luizhorta

Archive for November, 2007

Glupt! en viatge

In Idéias gerais on November 28, 2007 at 4:16 pm

Não estou louco, viatge é viagem em catalão. Aqui em Barcelona, capital de Glupt! na humanidade, frio, vinhos e felicidade. Todo mundo tem um lugarzinho em que se sente em casa, este é o meu. Mandarei mais notícias, mas digo que está fabulosa a cidade, que visito e amo faz 22 anos. Quero ser catalão quando crescer.

Voando, de novo

In Idéias gerais on November 26, 2007 at 2:15 pm

chromeluggage.jpgO Glupt! vai viajar, não consegue parar este blog! Estarei duas semanas em Barcelona, mas postarei pequenas novidades de lá, prometo. Até!

Triste

In Idéias gerais on November 24, 2007 at 1:06 am

chardonnay2005.jpgA vida profissional de um enólogo é bem curta. Umas 40 colheitas, eis tudo que ele tem para trabalhar. Se as opções de um ano são erradas, ou não de todo satisfatórias, as uvas daquela temporada não são as melhores, é necessário esperar com paciência todo o ciclo da natureza, para no ano seguinte tentar de novo, experimentar de outro jeito, arriscar. Quarenta chances de produzir um grande vinho, uma por ano. Nada mais.
E quando um enólogo promissor morre bestamente, como Ivo Pizzato na semana passada, dói ainda mais. Eu o conheci muito superficialmente, um único encontro, meia hora de conversa, alguns vinhos provados, mas deu para ver aquela chispa de entusiasmo que já fazia grandes vinhos, como este Chardonnay sem madeira, uma das garrafas levadas pela Suzana para o almoço no Mocotó e que foi unanimente elogiado. É minha sugestão da semana, na esperança de que os Pizzato continuem firmes na produção de bons vinhos, desfalcados do Ivo, em homenagem a ele.

Vale a pena comer nos Michelins?

In Idéias gerais on November 23, 2007 at 3:16 pm

19906757.jpgBom, respondendo ao Eduardo (finalmente Eduardo! Espero que valha a sua paciência…) se os restaurantes estrelados valem mesmo a pena.

Primeiro preciso dizer que não conheço tantos assim, comi uma única vez num três estrelas (Martin Berasategui) e a comida de um três estrelas aqui em São Paulo (Santi Santamaría). Duas estrelas comi em um número maior, mas tampouco uma lista muito extensa. A lista cresce nos de 1 estrela, já visitei mais destes, apesar do restaurante que eu mais goste, o Mugaritz, tenha passado de 1 para 2 no meio tempo. Comi lá 5 vezes, e considero o chef Andoni Luis Aduriz o melhor do mundo (afirmação que me valeu tomar um coice do crítico Victor de la Serna, mas como coice de critico não mata, continuo afirmando a mesma coisa).

Pois bem, colocado meu currículo modesto no setor, posso te responder mais à vontade. E uso um paralelo. É a mesma coisa para vinhos. Há vinhos caros que valem cada centavo e outros que não. Os restaurantes estrelados são como todo restaurante, inclusive a padoca da esquina, tem seus dias gloriosos e os fracos, tem uns que são hypados e mero marketing, outros que são mesmo sólidos e te oferecem uma experiência inesquecível. Preferível falar destes últimos, não é? Como tudo mais na vida, caro é o que não valeu a pena. Neste sentido tenho até sorte, porque quase sempre valeu.  Continuarei…

A foto é do chef Andoni, que aparece neste ótimo relato do caderno Travel do NYTimes, sobre 36 horas em San Sebastián:

http://travel.nytimes.com/travel/guides/europe/spain/basque-country/san-sebastian/overview.html

Kermit e não é o sapo dos Muppets

In Idéias gerais on November 21, 2007 at 5:40 pm

kermit.jpgHoje no NYTimes Eric Asimov fala de um dos meus ídolos, autor dos melhores catálogos, escritor e comerciante de vinhos: Kermit Lynch. O livro dele, “Adventures in the Wine Route” já li tantas vêzes que tive que comprar um segundo, porque o primeiro desmanchou. Sem sombra de dúvida é o livro mais delicioso sobre vinhos que já foi escrito (bom, digamos que empata com as memórias de Hugh Johnson).

Quase consegui entrevistá-lo uma vez, dois anos atrás. Escrevi um e-mail para sua mulher, que é fotografa e cujas fotos aparecem nos livros e catálogos. Ele me respondeu usando o endereço dela, porque não usa e-mail e disse exatamente isto: “como vamos fazer? Só uso telefone!”. Como eu não uso telefone, detesto este négocio, ficamos de achar um jeito, que até hoje não apareceu.

Todo mês me lembro disto,  quando recebo o aviso de que nova newsletter está na página da importadora. Quem quiser um gostinho da prosa do homem, pode baixar as newsletters anteriores no endereço http://www.kermitlynch.com/

Pacotinhos mágicos

In Idéias gerais on November 21, 2007 at 5:08 pm

Minha amiga Neide Rigo, que tem o melhor blog sobre todos os alimentos (o link está aí ao lado) fez um post sobre embalagens populares que é um primor. Eu gosto muito deste design espontâneo, aperfeiçoado anonimamente durante sabe-se lá quanto tempo. Vale a pena ler e ver as fotos, não prestamos atenção nestas coisas, no mundo todo tem exemplos, pacotinhos, cestinhas, embalagens de palha, mas algumas delas são dignas de figurar no MOMA ao lado de coisas como a cadeira bertoia. Aqui:

http://come-se.blogspot.com/2007/11/eco-friendly-packaging.html

Tempo de estrelas

In Idéias gerais on November 21, 2007 at 2:40 pm

Todo mundo malha o guia Michelin (inclusive eu), mas quando chega a temporada dos novos guias, é um alvoroço para saber quem ganhou, quem perdeu ou quem manteve as estrelinhas tão desejadas. É como aquele momento de véspera de prêmio Nobel. Estou de olho nos da Espanha, curiosíssimo.

Pausa fotográfica

In Idéias gerais on November 20, 2007 at 7:49 pm

selfportrait.jpgA gente tem que se divertir enquanto come. Eis meu auto-retrato com doces libaneses, bandeira do Brasil e crucifixo. Para modernista nenhum botar defeito. Te cuida Tarsila!

Alguma coisa errada no meu calendário

In Idéias gerais on November 19, 2007 at 10:47 pm

Peraí! Hoje é 19 de novembro, certo? Então pelo meu calendário ainda falta meio mês de novembro e dezembro todo para o ano acabar. Como a revista Wine Spectator já está anunciando o “Vinho do Ano”? Eu vou dizer o do Glupt! Farei até a listinha dos melhores bebidos neste ano da graça de 2007. Mas imaginem se eu bebo O VINHO do ano no finzinho do 31 de dezembro? Sei, a revista vai para as bancas, precisa ser preparada e tal. Não seria mais correto publicar em janeiro a lista dos melhores vinhos do ano que acabou? De toda maneira, como o Luiz Américo gosta de me provocar pois sabe que detesto a WS, dizendo “a revista do seu amigo” conto aqui qual o vinho do ano para a brilhosa, chata e desnecessária publicação americana. Rufar de tambores, suspense mixuruca, Marvin Shanken, editor da gororoba abre o envelope. O vinho do ano é: Clos des Papes Chateauneuf de Pape 2005.

O resto da list pode ser lido no site da (bleargh!) revista.

Momento delay

In Momento... on November 19, 2007 at 10:28 pm

Tinha um personagem na Praça da Alegria, zilhões de anos atrás, que só ria das piadas muito tempo depois. Eu odeio quando algo do tipo acontece comigo, o famoso “caiu a ficha”. Escrevi um artigo inteiro sobre Arte e Gastronomia, 3 páginas, para um jornal chamado Papeles de Cocina, publicado pela generosidade e entusiasmo do cozinheiro basco Andoni Luis, do Mugaritz. Ele pediu minha opinião sobre a participação de Ferran Adrià na Documenta de Kassel, ou seja, no porque um chef de cozinha poderia estar na mostra de arte mais importante do mundo. Escrevi com grande prazer intelectual, mas sempre procurando uma idéia que nunca esteve lá. Agora que já entreguei a matéria, que já deve estar impressa, comendo um sanduba de pastrami com um copo de Fanta geladinha, veio o ricochete, veio a frase que faltava, que resumia tudo! Que droga! Simplesmente arte e gastronomia são a mesma coisa, são duas operações de transformação da natureza em cultura! Era só isto, nada mais, não precisava de 3 páginas para dizer isto! Foi igual aquele eco que  tinha nas ligações interurbanas antigamente, sua voz ainda não tinha chegado lá e outra frase já estava indo e atropelando a primeira. Mas não tem jeito…

Os vinhos do post anterior

In Idéias gerais on November 19, 2007 at 12:23 pm

Só para esclarecer sobre os vinhos com mais detalhes.

O Remelluri é um Rioja e o Clarión, o branco das Viñas del Vero um Somontano. Ambos são importados pela Mistral, embora eu não tenha achado no site deles, mas acredito que um telefonema para lá esclareça, como já aconteceu recentemente com os do Kracher. É que as vezes os vinhos estão em processo de importação e tal, e não aparecem no catálogo, mas existem. Vale para todas as importadoras, visitem os sites mas chequem diretamente com elas.

Roberson, o Rodrigo da Mistral esclarece o seguinte: “O Viñas del Vero Blanco, em uma categoria mais modesta é também muito bom. Não colocamos o Clarión para venda no site pois a quantidade é bastante limitada, mas pode ser comprado por telefone ou na loja da Mistral”.
Eu acrescento, o Clarión é ESPETACULAR.

Vários momentos hispánicos

In As crônicas mundanas de Glupt! on November 18, 2007 at 4:25 am

imagem-008.jpgSair para jantar e levar um vinho é sempre uma aventura. Primeiro porque toda garrafa é uma incógnita, pode estar bouchonée, pode estar cozida ou mal conservada. Depois porque o preço de rolha que se cobra nos restaurantes vai do simpático ZERO real até o díficil de tragar 90 reais. A rolha é cabível, os restaurantes trabalham com margens de lucro sobre venda de bebidas (e comida também). Não são um serviço público. Depois há que considerar que uma boa taça custa uma nota, a taça mesmo, uma Spieglau ou Riedel, quebrada, vale quase o preço de uma garrafa. Mas não é preciso exagerar. Levar um vinho não é um ato de pão-durismo, é homenagem à comida e ao vinho, que se pretende fazer encontrar.

Fui ao Aguzzo, com duas garrafas, um Rioja favorito, o Remelluri Reserva 99 e um Clarión Seleción 01 das Viñas del Vero, grande empresa de Navarra.

O Remelluri era o esperado, Rioja não de todo moderno da parte basca da denominação de origem. Gostoso, elegante, saboroso, que acompanhou bem a carne. Mas o branco foi uma surpresa, mais uma peripécia do destacado enólogo Pedro Aibar. Sem exagero poderia chamá-lo de Montrachet espanhol, branco classudo, encorpado, mas fresco pela acidez, um vinhaço que só melhorou e atravessou a comida do início ao fim fazendo os comensais felizes. Aibar não revela as uvas e os cortes envolvidos, este tinha algo de chardonnay, madeira presente, talvez uma viura tão capaz de envelhecimento, como mostram os Tondonia. No nariz era um sedutor e na boca um verdadeiro companheiro para qualquer coisa. Que beleza!  Seis anos de idade, e com vida pela frente. Eu adoro a Granja Nuestra Señora de Remelluri, belíssima propriedade de Jaime Rodriguez, nada menos que o pai do talentoso Telmo Rodriguez, passei ali umas horas preciosas. Mas o branco do Somontano roubou a noite, em termos vinícolas.

No contra rótulo Aibar coloca um poema de Bashô:

Admirad bien la luna, antes que corten los juncos del río.

Que enólogo escreveria algo assim no seu vinho? Todo vinho feito com esta dedicação é feito para ser admirado como o luar,  antes que suma, antes que os juncos que margeiam o rio sejam cortados. Tudo é transitório demais para perdermos tempo!

Mocotó em Londres

In Idéias gerais on November 17, 2007 at 2:27 am

jancisnick.jpgA visita que o casal Jancis Robinson e Nick Lander fez ao Brasil aparece hoje na coluna dele no  FINANCIAL TIMES no link seguinte: http://www.ft.com/cms/s/0/b5968914-93f9-11dc-acd0-0000779fd2ac.html . Dentre os lugares visitados que  destaca como tops, o Hotel Emiliano onde se hospedaram, os restaurantes D.O.M., Tordesilhas e Brasil a Gosto e o Mocotó, visita em que fomos de guias Suzana Barelli e este blogueiro que vos fala. A odisséia foi contada no Paladar, mas agora é engraçado ver a versão do crítico, que gostou e muito. Numa das fotos ele aparece com uma faca de dar gosto abrindo as garrafas que provamos, 12 no total. nick.jpgMarido de crítica de vinhos importante e ex-dono de restaurante, o homem é hábil e rápido na tarefa, enquanto nós quebrávamos as rolhas…

Mais comida indiana

In Idéias gerais on November 13, 2007 at 9:56 pm

Como neste blog os comentários passam meio batidos, me permito dar destaque ao feito hoje a um post anterior, sobre harmonização com comida indiana. Vem de uma brilhante importadora, Angela Mochi,  da ótima Wine Company, que tem no seu catálogo bem cuidado meus estimados vinhos Marichal do Uruguai, dentre outras delícias ( e com ótimo preço, eles baixaram os preços dos vinhos acompanhando a queda do dólar, um ótimo exemplo). Eis o que ela diz:
“Eu gosto muito de comidas condimentadas, e uma opção legal nos tintos são os shirazes australianos, aqueles bem frutado e com bastante notas de especiarias.
Isso eu aprendi com os nossos amigos aussies, que consomem muita comida oriental, e cujas influências se percebem inclusive na própria culinária do país”.

Quem se interessar em fazer contato com eles  (Angela e Marcos, que cuidam pessoalmente da seleção de cada vinho que representam), a página da importadora é http://www.winecompany.com.br/

O Romanée-Conti

In Idéias gerais on November 13, 2007 at 8:35 pm

Complementando o que disse anteriormente sobre os vinhos provados no almoço de Aubert de Villaine, proprietário do DRC, aqui a matéria publicada no caderno Paladar do Estadão de 5a passada:

http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup77370,0.htm

As fat ladies

In Idéias gerais on November 12, 2007 at 12:52 am

jennifer_paterson_e.jpgclarissa_dickson_e.jpgNão sei se ainda passa nalgum re-run de tv a cabo a série das “Two fat ladies”, mas eu adoro o livro sobre a Jennifer Paterson que tenho. Ela morreu uns anos atrás, era super aristocrática na árvore genealógica, mas bem falida e foi tudo, inclusive cozinheira da revista Spectator, o equivalente a um Orleans e Bragança cozinhar para a turma do Pasquim, se as paredes contassem o que rolou então…Agora a gorda sobrevivente, Clarissa Dickson Wright reaparece numa delícia de entrevista ao Financial Times, que pode ser lida aqui (ainda não aprendi a esconder o link com aquela almofadinha fofa escrita clique aqui, mas aprenderei):

http://www.ft.com/cms/s/0/4ad15a4e-8c12-11dc-af4d-0000779fd2ac.html?nclick_check=1

Um dia feliz (e simples)

In Idéias gerais on November 11, 2007 at 8:40 am

imagem-024.jpgimagem-011.jpgimagem-057.jpgimagem-032.jpgimagem-041.jpgimagem-025.jpgNão é difícil ser feliz, descobri. Fácil tampouco, tem um detalhe básico, é preciso estar em Paris. Mas isto é só um detalhe, pois dá para construir uma Paris imaginária em diversos lugares.

Acordei num dia lindo, 8 graus, céu azul e a torre lá tranquilona na janela. Dia de bater perna sem rumo e sem mapa. Saí do hotel e fui conferir um endereço que a Nina me passou,  o Au Bon Marché da rue de Sévres. Comprei uns queijos mais pela aparência e por serem não pasteurizados, que pelos nomes. Não estava querendo aprender, nem puxar pela memória, menos ainda pensar, um dia como aquele não foi feito para o pensamento.

Depois na parte de vinhos uma garrafa de um belo Gauby, um branco biodinâmico do Roussilon, velho conhecido.
Voltei para a rua, andei até a Cherche-Midi onde fica a padoca mais linda que já vi, a Poilane, tem um pão de nozes em torno do qual seria fácil construir um templo e passar a venerá-lo. Comprei um (é enorme), outro de centeio, uns croissants, um brioche lindo, perfeito.
Andando e andando sem rumo esbarrei numa lojinha de queijos na Ile Saint-Louis, pedi um reblochon, porque meu kit-queijo não tinha este tão querido, que é este de casca laranja na foto, onde se nota que dei umas dentadas nele antes de fotografar, não deu para esperar!

E três peras, pêras cheias de caldo, doces, duras e macias ao mesmo tempo, como sabem ser as mais inesquecíveis desta fruta favorita e grande companheira para os queijos de cabra e para os queijos em geral.

Depois num banco das Tulherias, com uma insuportável leveza no meu ser, hahaha, tive um momento de perfeição comendo parte disto tudo. Noutro dia foi num banco dos Jardins de Luxembourg, com as folhas de outono caindo. E no terceiro dia, no próprio quarto do hotel, vendo a final da copa do mundo de rugby na tv e com um potinho de ovas a la façon russe (10 euros, não pensem que esbanjo) não pasteurizado e muito, mas muito mais saboroso que ovas pasteurizadas. Porque esta implicância com pasteurização? Porque boa parte das texturas e sabores são alterados pelo processo (eu sei, é para nosso bem, saúde, segurança alimentar, mas…) e a Europa dos burocratas de Bruxelas vai acabar conseguindo banir os queijos rústicos e os processos antigos de fazer as coisas, então é preciso comer antes que eles venham com as leis.

E o repasto ainda rendeu por mais dois dias.
Ser feliz é simples, e barato. Preço dos queijos 20 euros, dos pães todos, 6 euros o imenso de centeio, 4 o de nozes. O vinho 11 euros. As peras 3 euros. Não chegou a 120 reais todo este deslumbramento.

O sujeito que olha as malas no raio-x do aeroporto não deve ter entendido muito bem um cara embarcando com um pacote enorme de pães na bagagem de mão. Ou, sendo francês, talvez tenha entendido perfeitamente bem. Passei a semana comendo pão de nozes da Poilane aqui em São Paulo. Aceito presentes de quem vier de Paris, sem vergonha alguma.

cantando

In Idéias gerais on November 10, 2007 at 10:18 am

[com bill evans e tony bennet]

The days of wine and roses laugh and run away like a child at play
Through a meadow land toward a closing door
A door marked “nevermore” that wasn’t there before

The lonely night discloses just a passing breeze filled with memories
Of the golden smile that introduced me to
The days of wine and roses and you

Le tombeau de M. Merleau

In Idéias gerais on November 10, 2007 at 8:42 am

imagem-131.jpgNa minha curta visita a Paris esbarrei por puro acaso no Pére Lachaise, um dos cemitérios da cidade. Errei o caminho, minha idéia era chegar a Place de Vosges. Mas já que estava ali na porta entrei. Fui olhando os túmulos, Proust, Alice Toklas, Gertrude Stein, Oscar Wilde, Jim Morrison, Edith Piaf…de repente dei na lista com Maurice Merleau-Ponty, minha matriz de pensamento, o sujeito que está na base de tudo que penso, sobre quem quase escrevi uma tese de mestrado. Foi díficil achar o local, totalmente esquecido, coberto de folhas, umas deprimentes flores de plástico de décadas passadas. Assim é a vida, como dizia Unamuno, um dia até os mortos morrem, são esquecidos. Fiquei lá pensando, que fazer com o mestre? Deixá-lo ou cuidar dele? Optei pela segunda possibilidade. Limpei a lápide, lavei, comprei umas flores. Em 2008 será o centenário de nascimento deste pensador tão importante e esquecido. Acho que fiz minha parte (não ia contar isto, algo um pouco íntimo, mas um amigo me disse que merecia deixar o relato). [no ipod, claro: thanks for the memory]

Sempre os preços

In Idéias gerais on November 10, 2007 at 8:20 am

Alguns restaurantes estão entendendo, finalmente, que não é preciso arrancar o couro do cliente no vinho, mais interessante vender e circular mais garrafas com menos lucro em cada uma, todo mundo fica feliz. Fui jantar no Bassi do Bixiga, ótimo ver que o vinho mais caro não passa de 150 reais, as taças são corretas, e pude tomar um Borgonha branco mais que delicioso de Louis Jadot por 75 reais e um jerez, o vinho que me deixa feliz na alma, um manzanilla La Gitana, de Sanlucar de Barrameda, o mais próximo que vinho chega a ser de música, por 35 reais. Sim meus amigos de blog, voces leram certo, trinta e cinco reais uma garrafa desta maravilha complexa, o melhor aperitivo do mundo, fresco, cheio de nuances de cítricos, maça verde, amendoas! Estamos nos civilizando. Já não era sem tempo. Vinho não é luxo, é necessidade, comida, companhia da comida.

Os vinhos de “Monsieur Romanée”

In Notas de degustação on November 8, 2007 at 8:47 am

almoco-dom.jpgNão é todo dia que se ganha na loteria, tomar todos os vinhos do Domaine de la Romanèe-Conti com o próprio Aubert de Villaine equivale a um prêmio e tanto.

No Paladar de hoje sai um relato do almoço com detalhes. Aqui faço um breve comentário sobre cada vinho, todos de 2004, exceto o Montrachet, que era 2000.

imagem-010.jpg

O Echézeaux: quando chega é um vinho de wow! Tem aquele ataque no nariz de uma Pinot exuberante, delicioso, sedutor, carnudo. Mas com o tempo foi ficando meio fácil demais, um toque de caramelo, o mais simples (olha que audácia!), um grande vinho, não há dúvida, mas quando se pode comparar…

 

O Grand-Echezeaux: o mais decepcionante, a primeira garrafa eu ousaria dizer que tinha um toque de brett, algo desequilibrado para o lado escuro, pouco vivaz. Pedi para provar da segunda garrafa aberta, idem, melhor, mas assim mesmo, pouco eloqüente, não entusiasmante, virtudes contidas demais.

 

O Romanèe-Saint Vivant: este já dizia a que vinha, bela acidez, muita fruta é claro, pela idade jovem, mas com estrutura e qualidades que prometem um futuro interessante. Bom, um dos melhores, até pelo preço.

 

O Richebourg: aqui já comecei a tirar o chapéu, austero e cheio de si, mas com toques perfumados e nuances belíssimas da Pinot no que tem de melhor, consegue ser ao mesmo tempo delicado e firme, me fez lembrar uma bela imagem de Gerald Asher: é como tocar um gato, macio, sedoso, mas você sente a musculatura lá embaixo. Como se pode notar nas minhas rabiscuebas na caderneta, eu que só dou notas para minha própria orientação e lembrança, taquei um F19+ nele, que no meu código quer dizer uma espécie de summa cum laude.

 

O La Tache: aqui já estamos no reino dos absolutos, não era o melhor para mim, mas é preciso respeito por tamanha qualidade e imponência, um vinho de silêncios e chiaroscuri, como diria meu amigo Didú, imaginem quando estes vinhos, todos eles, ganharem sua década de garrafa e os aromas terciários da maturidade!

 

O Romanée-Conti: saímos da esfera da mortalidade, de um mito não se fala, não que seja perfeito, apenas pela raridade, pelo peso do nome e pelo preço, já não se trata de vinho propriamente dito, passa a ser um emblema de toda uma produção, de toda uma região, como é o Vega-Sicilia na Espanha, os Lafite em Bordeaux, já não é um liquido que se bebe, mas um acontecimento vinícola uma garrafa destas ser aberta e compartilhada. 

O Montrachet: elegante à exasperação. É tão elegante, mas tão elegante, que dá vontade de dar uma despenteada nele, tirar alguma coisa do lugar. Tem aquela eletricidade que se descreve na Chardonnay no auge da perfeição, aquela acidez viva, que faz sorrir sem exuberância. É um vinho que implode os sentidos, de repente a gente fica pensantivo, um pouco perplexo e um pouco surpreso, mas como? Os de Madame Leroy eram mais cativantes, mais amigáveis, este é muito tranquilo, não precisa dizer nada, fica ali e quando voce percebe está pensando nele dias depois, totalmente apaixonado.

Cinquentenário

In Idéias gerais on November 8, 2007 at 4:41 am

Opa Eduardo! Passei por esta prova recentemente, a dos cinquenta! Olha, neste caso eu te indicaria sim os Rieslings alemães e os alsacianos. Começaria com os trocken, os secos e iria até um espetacular TBA, um botritizado de sobremesa. Produtores há bons e de diversos preços disponíveis, a Mistral, a Expand, a Decanter e a La Pastina importam rieslings. Agora na hora de apagar as velinhas, ficar feliz, olhar o futuro de frente, só há uma opção possível, um vinho do gênio austríaco chamado Alois Kracher, importado pela Mistral, este o néctar do vinho de sobremesa, com uma acidez espetacular compensando a doçura extrema. Para mim não há nada melhor no mundo! E olha que o mundo é grande!

Condrieu

In Idéias gerais on November 8, 2007 at 4:37 am

Tulio, eu com estas coisas de harmonização, fico com o que faz a boca salivar. E quando vc diz Condrieu, minha memória imediatamente me apresentou um queijinho de cabra, com umas torradas ao lado, quanto mais “cabrálico” melhor. Claro que há várias outras opções, mas como canta a Laurie Anderson: “my brain is bosie”, meu cérebro é mandão!

Monsieur de Villaine

In Idéias gerais on November 7, 2007 at 3:52 am

imagem-007.jpg

Comida indiana

In Idéias gerais on November 7, 2007 at 2:53 am

Blog novo (velho recuperado) e não sei mexer nos controles! Então não sei responder aos comentários lá onde estão. O que vira uma boa desculpa para um post. O Eduardo me pergunta o que beber com comida indiana. E sugere, espumantes? Com certeza, espumante dá certo sim. Mas eu acho comer o tempo todo com espumante meio empapuçante, coisa minha. Daí sugiro o que considero a perfeição para comidas picantes em geral, indiana, thai, chinesa e até mexicana: Rieslings. De fato o melhor mesmo são os vinhos feitos de Gruner Veltliner, mas como esta uva austríaca é bem rara por aqui (infelizmente) os Rieslings são um bom coringa. Alguns rosés também vão bem.

Aventura britânica

In Idéias gerais on November 5, 2007 at 10:47 am

Fui com o casal Jancis Robinson e Nick Lander ao Mocotó. O relato deste mergunho em profundezas brasileiras está aqui, no Paladar de 5a passada: http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup73952,0.htm

Verguenza ajena

In Idéias gerais on November 2, 2007 at 11:37 pm

Estava aqui perto de casa, num restaurantinho, feliz, na tarde/noite chuvosa do feriado, tudo plácido, quase pasmaceira mesmo. Então chega um senhor de cabelos muito brancos acompanhado por 2 senhoras.

Um minuto depois está esbravejando, dizendo: “sou muito educado! MUITO! é o que me impede de dizer que sou o doutor sei lá das quantas! que sou amigo de autoridades, que isto e que aquilo!” E gritava nervoso: “se eu não fôsse muito EDUCADO, estaria fazendo uma cena” (e ia fazendo a cena, que anunciava que não faria…).Seria até engraçado, se não desse vergonha da coisa patética toda.

Fiquei suando de vergonha por ele. E tudo porque a mesa que ele tinha reservado não estava disponível. Não uma mesa, A MESA, a que ele queria. Nestas horas é bom não ser dono do restaurante. Eu teria dito sem piscar: “o senhor então pode ir embora e não volte mais!”. Aliás, quase disse mesmo. Pedi a conta e vim embora, ele ficou lá bancando o importante, gente minúscula.

a volta dos mortos-vivos

In Idéias gerais on November 2, 2007 at 1:25 am

Eu pensava que no século 21 não haveria mais flute de champagne, nem talheres de peixe. Não existe copo pior em todos os sentidos que flute de champagne, prefiro beber num copo de boteco. Talher de peixe nem precisa explicação, é um garfo que não espeta e uma faca que não corta…deve ter sido inventado pelo Marques de Sade.

Continuando 2…

In Idéias gerais on November 2, 2007 at 1:15 am

Enquanto o Glupt! não volta…preciso descarregar os resmungos, bocejos e divagações de um diletante em tudo.