Archive for December, 2007
feliz 2008!
In Idéias gerais on December 28, 2007 at 3:09 amum brinde
In Idéias gerais on December 28, 2007 at 2:27 am![]()
Encerrei as atividades por este ano. Ontem bebi dois coquetéis que pensava ter inventado. Mas coquetéis são como receitas de pratos, raramente algo é realmente novo. Um deles eu chamei de Jack Lemon (uma parte de Jack Daniels e 3 partes de Schweppes Citrus, muito gelo e um toque de champagne rosado para dar cor), o outro sem nome é uma parte de Absolut Kurrant e duas partes de um prosecco que estiver à mão, tudo bem gelado. Terminei de ler um livro desagradável, que comentarei apenas porque me custou 17 euros e é um golpe de má fé intelectual, chama-se Le gout et le pouvoir, de Jonathan Nossiter. Tipo do livro que perdeu a oportunidade de permanecer inexistente. Mas agora é alegria e descanso, retomo a blogação no princípio de janeiro. Ci vediamo!
Pós-prêmio
In Idéias gerais on December 28, 2007 at 2:22 amUns poucos esclarecimentos, me perguntaram se a lista era dos vinhos que tinha bebido em 2007. Não! A lista é dos vinhos que considerei notáveis, dentre os que bebi. Calculei, sem muito rigor científico, que provei uns 4 mil vinhos neste ano. Fruto do crescente interesse que o Brasil desperta como mercado consumidor de vinhos finos (previsão da última Vinexpo colocava nosso país como um dos mercados em expansão, junto com China, Índia e Rússia, mas acentuava nossa vantagem: um público com alguma formação no tema e menos néofito que os outros). E deixei de ir a muitos eventos! Espero que 2008 repita e amplie isto, visitas de produtores, grandes degustações, possibilidade de ter contato com vinhos especiais. Não falo sómente no ponto de vista pessoal, temos atualmente em São Paulo (e em diversas outras capitais, via internet, catálogos e venda por correio) um mundo de vinhos raramente suplantado (talvez Nova York, Londres e Chicago rivalizem).
O Prêmio Glupt! para o ano de 2007
In Idéias gerais on December 26, 2007 at 3:35 am
Eis meus escolhidos para o quase findo ano. Procurei escolher vinhos que bebi em São Paulo e vinhos que estão à venda, assim não consta da lista o Viña Herminia 1970 bebido em Barcelona, ou provas de barrica feitas em visitas a vinícolas. Algo terá ficado de fora, muitos algos na verdade, mas a idéia não é esgotar o ano num post, e sim a de relembrar coisas que fizeram de 2007 um ano que valeu a pena ser vivido (e bebido).
Alguns vinhos não têm detalhes, como data, porque convenhamos, minha caligrafia é de lascar, e depois de 1 ano inteiro e 3 moleskines lotados de anotações, ninguém é de ferro, sorry for that!
Os premiados receberão uma Frederica em feltro, como a que aparece na logomarca do Glupt! especialmente desenhada e produzida por Carol Grilo, da Fofysfactory. [ http://www.fofysfactory.com.br]
Produtor do ano:
Dirk Niepoort , Douro, Portugal
Revelação do ano:
Domaine Rimbert , Saint Chinian, França
Viagem do ano:
Áustria (descrita no meu artigo para a revista Wine Style que está nas bancas) convidado pelo esfuziante Willi Klinger, presidente do Wines from Austria.
Frases do ano:
“Quero saber qual o pH da saliva dele”.
“Respeito minha própria opinião”.
“Tanto silêncio que se escutam os taninos”
“Tem Pinot neste Pinot!”
“Insosso como traquéia de boizinho Kobe”.
“Os queijos não são para mim”.
“As peras são aborrecidas”.
Acontecimentos do ano:
A inclusão de vinhos brasileiros e uruguaios no World Atlas of Wine
A nova visita de Jancis Robinson ao Brasil
O reconhecimento ao trabalho dos importadores na educação dos gostos (Ciro Lilla eleito personagem do ano pelo Paladar, Quim Vila eleito pelo Verema, o perfil de Kermit Lynch no NYTimes)
O Encontro Vinci com a presença de Julio César Lopez de Heredia
Blogs que me deram prazer e informação:
Wine Terroirs: um fotolog com excelente qualidade, fonte de conhecimento sobre vinhos orgânicos e biodinâmicos e as melhores fotos de produtores e vinhedos na internet:
Comes&Bebes: As divertidas incursões de Marcelo Katsuki, com muito senso de humor por um mundo normalmente cheio de esnobismo, o nosso Midtown lunch, com mais graça: http://marcelokatsuki.folha.blog.uol.com.br/
Come-se, o verdadeiro dicionário de tudo gastronômico, onde você vai para saber o que é cada coisa, para que serve e como usá-la, escrito com talento por Neide Rigo:
Descoberta amável de lugar para beber vinhos:
Praça São Lourenço: Uma praça mesmo, com ambientes agradáveis, clima ameno, cantinho de civilidade dentro da barbárie.
http://www.pracasaolourenco.com.br/
Melhor serviço de vinho:
em hotel: Emiliano
em restaurante: A Figueira Rubayat
Homenagem especial:
Alois Kracher
Esperando que seus vinhos continuem a encantar, agora com seu filho Gerhard no comando, o blog dá um prêmio Frederica in memoriam a Alois Kracher, o homem que colocou Neusiedlersee no mapa, maior perda do mundo do vinho em 2007.
Prêmio especial:
Elas nos “enchem” e nós “enchemos” elas, mas são elas que arranjam a foto de ultima hora em alta resolução, conseguem um lugarzinho no canto da mesa para uma conversa privada com o super produtor e arrancam uma colherada que seja do vinho caríssimo para provarmos. As boas assessoras de imprensa não nos pautam, respeitam o trabalho e as opiniões do jornalista e entendem os mecanismos de independência que fazem a boa cobertura de imprensa (e ainda elogiam o texto às vezes com erros que conseguimos produzir correndo). É neste cabo de guerra carinhoso em que vivemos que amizades vão se fazendo, para um propósito compartilhado, que é falar de vinhos com precisão, atendendo ao nosso mais importante cliente comum, o leitor.Por isto estas 3 ótimas profissionais e companheiras de jornada, que fazem muito pela difusão do vinho no Brasil recebem um Glupt! Especial:
Sofia Carvalhosa, Cristina Neves, Sandra Schkolnick.
Vinhos tintos não europeus no ano:
Catena Alta Cabernet Sauvignon 2003 , Mendoza, Argentina
Montevideo de Bouza , Uruguai
Seña 2001 Chadwick, Chile
Cariñena de vinhas velhas de De Martino, 06, Chile
J. Alberto, bodegas Noemia, Patagônia, Argentina
Chacra, Bodegas Chacra, Patagônia, Argentina
Axis Mundi 2002 Pisano, Uruguai
Tannat Viejo Stagnari 04, Uruguai
Henry Gran Guarda Cabernet Sauvignon 2003, Argentina
Vinhos brancos não europeus no ano:
Terrunyo 2005 Don Melchor Sauvignon Blanc Concha y Toro, Chile
Chardonnay Pizzato, 2005, Brasil
Chardonnay Dal Pizzol, 2006, Brasil
Angélica Zapata Chardonnay 2004, Argentina
Torrontés Rio de los Pajaros Pisano 2007, Uruguai
Elgin Vintners Sauvignon Blanc 2006, África do Sul
Vinhos tintos europeus no ano:
Alain Graillot Crozes-Hermitage La Guiraude , 2005, França
Vina Tondonia Gran Reserva 1981, Espanha
Cos d’Estournel 2001, França
Richebourg DRC, 2004, França
Quinta do Passadouro, 2003, Douro, Portugal
Travers de Marceau, 2005, Domaine Rimbert, França
Castello di Ama 2003, Chianti, Itália
Marqués de Riscal Reserva 2003, Rioja, Espanha
Aalto PS 2003, Espanha
Le Petit Sid, 2002, Cahors, França
Vinhos brancos europeus no ano:
Montrachet DRC 2000, França
Clarión Vinas del Vero 2001 , Somontano, Espanha
Viña Tondonia Reserva 1988 , Rioja, Espanha
Tiara Niepoort, Douro, Portugal
Alain Brumont SB/Gros Manseng, 2006, França
Langeloiser Berg Vogelsgang Gruner Veltliner, Brundlmayer, 2004, Austria
Nikolaihof, Riesling Steiner Hund 03, Austria
Riesling Selbach-Oster Wehlener Klosterberg Kabinett 1983, Alemanha
Thalassitis Gaia, Unoaked Assyrtiko, Santorini, 2005, Grécia
Riesling Zind-Humbrecht Turkeim 04, Alsace, França
Herri Mina, Iroulèguy 04, França
Outros vinhos:
Las botas 3 de Jerez Las Cañas , Jerez, Espanha
Moscato do Rio Patras , Gerovassiliou, Grecia
Porto Niepoort 10 anos, Portugal
Espumante Escorihuela Gascón, Argentina
Late Harvest Concha y Toro
Nouvelle Vague TBA 1, Kracher, Austria
Molino Real de Malaga, Telmo Rodriguez, Espanha
Henry Cosecha Tardia Lagarde, 2005, Argentina
Champagne do ano:
Taittinger brut, França
Qualidade preço:
As compras mais confiáveis pelo preço mais generoso:
Vinícola Torres, Catalunha e Chile, alguns dos melhores e mais confiáveis brancos para beber contente. Um Colheita Tardia excelente. O bom Priorato chamado Salmos. Padrão de honestidade, pesquisa e preço justo, exemplo de que é possível produzir em quantidade sem perda de qualidade.
Alamos, Mendoza, Argentina. Mesma coisa, os melhores vinhos para o dia-a-dia por um preço correto. Meus favoritos são o Chardonnay e o Pinot Noir.
Degustações do ano:
Vertical de Quinta do Cotto no restaurante Bela Sintra
Fim de semana vinícola com Eduardo Chadwick em Guarujá
Pocket show da África do Sul, especialmente os surpreendentes vinhos de Springfield Estate
Os vinhos de Mastroberardino com o próprio Piero Mastroberardino dirigindo a prova.
Degustações brasileiras do ano:
Vertical de Lote 43 Miolo no Fogo de Chão com Fábio Miolo
Degustação da confraria dos sommeliers para escolha de vinho para o Rubayat Madrid
Almoços/jantares do ano (encontros inesquecíveis de vinho, comida e boa conversa):
Aubert de Villaine no D.O.M.
Jean Guillaume Prats no ICI bistrô
Johannes Selbach no Jun Sakamoto
Aurelio Montes no ICI
Miguel Torres Jr. no Don Curro
A melhor refeição do ano:
Restaurante Drolma, chef Fermi Puig, Hotel Majestic, Barcelona, dia 5 de dezembro de 2007
O som do vinho
In Idéias gerais on December 25, 2007 at 9:26 amNo link abaixo é possível ouvir 3 diferentes chardonnays biodinâmicos, de Emmanuel Giboulot, na Borgonha, fermentando. É um som de muita tranquilidade, pontuado apenas pela voz do produtor anunciando qual o vinho a ser ouvido, que são:
Bourgogne Blanc 2006
Cotes de beaune “La Combe d’Eve” 2006
Rully 1er Cru “La Pucelle” http://www.gcast.com/user/microson4/podcast/main
Aritmética aérea
In Idéias gerais on December 23, 2007 at 5:58 amDe 21 a 24 de janeiro acontece em Madri uma nova edição do convescote gastronômico de vanguarda, o Madrid-Fusión. Estas feiras já cansaram um pouco, têm quase sempre os mesmos chefs falando por meia hora, que é o tempo das palestras, das mesmas coisas, virou o circo da formula 1. Mas alguma coisa sempre surge de interessante. Estava aqui com meus botões considerando se valia a pena ir.
Descobri que a TAM inagura um vôo direto para Madri. Mas…custa 1066 dólares, contra os 908 dólares da Iberia e os 817 dólares da Air France. Como a AF é muito melhor esta diferença de preços me parece completamente inexplicável.
Na última vez que viajei pela TAM, para a Suécia via Paris, eles perderam minha mala, faltou pão no café da manhã, o assento estava quebrado (e decolei e pousei reclinado, o que é ilegal, segurando eu mesmo o encosto, LUXO só!) e no jantar me deram sem escolha um nhoque que parecia massa de modelar, (e comi vorazmente, pois passei fome por 11 horas). E agora isto, quem quiser paga quase 300 dólares a mais para sofrer este vôo. Será o privilégio de pisar naquele capachinho vermelho que faz subir o preço?
Resoluções e esperanças de ano novo
In Idéias gerais on December 23, 2007 at 5:36 amEnquanto nossa equipe soma os votos para decidir quais os premiados pelo Glupt! em 2007 (e inventa categorias, lembra daquela garrafinha e rememora sabores) faço uma rápida lista do que espero para 2008, mistura de desejos e auto-conselhos:
-todos os vinhos bebidos, por todos nós, serão ótimos, estarão na temperatura perfeita.
-os preços serão sempre justos.
-as taças serão sempre adequadas.
-não haverá melhor comida que aquela do momento. E nenhuma fará mal, estará passada ou com sal demais.
-as companhias serão sempre as mais divertidas, cada refeição um acontecimento, em tudo se verá alguma razão para sorrir, mesmo no equívoco do garçom, ou na mesa que balança; é preciso considerar que a boa lembrança de amanhã é fruto do modo como encaramos o presente.
-sempre tem um vinho melhor depois e nunca é o fim do mundo.
-sempre uma boa pessoa desenrosca os elásticos, por mais emaranhados que estejam.
-rindo é mais fácil.
-Sempre alguém pode cantar Nessum dorma ou a ária de Cavalleria Rusticanna e mudar o clima para melhor.
-até carne fora do ponto tem jeito.
-sempre se pode comer uma fruta
-Ano novo é sempre uma espécie de espumante.
-E sempre teremos Paris.
Confissão tardia
In Idéias gerais on December 22, 2007 at 5:53 amOu talvez ao contrário, uma admissão de incapacidade de decidir. Vinho é uma coisa complicada, não em si mesmo, nada além de um líquido vindo das uvas fermentadas. Mas as sensações que provoca são complexas. Igual filosofia ou literatura, você lê Hegel, aquilo parece um sistema absoluto de pensamento, tudo tem resposta, tudo está ali, não há mundo possível fora daquela sistema. Então abre um livro de Proust e recomeça…seu mundo caiu, outro mundo fechado, perfeito, aparece na sua frente.
Quando se bebe um tinto imponente, evoluído, maduro, aquilo parece tão definitivo, que a impressão é não haver possibilidade de algum vinho melhor fora dele. Então vem um branco, um Riesling do Mosel, e outra vez lá vai o mundo reduzido, o Riesling fecha os poros, o prazer perfeito. O que pode ser melhor? Qual complexidade maior? Vamos nesta certeza até um vinho botritizado puxar nosso tapete. Puxa! É isto, o vinho definitivo, a summa, o cume, nada pode ser mais cheio de nuances, algo que te pega por todos os sentidos. Channel número 6, de passar uma gotinha atrás da orelha.
E nestas certezas instáveis ficamos, uma busca incessante do ponto mais alto, que nunca se alcança, sobe e sobe e nunca chegamos lá. Até que, para mim, aparece o vinho que sintetiza tudo, o que eu levaria para a ilha deserta, o último cálice que espero alguém jogue na minha boca: jerez.
Tomei um oloroso, dos mais simples, um Alfonso de Gonzalez Byass, garrafa que comprei correndo antes de voltar ao Brasil, 6 euros, nada tão especial, mas ele tem tanto que oferecer, é uma droga potente, um som, que não é possível descrever em palavras. Que fique dito, neste crepúsculo de 2007, vinhos são muitos, mas o encanto dos jerezes é único. Spain in a bottle, não é possível, não cabe tudo isto que o Jerez diz num simples copo de vinho! E no entanto, está aqui…
O bojô
In Idéias gerais on December 22, 2007 at 3:49 amConforme prometido, o comentário sobre o Beaujolais Villages Nouveau Drouhin, recém chegado. É o que é, muita fruta, um tutti frutti nasal, tomado frio, quase gelado, é bem gostoso, para tomar assim, sem maiores expectativas ou pretensões. Tem uma acidez bem presente, que o faz boa companhia para comida. um toque ligeiro de amargo. É melhor que se espera mas pior que poderia ser. Um vinho agradável e ligeiro, de celebração. Não é preciso fazer dele nenhum monstro, não é. Mas tampouco procurar virtudes que certamente não tem e nem pretende apresentar. Mata a sede, é divertido e ponto. Tem um grande grau de alegria contido nele, o que não é desprezível num tempo de vinhos aborrecidos. Há mesmo uma elegância na sua frivolidade.
Recomendaria? Claro que sim, vinho em estado de prazer bruto, sem defeitos que incomodem. Se nós vivessemos na região, não tenho dúvida que consumiríamos litros com gosto. Combina perfeitamente com o momento, Natal, comidinhas em torno de uma mesa feliz, confraternização e esperança, goles amplos de vinho, sem reflexão. Tipo do vinho perfeito para catar na prateleira do super sem ter que fazer grandes cálculos mentais, vai bem com tudo, como um aperitivo generoso.
Ontem comi o delicioso peru com farofa de castanhas do Ritz, taí um vinho que acompanharia o prato. A questão é: vale o custo de transportá-lo com pressa até os mais remotos rincões? Como vinho não, como um momento de simultaneidade global em torno de uma novidade, ou seja, como rito, sim.
Vou comentar uma festa de rua emocionante de que participei 3 semanas atrás, justamente a apresentação dos vinhos novos, em Barcelona. e como estas coisas podem realmente ter sentido pontuando a passagem dos anos, numa época em que o tempo virou commodity…
As crônicas urbanas de Glupt!
In Idéias gerais on December 21, 2007 at 2:35 amBom, esta não é uma típica cena urbana. É mais um lamento. Depois de muitos dias trancadinho em casa, como eu gosto, tive que sair de tarde. Estava andando lá pelos lados do Itaim quando dei aquele passo em falso, literalmente o chão sumiu debaixo do meu pé e todo o impacto do passo errado foi para a minha coluna. E daí? O resultado é que fiquei em casa deitado depois do fato, sem poder mexer as cadeiras (como se precisasse muito delas!) e perdi um convescote para o qual vinha fazendo boca boa, tomar dois vinhos brancos fora do comum, gentileza do amigo Pagliari: um italiano feito à moda antiga e um uruguaio do Viñedos de los Vientos, com gewurztramminer usada heterodoxicamente. Lamentei muito, até porque hoje no foro de Jancis R. sua assistente eficaz Julia Harding, me chamou de “uruguaio honorário”, era um elogio e eu fiquei bem feliz. Paciência. No dia em que as calçadas forem mantidas sem estes acidentes teremos uma cidade melhor.
Faltam 7 dias
In Idéias gerais on December 21, 2007 at 12:36 amEstou revendo todas as anotações do ano, cada rabisco nas cadernetas considerado, cada copinho de vinho tomado repensado. Desta tarefa sairão meus prêmios Glupt! no dia 27. Não vou repetir a Wine Spectator, porque depois deste dia o ano terá terminado, nos dias subsequentes não beberei vinhos e na noite do 31 apenas Taittinger. Assim, nenhum vinho bebido em 2007 deixará de entrar na avaliação, a chance do vinho do ano ser bebido depois de anunciados os escolhidos não existe. Suspense, drama, unhas sendo roídas (para com isto!) e pressões de todos os lados. Hahaha, nada disto, só eu aqui com minha caligrafia inexpugnável decidindo quais foram os momentos vinícolas inesquecíveis.
[Na imagem uma das minhas capas favoritas da revista New Yorker, assinada por Saul Steinberg]
Vinhos de porco
In Idéias gerais on December 19, 2007 at 12:58 amRecebi um email perguntando que vinho acompanhou o porquinho delicioso. Na verdade o almoço (se é que se pode chamar assim uma refeição de 5 horas de duração que me deixou nas nuvens. Quando acabou o sol já tinha se posto, era noite de inverno às 6 da tarde) começou com um cálice de manzanilla Lustau Papirusa (um jerez) e continuou com um branco catalão, Vinya Els Rocallís de Cans Ráfols dels Caus e prosseguiu com um tinto catalão que a memória teima em não me dizer, mas era um syrah correto. Terminou entre sorrisos com uma grappa poderosa e elegante. Mas quando o porquinho chegou eu preferi voltar para o branco. Este branco é feito de uma uva estranha, chamada Incronzio Manzone, nome do sujeito que criou por enxerto a variedade. É fino, boa acidez, parece um bom vinho da Alsácia. Então como a carne de porco tem um traço de adocicado, e como ela não era nada gordurosa, achei que o branco ia melhor e foi mesmo.
Porcos
In Idéias gerais on December 17, 2007 at 1:22 amEu sou mais do vinho que de comida, mas hoje estou – na mémoria- com o sabor das duas espetaculares carnes de porco que comi na Catalunha. Realmente o porco criado solto, com comida adequada e não com rações cheias de hormônios, faz aparecer outro bicho, um que pertence à minha infância mineira. Até os meus 5 anos de idade, talvez um pouco mais, toda a comida era feita na banha de porco, inclusive arroz, feijão, batatas fritas. E fazia diferença sim, tudo tinha gosto. Lombo nunca foi uma coisa seca e dura, este pedaço branco de carne sem sabor, em que se despeja suco de limão para ver se desperta. Era macio, úmido, o porquinho totêmico de que fala Pedro Nava.
Pois comi um lombo destes no Drolma, cada pedacinho era ouro, e mesmo sendo o último numa série de pratos poderosos, todos com trufas brancas, foie e coisas assim, ele se impôs. Quando chegou à mesa tive uma decepção. Anunciado pelo maitre d’ e trazido num carrinho para ser fatiado, eu esperava algo mais “nobre” como prato principal , afinal a refeição vinha num crescendo. Mas foi dar a primeira garfada e entendi que aquele não era um lombo de porco qualquer, era o definitivo, servido com as mais perfeitas ervilhas tortas do planeta e com o caramelo do assado e a casca apenas estalando para exibir as fibras macias do porco ibérico, todas untadas pela cocção exata das gorduras. Devia ter imaginado que o chef não ia coroar um menu perfeito com um prato errado.
Salivando…
Vinho novo 1
In Idéias gerais on December 17, 2007 at 12:31 amO Beaujolais já “arrivou” faz tempos, mas como estava viajando só hoje esbarrei na garrafa e vou prová-la amanhã. Sem preconceitos, prometo. A campanha do Beaujolais Nouveau foi uma das mais bem sucedidas em marketing no século passado, mas teve um preço alto. Toda a região acabou perdendo prestígio, apesar de vender mais. E agora a perda de prestígio cobra seu quinhão, diminuindo as vendas. Ou seja, resultou em nada. Beaujolais é – administrativamente- uma região da Borgonha, com algumas partes classificadas como Crus, com uma uva emblema (que representa quase a totalidade da produção) a Gamay e com uma história respeitável. A tentação do dinheiro rápido terá destruído este nome, relacionado para sempre com um vinho barato, flácido e aguado? Amanhã pensarei no assunto e falarei sobre o vinho.
Tempos modernos
In Idéias gerais on December 16, 2007 at 7:08 pmÉ verdade, juro, podem verificar no site da Amazon. Um comunicado aos compradores do cd Big Science de Laurie Anderson, remastered: “Por questões técnicas alguns cds saíram sem o último uivo de lobo na faixa Big Science. Se o seu só tem 2 uivos e não 3, favor encaminhar o disco a Nonesuch Records para troca”. Uivo a menos!
Momento ufa!
In Idéias gerais on December 16, 2007 at 6:26 pmSujinhos?
In Idéias gerais on December 16, 2007 at 2:47 amUm vinho viaja, no tempo e no espaço. Quando abro humilde garrafa de um Malbec decente, bebo algo produzido alguns anos atrás, pelo menos dois, em Mendoza na Argentina. Saiu de lá, veio parar no supermercado perto de casa. Tem um “rastro de carbono” aí, o tema do momento.
Um sujeito chamado Tyler Colman, doutor em política econômica, mantém um ótimo blog sobre vinhos faz uns anos, chama-se Dr.Vino, o link está no blogroll do Glupt! ao lado.
Pois ultimamente ele deu para calcular o rastro de carbono deixado pelas garrafas de vinho. Não a feitura do vidro (que também precisa ser levada em conta, afinal tem cada garrafa que é um quilo de vidro. Para quê? Confusão entre peso da embalagem e qualidade do conteúdo…) mas o que é gasto para um vinho sair do interior da França, por exemplo, e chegar a uma mesa de restaurante em Tóquio. Ou meu Malbec até aqui em casa.
Não nos alarmemos demais, nem sempre estas coisas são tão certas, catastrofismos anteriores eram só alarme falso, não acabou o mundo no ano mil e nem no 2000 (que deu otima safra na Europa…) mas um pouco de cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. E este assunto ainda vai dar muita discussão. É bom começar, até para vermos se vale a pena ensombrecer nosso prazer com isto.
Bom velhinho
In Idéias gerais on December 15, 2007 at 7:26 pmNão, não. Não é um comentário sobre o centenário do Niemeyer, que eu admiro/odeio como todo mundo ( Pampulha é uma obra-prima, o Ibirapuera também em grande parte, Brasília é algo frankenstein, tem partes interessantes, mas o todo não orna muito bem. O Memorial da América Latina um horror a ser implodido, feito com restos de maquetes anteriores. O PCF, a Universidade da Argélia, belos. Tem coisas que parecem respiradouro de metrô. Todo mundo tem tédios e vacilações, ainda mais numa obra tão ampla. Na soma ele sai em grande vantagem).
Uma das capacidades de arte é mudar nossa maneira de ver o mundo. Assim: quando apareceram as primeiras obras cubistas, tinha quem sentisse náusea, ficasse tonto, vendo aquilo, porque mudava o ângulo e a dimensionalidade a que os olhos estavam acostumados. Agora vemos frequentemente coisas que são Picasso, são Braque, no dia-a-dia. Eu vejo coisas “Niemeyer” com frequência. Fui à cozinha agora e fiz umas fotos, aleatoramente, uma homenagem, coisas que estão na prateleira mas poderiam ser assinadas em escala grande pelo arquiteto (não sei se ele bebe vinhos…acho que sim, para chegar aos 100 assim com corpinho de 95!).
O velhinho do título é o Papai Noel que me trouxe uma garrafa de Vega Sicilia Unico 1996. Nham! Mas Jancis Robinson diz que é para ser bebido entre 2010 e 2030! Haja paciência e longevidade, vou mandar a garrafa para o Oscar N.
boa idéia para degustar
In Idéias gerais on December 15, 2007 at 12:22 am
Eu vi primeiro na loja Lavinia de Paris (a de Barcelona ainda não tem) e agora um leitor do forum de Jancis Robinson informa que chegou a Londres, na The Sampler. É uma vitrine com garrafas e torneirinhas, lá estão expostos os vinhos disponíveis para degustação. Você olha o que quer, verifica o preço da taça, paga no caixa e põe sua tacinha debaixo da torneira, enfia um cartão e a máquina solta uma dose. É prático e barato, permite provar grandes vinhos sem gastar o valor de uma garrafa. Eu provei o Crozes-Hermitage de Allain Graillot (5 euros a dose) e um branco do Languedoc chamado Zoe (1 euro a dose) do Preceptoire (esqueci o nome do produtor todo, isto que dá escrever fiando na memória). Na loja inglesa, na semana de Natal, tem nada menos que esta lista abaixo, sendo que a prova do La Tâche custa 30 libras, uns 50 euros, uns 150 reais, caro, mas quem tem dinheiro para comprar uma garrafa? É um jeito inteligente de aumentar o conhecimento sobre diversos vinhos sem arrombar o bolso. Fica a sugestão para nossos importadores.
Haut Brion 1989
Pichon Longueville Comtesse de Lalande 1982
Léoville Las Cases 1982
Bonneau Chateauneuf du Pape Réserve des Célestins 1998
DRC La Tâche 1982
Haut Brion 1990
Château Lafleur 1995
Departamento de pingos nos iiis
In Idéias gerais on December 14, 2007 at 10:13 pm
Está um surto de uma vodka de uva por aqui, já li em diversos blogs amigos a respeito. Esclareço, como velho ranzinza e meshuga que sou, isto não é novidade. Vodka em russo quer dizer “aguinha”, aquela mesma que os passarinhos não bebiam. Vadá é água, vodka o diminutivo, e serve para destilados em geral. Vodka é destilada de batata, cereais, etc e tal. E pode ser de uva, coisa que existe tem séculos com o nome de Grappa, ou até a simpática e digestiva Bagaceira. Pode ser gostoso, mas novidade como dizia o Nélson Rodrigues, só o Hollywood com filtro (e o Bis branco, acrescento). Bom, como acabei de ver na padoca um chá verde sabor limão feito de soja(!!! sempre achei que chá verde tinha gosto de si mesmo e era feito…bom, de chá, né?) tudo já é possível under the sun.
[tem ainda alguém acordado aí lendo isto? Avisei que estou chato hoje!]
Momento feliz natal e ano novo para os leitores!
In Momento... on December 14, 2007 at 6:46 pmAlgodão, pesticidas e all that jazz
In Idéias gerais on December 14, 2007 at 3:08 am
Quando eu estudei física no colégio, no tempo das diligências, aprendi que dois objetos não podiam ocupar o mesmo lugar no espaço. As companhias aéreas (e olha que viajo numa que ainda oferece duas opções de pratos quentes no jantar e duas escolhas de vinho brancos e de tintos, sendo os brancos do Languedoc bem gostosinhos, queijos, sorvete, conhaque e champagne, mas o aperto é igual) conseguiram anular isto, estão colocando TRÊS objetos passageiros no mesmo espaço.
Foi o que me impediu de terminar o livrinho fascinante que comprei no aeroporto, uma viagem aos países do algodão, de Erik Orsenna. Os objetos-passageiros grunhiram e tive que apagar a luz.
O que tem isto com vinho? Tudo. Pois algodão é também agricultura, vinho é agricultura, pensou? E passa por tudo aquilo que se imagina: uso de pesticidas, destruição do meio ambiente, globalização. Você já considerou se sua camiseta é natural? Se ela é orgânica? Já imaginou que estas meias inocentes podem ser fruto de exploração de coisas horríveis em lugares onde até o pesadelo tem medo de ir? Neste momento estou completamente vestido de algodão, exceto óculos – autêntico floco de óculos. Nunca tinha parado para refletir a respeito.
Vamos ter que enfrentar questões bem complicadas frente aos vinhos (e todos os produtos agrícolas) nos anos vindouros. Não só o dilema da prateleira do super: compro este troço orgânico que custa 6 reais mais caro? O biodinâmico é mais saboroso? Mas um dilema ético, ligado a coisas mais básicas da vidinha planetária, e não estético da nossa silhueta. Sem contar uma coisa que, delirante ou não, já está mexendo com as vendas americanas: a quantidade de carbono emitida pela viagem de uma garrafa, atravessando continentes.
Espero que traduzam este livro pequeno e bem escrito. Voltarei ao assunto.
Lento mas (quase) infalível
In Idéias gerais on December 13, 2007 at 8:22 pm
Eu sou minha secretária, motoboy e faxineira e tem duas semanas que não venho! Tento convencer a Frederica a escrever, ela prefere dormir. Por isto demoro tanto a atualizar o blogroll e responder aos leitores. Estou devendo a parte dois do relato sobre os restaurantes estrelados (com a vantagem que comi em alguns novos) e hoje consegui colocar os links para os sites dos companheiros João Filipe Clemente e Fábio Farah. Até o fim do ano tudo será resolvido, tenho muitas coisas para contar. Decidi não fazer uma retrospectiva com o que já falei e sim com coisas acontecidas ao longo do ano que não registrei aqui, degustação dos vinhos Chadwick, Selbach-Oster e Domaine Prieur, só para um trailer. E minha lista dos melhores do ano que está em gestação.
[a foto é um famoso auto-retrato de Jean Cocteau, verdadeiro homem de mil instrumentos~, que seria capaz de dar conta das minhas tarefas brincando]
Ainda a Rioja
In Idéias gerais on December 13, 2007 at 4:00 pmTeve gente me escrevendo sobre o que eu disse dos Riojas modernos. A pergunta era: mas são ruins os vinhos novos de lá? A resposta: não. O Contador branco, por exemplo, é muito bom. E muito caro. O problema com os Riojas modernos é que eles são vinhos bem feitos, com muito cuidado (visitei o Remirez de Ganuza duas vezes, é impecável e admirável o trabalho dele, mas poderia ser em qualquer lugar) mas não são Rioja, não seriam identificados às cegas como vindos daquela região. Se é para fazer vinhos corretos apenas, sem identidade local (o que se pode chamar do tal “terroir”) então para que gastar terras tão especiais? Há otimos vinhos pelo mundo afora, o que eu pedia no meu radicalismo dominical era que em Rioja se fizessem vinhos com muita personalidade e sotaque, só existe uma Rioja, não dá para gastar aquele chão com outros assuntos. Eu prefiro beber um Tondonia (18 euros) que um Contador (57 euros), até mesmo pelo preço, mas não apenas.
Murmúrios
In Idéias gerais on December 12, 2007 at 9:46 pm
Em sociedade tudo se sabe, há rumores de que uma grande propriedade da Borgonha, domaine com 500 anos de idade nas mãos de 20 gerações da família, um filezão, de que só vou dizer as iniciais: Comte de Vogué…está à venda por uma baba de milhões e milhões de euros. Estará chegando a distopia de ter toda a França vinícola ocupada por banqueiros internacionais vestidos com boinas e jogando pétanque? Será que Bourgogne é a próxima Bordeaux? Esperemos e vigiemos.
Kracher
In Idéias gerais on December 12, 2007 at 5:39 pmChegando
In As crônicas mundanas de Glupt! on December 11, 2007 at 12:38 am![]()
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Eu adoro aeroportos, por alguma razão. Mas nenhum é tão adorável quanto o Charles de Gaulle, talvez por ser o mais confuso, francês e Jacques Tati de todos. Os terminais gigantescos, cartesianamente desorganizados (sim, parece tudo em ordem, mas é uma barafunda, todos são 2, 2A, 2B, etc mas o E é depois do F e daí prá frente), toda aquela gesticulação tão francesa, puro vazio cheio de ritual, ou vice-versa.
Agora inauguraram a ala nova, que já tem goteiras. E puseram o baldinho mais Hulot do mundo debaixo das gotas. Como chovia copiosamente em Paris, o ping-pinga fazia um som engraçado naquele ambiente ultra-pseudo-moderno.
Para passar o tempo fiquei experimentando perfumes. Todos muito florais e adocicados. Até mesmo tradicionais casas como Guerlain e Chanel, soltaram seus “for men” docinhos e enjoativos. Depois ficamos nos queixando da mickeymousização dos vinhos, que também caminharam para o mesmo rumo. Vivemos uma época de infantilização dos gostos, sem juízo de valor, é o espírito da época. Não tem mais perfume sóbrio e masculino, com enfase em couro, madeira e tons fechados. E as pessoas não querem vinhos complexos, que peçam atenção e dedicação. Não estou lamentando! Só constatando. No final não comprei perfume algum, não gostei de nada, tinha um com cheiro de rúcula!
Inesquecível
In As crônicas mundanas de Glupt! on December 8, 2007 at 9:11 pmCall me Ishmael
In Frase da semana on December 8, 2007 at 7:46 pmDays I remember cities/Nights I dream about perfect places
Amanha volto para nossa Moby Dick cotidiana que é preciso enfrentar. Até.
Dia MUITO triste para os vinhos
In Idéias gerais on December 5, 2007 at 8:26 pmFico sabendo pelo Pagliari que morreu o Alois Kracher, um verdadeiro talento. Nao só porque seus vinhos eram excelentes, mas porque ele era uma pessoa gigantesca, engracada, generosa. Nao estou inspirado para escrever bonito, fiquei muito chateado, estou aqui me lembrando dele no Encontro Mistral, depois que eu disse que tinha dormido com o gosto do vinho Nouvelle Vague botritizado dele e passado o dia pensando naquele liquido. Todas as noites eu passava lá no stand e ele dizia: “are you ready for your nightcap?”. Respondia: “Ainda nao”. Ele me dava um pouco de vinho e dizia, “volte depois”. Nao estavámos preparados para a nightcap dele, aos 48 anos, um dínamo austríaco que vai fazer um imensa falta. Durma bem Mr.Kracher!
Crepúsculo das palavras
In Idéias gerais on December 5, 2007 at 9:36 amDuas vezes uma situacao tragicomica (desculpem o teclado ibérico que nao permite cedilhas): entro em restaurantes, bons, estrelados. Perguntam: “quer um aperitivo?”. Quero, uma manzanilla. Cara de espanto, anotam. Passa um tempo grande e lá vem o bule de água quente e uma xícara e um…chá de manzanilla! Que é como se chama aqui a camomila. Explico, “eu pedi um JEREZ manzanilla”. Desculpas, trocam o chá pelo jerez. Quando se confundem estes belos e únicos vinhos com um chá, algo grave anda acontecendo.
Domingón
In As crônicas mundanas de Glupt! on December 2, 2007 at 6:30 pm
O bom da vida é ter amigos. E o bom dos amigos é que eles também dividem os deles conosco, numa espiral sem fim.
Hoje aqui em Barcelona, meus quase parentes Manel e Imma fizeram um almoco perfeito, que culminou com duas garrafas trazidas por seu simpático convidado, Peré Durán.
Este bom cultor da arte da amizade, abriu sua adega e veio com dois Riojas clàssicos, Viña Herminia 1970. Um suspense abrir estas preciosidades, as rolhas se desmanchando, a cor esmaecida com reflexos telha.
Passados para o decanter um de cada vez, estavam fechados. Mas quando o arroz negre (arroz com tinta de lulas) foi servido, já exibiam toda sua complexidade aromática. Cada cheirada oferecia uma coisa, tâmaras, tostado discreto, figos secos, ameixas pretas esquecidas pelo tempo.
O mistério da Rioja, estes vinhos tinham 37 anos! E uma acidez perfeita, redondos, complexos, deliciosos, sem nada de errado. O mistério sobre a Rioja, porque, para que? ¿ (aproveitar que tenho este acento no teclado): PARA QUE¿¿¿??? na Rioja, se fazem vinhos modernos? Chamem a Unesco, a ONU, chamem a defesa civil e o Al Gore! Que parem de fazer vinhos modernos na Rioja, por Deus!
Vinhos modernos podem ser produzidos em qualquer país, qualquer terroir. Riojas clássicos só ali. Entao que se danem os Remirez de Ganuza e os Roda e os Contador! Que sejam condenados a fazer vinhos na Austrália, pelo sacrilégio de desperdicar terras riojanas para produzir Coca Cola.
Hoje estou radical pra caramba! E volto para lá, porque ainda temos meio decanter de Viña Herminia para aproveitar.
Gluptgrama do front
In Idéias gerais on December 1, 2007 at 4:34 pm
Aqui comendo sem parar, para descansar do premio Paladar (rimou, sem querer). Fui a um restaurante duas estrelas e dois de uma estrela, bebi uns vinhos bem interessantes, dois Irouleguy (branco e tinto, do Pais Basco frances, com Petit Manseng, Gros Manseng e Corbu e o tinto de Tannat) e um de Cahors (Malbec original), um biodinamico de Nicolas Joly e unas cositas más. Logo que possivel comentarei, também responderei aos leitores. Agora só um trailer e uma foto da noite de ontem, no campo, na frente de uma lareira depois de comer uma bécasse inacreditável.



