luizhorta

Archive for February, 2007

Argh! Isto?

In Idéias gerais on February 28, 2007 at 5:34 pm

132007022809373615charles.jpgfoto EFE

Perde e ganha

In Idéias gerais on February 26, 2007 at 10:20 am

nueva_especie_epimeria_crustaceo_25mm_largo.jpgPois nem tudo é tragédia. Sumiu a ave Dodo e outras guloseimas. Mas o lento degelo da Antarctica (o pólo sul, não a cerveja esquecida fora do freezer…) começa a mostrar um universo marinho totalmente desconhecido e inesperado, que existe lá debaixo do gelo. A foto de um crustáceo, lindo, publicada no El Pais, que tentarei colocar aqui, me deu água na boca. Tão bonitinho, parece gostosinho, será o camarão do futuro?

Calor

In Notas de degustação on February 25, 2007 at 1:30 am

quara_2.jpgNeste verão bravo que baixou de repente, todo picado por pernilongos, suando (o inferno é quente, sempre me lembro disto, não é frio…), comprei o melhor amigo do amante de vinhos, um branco direto, que fala sem embromações e vai logo ao ponto: refrescar. Um Quara Torrontés, muito floral no nariz, seco e agradável na boca, para beber gelado, desta uva tão argentina que todo mundo ama detestar, sendo eu o único enamorado dela. Não frio, nem resfriado no balde de gelo, estas coisas…beber gelado mesmo, com sede. Custa meros 16,90 reais e ainda tem um rótulo divertido com uma lhama.

A data pedante…

In Idéias gerais on February 24, 2007 at 11:13 pm

…e a data relevante. Muita gente acha, com razão, que gente do vinho fala de safras como uma arma de esnobismo. E frequentemente é mesmo. Mas vinho, apesar de durar mais que muita coisa, tem também um prazo de validade. Neste caso, a safra é um indicativo de que o que está dentro da garrafa já pode ter ido pro beleléu. Por exemplo, um vinho ligeiro, para matar a sede, com muita fruta, como os Torrontés argentinos, ou o famoso Beaujolais, são para tomar logo, no ano de sua colheita, quase saindo da vinícola. Vejo no supermercado coisas bem desagradáveis. Gosto muito dos brancos da Finca Las Moras, de San Juan, Argentina. Estão na faixa de 21 reais e são ótimos com comida e sem muita pretensão. O Viognier é um achado. Mas aqui no Pão de Açucar que frequento, está o de 2004. Comprei assim mesmo e minhas suspeitas se confirmaram. Ali exposto, na prateleira, com toda a variação de luz e temperatura, e mais uma espécie de labirinto de ovos de Páscoa que estão montando em frente, o vinho já estava cozido, cozido mesmo, experimente ferver um pouco de vinho e depois deixar esfriar e prove: um vinho cozido. Se fosse 2006 estaria perfeito. Então tem que olhar o ano sim, não para dizer sobre um vinho de 20 e poucos reais, que “as condições climáticas em 2004 no centro-sul da Argentina foram amplamente desfavoráveis” afetando uma sabedoria bestinha, mas para não comprar um sopão engarrafado de Viognier. Pena.

Uvas e popularidade

In Idéias gerais on February 24, 2007 at 9:52 pm

Eu falei aí atrás que não gostava de Sauvignon Blanc. Depois fiquei pensando, acho errado pensar vinhos em termos de uvas que se gosta ou não. Me dei um puxão de orelha, sou muito rigoroso com meus próprios pensamentos. Afinal a mesma uva que ali aparece feia na foto noutro lugar, sob as mãos de outro enólogo, com outras técnicas de vinificação, pode ser sensacional. Se eu acho esquisito gente que diz: “só gosto de Cabernet”, como vou repetir a mesma coisa? Nah, nah, comigo não violão. Tudo pode ser gostável. E é preciso provar para saber.

Bastilha 2

In Idéias gerais on February 24, 2007 at 1:31 am

Eleição na França é igual jogo de canastra naquela praia das Férias do Monsieur Hulot: um cara mostra as cartas e tem sarcozí na mão. O outro tem segolene, que é o mesmo jogo mas com coringa. Vão para a segunda rodada e o sarcozí continua com o mesmo jogo, mas o outro tenta a segolene royal.

Bastilha

In Idéias gerais on February 23, 2007 at 8:10 am

Quando comeremos com prazer e esqueceremos das estrelinhas…

bibendum2.jpg

A SB

In Idéias gerais on February 22, 2007 at 8:30 pm

Vou comentar os vinhos da VINEA, já devia ter comentado, mas o Mr.Bill Gates vive entrando na minha vida, travando meu pc, atrapalhando minha agenda. Estava pensando sobre o mistério da Sauvignon Blanc, uma uva “menor” mas com uma personalidade tão variada que vai ficando interessante. Quando se fala em SB do Novo Mundo eu arrepio, penso naquele turbante da Carmen Miranda, todas aquelas frutas tropicais, que na metade da primeira taça já me enjoou. Uma bomba de manga e abacaxi. Sempre senti isto, mas não tinha coragem de dizer, até que Sir Hugh himself, Hugh Johnson, vestiu a carapuça e disse que não gosta de SB. Pois então comecei a ver que nada é preto ou branco, exceto o preto e branco (como diz outro escritor favorito). Tomei um SB de Casablanca, que era mais para o cheiro de vegetais, pepino cru, aspargos, aipo. Um de San Juan, da Finca Las Moras, que foi uma pequena aula sobre a uva, com o cat piss in a gooseberry bush, xixi de gato num arbusto de groselha. E finalmente, este da Casa Marin, que me recoloca nos vinhos que tomei e comentarei no próximo post.

Pensamento em linha

In Idéias gerais on February 20, 2007 at 5:26 pm

Dias 12 e 13 de março acontece fisicamente em San Sebastian e virtualmente na sua casa, caro leitor, um encontro de chefs, pensadores, chefs pensadores (tem sim, uns 3 mas tem), téoricos e glutoes em geral, indo de slow food a novas tecnologias. A coisa toda é capitaneada pelo euro toques (estou pagando bem por um hifen, um til e um acento neste teclado dos infernos) e por vários estrelados Michelin, dentre eles o melhor chef da Espanha, Andoni Luis Aduriz do Mugaritz. Eles prometem que tudo estará online em no máximo duas horas após a delivrance perante o público. O endereço é http://www.dialogosdecocina.com/home/ctrl_index.php?accion=cocina

A coluna sabe

In Idéias gerais on February 20, 2007 at 4:52 pm

Mas nao conta. Vem importadora nova por ai, vem uma boa surpresa para os vinhos brasileiros, vem um icone quase definitivo do Velho Mundo, feito de maneira antiga e fabuloso, que divide a vinicultura de uma regiao muito famosa. Hahaha, um centavo pelos meus pensamentos. É muito chato saber coisas que nao se pode contar.

Quaresmeira

In Idéias gerais on February 18, 2007 at 9:56 pm

Antes se dizia que o tal terceiro misterio de Fatima era que nao existia o purgatorio. O Papa acabou com ele, e ninguem se importou. Eu acho que o misterio é que o terroir nao existe. Cada vez fica mais evidente que as tais caracteristicas minerais do solo sao impossiveis de serem detectadas no vinho. O que existe é a luta do homem e da uva contra a natureza, o terroir nada mais é que o defeito de cada vinho, o defeito que fica, fruto da chuva, da idade do vinhedo, do tipo de vinificaçao utilizado, o terroir nao é o chao, é a derrota do homem estampada nos vinhos. Vodca é sobre a mesmidade (ou a mesmice, dependendo do ponto de vista), vinho sobre os defeitos que tornam cada garrafa unica. Ainda bem, o terroir nao existe, como aquela coisa do solo passando sua microfisica para a bebida, existe como uma impossibilidade de fazer o vinho perfeito e identico como um destilado.

Recorded at the Cine Teatro Gran Rex in Buenos Aires, June 24, 1973

In Idéias gerais on February 17, 2007 at 5:34 am

Recorded at the Cine Teatro Gran Rex in Buenos Aires, June 24, 1973

Inveja

In Idéias gerais on February 17, 2007 at 5:33 am

Estava aqui arrumando os cds e os mp3s e ouvindo horas e horas de Thelonius Monk, Milt Jackson, MJQ, Bill Evans, Miles Davis, Gil Evans et caterva. Então me bateu a lembrança de uma das poucas invejas que já senti. Eu vi Dizzie Gillespie tocando três vezes, Piazzolla idem, 3 vêzes, o Modern Jazz Quartet uma única, mas eram shows grandes e normais. Meu ex-vizinho de Buenos Aires foi que me deu a invejinha. Numa fria e chuvosa manhã de domingão porteño, ele viu num teatro quase vazio, Bill Evans. Esta soma de umidade, domingo de manhã, BsAs e teatro vazio cavaram um oco na minha alma, eu PRECISAVA ter visto isto. Ça va. E foi no Teatro Rex, decadentão da Corrientes, lá em cima, tudo tem um gostoso ar melancólico de bruma neste dado biográfico do outro.

O vinho já volta

In Idéias gerais on February 17, 2007 at 5:18 am

Fui à nova importadora, a VINEA store, muito simpática, tomei uns Casa Marin de enorme pureza. Pureza? Quer dizer que eles eram limpinhos? Não. Quer dizer que eles tinham muita tipicidade. Está complicando! Tipicidade, assim como trajes típicos? De uma certa forma, sim. Cada variedade de uva tem umas características, a Riesling tem lá uns atributos de Riesling, a Sauvignon Blanc também e por aí afora. E esta coisa ainda se altera se o clima é quente, ou frio, a altitude é tal ou tal e vamos adiante, muito que explicar, falarei destes tais vinhos e destas palavras. Mas estou “de” Carnaval, que no meu caso é arrumar arquivos. Já volta o vinho.

Momento poético

In Idéias gerais on February 16, 2007 at 9:25 pm

Blog também é cultura. Choveu. Está uma tarde cor de Sauternes.

Vidas minúsculas

In Idéias gerais on February 16, 2007 at 2:14 pm

Carnaval, hora de aproveitar o silêncio. Incrível, mas é o momento de mais silêncio que tem aqui, hoje os passarinhos estão em idílio campestre ou idiotia rural, sei lá. E hoje tive um daqueles minor achievements. Consegui colocar o lixo prá fora ANTES do caminhão passar! É uma guerra continuada, eu juro que os lixeiros ficam esperando eu abrir a porta para passarem correndo e irem embora. Sou pego com o saco na mão (metaforicamente) frequentemente, descendo perplexo minha Unter der Linten (plano para 2007, aprender a colocar trema no teclado, anotação mental normativa 32/ag/ooo.01) e fico lá, boquiaberto, querendo gritar, parem! parem!

Woody

In Idéias gerais on February 15, 2007 at 6:44 pm

Quem me conhece sabe que detesto sonhar. No sentido daquela coisa que passa pela cabeça enquanto dormimos. Não no sentido de imaginar que terei um vinhedo no ano que vem. Tenho a tese de que todo sonho é um pesadelo. Mas hoje sonhei que estava assistindo um filme novo do Woody Allen e lá pelas tantas ele dizia: “Não gosto de crimes que envolvem comida. Por isto não gosto quando minha mulher cozinha”. Acordei rindo. Sei que é idiota. Mas na hora pareceu engraçado…

Ralph Steadman

In Idéias gerais on February 10, 2007 at 9:27 am

steadman.pngDeve ser bom entender de vinhos, ter um vinhedo e ainda saber desenhar. Estou lendo dois livros de Ralph Steadman: “Untrodden Grapes” e “The joke’s over”. Só para dar uma idéia do sujeito, este desenho de como uma uva vê um degustador. Rir, rir, rir.

Como degustar vinhos em uma frase

In Idéias gerais on February 10, 2007 at 9:22 am

 As pessoas fazem cursos, dão palestras, assistem palestras, frequentam degustações horizontais, verticais e diagonais, passam dias discutindo o mérito da safra de 2000 sobre as outras na Europa, a mística dos anos terminados em zero, olham tabelas de pluviometria, mapas satelitais e discutem a existência do terroir como um substituto laico para o misticismo de qualquer espécie. Mas conhecer vinhos é uma única coisa: repetir e comparar. Então, eu que adoro tudo que mencionei, gosto da coisa toda que está em torno do vinho, porque no fundo se trata de um passatempo além de um prazer, cosa mentale, assumo minha parcela de culpa como complicador de uma tarefa simples. Numa única frase -que é tirada de Léo Fourneau quando ele fala de restaurantes- degustar vinhos é:

REPETIR E COMPARAR

Aguinhas de fevereiro

In Idéias gerais on February 8, 2007 at 6:01 am

Além de não parar de chover, um motoboy do capeta, veio da GULA, com uma garrafa que mandaram para mim, a ABSOLUT ruby red, de grapefruit. Eu estava tentando ficar em abstemica concentração, antes que a temporada de vinhos recomeçasse, mas se tem uma coisa que amo é vodca cremosa, ultra congelada, e se tem outra coisa que gosto é grapefruit. Então os dois martinis de Absolut Ruby Red foram inescapáveis. Aproveito e furo o meu próprio lar, o caderno PALADAR, que entrevista o cara da vodca sueca e aceita que não sabe o próximo sabor a ser lançado na lista de vodcas flavorizadas (eles criaram o neologismo, eu adoro neologismo e agarro logo este com prazer): é de pera, a Absolut Pears. Quem quer uma informação adicional lê os blogs, todos vcs 28 que visitaram hoje sabem disto antes da grande imprensa. Modestamente. É brincadeira, viu Michelle?!

Argentina

In Idéias gerais on February 7, 2007 at 2:36 am

Fiz em dezembro uma viagem espetacular pela Argentina vinícola. Norte a Sul, literalmente. Os textos saíram no encarte da revista Gula que está nas bancas (edição de janeiro). Como fui provando vinhos ao longo do caminho e tomando notas, vou começar aos poucos a colocá-las aqui.

Pontos

In Idéias gerais on February 7, 2007 at 2:34 am

Confesso que nunca entendi o sistema de pontuação de Robert Parker. E, nestas alturas da vida, pouco me importa entende-lo. A coisa começa em 50 e tem mil meandros desinteressantes. Na verdade, é um sistema binário. Vinhos com 90 ou mais pontos, que todo mundo comprava e adorava (já nem tanto) e vinhos abaixo dos 90. Podia ter resumido tudo em “do tipo 1″  e “do tipo 2″. Eu não sei que classificação usar. Algum tipo é preciso, porque nossa mente é cheia destas manias de arrumar em prateleiras. Embora seja meramente para dizer que um vinho é melhor que outro, preciso de uma tabela, de uma coisa, sejam estrelinhas, fredericas ou uvinhas. Por enquanto usarei a escala de 10, que entendo, parece óbvia e na qual fui criado. E sempre lembrando, que um vinho de nota baixa não é necessariamente pior(!) Eu mesmo me surpreendo com isto, mas é verdade, tem dias que voce quer um vinho pesadão e cheio de taninos não domados. Naquele momento tal vinho é nota 10, embora numa degustação cheia de frufrus, ele passe batido no meio de outros mais equilibrados e elegantes. Em vinho toda afirmação é contraditória, é meio como o  parce que dos franceses, é assim, porque sim… 

Monstruosidade

In Idéias gerais on February 6, 2007 at 1:27 pm

Os governos de Espanha e Portugal, sob a tirania deste grande erro que é o carro, estão planejando uma autopista Barcelona-Porto. Até aí só mais uma idiotice megalô naquele estilo “governar é construir estradas”. O triste detalhe é que a porcaria asfáltica irá cruzar nada mais, nada menos, que vinhedos de Vega-Sicilia, Alión, Mauro, Pingus e outros para depois ir derrubando uvas Portugal adentro, em pleno Douro. A coisa já anda em movimento, não é como aqui, para 2200. Quem quiser assinar um protesto online, o link é

http://www.savetheduero.com/

Jansz, espumante da Tasmânia

In Notas de degustação on February 5, 2007 at 11:31 pm

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Quem pensa que da Tasmânia só vem o demônio do desenho animado, eis um delicioso espumante para não se envergonhar do próprio nome de champagne, 60 porcento Chardonnay e 40 porcento Pinot Noir e ainda tem um pouco de Pinot Meunier, fresco mas encorpado, com um aroma convidativo de amendoas e do breve estágio em madeira, feito com maestria por uma enóloga _mais uma_ que elas estão começando a dominar tudo. Como vinho é cultura, além de ser bom para beber, fui obrigado a procurar onde exatamente ficava a Tasmânia e qual o seu clima. Pois não é que esta enorme ilha do Pacifico consegue ter altitude e variação climática para se dar ao luxo de produzir Pinot de qualidade e ainda por cima usá-lo neste blanc de noirs[ não propriamente, pois tem a Chardonnay, mas vale a licença poética]? Se eu desse pontos daria vários, como ainda não me decidi como qualificar os vinhos, vou aplicar um belo +++ neste. Vaya complejidad! Cheio de narizinhos esquisitos, gulosinhos, coisas e detalhes, cada gole um tipo de sensação, que é o que se espera do chamado vinho complexo. Uma hora é manteiga da malô, outra hora a acidez super equilibrada. Não tem aquele cheiro de fermento tão típico dos espumantes mais tristinhos. Confesso um pecadillo, mas nesta altura da vida…coloquei o balde de gelo do meu lado e fui bebendo, ouvindo Bach, a garrafa ao alcance da mão. No final de ambos, concerto de Bach e garrafa, me invadiu um sentimento de felicidade que não é exatamente humano e nem merecido. O Jansz chega ao Brasil importado pela KMM.

Um lema

In Idéias gerais on February 1, 2007 at 9:49 pm

Roubo uma frase de David de Jorge, do livro que estou traduzindo, “Porca Memoria”:

Los errores son a menudo mucho más gratificantes que la perfección. Y dan menos dolores de cabeza.” Acho que queria passar isto para latim e gravar no meu brasão. Se tivesse um brasão. Nada é pior que a perfeição. Pensando bem, o perfeccionismo é…