
O pedido de um endereço de email veio com umas questões: resumidas, basicamente, em porque não inclui no prêmio Glupt! para 2007, o vinho pior que tomei, o vinho mais caro, o mais barato, o melhor prato comido no ano, o melhor livro, a maior saia justa etc etc?
Bom, se eu incluisse tudo viraria a entrega do Oscar, e minha dinner jacket está no tintureiro…Na verdade teve gente que reclamou da quantidade excessiva de prêmios também.
Mesmo assim fiquei pensando, porque adoro listas.
O pior vinho não tem, parece incrível, mas não tem. Não considero vinhos com TCA (o famoso bouchonné) como ruins, eles estão estragados, o que é diferente. É uma tristeza abrir uma garrafa assim, mas é um acidente, um problema de rolha, não tem exatamente a ver com a qualidade do vinho. Até Vega Sicilia con TCA já encontrei nesta longa estrada vinífera da vida (Repito um mot d’esprit de um amigo na época: “até o bouchonné deles é melhor, mais elegante….”).
Houve vinhos mais simples, normalitos, esquecíveis, mas nenhum que eu pudesse classificar de intrágavel. Acho que as tecnologias todas fizeram isto, os vinhos conseguem ser técnicamente bem feitos, sem arestas, exceto as da deterioração. E desapareceu, pelo menos no meu ano feliz, o traço de uvas não-viníferas, dos tintos nacionais. Parece que o Brasil entrou no mundo da seriedade (pelo menos no que tange a vinhos, falta o resto, né Brasília?).
O vinho mais caro é bobagem, porque preço é um monte de números, não quer dizer exatamente qualidade, como estamos cansados de saber. Mas acredito que o mais caro tenha sido o Romanée-Conti 2004 tomado no almoço com Monsieur Aubert de Villaine (“say hello to Aubert” disse Jancis Robinson. Chique é isto. Eu só balbuciei “bonjour Monsieur” tremendo!). Está pela ordem de 10 mil reais a garrafa, se não me engano, trazido pela Expand (o número de garrafas importadas para cá eles não contam, Otavio Piva sempre elegante dá só aquele sorrisinho maroto). E sim, é um belíssimo vinho, que estará pronto para ser bebido em uma década ou mais.
O vinho mais barato? Acho que incluí isto dando prêmios de qualidade e preço a Torres e Alamos. Mas sendo específico, considero os brancos básicos da Torres como imbatíveis, o Viña Sol e o Viña Esmeralda são dois milagres de bons e de ótimo preço. São importados pela Reloco, ótima importadora do Rio. E tinto eu diria, de novo, o Alamos Pinot Noir, da Mistral.
O melhor prato já tinha dito no prêmio Paladar. Lá votamos em muitos quesitos, cozinha brasileira, cozinha de bistrô…e comentei no voto do prêmio que o melhor prato de todos tinha sido o do Jacquin, as alcachofrinhas de entrada. Foi uma conjunção de prazeres, o dia chuvoso e frio, cheguei meio molhado ao restaurante e com fome. Vem aquele prato fumegante e perfumado de deliciosas alcachofrinhas com muito caldo, alho, azeite, uma perfeição. Fora de São Paulo, o lombo de porco do Drolma que descrevi num post anterior.
Melhor livro é bem complicado. Acho que foi Making Sense of Wine de Matt Kramer. Que saiu em português como Os sentidos do Vinho, custa 43 reais na livraria Cultura.
E saia justa…como convém a este tipo de coisa, esqueci, deletei, hahahaha, passo cada vergonha, dou cada gafe!, melhor esquecer para continuar vivendo.