luizhorta

Archive for April, 2007

Expovinis

In Idéias gerais on April 29, 2007 at 7:58 pm

Bom, todas as reclamações feitas a respeito do calor intragável na Expovinis (no primeiro dia faltou ar, taças limpas, cuspideiras nos stands. No segundo dia, como as geladeiras fizeram seu trabalho, o calor continuou mas pelo menos os vinhos passaram a estar do jeito certo), vamos aos vinhos. Foi a melhor destas feiras nos últimos anos. Provei no segundo dia 60 vinhos, nenhum era ruim, o que é uma surpresa.

Destacaria um Malbec de Cahors, a terra de origem da uva, chamado Impernal, que tinha um aroma delicioso de ameixas pretas e que era a experiência de tomar um vinho histórico, pois esta região, com seu “vin noire” aparece desde o século 11 na literatura.  

Também fazendo bonito meu querido Uruguai, os Pisano com novidades: um Torrontés de colheita tardia (Fabula) e o espetacular Axis Mundi, que infelizmente está no final (a safra de 2002 que foi fantástica para eles, deu só umas duas mil garrafas, a Fabiana Bracco trouxe 3 delas, uma para cada dia da feira. Claro que passei todos os dias lá com meu copinho na mão e um olhar de cachorro sem dono, pedindo minha cota). Além do ótimo RPF Petit Verdot e do Rio de los Pajaros Viognier, mostrando a personalidade peculiar dos brancos por lá, com um preço sensato e amável: 40 reais.

Juan Andrés, da Bodegas Marichal,  tirou de debaixo da mesa uma coisa sem rótulo, um blanc de noirs, um branco de Pinot Noir, interessantíssimo. Uma vinícola nova, Alto de las Ballenas, com um Tannat-Viognier. Estes uruguaios…

 (continuará)

In Idéias gerais on April 29, 2007 at 2:51 am

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pausa artiztyka

In Idéias gerais on April 29, 2007 at 2:51 am

hehehe, como escreviam aqueles tropicalistas, cheios de ks. Seguinte, arte ainda é sobre o tal do belo, e o El País de hoje publica um slideshow sobre Andrés Serrano, o cubano-americano. Eu tinha um livrão dele que era pura pintura da Renascença, umas vezes e do Barroco, noutras.  Eram fotos de morgues, com uma luz de fazer babar os tenebristas. Sumiu, o livro, não ele. Agora aparece fazendo fotos como esta que posto aqui, que o jornal considera blasfemas e coisas assim, atrevidas, estas palavras  que  os novatos em kurtura acham que são bacanas para atrair o caro leitor. Na verdade as fotos não podiam ser mais católicas, porque o negócio é o humanismo. Ele não está ofendendo ninguém, está abrindo um livro de explicações fotográficas para aqueles problemas ontológicos (esta foi caprichada. É feriado, estou usando os recursos todos) de sempre. Deixa prá lá, basta olhar.

In Idéias gerais on April 28, 2007 at 10:05 pm

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resumo da semana

In Idéias gerais on April 28, 2007 at 10:02 pm

Estou esfriando os tamborins para escrever sobre o rito de expiação chamado Expovinis. Cada um faz a Via-Sacra que pode…Enquanto isto ando numa implicância federal com gente que traduz tudo. Escrever certas coisas é feio. Ninguém fala: o Grande Ben para o relógio. Ou que visitou a Alameda Soturna, onde ficam os clubes, a rua do Regente de Cima,  a do Regente de Baixo, a Rua dos Bônus e o Arco de Mármore, no Parque Hyde, perto da Esquina dos Oradores. Londres é mesmo linda, tem o Parque Verde, a Rua Germina para comprar camisas e gravatas, o Beco Sevilha para fazer ternos, o Jardim do Convento e, para os fãs, a Via da Abadia, onde Paulo, João e Jorge e Ringo gravavam.  Pensando bem, deixe que traduzam, pelo menos vamos rir. E na próxima postagem (sua, sua, molha a camisa): Expovinis.  

Os 50

In Idéias gerais on April 24, 2007 at 12:21 pm

A lista tão falada da revista inglesa Restaurant, que a cada ano elege os 50 melhores restaurantes do mundo, dá as polemicas habituais. Afinal, toda listagem, seja de melhores, piores, lista de compras ou selecionados no vestibular, significa a mesma coisa: um recorte feito da realidade por um/vários observadores. São milhares de restaurantes no mundo e, evidentemente, sempre alguém vai reclamar que o da Dona Maria da Esquina, que é seu favorito, não foi incluído. Mas mesmo assim é curioso observar os acertos da coisa. Primeiro, concordo inteiramente com a grande preponderância de espanhóis, afinal desde o fim do século XX quem vem dando rumos à gastronomia são os catalães e bascos. Segundo, a recuperação, pouco a pouco da França no cenário. Os franceses inventaram tudo isto, mandaram no mundo da mesa até os anos 80, mais ou menos, depois houve um gap inexplicável, uma espécie de respirada fundo, e agora estão voltando.

Eu, como europeísta, espanholista e catalanista, não poderia ficar mais contente. Adriá, Andoni e Arzak, o triplo A é muito representativo de tudo que se passa lá. Sendo Andoni do Mugaritz, meu guru e ídolo gastronômico, a única pessoa viva que admito chamar de genial. Os franceses são pesos- pesados mesmo, Ducasse, Gagnaire e Michel Brás[ é Bras, mas o corretor do word teima em mudá-lo para o bairro paulistano. Melhor para nós...]. Não há o que discutir e ponto. Os Estados Unidos mostram, mais uma vez, que são apenas um pais grande e não mais uma referencia. São dois americanos entre os dez, mas os dois são um só! E se trata do veteraníssimo da “escola de Berkeley”: Thomas Keller, que aparece com seus dois restaurantes, o da Califórnia e o de NY. Se pensarmos em proporções, que a Espanha é menor que o Texas, que San Sebastián é uma cidade de meros 1 milhao de habitantes e tem ali dez mega chefs, fica patente a roça que os EUA são. E por falar em mato, o Brasil aparece com muita justiça com o Alex Atala, que salta vertiginosamente de 50 para 38. Justo, justíssimo. Não fiz um levantamento cientifico, mas duvido muito que algum dos outros chefs, os outros 49, precise fazer almoço executivo e arroz com feijão. Num país de verdade o Alex teria suas mesas lotadas todo dia para menu degustação e não precisaria disto, mas é a velha historia de como o Banana’s trata seus filhos. De qualquer modo ele vai rompendo caminhos. Uma lista é uma lista. Mas esta vem cada ano melhor…

Aqui a lista completa, com os sobes e desces:

http://www.theworlds50best.com/2007_list.html

charada

In Idéias gerais on April 23, 2007 at 5:32 pm

O número 1 é o sétimo…

Riesling de sabadão

In Idéias gerais on April 14, 2007 at 8:55 pm

riesling.jpgAh Riesling impossível, escorregadia, indemonstrável e inefável, a língua não é capaz de descrevê-la, docinha e ácida, o nariz quase agarra o seu aroma, mas vai do mel ao querosene e do cítrico ao gasoso, uva mágica, cogumelo vínícola, se ao menos voce existisse para os anos setenta, muitas vidas teriam sido salvas, voce teria sido a heroína, o açúcar marrom, a poeira dos anjos daqueles tempos. Tarde demais. A Riesling é a letra do Wilco:

Impossible Germany
Unlikely Japan
Wherever you go
Wherever you land
I’ll say what this means to me
I’ll do what I can
If this was still new to me
I wouldn’t understand
But this is what love is for
To be out of place
Gorgeous and alone
Face to face
With no larger problems
That need to be erased
Nothing more important than to know
Someone’s listening
Now I know
You’ll be listening

Breakfast

In Idéias gerais on April 12, 2007 at 3:21 am

vonnegut1.jpgTomei uns SB deliciosos, um do Finca Las Moras e outro do Chakana Estate de perfeição, frescos, agradáveis, descompromissados, amigáveis. E otras cositas más. Mas como nenhum dia é redondo na vida, o Kurt Vonnegut me faz o favor de morrer justo hoje. Como ele pode?

Fred Astaire

In Idéias gerais on April 8, 2007 at 5:50 am

cantando em Funny Face: “if you can cook, the way you look…”

In e out das uvas

In Idéias gerais on April 8, 2007 at 4:43 am

Uvas que andam fora de moda: Chardonnay e Gamay.

Uvas que estão na moda: Riesling e Pinot Noir.

Uvas que vão entrar na moda, logo, logo: Viognier e Cabernet Franc.

Que besteira!

Bouza Tannat-Tempranillo 2005

In Notas de degustação on April 8, 2007 at 1:54 am

fo_bote_tempra_tan.jpgContinuando…não consigo parar de gostar deste vinho. Quem ainda punha interrogações e exclamações quando via as duas palavras juntas: Uruguai e vinho, que guarde suas restrições. Este é um dos vinhos mais simples dos Bouza. E no entanto, um nariz de muita fruta mas com elegância e nada, NADA de Novo Mundo óbvio, naqueles cheiros de fermentos e leveduras tão frequentes, ou de madeira mal secada. Um nariz convidativo e ao mesmo tempo complexo, layers…Uma hora é pimenta recém moída, noutra hora é a coisa meio tabacosa da Tempranillo e noutra um pouco de nanquim, do escuro profundo da Tannat, tem até um pingo de Brett, mas psicologico, tem coisas que se sente com o olfato, outras que quem sente é o cérebro. A Bodega é de uma limpeza tão esmerada, parece um sonho, com carneiros pastando em volta.  E na boca, um sólido europeu cheio de nonchalance,  despretensioso e por isto mesmo espetacular  (olha que atrevimento falar isto de um vinho do vizinho), ótima acidez, boa estrutura, duração, gosto de “quero mais”, corpo, um vinho emocionante, um pingo de amargo no final, e o nariz vai andando para o chocolate de puro cacau, um toque de aniz, um pouco de defumado, uma lembrança de alcaçuz. Como se vê, nem um pouco unidimensional, cheio de nuances. Aparece, como já disse,  um pouco da Tempranillo (que representa 40% do corte) e uma Tannat tão fina, tão delicadamente trabalhada…Boido é o Professor Higgins da Tannat. Sabe aquela gotinha que fica na taça? Geralmente, com a exposiçao ao ar e com o calor, esquecida ali, ela acaba mostrando uns aspectos desagradáveis. É neste vinho dormido que aparecem certas verdades, a decrepitude, os defeitos. Pois esta gotinha no caso do Bouza é um perfume intenso, ainda melhor. O pequeno país está explodindo de qualidade. Não aguento mais esperar para provar o Arretxea branco dos Pisano…

A visit to a small planet

In Idéias gerais on April 3, 2007 at 1:54 pm

untitled.jpgPáscoa chegou mais cedo. Hoje no site de Jancis Robinson, ela destaca como vinho da semana o Tannat dos Bouza. Como amo o Uruguai,  e vejo naqueles vinhedos um futuro muito precioso, fiquei lisonjeado como se eu fizesse o vinho. E ela não deixa por menos, chama o top de linha Montevideo, de “glorious”. Preferia até que o Uruguai ficasse como um segredinho discretissimo, porque é o melhor país destas plagas. Mas, vamos e venhamos, eles merecem, o casal Elisa e Juan Luis e o excelente enólogo Eduardo Boido. Belo trabalho. Vou desarrolhar o Tannat-Tempranillo que tenho aqui.

Em tempo: os vinhos Bouza chegam ao Brasil pela Decanter de Santa Catarina, com filial em São Paulo e Belo Horizonte.