luizhorta

Archive for May, 2007

flying around

In Idéias gerais on May 27, 2007 at 5:35 pm

266759398_571f4e27871.jpgO blog viaja na próxima semana e volta em duas delas. Com muitos vinhos provados pelo caminho.

Deu branco

In Idéias gerais on May 22, 2007 at 3:45 am

malin_12_lagascogne.jpgFui com a Nina no ICI bistrot comer moules et frites, que o festival começa hoje. E tomei o branco que fiquei me devendo desde a semana passada, muito bom, este Alain Brumont além dos Tannats legais que fazia (os recentes pareciam meio descaracterizados) faz este ótimo branco. O ICI virou gente grande, ganhou aquela pátina e simpatia de um lugar onde é gostoso voltar e ficar, um certo empilhamento de camadas, que faz um genuíno restaurante de toda a vida, no bairro. Uma garrafa vazia de um grande vinho que se coloca na prateleira, um quadrinho a mais, um abatjour que não cega a vista, bom atendimento sem exageros de salamaleques, boas taças, preços corretos. A costela à provençal era uma gostosura e o suflê bem armado, imponente, parisiense, uma boniteza.

Vinho: Gros Manseng/Sauvignon Blanc 2005, Vin de Pays du Côtes du Gascogne

Momento animação

In Idéias gerais on May 20, 2007 at 2:42 pm

Para não dizerem que não falo de coisas bonitinhas- e sem alcóol -para menores, o estúdio Disney (o mesmo que patrocina o Heston Blumenthal, he, he…) lança um filme que gira em torno de uma cozinha em Paris. A animação é linda, apesar de nada jamais superar a pintura frame a frame de Branca de Neve. Mas confesso que o trailer me bastou, 9 minutos desta correria toda e panelas voando já me cansaram. Para domingón é um atraente programa e a imagem é espetacular, mostrando por tabela onde o cinema vai acabar, aqui na tela do computador. O filme se chama Ratatouille e o trailer está aqui:

http://www.apple.com/trailers/disney/ratatouille/previewQTlarge.html

Liberou

In Idéias gerais on May 20, 2007 at 12:29 am

Depois de anos que todo mundo tenta incluir os rosés como escolha decente, até mesmo com uma importadora dedicada só a eles, como mostrou o Américo no Paladar (e deu certo, Américo?), parece que pegou, virou mania. Então já podemos beber outra coisa. Eric Asimov hoje levanta um assunto interessante no NYTimes. A rejeição, principalmente masculina, aos brancos. Enquanto que gente do vinho, quanto mais tempo passa, mais prefere brancos. Tenho sofrido disto, porque em mesa de cidadãos não vinópatas, é difícil emplacar um branco, mesmo que sempre as pessoas me digam: “vc escolhe!”. Eu escolho, um branco. Vejo as caras de decepção, choque, horror e repulsa e acabo atendendo à freguesia. Mas saio sempre com aquele branco que NÃO bebi na memória. O mais recente branco não bebido foi um do Madiran, Alain Brumont, Petite Manseng e SB.

BB

In Idéias gerais on May 19, 2007 at 11:39 pm

O Gopnik tinha razão, como sempre, este papo todo de harmonização e fermentação em carvalho, o que a gente quer mesmo é BB: birita barata.

Nu, coberto de espuma e não é na banheira

In Idéias gerais on May 19, 2007 at 5:44 am

O artigo de Rogério Fasano no caderno Paladar de 5a feira passada é um primor. Devia ser parte do currículo das universidades de gastronomia. Sempre desconfiei do Blumenthal, como uma cópia caricata do Adriá. Mas como estes restaurantes têm fila de espera de meses e contas do tamanho do PIB do Zimbabue, ninguém ousa dizer que detestou. Pois lá está, com todas as letras, o relato do jantar completo, cada coisa mais asquerosa que a anterior. É uma disneylandia onde o Pateta é o cliente e o Tio Patinhas o cozinheiro. Atenção, não estou num surto de Santisantamarice, não se trata de dizer que toda a cozinha contemporanea é picaretagem e efeitos especiais. Mas o Fat Duck aos olhos do Fasano, é. Resta conferir pessoalmente, confesso que o Blumenthal é muito simpático e acessível.

Salt chic

In Idéias gerais on May 18, 2007 at 3:32 am

Voltei no Sal Gastronomia, restaurante simpático, gostoso e bon marché dentro da galeria de arte Vermelho (na minha modesta opinião, como ex-crítico de arte, a galeria vai sumir e o restaurante ficar, mas ça va sans dire…). Ótimo vinho do Languedoc Roussillon chamado Chatêau de la Bastide, Douce de Folie. Cada vez gosto mais deste vinhos do sul da França que são algo catalães. E com preço amável. A comida ótima, um magret de canard com pure de mandioquinha, uma sobremesa deliciosa da alma, com sagú;  sempre que tem sagú para mim é confort food. Que lugarzinho especial! Pensei em escrever algo, claro que o Braulio já tinha escrito, este Braulio Pasmanik que garimpa as pepitas antes de todo mundo.

Mas au schiste?

In Idéias gerais on May 8, 2007 at 1:48 am

rimbert.jpgO doidão Rimbert chama um de seus vinhos assim, porque as uvas são torturadas no complicado solo de xisto e também porque ele se sente um masoquista em produzir vinhos ali. Mas os vinhos são bons! Como diria o Conselheiro Acácio: vinho quando é bom, é bom. Estes são. Fiquei de três da tarde até as oito provando e aprovando 9 vinhos da Delacroix, uma importadora capricho do simpático Geoffrey de la Croix, que aguentou além de meus comentários um sofrimento maior: meu francês! Cada vinho parecia ganhar do anterior, todos orgânicos ou biodinâmicos. Tinha Bordeaux, Champagne, Borgonha (de babar) e Rhône (idem) mas o Languedoc, na minha modesta opinião, caiu matando. Este Travers de Marceau do Domaine Rimbert, tão perfumado, tão mediterrâneo, mas sem o calor habitual da região, tão amigável como uma tarde nos Pireneus, foi o meu favorito. Bravo!

Ah! quem dera

In Idéias gerais on May 6, 2007 at 10:48 am

2911606930_08_lzzzzzzz.jpgQuero escrever assim, quando crescer; depois traduzo, que agora estou com preguiça:

Pierre Gagnaire.Pour être sincère, c’est mon chef préféré. C’est une cuisine de doute, de peur, de schizophrénie. Tout à coup, la cuisine se fend, ouvre son cerveau. Les plats partent dans tous les sens. On dirait parfois que Pierre Gagnaire vient juste d’assister à un accident. Il raconte tout avec la furie des mots, leurs répétitions”.

França

In Idéias gerais on May 6, 2007 at 3:54 am

Bom, hoje tem eleição francesa. Nada mais chato. Mas para homenagear a pátria intelectual posto o link para um vídeo (não sei postar o próprio, hoje me senti mais burro que o habitual). Lindo, melancólico, num pensive mood como deve ser. Sobre a sensação permanente de impertinência, de estar sempre num hotel, de nunca chegar de verdade, de usar coisas que mãos invisíveis colocam e tiram do lugar. O desconforto que é estar no mundo, visitando e como hóspedes. É baseado no “Journal d’un homme de chambre” de uma das pessoas que mais gosto no nosso assunto (desculpe Paco, sei que vc detesta ele. Eu adoro, cosa fare). Bon dimanche!

http://www.youtube.com/watch?v=taCVP2EsMIk

Gloria em vida

In Idéias gerais on May 5, 2007 at 1:57 am

Tá ouvindo umas trombetas tocando? Sou eu chegando com meu novo tema musical, haha. Este blog foi citado pelo Marcelo Katsuki- http://marcelokatsuki.folha.blog.uol.com.br/ e desde então virei celebridade. Até precisei mudar a mobília aqui do Glupt rapidinho, para poder receber melhor tantas novas visitas. Obrigado Marcelo e novos leitores! Frederica também ficou feliz.

fredafeltro1.jpg

[ilustração em feltro de Carol Grilo, www.fofysfactory.com.br]

Expovinis 2

In Idéias gerais on May 4, 2007 at 10:48 pm

Mais da feirona. Num cantinho ensolarado (parece bonitinho, mas só piorava o calor) um casal de sul-africanos, Paul e Nicky Wallace, da Elgin Vintners. Foi o encontro mais curioso, eles vieram na cara e coragem, souberam da feira, alugaram um stand (quase nada, uma tenda descreveria melhor) e ficaram lá servindo seus vinhos. Eram simpáticos, falantes, estavam adorando o passeio. Eu jamais teria descoberto os dois naquela confusão, se não tivesse me encontrado com eles enquanto provava as novidades dos Pisano. Confesso que esta gente muito amável mete medo. Pois e se os vinhos forem ruins? Treino sempre uma cara de poker, bem neutra e falo: boa acidez, bastante fruta, madeira bem integrada. Mas às vezes sinto um rim dissolvendo e a azia terminal envolvendo meu esôfago e não dá para ganhar o Oscar do fingimento.

Pois bem, os vinhos deles eram:ÓTIMOS! Um Sauvignon Blanc muito elegante, gostoso e bem feito. E um Merlot excelente, nem austero demais, nem fácil demais, aquele meio caminho entre mundos Velho e Novo que dá no que se pode chamar: bom vinho. E com um rótulo cor laranja muito atraente, e com tampa de rosca, e custando (lá, infelizmente) 5 dólares o branco e 10 dólares o tinto, que traduzidos em funny money resultam nas inacreditáveis quantias de 10 real e 20 real. Se aqui tivessemos vinhos desta qualidade com este precinho…