Ou talvez ao contrário, uma admissão de incapacidade de decidir. Vinho é uma coisa complicada, não em si mesmo, nada além de um líquido vindo das uvas fermentadas. Mas as sensações que provoca são complexas. Igual filosofia ou literatura, você lê Hegel, aquilo parece um sistema absoluto de pensamento, tudo tem resposta, tudo está ali, não há mundo possível fora daquela sistema. Então abre um livro de Proust e recomeça…seu mundo caiu, outro mundo fechado, perfeito, aparece na sua frente.
Quando se bebe um tinto imponente, evoluído, maduro, aquilo parece tão definitivo, que a impressão é não haver possibilidade de algum vinho melhor fora dele. Então vem um branco, um Riesling do Mosel, e outra vez lá vai o mundo reduzido, o Riesling fecha os poros, o prazer perfeito. O que pode ser melhor? Qual complexidade maior? Vamos nesta certeza até um vinho botritizado puxar nosso tapete. Puxa! É isto, o vinho definitivo, a summa, o cume, nada pode ser mais cheio de nuances, algo que te pega por todos os sentidos. Channel número 6, de passar uma gotinha atrás da orelha.
E nestas certezas instáveis ficamos, uma busca incessante do ponto mais alto, que nunca se alcança, sobe e sobe e nunca chegamos lá. Até que, para mim, aparece o vinho que sintetiza tudo, o que eu levaria para a ilha deserta, o último cálice que espero alguém jogue na minha boca: jerez.
Tomei um oloroso, dos mais simples, um Alfonso de Gonzalez Byass, garrafa que comprei correndo antes de voltar ao Brasil, 6 euros, nada tão especial, mas ele tem tanto que oferecer, é uma droga potente, um som, que não é possível descrever em palavras. Que fique dito, neste crepúsculo de 2007, vinhos são muitos, mas o encanto dos jerezes é único. Spain in a bottle, não é possível, não cabe tudo isto que o Jerez diz num simples copo de vinho! E no entanto, está aqui…
Luiz, bom natal e um 2008 encorpado para vc e a Frederica!
Prezado Luiz
Bom Natal e bom 2008,2009,2010…
Bom todos os dias do ano!
Um abraço
Rubén Duarte
Para nós todos meus amigos Paco e Rubén.
Oi Luiz,
Aproveitando o comentário com uma dúvida natalina. Comprei um jerez Pedro Ximenes para presentear um amigo. Esta garrafa pode ser aberta e guardada novamente , não? Ele deve tomar fresquinho, não gelado, é isso?
E aproveitando também , para desejar um ano novo cheio de coisas boas, todos os dias, e obrigada pelos bons escritos do ano que passou.
beijo
Tanya
oi Tanya! Tanta correria nestes últimos meses e nem te avisei do endereço novo do blog. Mas vc achou! Então, Pedro Ximenes pode ser bebido à temperatura ambiente (caso ela não esteja absurda) ou levemente refrescado, frio. O ideal é estar entre uns 16 e 20 graus. Depois de aberto dura muito, mas é preciso ficar na geladeira. Neste caso o jeito é servir um pouco antes e esperar que chegue à temperatura. Acho arriscado deixá-lo fora da geladeira aberto, a não ser em clima frio. E vai bem com muita coisa desta época, bolo inglês, panetone, queijos potentes, chocolates. Feliz 08 para vc também!