.

A de Louise Bourgeois é meu absoluto objeto de desejo. Mas queria todas! E olha que odeio coleções e ajuntar coisas. Tenho só as normais e as Ballerina, com um casal dançando tango, outro como Ginger e Fred…

Adito à cafeína e fascinado por Trieste, só posso mesmo brindar com um ristretto a memória do mestre. Putz, me empolguei e emocionei. Gente que nunca morreu está morrendo, como dizia meu avô.

Ainda sobre vinho e chocolate

In Idéias gerais on February 6, 2008 at 8:41 pm

Minha matéria para a Gula -edição especial vinhos- que fiz depois de visitar o Salon du Chocolat, está disponível online e pode ser lida aqui:

http://www.gula.com.br/revista/183/textos/1680

Ecos do skindô highbrow

In Idéias gerais on February 6, 2008 at 12:53 pm

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Nem cuíca e nem tamborim, algo de vinho, sim.

Nada pior que confete molhado, talvez apenas serpentina. Do Carnaval ficou uma coisa engraçada, constatei que encaro de modo mecânico o mundo virtual. Por exemplo, eu acredito que o browser se “cansa”. Se navego muito tempo numa só janela, fecho e abro um browser novinho em folha. No fundo nunca deixamos de olhar o raio com um temor pré-histórico, por mais que a ciência avance. Por isto tenho um Tio de Nadal ao lado do wireless para melhorar a conexão, xamanismo puro (e melhora, ele ajuda pra caramba na velocidade dos pacotinhos de bytes que chegam com o vento).

E para finalizar o resumo da folia, a frase que marcou estes dias, aparecida num diálogo no msn: “A causa tem que estar acima das aleivosias”…

Agora é (era) samba

In Idéias gerais on February 5, 2008 at 10:41 pm

Eu jurei que não falaria em Carnaval no Glupt! E não vou falar. Aqui na ilha estava um silêncio tão perfeito! Preferi lembrar um instante de brasilidade sólida na minha vida: ter visto Clementina de Jesus ao vivo 3 vezes e numa delas ter dado um beijo na sua bochecha, cheirosa de talco.  E lamentar nunca ter me encontrado com  um dos poucos hérois que não murcharam com o tempo, perdendo o encanto. Este ficou e pelo visto ficará no meu panteão minguado: Angenor de Oliveira, aka Cartola, cujo centenário se comemora em outubro. E no mais volto a batucar na caixa de fósforo, coisa em que, modestamente, I exceed.

Voltamos na 4a. feira

In Idéias gerais on February 3, 2008 at 11:15 pm

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O blog tira dois dias de folia.

Arte e comida

In Idéias gerais on February 3, 2008 at 12:45 pm

307422_2.jpgdocumenta_ferran_adria.jpgEstá disponível para download o número 2 do jornal Papeles de Cocina, editado por Andoni Luis Aduriz e publicado por Euro-Toques. Neste número a principal discussão é sobre Ferran Adrià na Documenta, se gastronomia pode ser arte, com opiniões de diversos chefs e artigos e entrevistas, com uma colaboração de um dos blogueiros que vcs gostam (espero) de ler: o vosso criado, obrigado.

O arquivo está aqui e tem 3 mb, no formato PDF:

http://www.dialogosdecocina.com/home/ctrl_index.php?accion=papeles

Isto é importante!

In Idéias gerais on February 2, 2008 at 8:31 pm

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Tudo pare! O Zimmerman vem aí!

Tem até vinho feito para ele, e vinho feito a pedido dele, o Planet Waves da Fattoria Le Terraze, Montepulciano com um tico de Sangiovese, DOC Rosso Conero (quem leu o livro de Lawrence Osborne, The accidental connoisseur sabe do que estou falando). Quando o Zimmerman canta o resto pode esperar.

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[os dois CDs da trilha do filme I'm not there são duas tetéias que ouvi o sábado inteiro. Mas a música propriamente dita, "I'm not there", é um canon pérpetuo, mesmerizante, surpreendente, contraponto obsessivo, algo que Bach usava para brincar com aquelas partituras circulares e que podem ser tocadas de trás-prá-frente (não sou versado em música, só sei escutar, mas vou ter que chamar a polícia para parar de ouvir isto!). A banda em que cada ritornello parece aumentar um instrumento e a voz do B. Dylan numa linha crescente, se debatendo, batendo contra a música, impondo uma frase na força, parece um muezim enlouquecido, começa no meio e não termina nunca.  Tô bege!]

Como este parece ser um carnaval Dylan, agrego aqui o comentário do Didú Russo, um dos meus irmãos na vasta família (travelling) Wilbury:

“Maravilha!!! Eu que continuo “beatnik” disfarçado com gravata borboleta, estou adorando a vinda dele, pena que os preços do espetáculo começam na faixa de um Malbec Argentino Catena e vão até um Premier Grand Cru… but don’t think twice it’s all right…”

Eu também penso assim, tinha que ter uns ingressos de preço Dal Pizzol, bons e sem madeira, para que sentar lá na frente? Aliás ele fará shows também no Rio, Buenos Aires e Montevideu a preços de vinhos convidativos, só aqui é este Bordozão.

A uva complicada

In Idéias gerais on February 1, 2008 at 1:55 pm

Tem uvas que ficam malditas por diversas razões. Cariñena (na Espanha) ou Carignan (na França) é uma delas. Excesso de produção, conexão com vinhos vagabundos, vinificação descuidada, fizeram desta uva uma pária vinícola. Na edição anterior do Oxford Companion to Wine, Jancis R chegava a dizer: que não se plante mais esta casta. Mas gente séria trabalhando com cuidado está recuperando seu prestígio. Tem o Rimbert fazendo o seu Carignator, tem o De Martino no Chile, tem o pessoal dos grandes prioratos, que no final das contas são predominantemente Cariñena de vinhedos velhos. E o vinho que conto em seguida, bebido com o amigo Rogerio Rebouças que me apresentou a ele, o Chateau de Ribaute.