Os 50

A lista tão falada da revista inglesa Restaurant, que a cada ano elege os 50 melhores restaurantes do mundo, dá as polemicas habituais. Afinal, toda listagem, seja de melhores, piores, lista de compras ou selecionados no vestibular, significa a mesma coisa: um recorte feito da realidade por um/vários observadores. São milhares de restaurantes no mundo e, evidentemente, sempre alguém vai reclamar que o da Dona Maria da Esquina, que é seu favorito, não foi incluído. Mas mesmo assim é curioso observar os acertos da coisa. Primeiro, concordo inteiramente com a grande preponderância de espanhóis, afinal desde o fim do século XX quem vem dando rumos à gastronomia são os catalães e bascos. Segundo, a recuperação, pouco a pouco da França no cenário. Os franceses inventaram tudo isto, mandaram no mundo da mesa até os anos 80, mais ou menos, depois houve um gap inexplicável, uma espécie de respirada fundo, e agora estão voltando.

Eu, como europeísta, espanholista e catalanista, não poderia ficar mais contente. Adriá, Andoni e Arzak, o triplo A é muito representativo de tudo que se passa lá. Sendo Andoni do Mugaritz, meu guru e ídolo gastronômico, a única pessoa viva que admito chamar de genial. Os franceses são pesos- pesados mesmo, Ducasse, Gagnaire e Michel Brás[ é Bras, mas o corretor do word teima em mudá-lo para o bairro paulistano. Melhor para nós...]. Não há o que discutir e ponto. Os Estados Unidos mostram, mais uma vez, que são apenas um pais grande e não mais uma referencia. São dois americanos entre os dez, mas os dois são um só! E se trata do veteraníssimo da “escola de Berkeley”: Thomas Keller, que aparece com seus dois restaurantes, o da Califórnia e o de NY. Se pensarmos em proporções, que a Espanha é menor que o Texas, que San Sebastián é uma cidade de meros 1 milhao de habitantes e tem ali dez mega chefs, fica patente a roça que os EUA são. E por falar em mato, o Brasil aparece com muita justiça com o Alex Atala, que salta vertiginosamente de 50 para 38. Justo, justíssimo. Não fiz um levantamento cientifico, mas duvido muito que algum dos outros chefs, os outros 49, precise fazer almoço executivo e arroz com feijão. Num país de verdade o Alex teria suas mesas lotadas todo dia para menu degustação e não precisaria disto, mas é a velha historia de como o Banana’s trata seus filhos. De qualquer modo ele vai rompendo caminhos. Uma lista é uma lista. Mas esta vem cada ano melhor…

Aqui a lista completa, com os sobes e desces:

http://www.theworlds50best.com/2007_list.html

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One Comment on “Os 50”

  1. Paco Torras Says:

    Acho bacana, mas não entendo muito os critérios para se eleger os 50 melhores de qquer coisa do mundo, restaurante então nem se fala. Eleger meia duzia aqui do Rio já sai briga, imagine do mundo…Acho que por mais justo que possa parecer é sempre injusto…

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