luizhorta

Archive for January, 2008

Vida dura de sommelier

In Idéias gerais on January 31, 2008 at 6:25 pm

Uma das coisas mais complicadas não é a de combinar vinho e comida, mas combinar vinhos com os atuais menús degustação da cozinha contemporânea. Nunca fui ao Bulli (oh! coro de desapontamento na platéia!). Mas sei que a carta de vinhos privilegia os brancos e de verdade o que dá conta de segurar uma sucessão de setenta micro-porções de coisas inesperadas é o versátil champagne mesmo.

Nas minhas refeições em lugares semelhantes (Mugaritz, Martin Berasategui, Alkimia, Abac e outros) preferi deixar o coitado do sommelier tentar resolver o problema. Ou, o que me parece mais sensato e deu mais certo, escolher um bom vinho que tinha vontade de beber e ficar nele, descuidando se harmonizava ou não.

Tudo isto porque li a lista de vinhos que acompanham uma comida completa no Fat Duck, são 10, uma coisa bem complicada, na logistica.  Na primeira vez em que comi no Mugaritz, o sempre amável Andoni Luis mandou um vinho escolhido por ele, que teoricamente (para mim) não daria nem um pouco certo, era um Clos Mogador 98, um Priorato potente, mesmo com a idade. E deu certíssimo claro, vinho escolhido pelo chef em pessoa, alías pelo Chef, o maior.

Em dezembro passado,  no Alkimia foi um Riesling alsaciano, Zind-Humbrecht e no Abac um segundo vinho de Nicolas Joly, Roche aux Moines, Savennières. Os dois são brancos complexos, aguentaram tudo, até sobremesa. É mais simples e mais sensato que beber 10 vinhos que tentam acompanhar o ritmo destes menús. No caso os vinhos passam para a retaguarda, por mais que amemos a bebida, ninguém vai ao Bulli por causa dos vinhos.

Tudo faz bem, se não fizer mal

In Idéias gerais on January 31, 2008 at 5:18 pm

Fiquei pensando sobre o Michael Broadbent e sua longevidade. Ele bebe sim, vive disto aliás. Mas só anda de bicicleta, mora num bairro aprazível de Londres e ganha bem. Acho que não é só o suco de laranja com champagne matinal que explica sua boa forma.

Entretanto Steven Spurrier também só andava de bicicleta, até que foi fechado por um carro uns meses passados, bateu a cabeça no meio-fio e ficou lá desacordado. Se um leitor da Decanter não reconhecesse o cidadão e tomasse providências, ele estaria agora degustando eternamente na Bordeaux celeste.

Lição da história: Bicicleta pode matar. Suco de laranja também.

Brinde

In Idéias gerais on January 31, 2008 at 2:28 pm

hitchcock.pngFui consultar o site da Freixenet para ver as uvas desta cava específica e me deparei com um bõnus: um filme publicitário feito por Martin Scorsese sobre umas páginas perdidas de um roteiro de Hitchcock…não vou estragar a graça da trama. O filme pode ser visto aqui:

http://www.scorsesefilmfreixenet.com/video_eng.htm

ou no youtube:

http://www.youtube.com/watch?v=P5nAxzH4OPs

Receita de saúde

In Idéias gerais on January 31, 2008 at 1:16 pm

orange_juice1.jpgUma amiga tinha umas tantas garrafas de cava Freixenet Cordon Negro esquecidas num canto. Mandou uma para eu provar e dizer como estava. Engraçado testar isto, porque nunca tinha pensado em cava como passível de envelhecimento, sempre me pareceu um espumante delicioso, barato e ligeiro, que em Barcelona se compra na padoca como se compra uma cerveja aqui.

No caso o nariz estava encantador, toque de cítrico e de bom champagne maduro, prometia bastante. Mas na boca estava “morrido”, meio achatado, sem eloquência. Assim mesmo ainda é um bom vinho, só que não serve mais para alegrar. Não está ruim, mas já não está bom. Deu prá entender?

E fiquei com aquela garrafa na mão pensando em que fazer com o líquido. O mais normal seria o fogão, destino dos restos aproveitáveis aqui em casa. Mas leio sempre Michael Broadbent que começa o dia com suco de laranja e champagne, seu coquetel de café-da-manhã. Como ele está sacudido nos oitentinha anos, achei que era uma, e é bom, muito bom. Só não sei se ganhei longevidade com isto.

Momento declaração de princípios

In Idéias gerais on January 31, 2008 at 11:42 am

portugues.jpgSem ser a última vestal do templo, ou ombudsman do universo, nem o semáforo na esquina das sendas que se bifurcam (hoje estou inspirado!) o Glupt! tem seus pontos-de-vista, suas idéias de mundo melhor, nem que seja melhor nos vinhos.

A vida é dura, coma rapadura? Tudo bem, mas com um cálice de Porto para ajudar. Então foi pensando nisto, que li e assinei embaixo o Código Cozinha, que está circulando na blogoskitchen, com umas intenções de nunca enganar os leitores que me pareceram boas.

O código está aqui:

http://www.codigococina.org/codigo.php?lingua=pt

Os prêmios

In Idéias gerais on January 30, 2008 at 12:11 pm

fredas.jpg

Carol Grilo, da Fofysfactory (http://www.fofysfactory.com.br/) avisa que os troféus Frederica para os premiados do blog em 2007 já estão prontos e chegando. Breve teremos entregas locais e internacionais aos contemplados. Melhor que os Oscar e mais disputados!

Euro-Toques

In Idéias gerais on January 29, 2008 at 8:33 pm

Recebi hoje o segundo exemplar do jornal/revista Papeles de Cocina, produzido pela Euro-Toques, a associação dos chefs europeus com atual presidência de Pedro Subijana, que neste número trata quase integralmente da relação entre arte e cozinha, em cima da participação de Ferran Adriá na Documenta de Kassel, no ano passado.

A discussão é interessante e tem depoimentos de vários chefs importantes, prólogo de Subijana e edição de Andoni Luis, que me presenteou com o convite para escrever um texto, que espero esteja legível e compreensível. De brinde ganhei minha carantonha desenhada por um ilustrador generoso que cortou boa parte dos quilos que a idade acumulou na minha papada…Não sei ainda quando estará disponível para download, mas logo que tenha o link posto aqui.

Os Pinots patagônicos

In Idéias gerais on January 29, 2008 at 6:23 pm

06-006-001-05-m.jpgNos comentários de um post anterior trocamos idéias sobre os PN da Patagônia. Estive lá em dezembro de 2006, para o especial Argentina da Gula. Visitei 6 vinícolas, 3 em Neuquén e 3 em Rio Negro. As de Neuquén são gigantescas, modernas, arrojadas. Como os vinhedos são ainda jovens, os vinhos são um pouco desequilibrados e tendem a uma rusticidade não propriamente desagradável, mas precisam de tempo e caráter. Assim mesmo gostei de muitos deles, o branco da Família Schroeder, vários da Fin del Mundo e outros tantos da NQN. Há muita energia e entusiasmo por lá e ainda vem coisa boa, e os preços são convidativos para vinhos do dia-a-dia.

Mas o que realmente impressiona é Rio Negro, onde está Humberto Canale faz quase um século e as novas, mas pequenas Noemia e Chacra. Essas duas últimas dos primos Noemi Marone Cinzano e Piero Incisa della Rochetta, que nalguma curva das árvores genealógicas bebem Sassicaia quando estão na Itália.

Pois bem, são os PN do Piero della Rochetta que deixam marca, fruto de um vinhedo de mais de 60 anos que ele recuperou, são concentrados, elegantes e pouco usuais aqui nestes pagos do sul do mundo. Acabo de receber um folder da importadora Grand Cru dizendo que os dois vinhos da bodega, o Chacra 2005 e o Barda 2006 estão em oferta. São vinhos caros, mas quem quiser provar um PN de estirpe feito no Novo Mundo, eis a escolha. O Chacra está por (pasmem) 306 reais e o Barda 102 reais. Eu gostei muito dos dois e não acho que o Barda faça feio, ainda mais com a diferença de preço  considerável…

Tira-teima

In Idéias gerais on January 28, 2008 at 5:15 pm

imagem.jpg

Tem uns dias que cismei que a fonte usada no Change que os partidários do Obama exibem é a mesma fonte de Chanel. Não é. Mas parece. Nada como Google image para resolver certos problemas…

Quando a musa canta…

In Idéias gerais on January 27, 2008 at 6:52 pm

pipe_organ_23629_lg.gifHoje não foi dia de vinhos, fiquei ouvindo orgãos históricos da península ibérica, tão complexos na sua sonoridade. Um deles em Labastida, que visitei quando estive em Remelluri, bem no meio da Rioja Alavesa, no País Basco. Pensando bem talvez tenham tudo a ver com vinhos, o contraponto, os sons/aromas em camadas…mas aí já forço a barra demais. Pange Lingua de Antonio de Cabezón, compositor do século XVI soa tão amável nesta tarde de outono em meio ao verão…parece um mundo completo a música dele, o resto fica tão…tão…desnecessário.

Feliz ano novo chinês!

In Idéias gerais on January 27, 2008 at 9:47 am

ano-rato.gif

Eu sou galo de fogo e aqui em casa é sempre ano do gato, por razões evidentes, mas vá lá…

E mais sobre bytes e bites

In Idéias gerais on January 26, 2008 at 4:15 am

329545.jpgCuidado! Andei pensando! estou radioativo!

Tem uma coisa que me fascina na internet, isto daqui que vocês e eu fazemos, emitir comentários. Pouco a pouco é a puxada de tapete na ortodoxia. Qualquer pessoa conectada pode ter um blog ou entrar num foro de debates e falar o que pensa. Comeu no restaurante e não gostou? Diga. O vinho não era assim tão grande coisa? Idem.

Claro que opiniões técnicas de gente que sabe muito vão continuar valendo. E claro que nem toda reclamação é consistente. Mas pelo menos estas vozes, antes relegadas a um cantinho de página do caderno municipal dos jornais, apertadas entre os avisos fúnebres e um anúncio de liquidação de colchão, passam a ter som.

Quando reunidas fazem mais sentido. O foro de vinhos Verema ganhou corpo por isto, durante anos e anos, os participantes (eu era bem ativo, agora meus interesses se deslocaram, mas ainda leio embora não escreva mais nada) colocavam suas notas de degustação de vinhos espanhóis num painel. Você compra um vinho, digamos um Pintia 2001 de Toro e vai checar, fulano disse isto e beltrano aquilo e vai se formando um perfil médio do vinho. Isto é grátis e é um guia dinâmico de vinhos mais versátil e útil que todos os impressos.

E a sinceridade dos blogs é o melhor. Descobri por estes dias um chamado “que bicho me mordeu” e coloquei no blogroll ao lado. O casal fala com a autoridade de quem gosta de comida boa,  tem opiniões muito interessantes, sem restrição sobre os lugares que frequenta. Pena que ainda seja tão pequeno, poucos posts. Mas vai crescer. Eu acredito mais em quem saiu de casa, estudou onde ir, fez boca boa e, principalmente, PAGOU, do que em muito marmanjo que só vai nos mesmos lugares ser paparicado pelo chef conhecido e falar bem depois. E chega que ninguém merece tanta conversa no feriado.

Paco, você anda por aí? O chef Marcelo Tejedor da Galicia lançou no Madrid-Fúsion um pão líquido em spray….

Os porquinhos

In Idéias gerais on January 25, 2008 at 11:22 pm

gse_multipart33140.jpgOs dois suínos de Glotonia foram ao Madrid-Fusión discutir os blogs de gastronomia e a crítica. Como sempre quebraram as louças sem piedade, são uns atrevidos estes leitõezinhos rosados. A palestra deles está aqui: http://sapaia.blogspot.com/2008/01/madrid-fusin.html

Pena que a repercussão não esteja, porque a imprensa “especializada” estava prestando atenção apenas nos movimentos e anotando cada palavra de Ferran Adriá. As pessoas continum olhando a árvore sem ver a floresta…Imprensa internacional quase sempre quer dizer “este canapé é meu, dá licença!” e “a que horas é o jantar grátis?”.

Eu acho que quem chama penalti de Donaldi não deve falar de futebol.

Andoni Luis numa sala falando do “Limite da Insipidez”, quem já comeu um dos seus menús degustação sabe disto, a progressão de sabores, a pré-sobremesa no limiar do insosso, o final inigualável [pedi ontem a ele o texto, contarei depois].

 Noutra parte Adrià (sim, ele é grande, mas não por ser número 1 na revista Restaurant) respondendo o discurso pé-no-freio de Santi Santamaria do ano passado.

E noutra, Oriol Rovira demonstrando o fechamento do círculo da sobrevivência no meio rural (e uma forma de evitar a vaca louca, conhecer o que você vai comer desde a origem) de que o Paladar deu uma prévia exclusiva.

E os porquinhos de Glotonia dando uma cotovelada no colega de mesa deles, Carlos Maribona do ABC sob os olhos do nada manso Victor de la Serna (um amigo, mesmo com as divergências, mas ele sabe sobre os vinhos espanhóis). Isto tudo deve ter sido cativante e as ondas ainda chegarão até nós.

Mas quando? Ir ao Madrid-Fusión é antes de tudo entender o que é aquilo. Não é preciso mover o bumbum até lá, mas o cérebro precisa ir.

O item 12 do verdadeiro manifesto dos senhores De Jorge e Etxeberria, meu superiores hierárquicos no mundo de Glotonia:

“Nos rebelamos contra a gastronomia do discurso gratuito, discurso sobre o produto, discurso sobre o assunto, discurso do “pegaistoefazassim”, discurso sobre a preparação, discurso sobre a paisagem, discurso sobre o difuso, discurso sobre o impreciso, discurso sobre a escassez, discurso sobre o morno, discurso sobre o breve, sobre a filosofía, sobre a ligeireza, sobre a quintessencia. A comida acaba por se confundir com o discurso gastronômico”.

E fim do momento hybris.

Sueltos

In Idéias gerais on January 25, 2008 at 10:14 pm

Eric Asimov no seu blog The Pour (endereço ao lado) comenta as cartas de vinho com personalidade do sommelier e as que parecem coleção de grandes rótulos, para exibir.

                                                             ***

Decifrando os vinhos Selbach-Oster das minhas anotações dou com um comentário do Doutor Sérgio de Paula Santos, autor dos primeiros livros sobre vinhos que todos lemos. Sentadinho esperando o táxi na porta do Jun Sakamoto fuzilou: “tem mais de vinte anos que todo mundo canta loas aos Rieslings, depois vão para casa e esquecem”. Espero que desta vez ele não tenha razão…

                                                          ***

Paul Drapper de Ridge para Andrew Jefford: “sabe como faço com vinicultores que não acreditam em terroir? Pergunto: quantos cabernet vc tem? ‘Três’. E são diferentes? ‘Claro, cada um é de um jeito conforme o vinhedo’. Então porque vc não vinifica em separado e engarrafa assim, em lugar de fazer um blend?”.

Chiaroscuro

In Idéias gerais on January 24, 2008 at 5:17 am

1942_hopper_nighthawks.jpgNina Horta (não, não é parente, é amiga. Quer dizer, de tanto perguntarem e de tantos anos de amizade, talvez já sejamos parentes mesmo!) quando acerta na crônica ( e ela acerta bastante) é imbatível. Tenho certeza que ela preferiria que eu dissesse que é uma Elizabeth David, mas está mais para M.F.K. Fisher, de quem gosto mais.

Hoje na Folha conseguiu uma coisa difícilima, pintou com as palavras. Descrevendo um boteco observado da janela do carro fez um quadro de Edward Hopper transposto para São Paulo. Pena que seja só para assinantes, senão copiaria e publicaria aqui. Mas na falta do texto coloco uma obra clássica de Hopper.

Belo presente para a cidade na véspera do aniversário, um retrato urbano com este foco, quem puder que leia correndo.

Patinhos na lagoa

In Idéias gerais on January 24, 2008 at 3:24 am

Sou preguiçoso e folgado, para não sair do bairro, recebo visitas na Brasserie do Jacquin e as visitas é que pagam a conta. Uma lástima de anfitrião!

Nesta semana jantei duas vezes lá. Já falei do confit perfeito. Não falei do vinho, um Carmenere Winemaker’s lot, completamente decepcionante. Doce, muito doce, sem um pingo de acidez, e com 14 de álcool, foi como beber uma garrafa de Porto comendo, mas um Porto chapado, reto como uma planície, nada a ver com os Niepoort.  A carta do Jacquin é boa, tem os fabulosos Rhône de Guigal, mas não são nada baratos, tem os ótimos argentinos de Alta Vista e os Rio Sol, que eu acho subvalorizados, são melhores e com melhor preço do que todo mundo diz.

Mas ontem, como queria homenagear uma amiga de muitas décadas (eu, ela está uma criança) levei um vinho. Peguei um dos meus favoritos de 2007, cujo produtor ficou com o  prêmio Glupt! de revelação, o Travers de Marceau do Domaine Rimbert, Saint Chinian, 2006.

Este vinho, par do Mas au Schiste que Rimbert produz com um corte quase igual (Carignan, Cinsault, Mourvédre, Grenache em proporções variadas) é uma coisa gulosa, cheio de volúpia mediterrânea, mas com acidez da Cariñena pedindo comida e matando a sede.

Quando é servido vem um perfume amável, delicado. Numa degustação no ano passado, para a Gula,  tive a alegria de me sentar entre o Didú e Luciano Percussi. O senhor Percussi com aquele senso de humor contagiante ( e seu caderno de anotações SouthPark!) cheirou, deu um risinho e disse: “É Cirque du Soleil”.

Repito o comentário toda vez que bebo este vinho, porque é mesmo, alegre, descompromissado, bom. Os dois inclusive estão na lista de recomendados da megadegustação da Gula, tanto o Travers quanto o Mas au Schiste.

Com o pato na panela foi melhor ainda. E tem outra vantagem, com seus 12 graus, enxugamos a garrafa sem nenhuma tontura ou sentido de estarmos estufados por uma coisa pesada, pude sair de lá e cair no trabalho de volta; com o potente da outra noite eu caí no sono.  E custa meros 48 reais (para um vinho destes é um tesouro) na De la Croix (www.delacroixvinhos.com.br).

E lá vão eles!

In Idéias gerais on January 23, 2008 at 7:14 pm

Ano passado o Argentina Wine Awards teve júri britânico (já ouvimos esta história antes, no Chile), com Oz Clarke, Jancis e coisa e tal. Deu no que deu, júri mais severo, ganhou um Sauvignon Blanc do ótimo Pulenta Estate. Mas os organizadores sempre querem elogios (opinião minha, hein? Não deles, não coloquem palavras minhas na boca deles, basta um processo na vida) e trocaram neste ano. Adivinhem quem está no corpo de jurados? Quem disse Jay Miller leva o troféu RP100.

É fácil. Os críticos não gostaram dos vinhos? Troquem-se os críticos.

Em tempo: não estou suspeitando da lisura do prêmio, o júri tem Patricio Tapia também, que é muito sério. Apenas reforço algo que comentei lá atrás, é possível definir resultados pela escolha de um grupo de degustadores. Como o Jay-Jay gosta de vinhos bomba (deu 100 pontos na Espanha para Pingus e não para Vega Sicilia…) isto já pressupõe uma performance melhor para os vinhos pesadões e um prejuízo para os bons vinhos equilibrados da Argentina. Uma pena, mas orgãos comerciais de exportação querem resultados rápidos. A Wines of Argentina mira nos grandes mercados americano e inglês e colocar uns prêmios nas garrafas ajuda, vinho é uma paixão, mas é um negócio e não é feio que seja, apenas é bom ter tudo isto em mente e relativizar premiações e concursos e pontuações.

Editorial

In Idéias gerais on January 23, 2008 at 5:07 pm

Didú Russo, uma das pessoas cuja opinião escuto,  mandou um recado que eu transformo aqui em editorial, pois disse tudo e muito melhor que eu, acho que ele vai ser o Hugh Johnson quando crescer…

bowtie.jpg“Luiz amigo, saúde.

Eu gostaria de dizer aqui no seu espaço que acho que o mundo vai terminar com quatro tipos de vinho: 1) Os ícones tipo os grand cru classé, os Gaja, os Vega Sicila, etc. Ícones que cada vez custarão mais e mais. 2) Vai ter a mesmice que será formada por vinhos sem caráter mas bons, aqueles que serão a maioria, aqueles que no novo mundo querem ser velho mundo e vice versa, esse será o grande mercado “secondo me”. 3) Os famosos sem carater com notas altas de “especialistas” em dar opinião para quem não tem opinião. Paciência sempre haverá. 4) depois graças a Deus ou a São Vicente ou sei lá a quem teremos os rabugentos adoráveis que querem que o Parker se dane, que as notas e os modismos se danem, são os Tondonia, os Mastroberardino e cia ltda. que GRAÇAS a Deus continuarão a fazer vinhos que expressam o seu “terroir” sua cultura a “Alma de um povo” parodiando o mestre Dali.”

Montelena

In Idéias gerais on January 23, 2008 at 1:55 am

De qualquer maneira é impossível não soltar um sorrisinho lendo que o Château Montelena, que venceu como branco todos os franceses, teve as seguintes notas dos jurados, dentre eles o recentemente desaparecido Vrinat do Taillevent e M. Aubert de Villaine em pessoa:

1st 18.5 Mr. Claude Dubois–Millot – Directeur Commercial “Le Nouveau Guide”
1st 18 Mr. Aubert de Villaine – Co-Gérant, Domaine de la Romanée-Conti
1st 17 Mr. Raymond Oliver – “Le Grand Véfour”
1st 17 Mr. Jean-Claude Vrinat – “Taillevent”
1st 16.5 Mr. Christian Vanneque – Chef Sommelier, “La Tour d’Argent”
1st 16.5 Mrs. Odette Kahn – Directrice, Revue du Vin de France
Vintage Wine Place Total Points No. of first place votes
1973 Chateau Montelena 1st 132 6
1973 Meursault-Charmes (Roulot) 2nd 126.5 0
1974 Chalone Vineyards 3rd 121 3
1973 Spring Mountain 4th 104 0
1973 Beaune-Clos des Mouches (Drouhin) 5th 101 0
1972 Freemark Abbey 6th 100 0
1973 Bâtard-Montrachet (Ramonet-Prudhon) 7th 94 0
1972 Puligny-Montrachet ler cru “Les Pucelles” (Dom. Leflaive) 8th 89 0
1972 Veedercrest 9th 88 0
1973 David Bruce 10th 42 0

Engasgo anunciado

In Idéias gerais on January 23, 2008 at 1:46 am

bottleshockposter.jpgSujeito idealista larga tudo e vai para o Oeste acreditando que pode arrancar daquele chão árido o melhor Chardonnay e um grande Cabernet. Ele e outros…Depois de muitas crises conseguem que seus vinhos sejam avaliados contra os maiores franceses da época e ganham. Se isto parece interessante num cinema, duas horas para assistir um comercial de vinho californiano, não perca “Bottle Shock” que estréia nos Estados Unidos e logo chega aqui.

É uma adaptação do livro (bem maçante) sobre o tal “Julgamento de Paris”. O livro tinha dois capítulos legíveis, um que contava de maneira floreada a história da lojinha de Steven Spurrier em Paris e o outro que tratava da degustação própriamente dita. O resto era esta história de conquista do Oeste, rags to riches, e blá-blá-blá. O filme (quer dizer, este filme, como se não bastasse estão fazendo outro baseado na mesma coisa!) é em cima da parte chata do livro. Vi o trailer na internet e só posso dizer: Include me out!

[em compensação, na lista de "ainda não vi, mas já adorei": I'm not there, sobre Bob Dylan. Nem tudo é vinho na vida]

Santa surpresa, Batman!

In Idéias gerais on January 22, 2008 at 9:11 pm

brumont.jpgFalando em Tannat me lembrei de uma coisa curiosa, acontecida uns 3 anos atrás. A importadora Decanter trouxe Alain Brumont, o mais conhecido produtor do Madiran ( de onde a Tannat original saiu).

Aconselhado pelo meu amigo José Luiz Pagliari (sempre se deve escutar o Pagliari quando se trata de vinhos, ele sabe tudo) fui provar os tintos do Monsieur. Os brancos também, que são excelentes. Houve uma vertical dos seus dois tops, o Château Bouscassé e o Château Montus. Não sei onde estão minhas notas da prova, mas foi longa e muito reveladora, os vinhos envelhecem muito bem, ganham complexidade e perdem a agressividade dos taninos duros da uva sabidamente complicada.

Até aí tudo bem, era o que se esperava, vinhos diferentes mas feitos com mão de mestre. O queixo caiu com o vinho mais recente. E foi uma perplexidade geral, lembro bem que houve um certo múrmurio no público, que era razoávelmente grande.

Simplesmente porque Brumont, de repente, mudou totalmente o estilo dos vinhos e suas últimas safras eram, nem mais e nem menos, vinhos do Novo Mundo. Ou seja, o contrário do que os produtores daqui querem fazer. Ele, que é francês, tentando fazer Tannat das Américas. Engraçado, não?

A Cordilheira

In Idéias gerais on January 22, 2008 at 7:54 pm

america_torres_garcia.jpgNo instigante blog Carta de Vinhos do Ricardo César (o link está aí ao lado) está rolando uma discussão muito interessante: que país você prefere? qual parece ter chegado a melhores vinhos na atualidade? Chile ou Argentina?

Não é um bate-papo de mesa de bar, por trás disto está uma questão muito importante: qual deve ser o estilo da vinicultura do continente. Eu oscilo bastante, quando disse que o melhor vinho argentino que já tomei foi o Catena Alta Cabernet Sauvignon, foi uma declaração baseada em duas coisas, ele é um vinho muito elegante e muito francês. Então vem aquele monstrinho da dúvida (eu sou meu próprio ombudsman, já disse) e me cutuca: mas vinho francês não devia ser feito na França? E afinal, o que é a elegância?

É verdade. Meu amigo Didú sempre afirma a mesma coisa, que a identidade dos vinhos precisa ser mantida. E tem razão. Entendo que os produtores queiram emular (opa! hoje abri o dicionário!) os vinhos mais caros e desejados, Bordeaux e Borgonha, sendo que pelo temperamento mais indomável da Pinot é sempre mais simples tentar ser Bordeaux.

Só que isto tem um preço, a curto prazo os vinhos vendem por serem “tipo Bordeaux” custando muito menos. A médio prazo pode significar o sacríficio de uma cor local que seria a garantia de mercado quando as pessoas quiserem algo diferente.

Por isto eu prezo o Uruguai. Além de alguns ótimos vinhos e um potencial largamente inexplorado, o querido país vizinho ainda tem se mantido definitivamente uruguaio. Digo ainda pois a ameaça de uma Tannat mais elegante e querendo ser outra coisa existe. Mas por enquanto a Tannat uruguaia é única, cheia de identidade, auto-confiança e sem vergonha nenhuma de ser como é.

Mas fico por aqui. Vale ler o post do Ricardo e depois opinar sobre de que lado da Cordilheira você prefere estar.

[a imagem é o famoso mapa da América do artista uruguaio Joaquim Torres Garcia]

Tempo portátil

In Idéias gerais on January 22, 2008 at 1:41 am

Ainda o assunto safras. Fui jantar na Brasserie do Jacquin, um confit de pato tão saboroso, muito bem feito, o que mostra que o Jacquin não dorme sobre os louros e tomilhos, ganha os prêmios mas continua caprichando. E o assunto à mesa foram as safras.

Alguém disse que os californianos finalmente aprenderam com o pessoal de Bordeaux, antes que surjam dúvidas sobre os vinhos de determinado ano declaram logo que foi a Safra do Século e tocam prá frente. E assim se sucedem os anos maravilhosos, os perfeitos e os muito bons. Não tem ano ruim. E cada uma é a Safra do Século da semana passada…

Mentem? Não exatamente. Primeiro porque (esta a tese de Sir Hugh que só consigo tangenciar, aquela coluna fininha de Decanter tinha muita concentração): de fato não há mais ano péssimo para uma região inteira, a técnica (não vou falar tecnologia que causa confusão entre os termos) e o controle sobre os vinhedos permite evitar os problemas mais complicados, que podem até assolar uma propriedade, mas dificilmente afetarão um espaço muito amplo.

Esqueçam aquelas tabelinhas, elas servem para marcar livros, mas têm pouca utilidade. O exemplo mais claro é a Rioja, um lugar enorme, com 3 sub-regiões: a Alta, a Baja e a Alavesa e inúmeros climats. Quem define a qualidade da safra é o conselho regulador, sediado em Logroño, que dá aquele carimbão em cima: ANO BOM. Ou ANO EXCELENTE.

É possível imaginar que este carimbo abrangente dê realmente conta de definir tudo que se passou em centenas de vinicolas? Nem merece resposta. E mesmo que fosse definidor com este rigor, lembro de Kermit Lynch dizendo (sobre a França e sobre anos mais indomáveis da vinicultura) que tomou um sem número de garrafas inesquecíveis de anos e lugares considerados ruins ou fracassados.

Bafafá

In Idéias gerais on January 21, 2008 at 4:25 pm

Perplexidade nas margens do Garonne, Jancis Robinson que soltou a bomba, Robert Parker não irá a Bordeaux este ano, fazer sua tradicional avaliação dos vinhos, pois será submetido a uma cirurgia. E como fazem os que precisam das notas dele para saber o que comprar, quanto pagar, quando beber, como se comportar, o que dizer, o que pensar, o que comer, como viver? Como sobreviverão os que só vivem com o GPS de Parker?

Atualização médica: Novo boletim sobre as costas de Mr.Parker. O famoso advogado de Monkton, Maryland, já foi operado e se encontra em casa. Deu 95 pontos para a cirurgia (isto é gozação, mas ele elogiou a anestesia, de verdade), o que fará seguidores do mundo todo se submeterem a igual procedimento hospitalar. E não irá mesmo a Bordeaux. Há discussões longas e divertidas nos foros de vinho sobre como isto afetará os preços dos vinhos. Como sugeriu sem dizer Hugh Johnson na coluna da Decanter, os produtores da região rapidamente declararão esta como a “Safra do Século”  e os vinhos de 2005 que Parker provaria (de uma Safra do Século também) terão todas as garrafas vendidas, como sempre.

Imagem dominical

In Idéias gerais on January 20, 2008 at 1:17 am

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La Vendimia, de Goya (obrigado ao Raul que me mandou a reproduçao da pintura, que suponho esteja no Museu do Prado).

Hugh Johnson ilumina o sábado

In Idéias gerais on January 19, 2008 at 4:32 pm

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O Luiz Américo do Paladar que me chamou a atenção para uma coluna discreta e esquecida numa página interna da Decanter de janeiro. Nela Sir Hugh solta uma bomba de proporções gigantescas, mas com a sutileza habitual deste melhor wine writer do mundo: o assunto safra já não tem assim tanta importância, com todos os recursos da vinicultura atual. Claro que para os iniciados é sempre uma delícia ficar discutindo a chuva na primavera em Crozes-Hermitage, ou a insolação sobre a face norte dos vinhedos que acompanham o Danúbio, no Wachau. Para isto ele inventou e co-edita o Atlas Mundial do Vinho.

Mas para o público isto não tem utilidade alguma e é puro pedantismo da crítica despejar todas estas informações sobre a cabeça das pessoas, que querem apenas beber um bom vinho de preço justo, acompanhando uma comida adequada e gostosa.

Ou dizendo de outra forma, não precisamos saber sobre escalas maiores e menores ou distinguir um sol de um si bemol para ouvir com emoção as Variações Goldberg de Bach.

Eu quero ser o Hugh Johnson quando crescer!

A lista de Chile

In Idéias gerais on January 18, 2008 at 11:28 pm

Eis todos os vencedores dos Wine of Chile Awards, ouro, prata e bronze.

http://www.winesofchile.org/article/37

O grande vencedor foi o Ossa, Six Generation, 2004, Viña de La Rosa, vinho que não existe no Brasil, embora a importadora Palluani traga a linha Don Reca da vinícola, cujo Merlot 2005 me deixou ótima impressão (78 reais a garrafa).

O júri de britânicos não poupou ninguém e mandou bala nos habituais suspeitos: excesso de madeira, excesso de álcool, garrafas pesadas demais. E estamos conversados. Acho que agora que o Parker declina e há um consenso se formando contra o suco de carvalho alcóolico, entraremos num período melhor para os vinhos.

Considerações rápidas

In Idéias gerais on January 18, 2008 at 8:35 pm

Ainda os prêmios do Chile, os jurados do ano passado eram sómente americanos, dentre eles o notório Jay Miller ( o homem do Parker para Espanha e outras quebradas). Acho que está na hora de esclarecer uma coisa, Robert Parker não existe! Não como se pensa, uma entidade única que prova todos os vinhos do mundo. Ele tem pessoas que fazem isto para ele em determinados lugares, ocupando-se principalmente de Bordeaux e Califórnia. Este Jay Miller é de lascar, a visão dele sobre a Espanha um equívoco absoluto. Já o cara de Alemanha e Aústria, David Schildknecht, não podia ser melhor, é um dos melhores conhecedores dos vinhos germânicos.

Pois bem, o Chile. Neste ano os jurados são britânicos, com 3 Masters of Wine dentre eles, uma delas sendo a Julia Harding, assistente de JR. É curioso ver como diferem mesmo os palatos dos dois lados do Atlântico. Enquanto americanos deram 30 medalhas de ouro os ingleses apenas 12. Os americanos premiaram vinhos potentes, os ingleses mais que tudo, Cabernets ou cortes sutis. Não é assim tão simplista, mas todo corpo de jurados já é em si mesmo uma escolha.

Como eu previa…

In Idéias gerais on January 18, 2008 at 8:00 pm

Os comentaristas políticos e esportivos sempre acertam nas suas previsões, pois ninguém verifica mesmo. Eu podia fazer igual, já saiu o resultado dos Wine of Chile Awards, mas de maneira não oficial, estou esperando a organização postar o resultado para divulgá-lo aqui.

Só que EU ERREI INTEIRAMENTE, hahahaha. Os brancos tiveram performance modesta, ao contrário do que pensei que teriam. A Carmenere que considero uma das uvas mais sem graça no universo vinícola atual também. Quem de fato se saiu bem foram os Cabernet Sauvignons, de longe a uva mais premiada nos vinhos que ganharam medalha. E Syrahs, Pinot Noir e cortes com vinhos aqui e ali. Logo porei a lista completa.

Confidência

In Idéias gerais on January 18, 2008 at 6:23 pm

Ainda no assunto madeira. Tomei alguns bons brasileiros ano passado, mas os melhores vinhos brasileiros que já provei, não tinham madeira, como os do tristemente desaparecido Ivo Pizzatto ( o Chardonnay ótimo, o Merlot e o rosé de Merlot elegantes) e os Dal Pizzol (idem Chardonnay, o Pinot Noir, o Tannat).

Pronto, falei!

Surfando e roubando

In Idéias gerais on January 18, 2008 at 6:21 am

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Foto histórica chupada do site de Gerry Dawes, não estava escrito copyright e achei que os leitores do Glupt! iam se divertir com ela. Sentadinhos, lado a lado, Salieri e Mozart, ooops, quer dizer, Santi Santamaria e Ferran Adriá, tendo ao lado Paul Bocuse e Arzak, 12 estrelas Michelin deste brilho não são vistas no mesmo tamborete com regularidade.

O mistério da madeira interminável

In Idéias gerais on January 18, 2008 at 5:48 am

michaux-common-oak.jpgDidú Russo levantou o assunto e o João Filipe completou a dúvida: mas de que tamanho são afinal estes bosques de carvalho franceses para que tantos tonéis saiam de lá?

Como o Glupt! sempre escuta os amigos, fomos pesquisar. E o resultado é surpreendente e um pouco humilhante para nós desmatadores brasileiros. A França, pouco depois da última grande guerra, começou a reflorestar o país. De 1947 para cá recuperaram 2 milhões de hectares de florestas. São cerca de 14 milhões de hectares no total, das quais perto de 2 milhões de carvalho que serve para tonéis. Informações do citado Mel Knox.

Mas tem mais, no site oficial Inventaire Forestier National (http://www.ifn.fr/spip/) está a informação de que 28% do território francês é de florestas, que representam 40% da área florestal européia! E o dado mais importante: para cada metro cúbico derrubado crescem 3 por ano. Então há madeira para dar com o pau, se posso fazer a brincadeira.

Estão sentadinhos? A floresta francesa fornece anualmente 103 milhões de metros cúbicos de madeira para todos os usos.

E nós com isto? Bom, primeiro a tristeza e vergonha por nossas braúnas, jacarandás e até o Pau-Brasil que nomeou este país cortador de matas, todas tornadas raríssimas. Depois saber que os vinhos têm carvalho praticamente infinito disponível (porque isto é a França, ainda tem o carvalho americano, húngaro, russo, esloveno…). O que não quer dizer que o uso indiscriminado e os sucos de madeira que muitas vêzes bebemos sejam desejáveis. Fora que o preço subiu, em 2007 o preço do carvalho francês subiu em média 20% e com a desvalorização do dólar frente ao euro uma barrica está pela casa dos mil dólares! Se pensarmos em todas as barricas de primeiro uso sendo importadas aqui pelos produtores do Novo Mundo, isto conta muito na composição final do preço dos vinhos.

A volta de Mel Knox

In Idéias gerais on January 18, 2008 at 2:47 am

barrels.gifInfelizmente, no mundo dos vinhos, tem certas coisas que ficam secretas. Não porque sejam segredo, mas por não terem um interesse tão grande a ponto de serem notícia. Algúém já ouviu falar em Mel Knox? Quem participa do forum de JR já, quem tem o Oxford Companion to Wine também, ele é um toneleiro da Califórnia que assina os verbetes sobre carvalho, tonéis, madeira no livrão. Mas um lado do MK que passa batido é seu feroz senso de humor. Recebo umas newsletters dele faz bem uns 4 anos e agora passaram a ser “eletrônicas” (nada do que se pensa, pdf colorido, é apenas um email com um arquivo em word falando de barricas) e tem sempre alguma pérola de gargalhar. Não resisto a dividir uma delas:

“Todas nossas barricas são feitas com madeira de árvores plantadas por Joanna d’Arc e as aduelas foram massageadas por Carla Bruni enquanto secavam por dez anos e todos nossos toneleiros ganharam a Legião de Honra…”

Dá prá ver que o estilo é o homem.

[a ilustração é o logo da empresa dele]

Flopou o caso Rodenstock?

In Idéias gerais on January 18, 2008 at 12:24 am

jefferson.jpgThomas Jefferson, terceiro presidente dos Estados Unidos, foi embaixador na França e era um amante dos vinhos. Algumas garrafas que teriam pertencido a ele foram leiloadas anos atrás, oferecidas por um alemão chamado Hardy Rodenstock. Acontece que um dos compradores, depois de muitas peripécias, cismou que as garrafas eram falsas, e tudo indica que eram mesmo. O caso explodiu com mais intensidade ano passado, rendeu um ótimo artigo na New Yorker e outro na Decanter e muito ti-ti-ti nos meios vinícolas. Agora a corte de Nova York decidiu que não tem autoridade para julgar o processo, pois Rodenstock não violou nenhuma lei local, a venda foi feita na Inglaterra e tal, filigranas jurídicas. Ainda tem muito vinho, falso ou verdadeiro, para rolar neste assunto.

Bom de preço

In Idéias gerais on January 17, 2008 at 3:17 pm

Quem quer achar bons vinhos com preço simpático visita o blog amigo do João Filipe Clemente. Hoje ele dá umas sugestões em torno de 25 reais (muitos vinhos abaixo deste preço) todas pesquisadas e provadas por ele. Estou correndo para comprar algumas garrafas, mas ainda vai sobrar para todo mundo. O link é este:

http://falandodevinhos.wordpress.com/

O João além de tudo tem no currículo ter enfrentado os Pumas algumas vezes, coisa para poucos.

Paladar, hoje

In Idéias gerais on January 17, 2008 at 3:49 am

Além da impecável (como sempre, inclusive graficamente) matéria de capa sobre o azedo, tem uma matéria assinada por este vosso criado. Depois que todo mundo tiver lido e se enfronhado do fascinante mundo campestre que visitei, conto os vinhos que bebi lá.

Vinhos voadores

In Idéias gerais on January 17, 2008 at 3:09 am

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Impliquei com a TAM num post aí no passado. Mas li a lista de vinhos que meu amigo Arthur Azevedo selecionou para serem servidos à bordo e já fiquei interessado. Cito apenas duas coisas, champagne Drappier e os Rieslings maravilhosos de Selbach-Oster. A lista completa está na Wine Style. Pena que seja na classe executiva, os vinhos estão ótimos, falta eu viajar de business agora.

Rir, rir, rir

In Idéias gerais on January 17, 2008 at 3:05 am

Hoje tirei o dia para me divertir. Começou o Febeapá do Fashion Week. Vivienne Westwood não quis ficar hospedada como caroço de melancia. Entendo e aprovo, tem coisas que são medonhas, o Unique é uma delas. Depois uma blogueira falou em “cores andinas do México” (opa! lá vão os Andes invadindo tudo). E está só começando.

Os caminhos de Swann

In Idéias gerais on January 17, 2008 at 2:22 am

Estava lendo na Gula aquela parte em que as pessoas contam algo que beberam e foi inesquecível. Sempre é bonitinho, o vinho com o pai, um Porto tomado com a tia bem proustianamente. Mas nesta edição tem um famoso cantor, um sujeito bem simpático, cujo momento inesquecível me deixou tentando imaginar a logística. Ele e a mulher, na jacuzzi, à luz de velas, 4 garrafas de vinho. Quatro! Um champagne e três tintos, todos excelentes. Mas como será para manter a temperatura, abrir, servir…e depois do tempo que ficaram lá na água, imagino que tenham saído, além de…bem…tontinhos, um pouco enrrugadinhos também. E ainda tinha as velas! Na dúvida entre imaginar a cena filmada por Fellini ou Woody Allen, preferi optar por Buñuel. E os dois devem ter virado duas ameixas em conserva. Ou não? Prefiro não experimentar, vinhos destes acho melhor à mesa mesmo.

uma imagem para refrescar

In Idéias gerais on January 16, 2008 at 7:28 pm

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Dois anos atrás, em San Vicente de la Sonsierra, na Rioja Alta, período de fim de colheita, uva Tempranillo.

O cacau

In Idéias gerais on January 16, 2008 at 6:03 pm

Revista Gula especial sobre Vinhos, que está nas bancas (e só vi hoje, sou muito devagar!) tem um artigo meu sobre…haha, peguei vocês!…não é sobre vinhos, sobre chocolate. Quando fui em outubro a Paris para o Salon du Chocolat tive a chance de provar todos os diferentes terroirs em que nasce o cacau, da África ao Oceano Pacífico. E para a Gula voltei a prová-los com vinhos e sugerir umas novas harmonizações (detesto esta palavra, mas ainda não achei melhor, combinações talvez?). Está tudo lá, quer dizer, tudo que eu penso, porque neste assunto nunca se chega a uma única e definitiva conclusão.

O que vem por aí

In Idéias gerais on January 16, 2008 at 5:23 pm

Esta semana promete polêmica. Um grupo de alto nível de jurados ingleses está avaliando os vinhos chilenos para os Wines of Chile Awards 2008. No ano passado deu um Sauvignon Blanc como melhor vinho. Neste ano a coisa vai pelo mesmo caminho, vinhos bons, bem feitos do ponto de vista técnico, mas uniformes demais. Os brancos é que estão melhorando por lá e com certeza é deles que se pode esperar coisa, pensando no único Riesling que eu me lembre aqui na Sudamérica que é Riesling, o Cono Sur. Esperemos, os resultados saem dia 17, mas aqui e ali já se captam alguns sinais de que o Chile ainda é um país confiável mas que entusiasma pouco. Depois conto uma coisa que Jean-Guillaume Prats me disse quando almocei com ele…

Gosto que me enrosco

In Idéias gerais on January 15, 2008 at 12:41 pm

O Glupt! aprova tampas de rosca, para brancos jovens principalmente. Então quando chega a notícia que o Casillero del Diablo Sauvignon Blanc passa a ser engarrafado usando este fechamento, o blog festeja.

frase certeira

In Idéias gerais on January 13, 2008 at 5:58 pm

Toda a discussão sobre carvalho e vinho, uso de barrica nova ou de segundo ou até mais usos, carvalho tostado ou médio, do bosque de Allier ou americano, húngaro, esloveno…ontem li uma frase de Gerald Asher que decidiu a questão, pelo menos para mim: “Carvalho é como alho na comida, se dá para notar em demasia é porque foi utilizado com exagero”.

Uma no cravo…

In Idéias gerais on January 11, 2008 at 4:02 pm

parker_51_cover.jpg Embora continue achando o sistema de pontos de Parker uma coisa binária (acima de 90 ou abaixo de 90) e não dê bola para estas notas (meu número Parker favorito é este da ilustração, a parker 51), tenho que admitir que de vez em quando ele acerta no alvo. Acabou de dar noventa-e-tantos pontos para os vinhos de vinhedo único da Trapiche.

Explico, a Trapiche é imensa, deve ser a maior produtora de vinhos da Argentina, e tem um ótimo enólogo geral, Daniel Pi. Como eles produzem uvas mas compram também, de pequenos produtores cujos vinhedos acompanham, o Pi teve a idéia, uns anos atrás, de escolher os três melhores dentre os 80 fornecedores de uvas Malbec, vinificar em separado e engarrafar com o nome do proprietário, criando uma linha de Single Vineyards. São três anos até agora, 9 vinhos únicos assinados.

Deu muito certo, primeiro porque é um trabalho bonito, valoriza  pequenos produtores que nunca sonhariam em ter um vinho com seu nome na etiqueta. Depois porque mostra aos “terroiristas” absurdetes, aqueles que acham que não pode haver terroir fora de uns quilômetros quadrados na Borgonha, que sim, há diferenças marcantes entre vinhedos em Mendoza, ou em qualquer lugar, desde que se “escute” a geologia, a geografia e a climatologia.

Em resumo: o RP valorizou estes vinhos, dando notas altas e exaltando a singularidade de cada um. Ponto para o rei dos pontos.

Vexame

In Idéias gerais on January 11, 2008 at 12:48 pm

Gente! Que vergonha, não saber fazer contas tudo bem, mas não saber em PÚBLICO fica feio. O Tulio (obrigado Tulio!) num comentário ao post anterior recoloca minha louca artimética no seu devido lugar. Meu consolo é saber que com esta capacidade para os números já me qualifico para ministro da fazenda de qualquer país do mundo!

Aritmética

In Idéias gerais on January 10, 2008 at 4:34 pm

O Glupt! hoje atingiu a marca dos 10 mil visitantes! Obrigado visitantes amigos. Fiz um cálculo divertido. Se eu servisse uma tacinha a vocês para comemorar, com 200 ml. cada (repetindo, né?), seriam quase 3 mil litros de vinho, ou seja, 3750 garrafas, mais ou menos, ou seja, mais que toda a produção de 1 ano de Romanée-Conti. Somos uma multidão sedenta, hahahaha! Vamos invadir um vinhedo e comemoramos lá.

Em tempo, um P.S. meu mesmo: burro! 10 mil visitantes por 200 ml são 5 mil litros, ou seja, 6250 garrafas! Vamos ter que apelar para vinhedos vizinhos, um Richebourguizinho, para ajudar…

Momento mastigável

In Idéias gerais on January 9, 2008 at 12:49 pm

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Os dois gentilhomes bascos, David de Jorge e Hasier Etxeberria, fundadores e proprietários do país de Glotonia (que me honram com o título de Embaixador de Glotonia para São Paulo, razão do meu passaporte diplomático e da matrícula de corpo consular na minha bicicleta) lançam agora um site novo, chamado RECETANIA, a cozinha sem besteiras.

Pouco a pouco  a biblioteca de Babel de Borges vai tomando forma. Já é possível consultar tudo neste livro sem príncipio ou fim que é a internet. No caso da RECETANIA  um ótimo livro de receitas clicável por ingredientes, pratos ou ocasiões. Pena que seja só em castelhano e euskera, por enquanto. Então vamos lá, para a cozinha! Testar uns pratos.

O link é:

http://recetania.com/

Boa novidade

In Idéias gerais on January 8, 2008 at 12:55 pm

Marcelo Katsuki, multifacetado blogueiro, resistente à pimenta mas alérgico a sorvetes, bom companheiro de mesa e prêmio Glupt 2007 (hahaha, deixa eu puxar a sardinha para minha brasa) me mostra uma ótima novidade, um site que pode vir a ser o wine-searcher versão brasileira.

Coloquei o primeiro vinho que me veio à cabeça, um Alión. Apareceu o 2002. Tem algumas opiniões mas está no início, vai com certeza se enriquecer com a contribuição dos usuários. E vai facilitar a nossa vida bastante, achei muito bom e vou fuçar um pouco mais. Obrigado Marcelo!

O link é este:

http://www.vinhovirtual.com.br/default.asp

Agora vai!

In Idéias gerais on January 7, 2008 at 1:38 pm

Depois de tempos sendo a favorita da crítica, mas ignorada ou menosprezada pelo público, a Riesling pegou no gosto de todos. É o que anuncia Jancis Robinson hoje, num artigo brilhante no seu site, que pode ser lido aqui: http://www.jancisrobinson.com/articles/20080105

Isto é um empurrão para eu decifrar minhas garatujas sobre os vinhos de Selbach-Oster tomados no fim do ano passado. Não tem mais jeito, o ano começou! Não adianta eu tentar adiá-lo.

Os reis. Parte 2

In Idéias gerais on January 6, 2008 at 2:30 am

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Eu ia contar a história dos Reis, da sua visita ao recém-nascido, do ouro, incenso e mirra. Mas a Roberta Malta, minha companheira blogueira, já fez o serviço completo aqui:

http://www.jblog.com.br/robertamalta.php

Então só me resta desejar: Felices Reyes! a todos os leitores. Um ano cheio de doçuras, ouro, incenso e vinhos (mirra era um analgésico e trazia implícita a cruz futura do nenê).

Debatezzzz

In Idéias gerais on January 6, 2008 at 12:49 am

ita-005.jpgita-017.jpgMe preparei aplicado para ver os debates da eleição americana. Tomei um Jack Daniels com muito gelo, mais gelo que bourbon, como eu gosto, durante os republicanos. E uma taça de Taittinger durante os democratas. Bom. Antigamente se dizia que a diferença de um republicano para um democrata era que uns fumavam charuto e outros cachimbo. Agora que fumar ficou incorreto…eles estão idênticos. Então falemos de champagne.

O ano passado não foi para mim um grande ano de champagne, bebi poucas. Não houve a epifania de 3 anos atrás, almoçar com todas as Bollinger possíveis (“Bolli, dahling!”, como diziam as Absolutely Fabulous) , inclusive uma R.D. que nunca mais esquecerei, o momento exato em que entendi que champagne não é pérlage e pop, é vin de Champagne, um vinho complexo, blanc de noirs, capaz de evolução, de maturidade…Nem o ano seguinte, em que fiz contato com a Substance de Selosse, um vinho intergalático.

A Ruinart foi uma certa decepção. Bem feita, mas sem complexidade, vinho de prancheta, tudo ali no lugar, mas sem emoção. Já a Taittinger é outra conversa, é melhor no nariz talvez, belos aromas de brioché (o briochado, palavra feia, dos bons espumantes), toque do licor, um ligeiro cheiro de anchovas que eu gosto. Na boca é fresco mas encorpado, tem peso, substância, tem a alma da Pinot com a eletricidade da Chardonnay. Só desbalança um pouco para o licor, que aparece mais que devia. E um  leve, muito leve amargor, mas fica na boca. Por isto foi minha escolhida como favorita do Glupt! E nesta altura já tinha me esquecido da eleição lá de cima…

Um P.S. necessário: o paralelo vinícola é irresistível. Os republicanos são mais carménere. Os democratas são mais divertidos, no sentido de variados, tem Pinot Noir e Riesling, tem até um vinho do Porto…hehe.

Interrompemos nossa programação…

In Idéias gerais on January 5, 2008 at 5:58 pm

oldtelegram-02label.jpgpara um telegrama de um dos nossos líderes, Randall Grahm! A notícia já está meio velha de duas semanas, mas o meu winemaker aloprado favorito (e talentoso), decidiu estampar nos seus vinhos de Bonny Doon, tudo que está lá dentro. Ou seja, o que foi usado na sua feitura, como o dióxido de enxofre que está dando tanta polêmica entre os biôs (Grahm é biodinâmico, mas não usa chapéu de Napoleão. Ele é manso…apesar de meshuga pra caramba). Como os rótulos dele já são únicos, pelo desenho e nomes divertidos, a exibição do próprio processo de elaboração do vinho é uma ótima adição. Só espero que gente menos bem intencionada não passe a estampar nos rótulos coisas como li hoje no pacote de ração que comprei para a Frederica, vinha um negócio como taurina e dizia bombásticamente: beleza! elegância! alegria!

Em tempo, o Old Telegram é um vinho de Mourvédre feito pela Bonny Doon, uma brincadeira com o nome do Viéux Télègraphe, mas muito sério no líquido. Um vinho que permite o uso da palavra “voluptuoso”, e também guloso, perfumado, com aquele toque untuoso desta uva (melhor parar antes que repita o rótulo da ração…). Em suma, um vinho gostoso e bem feito, que provei ano passado quando fui conhecer a sede da importadora Vinci. Quando abrimos a garrafa, de tampa de rosca, o ambiente se perfumou e ele só foi melhorando no copo, e deixou saudade no final, saudades que duram até hoje. Apesar de californiano (tudo a ver com os Rhône Rangers, dos quais Grahm foi um membro ativo) é muito sul da França. No site da Vinci Vinhos não diz se ainda tem, vou procurar o catalógo, tarefa meio difícil aqui em casa, achar algo impresso no meio das pilhas de coisas.

Dia de fábula: O(s) Rei(s) parte 1

In Idéias gerais on January 5, 2008 at 10:53 am

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Era uma vez um bicho-papão muito cruel que vivia num país imaginário chamado Hesperia. Quando ficou velho, ali pelos 138 anos de idade (os bichos-papões vivem muito, infelizmente, em especial os das espécies Ogrus Hispannicus, Ogrus Chiliensis e Ogrus Cubannus), sentindo que ia morrer, escolheu um ogrinho para continuar seu trabalho de devastação dos povos do reino.

Mas o ogrinho cresceu e virou príncipe e depois rei e ajudou o reino a se livrar para sempre do homem ruim. Hoje os países que estão ali no reino vivem felizes, aos safanões amorosos e cotoveladas, como todo mundo, com suas aldeias de irredutíveis moradores, como Ibarretix, Fragalix e Pujolix , bebendo dos melhores vinhos e comendo a melhor comida do mundo, desde que os bardos não cantem…

 Uma fábula bonitinha, né? Então brindemos ao rei que faz 70 anos. Não com Vega Sicilia, ele não é tão austero, é mais para um Alión.

Tarde livre para compras

In Idéias gerais on January 4, 2008 at 6:55 pm

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Let’s have a walk!

Dei uma relaxada hoje e não postei nada! Sai com a Frederica para dar umas voltinhas e aproveitar a tarde agradável e silenciosa aqui na ilha. Amanhã volto com artilharia pesada, preciso escrever as notas de degustação dos Selbach-Oster e outros mais.

Taninos

In Idéias gerais on January 4, 2008 at 10:48 am

A minha amiga e fonte de conhecimento, a Neide Rigo, do blog Come-se (link ao lado no blogroll) dá uma dica para conhecer taninos: “Melhor que chá preto, onde os taninos já estão bem domados, sugiro caqui verde, para uma experiência extrema. Eles estão presentes em quantidade absurda e estado absolutamente selvagem”. Magister dixit.

No soup for you!

In As crônicas mundanas de Glupt! on January 3, 2008 at 10:43 pm

Último comentário cinematográfico antes que me mudem de ramo. Isto é um blog sobre vinhos! Mas hoje tirei uma folguinha, hepato-férias. E descobri montes de novidades, que todo mundo já deve saber, como as do Agente 86 e agora, o chocolate final do dia, aquele com menta que aparece no travesseiro do hotel: um filme novo de Wes Anderson! Se já tiver passado aqui em SP não me digam! The Darjeeling Limited. Oba!

P.S.: Só para não ficar totalmente afastado do assunto, lembrei de uma lojinha de Londres, H.R.Higgins (tem 10 anos não vou lá, olhei no Google o endereço, já não dava para ter de mémoria: 79 Duke Street)black_darjeeling_second_flu.jpg, onde vendem a granel o melhor Darjeeling possível. E quem quer saber o que é tanino…nada mais exemplar que chá preto: verdadeira aula de tanino.

Momento “velho truque da madeleine proustiana”

In Idéias gerais on January 3, 2008 at 7:38 pm

Estou aqui fazendo nada e browseando uns trailers de filmes. Vejo que duas coisas que povoaram minha infância televisiva voltam em forma de cinema. Será que darão certo? Nunca sai muito bom, mas… Uma é Speed Racer. A outra o Agente 86 (quem diria que aquele mesmo olhar inteligente chegaria à Presidência dos Estados Unidos…). Enquanto não estreiam, as aberturas da série original e inesquecível estão no youtube:

a primeira:

http://www.youtube.com/watch?v=AvMj5LuT5hk&feature=related

e a seguinte:

http://www.youtube.com/watch?v=cscedJQ3PFU&feature=related

Grandes momentos de 2007

In Idéias gerais on January 3, 2008 at 12:46 pm

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Trufas brancas de Alba sendo generosamente “mandolinadas” sobre um creme sabayon de batatas.

Robert Parker na Patagônia!

In Idéias gerais on January 2, 2008 at 10:45 pm

Furo exclusivo do Glupt! Robert Parker morou na Argentina, mais exatamente na Patagônia, onde chegou a ter terras com mais de 60 km quadrados na província de Chubut, daí seu interesse no país vizinho. Não sabemos se ele tomou vinhos, pouco provável que tenha bebido algum, uma vez que era mais chegado em uísque. Na verdade estamos falando de Robert LeRoy Parker, que todo mundo conhece como Butch Cassidy.

Uma brincadeirinha para alegrar o calor! butchcassidy.jpg

E respondo:

In Idéias gerais on January 2, 2008 at 3:49 pm

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O pedido de um endereço de email veio com umas questões: resumidas, basicamente, em porque não inclui no prêmio Glupt! para 2007, o vinho pior que tomei, o vinho mais caro, o mais barato, o melhor prato comido no ano, o melhor livro, a maior saia justa etc etc?

Bom, se eu incluisse tudo viraria a entrega do Oscar, e minha dinner jacket está no tintureiro…Na verdade teve gente que reclamou da quantidade excessiva de prêmios também.

Mesmo assim fiquei pensando, porque adoro listas.

O pior vinho não tem, parece incrível, mas não tem. Não considero vinhos com TCA (o famoso bouchonné) como ruins, eles estão estragados, o que é diferente. É uma tristeza abrir uma garrafa assim, mas é um acidente, um problema de rolha, não tem exatamente a ver com a qualidade do vinho. Até Vega Sicilia con TCA já encontrei nesta longa estrada vinífera da vida (Repito um mot d’esprit de um amigo na época: “até o bouchonné deles é melhor, mais elegante….”).

Houve vinhos mais simples, normalitos, esquecíveis, mas nenhum que eu pudesse classificar de intrágavel. Acho que as tecnologias todas fizeram isto, os vinhos conseguem ser técnicamente bem feitos, sem arestas, exceto as da deterioração. E desapareceu, pelo menos no meu ano feliz, o traço de uvas não-viníferas, dos tintos nacionais. Parece que o Brasil entrou no mundo da seriedade (pelo menos no que tange a vinhos, falta o resto, né Brasília?).

O vinho mais caro é bobagem, porque preço é um monte de números, não quer dizer exatamente qualidade, como estamos cansados de saber. Mas acredito que o mais caro tenha sido o Romanée-Conti 2004 tomado no almoço com Monsieur Aubert de Villaine (“say hello to Aubert” disse Jancis Robinson. Chique é isto. Eu só balbuciei “bonjour Monsieur” tremendo!). Está pela ordem de 10 mil reais a garrafa, se não me engano, trazido pela Expand (o número de garrafas importadas para cá eles não contam, Otavio Piva sempre elegante dá só aquele sorrisinho maroto). E sim, é um belíssimo vinho, que estará pronto para ser bebido em uma década ou mais.

O vinho mais barato? Acho que incluí isto dando prêmios de qualidade e preço a Torres e Alamos. Mas sendo específico, considero os brancos básicos da Torres como imbatíveis, o Viña Sol e o Viña Esmeralda são dois milagres de bons e de ótimo preço. São importados pela Reloco, ótima importadora do Rio. E tinto eu diria, de novo, o Alamos Pinot Noir, da Mistral.

O melhor prato já tinha dito no prêmio Paladar. Lá votamos em muitos quesitos, cozinha brasileira, cozinha de bistrô…e comentei no voto do prêmio que o melhor prato de todos tinha sido o do Jacquin, as alcachofrinhas de entrada. Foi uma conjunção de prazeres, o dia chuvoso e frio, cheguei meio molhado ao restaurante e com fome. Vem aquele prato fumegante e perfumado de deliciosas alcachofrinhas com muito caldo, alho, azeite, uma perfeição. Fora de São Paulo, o lombo de porco do Drolma que descrevi num post anterior.

Melhor livro é bem complicado. Acho que foi Making Sense of Wine de Matt Kramer. Que saiu em português como Os sentidos do Vinho, custa 43 reais na livraria Cultura.

E saia justa…como convém a este tipo de coisa, esqueci, deletei, hahahaha, passo cada vergonha, dou cada gafe!, melhor esquecer para continuar vivendo.

Departamento de reclamações justas

In Idéias gerais on January 2, 2008 at 3:23 pm

Recebi um chamamento: não tem email no blog para fazer contato. Fui ver e não tem mesmo! Nem consegui acessar o perfil! Bem estranho isto. De qualquer maneira, cá está, perdão leitores (como dizia o Pasquim):

gluptmail@gmail.com

Presente de dias preguiçosos

In Idéias gerais on January 2, 2008 at 7:00 am

Quem ainda não percebeu que tenho um penchant por vinhos ibéricos? É o DNA gritando, meu bisavô veio do Porto, tenho o Douro correndo nas veias, e o Douro é Duero antes de entrar em Portugal e assim vou me explicando este gosto. Então o NYTimes (nada como ser organizado) faz uma página com todas as matérias e degustações de vinhos ibéricos no ano que terminou. Uma leitura para dias! Aqui o link:

http://topics.nytimes.com/top/reference/timestopics/subjects/w/wines/spain/index.html

zio Ettore

In Idéias gerais on January 1, 2008 at 6:51 am

lavalentine2.jpgEnquanto eu me divertia com uma garrafa de Taittinger e também com o imenso privilégio que é passar o…hein? revei o quê mesmo? sem barulho, sem trânsito, sem cerveja morna nem ataque de águas-vivas, isto que as pessoas consideram diversão e eu acho a ante-sala do inferno, trancado felicíssimo em casa como se estivesse na Lapônia (uns graus acima é verdade), me morre o Ettore Sottsass, grande companheiro de letras. Quer dizer, nunca vi o homem na vida, mas batuquei numa Valentine Olivetti, desenhada por ele,  por muitos anos, e ela nunca me deixou na mão, não dava pau no disco rígido e nem pegava vírus ou queimava o modem. Confesso que minha paixão sempre foi a Lettera 82, tendo também usado uma Lettera 32. Hoje tudo isto pode parecer pesado, mas uma máquina de escrever portátil destas era um iphone e tanto para a época. E eram lindas, como eram lindas estas máquinas! Foi uma raro momento em que forma e função se entenderam.